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Arquivo | 14 anos de postagens

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

O que é casamento aos olhos de Deus?


Resposta sobre o que é casamento aos olhos de Deus, nosso Criador.

Por conta da postagem de ontem, sobre o casal Gunnar e Frida Vingren, tenho recebido comentário sobre o que significa o casamento aos olhos de Deus. Respeitosamente, quero dizer que me surpreendi quando alguém falou que não há no enlace matrimonial nenhum aspecto espiritual.

Eu me sinto na obrigação de me pronunciar, não para discutir, mas pontuar sobre o que a Palavra de Deus diz a respeito do tema. Tenho que divergir daqueles que defendem a tese de que não existe no matrimônio um elo espiritual.

Concordamos quando é dito que existe o propósito bíblico da conjunção carnal para procriação e também o prazer físico. E discordamos quando dizem que é fanatismo acreditar que existe no casamento o aspecto espiritual.

Em primeiro lugar, lembremos do que o Criador disse sobre o casamento: "e serão uma só carne". Ora, duas pessoas se tornam uma pessoa no casamento. Como é possível isso? O corpo do marido se liga ao da esposa, pele e ossos num corpo único? Não. Como, então? Não é fisicamente, pois não é possível que duas matérias estejam em um mesmo lugar ao mesmo tempo.

O termo hebraico para a palavra “uma”, contida no versículo “uma só carne” é um vocábulo que não significa unidade, mas UNICIDADE.

O que é unicidade? É quando duas peças, duas unidades, de metal são diluídas em uma fundição pela alta temperatura, e no estado líquido o fundidor derrama as peças de metal liquidificados em uma vasilha, e então os líquidos se misturam. Após a temperatura baixar o líquido volta ao estado sólido. Depois que as peças estão frias, voltam para o estado sólido, e assim temos o resultado chamado UNICIDADE. Duas unidades transformadas em uma. E nunca mais será possível reverter o processo de fundição dessas duas unidades. Para sempre elas serão um objeto só, algo indivisível, o estado original é passado que não volta. O casamento para o Criador é UNICIDADE. Não são duas unidades juntas.

A expressão "dois são um" só é comparada a Deus, a Jesus e a Igreja no sentido espiritual. O Senhor disse "eu e o Pai somos um". E o que Deus é? Matéria ou espírito? Paulo disse que somos o Corpo de Cristo, membros interligados em um só corpo, cuja cabeça é Cristo. Separados desse corpo, morremos...

Portanto, o matrimônio tem o seu aspecto espiritual. Não nos esqueçamos da advertência do escritor de Hebreus, no capítulo 13 e versículo 4, parte a: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula...".

Aos que não honram o casamento, há a sentença condenatória na parte b deste versículo: “Deus julgará os impuros e adúlteros". Isto é, aqueles que após casados, se relacionam como se não houvesse uma aliança de marido e esposa e o compromisso de união honrado perante o Criador da UNICIDADE MARTRIMONIAL, tem em seu futuro um momento reservado para o “acerto de contas”.

Não darei continuidade nisso, pois já me fiz entendido. Acabei esse assunto por aqui.

Caso alguém se interesse em saber mais sobre o que tenho escrito sobre o matrimônio à luz da Bíblia, sugiro que, aqui mesmo neste blog, vá ao ecrã de busca e digite a palavra “casamento”. Nestes anos como blogueiro cristão, recebi diversas perguntas no espaço de comentários das postagens que publiquei, e também pedidos de aconselhamentos. Sempre respondi a todos em sigilo, inclusive aceitando contato em anonimato. 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Gunnar Vingren e Frida Stradberg: unidos pelo Espírito Santo


Unidos pelo Espírito Santo.

Gunnar Vingren sabia o nome de sua esposa antes de conhecê-la. O Espírito usou uma pessoa e lhe disse: "Sua futura esposa se chama Stradberg". E ela, em sonho, viu-o trabalhando no Brasil antes de conhecê-lo. Relatos disponíveis nas biografias de ambos, publicadas pela editora CPAD).

Você sabe, e eu também. Eles dedicaram suas vidas à divulgação do Evangelho no Brasil, e foram grandes figuras da Obra Missionária em nível mundial. Ungidos pelo Espírito Santo, que capacitou-os para fazer missões transculturais, porque reconheceram a grandeza de Deus e a pequenez humana.

Em solo brasileiro, encontraram adversidades de quase todos os tipos, e não desistiram da fidelidade ao Senhor.

► Memórias das Assembleias de Deus no Brasil.
O casamento de Gunnar e Frida.
Frida Vingren
Daniel Berg

domingo, 8 de dezembro de 2019

As Consequências do Pecado de Davi


Por Eliseu Antonio Gomes

INTRODUÇÃO

O pecado não é apenas alguma coisa contrária ao que Deus disse que o ser humano não deveria fazer, mas é também algo contrário ao que Deus não quer que o ser humano faça; é a falta de conformidade com a lei de Deus, em estado, disposição ou conduta. Baseado em preceitos revelados nas Escrituras Sagradas, a definição plena é descrever o pecado como tudo o que é contrário ao caráter de Deus.

Toda pessoa, quando ainda não está renascida em Cristo, naturalmente, tem um temperamento que não se propõe a agradar a Deus, vive a  sua vida disposto a fazer as coisas à sua própria maneira e gosto pessoal. O cristão precisa enfrentar essa natureza carnal, combater a  má conduta, não importa o quão difícil é. Para isso, tem a oportunidade de ler e meditar na Bíblia Sagrada. A Palavra de Deus é fortalecedora de todo aquele que busca estar livre da escravização do pecado.

I - O CONCEITO DE PECADO NO ANTIGO TESTAMENTO

1. No Antigo Testamento.

No Antigo Testamento, o verbo hebraico "hãta" (Êxodo 20.20) tem o sentido literal de errar, ofender. Figurativamente, é o mesmo que errar o alvo e induzir outro ao erro.

O termo  pecado aparece como prática de moralidade e de idolatria (Êxodo 20.20; Juízes 16.20; Provérbios 19.2); malignidade e perversidade (Gênesis 3.5; Juízes 11.27; Provérbios 6.14), revolta e rebelião, rebeldia (1 Samuel 15.23; 2 Reis 3.5; Salmos 51.13 e Jeremias 14.7).

São usados muitos termos para indicar o pecado no Antigo Testamento, além dos citados no parágrafo anterior. Temos também tais conotações: transgressão, iniquidade (Salmos 51.1,2); mal, maldade (Provérbios 17.11); engano (Sofonias 1.9); injustiça (Jeremias 22.13); falta (Salmos 19.12); impiedade (Provérbios 8.7); concupiscência (Isaías 57.5, ARA); depravação (Ezequiel 16.27,43,58 a).

2. No Novo Testamento.

Pecado (hamartia, no idioma grego: “perda da marca”, segundo o verbete no Dicionário Vine).

Lendo e meditando nas páginas neotestamentárias, podemos considerar que uma boa definição para o pecado é o egoísmo. Mas não é correto ficar apenas nesta definição limitada. O significado etimológico no Novo Testamento abrange à obliquidade moral, define um princípio ou fonte de ação. ou um elemento interior que produz atos (Romanos 3.9; 5.12,13,20; 6.1,2; 7.7).

Esclarece que o pecado atinge toda a raça humana, a partir do ato de desobediência de Adão e Eva (Gênesis 3; Romanos 5.12). Revela que o castigo do pecado é a morte física, espiritual e eterna (Romanos 6.23), e que do castigo eterno escapam aqueles que se chegam a Cristo, como Salvador e Senhor (Romanos 3.21 a 8.39).

Os textos do Novo Testamento descrevem o pecado, assim: desobediência e transgressão (Hebreus 2.2),  iniquidade (Mateus 7.23), mal, maldade, malignidade (Romanos 1.29), perversidade (Atos 3.26, ARA), rebelião, rebeldia (1 Samuel 2 Tessalonicenses 2.10), injustiça (Romanos 1.18), erro, falta (Romanos 1.27), impiedade (Romanos 1.18), concupiscência (1 João 2.16).

Mateus 12.31-32 diz que existe o pecado sem perdão, que é a blasfêmias contra o Espírito Santo.

II. A REPREENSÃO DO PROFETA NATÃ AO REI DAVI

1. Uma consciência morta.

Natã viveu durante os reinados de Davi e Salomão. O profeta  era conselheiro dos dois reis (2 Samuel 7; 12; 1 Reis 1). Foi porta-voz do Senhor em três momentos importantes:

• Em relação à casa do Senhor (2 Samuel 7.1-17; 1 Crônicas 17.1-15). 

Nesta ocasião, confirmou a promessa de Deus de que o trono de Davi seria estabelecido para sempre e avisou de que ele não seria o rei que iria construir o templo.

Em relação à sucessão de Salomão (1 Reis 1.5-48). Natã deu a Salomão o segundo nome Jedidias (que significa "amado do Senhor".

• Em relação ao duplo pecado de Davi, o adultério e a morte de Urias (2 Samuel 12.1­-15).

Quando o profeta é enviado pelo Senhor para estar na presença do rei com o objetivo de reprovar os pecados escondidos (2 Samuel 12.1-15), ele faz uso de uma parábola simples para despertar a consciência adormecida de Davi. Cada elemento da alegoria é usado com o propósito de atiçar em Davi o sentimento de amor ao próximo e atingir seu senso de justiça. Supondo que o profeta descrevia um incidente real, indignado, Davi pronunciou sua sentença de morte ao fazendeiro rico da parábola, sendo que a Lei exigia que em caso do roubo de uma ovelha o ladrão deveria compensar a vítima com quatro ovelhas (Êxodo 22.1).

Diante da confissão de Davi, Natã garantiu que Davi não morreria, porque o Senhor havia perdoado o seu pecado. Porém, anunciou que o filho que iria nascer de Bate-Seba não sobreviveria.

O erro de julgamento de Davi, ao não se basear no Pentateuco para emitir a sentença, contra o fazendeiro rico que havia roubado a ovelha do camponês pobre, nos remete à responsabilidade de líderes cristãos: do pastor, do mestre, do pregador e de todo crente.

Precisamos desempenhar a função de propagadores das Escrituras Sagradas na condição de bons exegetas. Em 2 Timóteo 2.15, encontramos o conselho de Paulo conclamando o líder a "manejar bem' (orthotomeó, em grego) 'a palavra da verdade". Essa expressão é encontrada apenas nesta porção bíblica. "Oorthotomeó" significa "endireitar" e "cortar em linha reta". Portanto, Paulo nos incetiva quanto ao dever de todo cristão ser pessoa hábil na interpretação do conteúdo bíblico, a se esforçar para não equivocar-se ao fazer sua exposição da Bíblia e a ser capaz de  corrigir a interpretação bíblica que encontrar exposta de maneira errada.

2. Mostrando a gravidade do seu pecado.

Davi viu uma mulher bonita enquanto estava no terraço do palácio. Seu grande erro foi continuar olhando. Assim, ele deu espaço à sua imaginação e cedeu aos desejos sexuais (2 Samuel 11.2; 2 Coríntios 10.3-5).

Nossa sexualidade foi criada por Deus como uma bênção para o nosso bem-estar. O apogeu dessa bênção acontece no ato sexual no ambiente da vida de casado. Ao contrário daquilo que se costuma propagar atualmente, a liberação dos impulsos sexuais unicamente para satisfação do prazer pessoal é perigosa e nociva; a falta de limites arrasta as pessoas à promiscuidade; à exposição de doenças venéreas, a assumir uma fardo de vergonha e culpa e, principalmente, à separação da comunhão com Deus e ao divórcio.

Deus nunca pretendeu que os impulsos sexuais se tornassem armadilhas do inimigo para levar seres humanos ao adultério e que o sexo fosse pedra do tropeço na vida espiritual das pessoas. É possível controlar os impulsos sexuais, quando entregamos essa área ao Senhor Jesus e buscamos nEle a força para vencer os pecados.

Diferente de Davi, jamais devemos dar asas ao pensamento pecaminoso, o grande segredo é fugir da tentação e confessar os nossos pecados, priorizar a comunhão com o Senhor, meditar em sua Palavra. Um dos mais sublimes valores do cristianismo é que nunca estamos sós, podemos contar com a misericórdia e o auxílio do alto se pecamos e com o coração sincero manifestamos arrependimento (1 João 1.9).

3. Traindo a generosidade divina.

Além de mostrar a dimensão do pecado de Davi, Natã destaca que ele fez pouco caso de tudo de bom que o Senhor havia feito em seu favor. Foi por ordem divina que Davi foi ungido rei na presença de seus irmãos; foi Deus quem o ajudou a escapar da morte durante todas as perseguições efetuadas por Saul (1 Samuel 16.1,12,13). O profeta lembra que Davi tinha muitas mulheres, e que mesmo tendo um harém, não se contentou e cobiçou a esposa que Urias tinha (2 Samuel 16.21,22; 1 Reis 12.17,25). Davi também é lembrado que não era grato ao Senhor pela grande generosidade divina quando planejou a morte de Urias, pois foi o Senhor quem o deu como um de seus soldados fiéis e valentes, responsáveis pela defesa e expansão de seu reino (2 Samuel 23.18-24).

A abordagem sobre a importância de manter um coração agradecido, feita por Paulo em Colossenses 3.18-21, apresenta atributos que deveriam abundar na vida do cristão como membro de família. O apóstolo oferece instruções básicas para a convivência como cônjuge, pai, mãe e filho ou filha. A esposa aprende como tratar corretamente o marido; o esposo aprende que precisa amar sua companheira matrimonial e vigiar para não ser tomado pela amargura; os filhos são instruídos a agradarem ao Senhor pela obediência aos pais e os pais são incentivados a não provocar a ira e desânimo nos filhos. O cumprimento destes mandamentos tem o objetivo de fazermos morrer em nós a natureza da carne e a nos vestirmos do "novo homem" para que nossa vida transborde de amor, bondade, compaixão, humildade, paciência, mansidão, perdão.

A vida espiritual tem sua base na rotina dentro dos lares. Portanto, tenhamos gratidão a Deus e um para com os outros em nossa casa. A gratidão é uma das formas mais bonitas de expressar o amor a Deus e ao próximo. E não é sempre que a ausência de amor é manifesta pelo ódio, na maioria das vezes aparece na forma de indiferença. Lembramos da duríssima, e importante, advertência de João sobre o amor. Ele escreveu que aquele que não ama seu irmão, espiritualmente, é um assassino, e que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si (1 João 3.15).

III. AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO DE DAVI

1. As consequências do pecado cometido.

Diferente dos riscos que cercam todas as profissões, o líder cristão enfrenta perigos quase impercebíveis. Ser líder cristão bem sucedido é muito mais do que conquistar reconhecimento dos homens, é ser cuidadoso do seu relacionamento com Deus, é zelar por sua vida espiritual e integridade moral. O líder não está imune às tentações. Entre muitos outros tormentos, citamos as situações inconvenientes que acreditamos serem as mais comuns na atualidade
• Crença na suposta infabilidade. Sem dúvida, o líder cristão, quando se deixa conduzir pelo Espírito, comete menos erros; mas isso não significa que é infalível.  Espiritualidade não leva o indivíduo ao nível de viver acima das falhas humanas (Romanos 3.23-24).
• Orgulho. Não podemos esquecer que o orgulho é um pecado que destrói ministérios cristãos, acaba com bons relacionamentos. É manifesto pela relutância em admitir culpa ou uma relutância em assumir a responsabilidade por suas ações. A pessoa orgulhosa quer ser atendida mas não tem boa vontade para atender o próximo. Sente-se entediada ao precisar ouvir alguém. 
O simples fato de um indivíduo ter sido elevado à posição de liderança, com a proeminência que isto lhe confere, tende a engendrar um orgulho e uma autoglorificação secreta que, se não for podada, o desqualificará para o serviço de Deus (Provérbios 16.5; 1 Tessalonicenses 2.6; Marcos 12.38-40; Gálatas 5.26). 
As tentações sexuais. Os líderes sempre estarão expostos às tentações. Houve perigo nos tempos bíblicos, e continua existindo riscos nos dias contemporâneos. Além de Davi. são exemplos de falhas na área sexual Salomão e Sansão. Não existe ninguém imune ao pecado. "Por isso, aquele que pensa estar em pé veja que não caia" (1 Corintios 10.12).
No texto bíblico, cuja referência é Gálatas 6.1, Paulo abordou o problema do pecado individual. Um cristão pode pecar sozinho, mas, como ele faz parte do corpo de Cristo, o seu pecado afeta todo o grupo, em maior potencial se esta pessoa estiver em posto de liderança. Nós colhemos o que semeamos. Todos precisamos refletir sobre isso centenas de vezes, com o objetivo de alimentar a humildade em relação a Deus e ao próximo. A humildade nos põe em condição de sermos obedientes a Deus e tolerantes com as falhas e incômodos que os outros têm e nos faz preparados para enxergar nossos próprios erros e dispostos a abandoná-los.

2. Davi, o rei fraco em seu próprio lar

A Bíblia não conta qual era o grau de proximidade que havia entre Bate-Seba e Davi antes do pecado. O fato é que ela agiu inconvenientemente ao exibir-se em espaço aberto à vizinhança e tal exibição inapropriada chamou a atenção de Davi que mandou que a trouxessem, adulterou com ela, que engravidou e em seguida houve o desfecho trágico da morte de seu marido, crime cometido com a tentativa de esconder que a gravidez era ilícita e a ilicitude não se tornasse de conhecimento de todos.

Sobre esta situação, o Pastor José Gonçalves escreveu o seguinte: "A vida de Davi como homem comum pode ser dividida em dois momentos: antes e depois de sua tentação e queda. Com certeza, ele não vigiou espiritualmente, como reiteradas vezes nos adverte as Sagradas Escrituras a fazermos. Talvez, ele não tenha considerado as consequências que seu ato lhe traria. O planejamento do adultério após admirar a beleza da mulher e a covarde execução de Urias, o esposo, sem dúvida estão entre os acontecimentos mais repulsivos já narrados na história bíblica. Deus, o Senhor de toda a justiça, reprovou o ato de Davi (2 Samuel l l .27), todavia, em sua infinita misericórdia, perdoou-lhe quando este demonstrou arrependimento (Salmos 51). A tentação em si mesma não é pecado; pecado é ceder à tentação. Todo cristão deve manter-se sempre vigilante neste sentido, pois a tentação, uma vez consumada, sempre produzirá frutos amargos."

Mesmo que o pecador sinceramente se arrependa e se converta, inevitavelmente as consequências ficam e produzem muito sofrimento. As consequências do pecado de Davi foram emocionais, espirituais e físicas. José Gonçalves continua:

"Após pecar, Davi ouviu um dos mais duros julgamentos pronunciados pelo profeta Natã (2 Samuel 12.10-14). O julgamento atingia não somente sua vida pessoal, mas também toda a sua existência, incluindo reino e família. Os resultados podem ser vistos primeiramente em sua vida sentimental e emocional. Quantas lágrimas Davi derramou? Não há como aferir, entretanto, em Salmos 6.6, temos uma noção: 'Já estou cansado do meu gemido; toda noite faço nadar a minha cama; molho o meu leito com as minhas lágrimas.' Por certo Davi chorou quando Tamar,  sua filha, foi violentada (2 Samuel 1.3), e quando seus filhos Amnon e Absalão foram mortos prematuramente (2 Samuel 13.33; 18.14)."

"Não há dúvida de que os maiores efeitos do pecado de Davi estão na esfera espiritual. O pecado parece doce, inofensivo e natural, no entanto, suas consequências são amargas. Paulo, o apóstolo, adverte em sua primeira carta aos coríntios: 'Por causa disso [do pecado], há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que dormem' (1 Corintios 11.30). Em outras palavras, aquilo que é espiritual num primeiro plano, tem consequências físicas num segundo. Os especialistas advertem que há muitas doenças psicossomáticas, isto é, doenças da alma ou de origem psicológica que afetam o corpo físico."

"A Bíblia nos mostra que há também doenças de origem espiritual. A Palavra de Deus adverte: 'Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos' (Tiago 5.36). Davi pós em prática isso e clamou ao Senhor: '[...] Tem piedade de mim; sara a minha alma, porque pequei contra ti' (Salmos 41.4)."

CONCLUSÃO

A narrativa bíblica informa que na época do episódio em que Davi pecou, os reis costumavam ir à guerra, mas Davi resolveu ficar em casa (2 Samuel l l.1,2). Portanto, ocupava seu tempo ociosamente, estava no lugar errado e em hora errada quando a cobiça pecaminosa entrou em seu coração. Mas Davi reagiu positivamente ao ser repreendido e converteu-se de seus desvios. Os salmos de sua autoria comprovam que ele foi espiritualmente restaurado quando decidiu abandonar o pecado e reconquistar sua comunhão com Deus

O pecado afeta tudo e todos ao redor e derredor. Tem o objetivo de afastar a alma humana da comunhão que o Criador oferece. Não convém ceder à fraqueza moral, e se acontecer é importante o crente reerguer a cabeça e olhar para Jesus novamente.

Deus convida todas as pessoas a se considerarem mortas para o pecado e vivas somente para Ele. O crente é justificado do pecado, deve aceitar pela fé que está morto para o poder do pecado e vivo para Deus. Esta convicção produz de fato o efeito da libertação dada por Cristo, ele encontra condições de vencer a tentação do pecado. Não há porque estar sob o domínio do pecado, pois o sangue de Jesus quebrou esse domínio (Romanos 6.14). No processo de restauração, cabe ao cristão fazer igual fez Davi, demonstrar uma atitude de arrependimento, confissão, quebrantamento e abandono do erro. Assim, o Espírito de Deus reside no coração de cada um de nós!

E.A.G.

Compilações
Lições Bíblicas. Davi - As Vitórias e Derrotas de um Servo de Deus. José Gonçalves. 4º trimestre de 2009. Lição 8: O pecado de Davi e suas consequências. Páginas 39 e 41. Bangu. Rio de Janeiro - RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD).
Carta aos Romanos. Elienai Cabral. Edição 1986. Página 69. Rio de Janeiro - RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD). 

sábado, 7 de dezembro de 2019

A Última Trombeta - revelação de Olav Rodge

A Última Trombeta é uma produção radiofônica, que apresenta a revelação do norueguês Olav Rodge, ocorrida em 11 dezembro de 1952. . Em detalhes, a mensagem fala sobre o Arrebatamento da Igreja



Produção de boa qualidade artística, em estilo de radio-novela, sucesso da época, com tradução do missionário Erick Albert Peterson. Foi distribuída em mídias nos formatos Long Play (disco vinil) e fitas K7, aos evangélicos da Assembleia de Deus e outras denominações evangélicas no século passado. 

Tinha o selo Louvores do Coração, gravadora evangélica muito popular aos crentes de gerações passadas. O proprietário chamava-se Jonathas Freitas, que também mantinha uma loja com o mesmo nome no bairro da Lapa, zona oeste da Capital paulista, situada na rua Faustolo, 1922. Ao falecer, seus herdeiros não deram continuidade na atividade.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

O pecado do homem segundo o coração de Deus


Eliseu Antonio Gomes

INTRODUÇÃO

 "Eis que os caminhos do homem estão perante os olhos do Senhor, e ele pesa todas as suas veredas" (Provérbios 5.21.

Jesus nos chamou e o seguimos, consequentemente recebemos a graça, que está em nós "para a obediência por fé", escreveu o apóstolo Paulo em Romanos 1.5). Lemos, em Hebreus 5.9, que o nosso Senhor tornou-se o autor da salvação eterna para todos que lhe obedecem, portanto, a graça está anexada com as obras de submissão a Deus, é manifesta numa vida de subordinação ao Senhor. Depois que a pessoa aceita seguir a Cristo, todos os seus planos precisam estar alinhados com Cristo (1 Coríntios 10.5). Precisamos nos manter na vida de plenitude em Cristo, e isso pela porta da identificação com o Salvador em sua morte e ressurreição. Para que seja assim, é preciso viver em obediência.

I - SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS

1. O homem segundo o coração de Deus.

É uma virtude especial saber desenvolver relacionamentos saudáveis, que não criam problemas de suspeitas e muito menos do pecado sexual consumado. Ter este atributo entranhado na personalidade tem como consequência a preservação da reputação de maneira diligente por toda a vida e um rastro de boa fama em todos os lugares que passar ou ter o nome conhecido.

2. Davi era o escolhido de Deus mas deu lugar ao diabo.

Davi era uma pessoa segundo o coração de Deus, mas descuidou-se e sofreu amargamente por causa disso (Salmos 51). É preciso ser vigilante. Davi criou um ambiente propício ao pecado e deu vazão aos meios que contribuem para sua prática. Seu ato adúltero teve como consequência um segundo pecado, após adulterar ele planejou a morte de um inocente.

Em determinados momentos, obedecer não custa nada; em outro, é muito difícil negar os desejos da carne, a soberba da vida e as tentativas de sedução do maligno. As Escrituras Sagradas não escondem o pecado do ser humano. Então, a melhor maneira de tratar o pecado é vê-lo exatamente como ele é: um ato de rebelião contra a vontade do Senhor. E considerando de maneira realista, expor a situação diante de Deus e ter o firme propósito de nunca mais descuidar-se.

Embora salvos pela graça de Deus, seguimos lutando contra a tentação que induz ao pecado. A Palavra de Deus mostra que mesmo uma pessoa que esteja fazendo a vontade de Deus, a partir de um descuido, pode ser enredado pelo laço pecaminoso.

II - O AMBIENTE EM QUE DAVI PECOU

1. Criando um ambiente propício ao pecado

Nunca será demais destacar o fato de que é pela graça que somos salvos. A salvação é dom de Deus. Podemos afirmar, com absoluta certeza, que a obra completa foi realizada no Calvário, pelo Filho de Deus, quando Ele derramou seu sangue para a remissão da humanidade.

Também não podemos ignorar que o pecado é uma realidade. Não nos esqueçamos que uma coisa é ser salvo, e outra, bem diferente, é manter uma experiência de vitória sobre o mundo, a carne e o diabo. Uma coisa é ser justificado, no sentido de Romanos 5, e outra é ter a vitória descrita em Romanos 6.22: "Libertados do pecado... tendes o vosso fruto para a santificação" (Romanos 8.37).

2. Os meios que contribuem para a prática do pecado.

O pecado de adultério ainda é uma pedra de tropeço para muitos crentes, inclusive em posições de liderança cristã. Todos precisam se proteger das armadilhas do adultério. Existem precauções que tanto o homem como a mulher devem ter.

Para evitar a ação pecaminosa, é necessário apresentar uma permanente atitude de prudência com a nossa condição espiritual. Convém esquivar de qualquer relacionamento profundo que não seja com a própria esposa ou esposo. É preciso tomar cuidado com ambientes e  amizades. Tais como, evitar expressiva intimidade com o sexo oposto, não permanecer frequentemente a sós com pessoa compromissada em matrimônio alheio, manter portas sempre abertas, não fazer frequentes refeições a dois em companhia sistemática com apenas um colega de trabalho.

Quem está casado, precisa ser dinâmico na vida conjugal, não permanecer afastado por tempo extremamente exagerado do seu marido ou sua esposa. Além dos momentos íntimos, é de suma importância o homem combinar com sua mulher atividades em comum, como fazer caminhadas, praticar esportes, regar plantas, dividir um pastel na feira e um saquinho de pipoca em casa.

III. O ADULTÉRIO E O HOMICÍDIO DE DAVI

1. Pecado gera pecado.

"O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor" - Romanos 6.23.

A história do episódio em que Davi pecou é muito conhecida, descreve a ocasião em que ele estava em Jerusalém, quando devia estar liderando seu exército no campo de batalha (2 Samuel 11 e 12). Ao cobiçar uma mulher bonita, buscou informações de quem ela era e soube que era casada com um heteu chamado Urias, um de seus soldados que estava longe de casa, em campo de batalha (1 Samuel 23.29).

Ao relacionar-se com ela, Davi estava consciente que cometia adultério. Depois de adulterar, soube que ela teria um filho em consequência do adultério. Assim, além de ser o  monarca que havia deixado de agradar a Deus quando adulterou, passou também a desagradá-lo sendo uma pessoa hipócrita  (2 Samuel 11.27).

Deus dá o "dom da graça" (charisma) aos que o servem. O dom gratuito está reservado aos que não se rebelam contra Deus. A graça é manifesta na plenitude da salvação por meio do Senhor Jesus Cristo. Na cruz, sem merecimento algum, conquistamos através do sacrifício vicário do Filho Unigênito, a justificação e absolvição final, pelo seu sangue temos a santificação. Rogamos ao Pai, confessamos nossos pecados e somos purificamos de toda as injustiças cometidas (1 João 1.9). E assim ganhamos a vida eterna, pois Jesus morreu sem pecado e ressuscitou como o Redentor que vive para sempre.

2. O homicídio de Davi; seu comandante; a tentativa para evitar as suspeitas do seu pecado.

Em seu fingimento, Davi criou um plano para que ninguém descobrisse o adultério. Mandou chamar Urias, marido da adúltera, com a intenção que houvesse a oportunidade de encontro entre o casal e a gravidez pudesse ser considerada uma gestação dentro da normalidade estabelecida por Deus. Mas, ao voltar da guerra Urias não esteve com a esposa, e então a gestação seria um problema. Sabendo disso, Davi ficou desesperado, ordenou que Urias voltasse à guerra e fosse posto nas primeiras fileiras da tropa durante os ataques campais, para que se tornasse alvo fácil e morresse. A morte aconteceu. E Davi casou-se com a viúva, que ainda não tinha seu útero expandido.

Todos morrem. Da mesma maneira crentes e ateus partem deste mundo ao além-túmulo. A consequência da prática obstinada em pecar não tem como consequência apenas a morte física. A declaração de Paulo (Romanos 6.23) faz referência à separação eterna de Deus, e ao castigo sem-fim que os ímpios sofrerão (Hebreus 9.27). Os ímpios não encontrarão nenhuma espécie de prazer e conforto no inferno.

O que Davi fez desagradou ao Senhor. E o Senhor enviou Natã, para anunciar a consequência de seu pecado. O profeta fez ele saber que ao violar a santidade de um lar, a consequência seria muitas ocorrências de aflição dentro do ambiente de sua família. Esse julgamento precisa ser visto como conseqüência natural do ato de Davi, pois o desrespeito ao padrão divino com relação à família produz frutos amargos.

Ao contrário de outros reis que em situação de receberem mensagens de repreensão e juízo da parte de Deus, entregues por profetas, reagiram com ira e violência contra os mensageiros, Davi se mostrou estar arrependido, confessou seu pecado, e não protestou contra o julgamento divino. Disse: "‘Pequei contra o Senhor" (2 Samuel 12.13). No Salmo 51, ele registrou seu lamento sincero pelos males cometidos.

CONCLUSÃO

A fé é um poderoso escudo a proteger o crente em Cristo.  É um agente inabalável que nos leva a respeitar o relacionamento matrimonial, e consideramos as alianças de nupcia uma união sagrada entre duas pessoas e perante Deus. A crença na santidade do casamento ajuda o cristão a estabelecer limites apropriados dentro do comportamento de fidelidade ao Senhor e ao cônjuge.

E.A.G.

Bíblia de Estudo da Mulher. Edição 2002. Página 588. Belo Horizonte - MG (Editora Atos).
Comentário do Novo Testamento - Aplicação Pessoal. Volume 2. Edição 2010. Página 48. Rio de Janeiro - RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus).
Ensinador Cristão. Ano 20, número 80, outubro a dezembro, página 41. Rio de Janeiro - RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus).
Comentário Bíblico do Professor - Um guia prático para ajudar no ensino das Escrituras Sagradas do Gênesis ao Apocalipse. Lawrence Richards. Edição 2004. Página 275. São Paulo /SP. (Editora Vida).

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Miriã: a hebreia que ajudou sua mãe Joquebede a salvar o bebê Moisés

Por Eliseu Antonio Gomes

Míria  é uma personagem muito interessante , uma mulher retratada de modo destacado na Bíblia, alguém grandemente usada por Deus. Referências sobre ela: Êxodo 2:1-8; 15:20-21; Números 12:1-16.

Origem

Miriã em grego é Maria. Filha de Anrão e Joquebede e irmã de Arão e Moisés (Números 26.59). 

Moisés era o mais jovem dos irmãos. Sendo Miriã mais velha, era ela a responsável que vigiava o cesto do bebê Moisés em uma das margens do Nilo, quando ele foi colocado na água para ser levado pela correnteza com a intenção de que escapasse da morte, pois na época Faraó havia feito um decreto ordenando que toda criança hebreia do sexo masculino deveria ser morta.  (Êxodo 2.4).

Miriã ajuda sua mãe e salvar o caçula Moisés. (Êxodo 2.1-25)

No Antigo Testamento, a palavra "faraó" aparece como um título e também um nome próprio. O rei do Egito era considerado como um deus, tido como a encarnação do deus Horus, através do qual produzia as inundações anuais do Nilo e, portanto, visto como responsável pela fertilidade da terra. Era dito que ao ser coroado, se fazia deus-homem; ao morrer, fazia-se inteiramente deus, abandonando a condição de ser humano, e por este motivo deveria ser adorado nos templos dos mortos, as pirâmides. O faraó contemporâneo de Miriã, enquanto ainda menina, é apontado como sendo Seti I, este impôs aos hebreus trabalhos forçados e excessivos, e outras restrições, cuja finalidade era impedir o crescimento e o progresso dos hebreus entre os egípcios. Dele, a narrativa bíblica diz que não conheceu a José, governador hebreu que livrou os egípcios da fome antes que chegasse o tempo de grande seca (Êxodo 1.8).

Seti percebeu que o número de hebreus no Egito era grande, temeu a rebelião dos hebreus contra seu governo e por causa deste medo colocou em prática um desígnio mau contra o povo de Deus,
 extinguir todos os bebês de sexo masculino. Nesta época, Joquebede deu à luz a Moisés. Arão era três anos mais velhos que Moisés, não correu perigo de morrer porque o edito macabro entrou em vigor quando sua idade não se encaixa no plano de infanticídio (Êxodo 6.20; Nm 26.59).

Da perspectiva humana, Moisés não sobreviveria, mas Deus usou Joquebede e Miriã para que não morresse na fase de primeira infância pelas  mãos dos egípcios. Miriã agiu em obediência às orientações de sua mãe. A fé e a inteligência de Joquebede e a coragem de Miriã fizeram com que o edito de Faraó não tivesse efeito contra o futuro  Libertador de Israel. 

Moisés permaneceu escondido por três meses. Aparentemente, Miriã tinha idade o suficiente para oferecer os cuidados apropriados e a proteção que era exigida naquela situação crítica. Apesar de Miriã ser muito nova nessa época, ela era destemida e seguindo a orientação de sua mãe, levou o bebê dentro de um cesto e deixou-o  num lugar em que a princesa do Egito normalmente frequentava, próximo de juncos. Ali, posicionada de longe, estrategicamente, observou quando o pequenino e indefeso irmão foi encontrado pela filha de Faraó. Assim que o viu, a princesa  ficou encantada e decidiu que cuidaria dele como se fosse seu filho. E Miriã logo foi ter com ela usando as palavras certas para que procurasse uma mulher hebreia para ajudá-la a criá-lo. E assim foi feito (Números 26.59). 

Joquebede, pôde continuar a amamentar Moisés, foi possível a ela acompanhar seu crescimento, testemunhar sua privilegiada vida como se fosse um príncipe egípcio, viu como ele recebeu a melhor educação possível para um menino daquela época e ainda foi paga para que cuidasse do próprio filho.
Ela teve a oportunidade de semear em seu coração o fruto da fé que agrada ao Senhor, e assim posicioná-lo na fase adulta a proceder com o senso de justiça que o tornou líder do povo hebreu.

É digno de nota que o nome Moisés remete para sua origem, o significado hebraico é “tirado para fora” e o significado egípcio é “salvo da água”. 

Anos depois, Miriã juntou-se a Moisés e a Arão, quando houve a libertação do povo de Israel do Egito. Ramsés II e Menepta II são apontados por egiptólogos como o faraó que reinava quando os israelitas saíram do Egito.

O cântico

Aparentemente, Miriã possuía dotes musicais. Era ela quem dirigia as mulheres de Israel no cântico e na dança, para celebrar o livramento que Deus deu a Israel da escravidão do Egito,  após a passagem do mar Vermelho (Êxodo 15.20,21). Tal manifestação festiva dá nome ao livro "Êxodo". Junto com uma multidão de ex-escravos da nação mais poderosa da terra. Efusivamente, Miriã louvou a Deus porque havia escapado do regime opressor de Faraó. Os salmos 78 e 105 referem-se ao momento e os profetas neotestamentários relembraram os dias do êxodo com o mesmo objetivo de Miriã, manter a consciência avivada do povo quanto ao grande feito do Todo Poderosos em favor dos israelitas. 

Simbolicamente, o Egito representa ideologias que confrontam a vontade de Deus para o ser humano, na Bíblia o Egito raramente aparece como amigo de Israel.  A passagem dos judeus com os pés enxutos pelo Mar Vermelho, alude ao livramento triunfal do pecador da escravidão do pecado, rumo à liberdade. Os feitos poderosos, pelos quais este cântico rende graças a Deus, quando Miriã dançou alegremente, prefigura os feitos ainda mais poderosos pelos quais os remidos cantarão louvores a Deus pelas eras sem fim da eternidade. No porvir, um dos cânticos triunfais dos remidos chama-se "Cântico de Moisés e do Cordeiro (Apocalipse 15.3).

Profetisa

Miriã é a primeira personagem feminina citada na Bíblia como profetiza (Êxodo 15:20-21_, embora não exista nas Escrituras nenhum relato de Deus falando com Miriã ou dando-lhe qualquer revelação ou instrução para ser repassadas aos judeus. 

Infelizmente, aparentemente, Miriã deixou ser levada pela inveja, ao ver  a posição de destaque que seu irmão caçula havia alcançado. Este sentimento fez com que ela cometesse erros. como castigo, Deus permitiu que ficasse leprosa. Ao reivindicar a posição de profetiza em Números 12.2, em vez de confirmar sua reivindicação, foi repreendida severamente. Parece que foi ela quem deu origem à rebelião de Números 12.1 e 2, desde que seu nome vem primeiro em vez da ordem usual (seguindo o dos homens) como nos versos 4 e 5. 

Apesar do seu comportamento, Arão e Moisés fizeram intercessão, pelo clamor de seus irmãos Deus a curou; antes da doença chegar ao fim, ela desejou não ter pecado (Números 12.10).

O descanso

Miriã não conheceu a terra prometida, pois faleceu antes da travessia à Canaã. Parece haver um lapso de 38 anos entre os capítulos 19 e 20 de Números. Neste intervalo de tempo, Miriã, com aproximadamente 130 anos de idade, morreu e foi sepultada em Cades. Moisés e Arão , morreram todos no mesmo ano. Miriã em Cades (20.1); Arão, com cerca de 130 anos, no monte Hor (20.28) e Moisés, aos 120 anos de vida, no monte Nebo (Deuteronômio 32.50).

Conclusão

Miriã cometeu equívocos graves e acertos impactantes. Se observamos sua vida tendo como base de avaliação as páginas bíblicas onde estão os textos normativos à fé cristã, temos a oportunidade de crescermos espiritualmente como servos do Senhor Jesus Cristo. 


Comentário Bíblico Beacon. Gênesis a Deuteronômio. Volume Página 1. Edição 2012. Rio de Janeiro - RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD).
Principais Personagens Bíblicos. Forrest  L. Keener Volume 1. Lição 19: Miriã. Página 44. Web site Palavra Prudente.
Manual Bíblico Henry H. Halley. Edição 1994. Páginas 120 e 138. São Paulo. (Vida Nova).
Tesouros de Conhecimento Bíblico. Emílio Conde. Edição 1983. Página 279, Rio de Janeiro - RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD).

domingo, 1 de dezembro de 2019

A Biografia de Emílio Conde

Emílio Conde nasceu no dia 8 de outubro de 1901, em São Paulo. Seus pais se chamavam João Batista Conde e Maria Rosa, dois imigrantes italianos. Conheceu o Evangelho na Congregação Cristã do Brasil, fundada por italianos. O seu batismo nas águas foi em 21 de abril de 1919 e a experiência do batismo no Espírito Santo aconteceu alguns meses depois no mesmo ano. 

Mudou-se para o Rio de Janeiro, frequentando a Assembleia de Deus em São Cristóvão, pastoreada pelo Missionário. Samuel Nyströn. .

Inserido na sociedade, era pessoa  discreta, serena e cortês. Não possuía o hábito de mostrar seu cabedal de conhecimento privilegiado. Os amigos, e todos que se achegavam à sua roda de conversa, tinham o prazer de interagir e se descontrair com sua fala agradável, inteligente, sincera e mesclada com um bom humor refinado.

Era músico tocava órgão e acordeon. Compôs 25 hinos da Harpa Cristã.

Transferindo-se para o Rio de Janeiro, passou a frequentar a Assembleia de Deus, situada na Rua Figueira de Melo, 232, em São Cristóvão, cujo pastor era o missionário Samuel Nystrõm. Entusiasmado com o ambiente espiritualmente avivado, tomou-se membro dessa igreja.

Por muito tempo, Conde fez parte do Coral da Assembleia de Deus em São Cristóvão, dominada os teclados do órgão e do acordeon e adorar a Deus cantando. Por doze anos, de 1946 a 1958, foi designado como representante oficial das Assembleias de Deus no Brasil nas Conferências Mundiais Pentecostais.

Em 1937, trabalhava como intérprete em um restaurante, quando o missionário Nils Kastberg encontrou e fez o convite para ingressar na equipe de redatores do jornal Mensageiro da Paz, publicado editora Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD), que estava. Ele não titubiou em aceitar, pois sabia que o ofício de escritor era a sua vocação. Foi admitido em 5 de março de 1940, mas já era conhecido dos leitores pois algumas de suas matérias já haviam sido publicadas como colaborador.

Contratado, dedicou toda sua capacidade, erudição e inspiração fértil por três décadas à CPAD. Sempre sentiu prazer em escrever sobre a Palavra de Deus, fez isso em um tempo que existiam poucos evangélicos brasileiros nesta área. Para continuar exercendo esse trabalho foi capaz de rejeitar ofertas de emprego seculares com rendimentos maiores, não aceitou.

O que mais gostava de fazer era comunicar-se por meio da escrita, escrever livros, artigos, dar notícias e realizar reportagens aos leitores do jornal Mensageiro da Paz, revistas, sempre com o objetivo de promover a edificação espiritual dos fiéis. E exerceu o ofício de escritor como uma incumbência divina. Escreveu os livros "O testemunho dos séculos", "Nas asas do ideal", "O homem", "Nos domínios da fé", "Caminhos do mundo antigo", "Flores do meu jardim", "Tesouros de conhecimentos bíblicos"(obra em três volumes), e "Estudo da palavra".

Aos leitores confusos, entregou o pensamento organizado; aos angustiados, o conforto das promessas bíblicas interpretadas corretamente; fez de apoio aos que estavam desequilibrados na fé; ofereceu a semente da Palavra de Deus aos que estavam espiritualmente famintos.

Nos primeiros dias de janeiro de 1971, Conde entrou no Hospital Evangélico, na Tijuca, por conta de complicações de uma operação que não foi bem sucedida que o deixou enfermo. Às 13 horas do dia 5 daquele mesmo mês, o Senhor recolheu o seu servo.

E.A.G.

Este artigo contém informações extraídas do livro Eles Andaram com Deus, autoria de Jefferson Magno da Costa, uma publicação da CPAD.