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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O Anjo do Senhor visita Manoá para avisar que sua esposa gerará Sansão

Por Eliseu Antonio Gomes

“E o Anjo do SENHOR lhe disse: Por que perguntas assim pelo meu nome, visto que é maravilhoso” – Juízes 13.18 (ARA)..

Tenho carinho especial pelos capítulos 13 ao 16 do livro Juízes, tais capítulos narram a história de Sansão. Trazem em minha mente lembranças do meu tempo de criança na escola bíblica dominical.

Juízes 13 relata como foi o nascimento de Sansão, conta que naquela época a nação de Israel havia desprezado a fé em Deus, desprezo este que teve como consequências uma sociedade violenta e cruel, repleta corrupção moral e espiritual, e a grande opressão dos filisteus contra os israelitas por um período de 40 anos.

Neste cenário de caos, o Anjo do Senhor visitou a esposa de Manoá, com a finalidade de dizer-lhe sobre o nascimento de seu filho,e os propósitos de Deus para a criança. Aquela mulher não tinha capacidade de gerar filhos e o ser angelical declarou que ela engravidaria e deveria consagrar o menino ao Senhor pelo voto do nazireado desde o seu ventre, pois ele começaria a libertar a nação israelita - a libertação completa só aconteceu na geração de Saul e Davi (1 Samuel 13-14; 17; 2 Samuel 5.17-25; 8.1).

A mãe de Sansão

Consta no texto sagrado que a esposa de Manoá não duvidou do milagre de cura da sua infertilidade e nem que seu filho seria uma personagem de grande importância ao seu povo. A narrativa informa ao leitor que ela foi contar ao seu marido, detalhadamente, o encontro que teve com o Anjo do Senhor. Logo que soube, Manoá ficou interessado no assunto e foi orar, pedindo ao Senhor novo encontro, para que pudesse aprender dele como educar o seu filho que ainda haveria de nascer. Deus o atendeu. O Anjo do Senhor apareceu novamente a Manoá e à sua esposa, que ofereceram sacrifícios e se admiraram diante da manifestação de seu poder.

É comum encontrar muita gente interpretando o capítulo treze como uma narrativa que apresenta uma Teofania: aparição de divindade em forma humana. Existem outras passagens veterotestamentárias que citam o Anjo do Senhor, sendo a primeira o episódio do aparecimento a Agar (Gênesis 16.7). 

Manoá quis saber como se chamava o Anjo e perguntou seu nome. Penso que a resposta foi mais importante que a pergunta. “E o Anjo do SENHOR lhe disse: Por que perguntas assim pelo meu nome, visto que é maravilhoso?”.

Deus maravilhoso.

No idioma hebraico, “maravilhoso” é "pil'i". Este termo tem o sentido de “algo ou alguém que supera a compreensão humana"; "maravilhoso demais"; "maravilhosíssimo"; "misterioso". O termo hebraico aponta ao "conhecimento do Senhor" (Salmos 139.6); foi usado pelo profeta messiânico para identificar o Messias, que haveria de vir (Isaías 9.6).

Este personagem “maravilhoso”, na maioria das traduções bíblicas, tem o termo “anjo” traduzido com letras maiúsculas.

Quanto a “senhor”, traduz-se com as consoantes e vogais em maiúsculas. A tradução “senhor” é realizada em caracteres de maiúsculas porque os biblistas consideram importante evidenciar aos leitores da Bíblia que no idioma hebraico, onde se lê em português “senhor”, existem quatro letras, que compõem o nome que Moisés ouviu no Monte Horebe. Além de "senhor" nas Escrituras em português o nome de Deus está vertido como Jeová e Javé.

Deus revelou ao patriarca chamar-se EU SOU. Em hebraico, as letras são YHWH  (Êxodo 3.1-6, 14). As quatro letras (Tetragrama), vertidas ao português, são: YHWH. Hebraístas declaram que a sonoridade seria “iodevave”.

O Tetragrama aparece mais de seis mil vezes no Antigo Testamento. Aparentemente, sugere a atemporalidade de Deus, que é a origem de toda a existência. É provável que Apocalipse 1.4, onde está escrito sobre Cristo ("aquele que é, e que era. e que há de vir") se refira ao nome EU SOU / YHWH - fortalecendo assim a existência da Trindade. E por esta razão, estudiosos das Escrituras atribuem também, ao Anjo do Senhor, a identidade de Cristo e por conseguinte à narrativa de Juízes 13 uma aparição de Jesus  Cristo antes de sua encarnação (cristofania),

Não há dúvida que o Tetragrama, impronunciável aos judeus, refere-se ao nome de Deus. O nome de Deus é impronunciável pelos judeus por questão de reverência.

O propósito divino para o nascimento de Sansão.

Para mim, o aspecto mais notável neste texto é o fato de a mulher, para quem Deus colocou seus olhos e decidiu que seria a mãe de Sansão, não ser identificada pelo próprio nome. Ela é citada como a esposa de Manoá e como a mãe de Sansão. Ao contrário de Sara, Agar, Rebeca, Raquel, Rute, Noemi, Ana, Maria, mãe de Jesus, Isabel, mãe de João Batista, e tantas outras servas do Senhor. É digno de nota, também, que ela foi fiel e obedeceu às instruções que recebeu do Anjo; após gerar o bebê, educou-o dentro das normas estabelecidas para um homem nazireu (Números 6.1-21; Levíticos 11; Deuteronômios 14.3-21).

Como nazireu, Sansão  nasceu sobre a proteção dos céus, foi dedicado a uma missão especial, possuía uma força impressionante gerada pelo Espírito Santo e deveria levar uma vida diferente.

Sansão nasceu de forma milagrosa. Seu nascimento foi prometido e abençoado por Deus, quando a sua mãe não tinha mais esperança de engravidar. Havia um propósito definido por Deus para que ele nascesse, sua vida traria esperança de liberdade, graça e prosperidade ao povo. Desde o nascimento, passagem pela mocidade e fase adulta, o Espírito se manifestava através dele. Foi um dos juízes escolhidos para libertar os israelitas da opressão dos filisteus.

Assim que houve o anúncio de que Sansão seria gerado pelo Anjo do Senhor, houve a instrução aos seus pais que ele deveria ser consagrado a Deus como nazireu. Ou seja, havia um voto que consistia em não cortar o cabelo da criança e ensiná-lo que não deveria beber ou comer qualquer coisa que procedesse da uva, jamais comer alimentos considerados impuros.

Conclusão.

Façamos uma reflexão sobre esta passagem bíblica: Deus também tem um propósito especial para a Igreja; como cristãos, não devemos ficar de braços cruzados diante de tantas armadilhas diabólicas: vidas humilhadas e escravas da paixão, corrupção, violência, drogas, sexo ilícito, jogos de azares, desespero; o crente precisa buscar do Senhor o poder fenomenal para estar alerta e sempre pronto ao combate contra o pecado em suas diversas modalidades. Cabe a todos os cristãos realizar a obra do Espírito Santo nos dias atuais. Não mais usando a força física, mas as estratégias de sabedoria cuja origem está no conhecimento do Evangelho de Jesus Cristo.

E.A.G.

Fonte:
Bíblia de Estudo da Mulher Sábia, página 295, edição 2016, Várzea Paulista/SP (Casa Publicadora Paulista).
Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego, página 70, apêndice Dicionário do Antigo Testamento página 1867, edição 2011,Rio de Janeiro (CPAD),  
Mensagens Bíblicas a Cada Dia, Suely Ceruci, postagem sem título, 22 de janeiro de 2017, http : // sbertoncini . zip . net / arch  2017 - 01 - 22 _ 2017 - 01 - 28 . html # 2017 _ 01 - 22 _ 07 _ 59 _ 19 - 127692565 - 0 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Juízes - o sétimo livro da Bíblia Sagrada

Paixão e traição na história de Sansão e Dalila.
Para ter uma noção da atmosfera existente entre os israelitas do tempo dos juízes, imagine o seguinte: nos dias de hoje, o que aconteceria se ninguém respeitasse os sinais de trânsito ao dirigir? Com certeza haveria muita confusão, acidentes, muita gente se machucaria e até morreria. Esta situação nos leva a entender que para a vida ser suportável em sociedade é necessário seguir regras pré-estabelecidas.

Autoria e data

O autor de Juízes é desconhecido. Sabe-se que foi uma pessoa inspirada, que selecionou fontes orais e escritas que provessem uma história de Israel com orientação teológica. Pensa-se que algumas partes do livro pode ter sido escrita por Samuel, pois ele era um escritor (1 Samuel 10.25).

A data exata em que o livro foi composto é desconhecida também, mas sabemos que cobre o período entre a morte de Josué e a instituição da monarquia, que se seguiu à coroação de Saul, porém, antes da conquista de Jerusalém por Davi, cerca de 1050 a 1000 a..C.

Cogita-se que a época dos juízes pode ter ocorrido, aproximadamente, entre 1375 a 1040 a.C. Com certeza, foram anos em que os israelitas mergulharam em densas trevas espirituais e dessa época podemos colher valiosas lições.

Por que o livro é chamado Juízes?

Durante a liderança de Josué, Israel finalmente entrou na terra que fora prometida a Abraão. Havia gigantes na terra; não eram, porém, maiores do que Deus. O capitão do exército divino foi capaz de subjugar todos os inimigos de Israel. Surgiu então uma nova geração que não conheceu a guerra, tampouco conhecia a Deus, nem a obra que o Senhor havia realizado em favor de Israel. E por causa do desconhecimento, os israelitas passaram da vitória à derrota.

O livro de Juízes fala de uma época em que os israelitas não seguiam as regras de Deus. O povo de Israel não expulsou os cananeus da terra prometida, como havia prometido a Deus que faria. E não foi só isso: muitas vezes seguidas adoraram os deuses de Canaã, em vez de adorar o verdadeiro Senhor. É claro que Deus não ficou feliz com aquilo, todas as vezes que isso acontecia eles passavam por experiências ruins, o Senhor permitia que o povo sofresse as consequências de suas escolhas infelizes. Mas, por ser misericordioso, quando eles se lembravam de Deus e imploravam por seu socorro, o Senhor providenciava juízes para restaurar a paz e a ordem. 

As histórias seguem um padrão definido: o povo de Israel peca, sofre, busca a Deus, é salvo por um juiz, desfruta de um período de paz, e volta a pecar novamente.  Os juízes, aos quais o Senhor escolheu e ungiu como o seu Espírito, eram líderes militares e políticos, que mostravam aos israelitas em que eles estavam errando.

Os juízes

Seis indivíduos serviram ao propósito de Deus para libertar Israel, cujo papel de libertação possuem narrativas detalhadas, e são considerados "juízes maiores": Otniel (Juízes 3.9-10), Eúde (3.15), Débora (4.5), Gideão (6.34), Jetfé (11.29) e Sansão (13.29). E outros seis,  mencionados rapidamente  são classificados como "juízes menores": Sangar (3.31), Tola (10.1), Jair (10.3), Ibsã (12.8), Elom (12.11) e Abdom (12.13-15). Além destes, há Abimeleque, filho de Gideão, cuja história está vinculada ao seu pai (8.30-31).

Propósito

A composição de Juízes tem três propósitos: histórico, teológico e espiritual. Historicamente, narra eventos de um período específico de Israel. Teologicamente, enfatiza o princípio estabelecido na Lei de que a obediência ao Senhor gera vida e a desobediência traz opressão. Espiritualmente, apresenta a fidelidade do Senhor à aliança com seu povo.

O leitor deve preparar-se para um grande choque, pois as narrativas deste livro mostra que Deus usou como líderes pessoas que não eram exemplos de perfeição. Às vezes, elas mentiam e perturbavam muita gente, como se fossem garotos pirracentos. Mesmo assim, Deus as usou para fazer cumprir seu plano perfeito. Nesta situação, ficamos pensando que se Ele encontrou um modo de trabalhar com pessoas tão complicadas, realizando proezas através da instrumentalização delas, também pode realizar muitas coisas neste mundo através de pessoas comuns como eu e você, pois usa as pessoas do jeito que elas são.

Através dos relatos contidos em Juízes, conhecemos as consequências desastrosas da quebra de comunhão com Deus. O livro é um lembrete, o Senhor exige compromisso da parte do seu povo, quando cometemos pecados, o Ele permite que sejamos castigados, até chegarmos ao completo arrependimento. Também é um alerta, se insistimos em fazer as coisas do nosso jeito poderemos entrar numa enorme enrascada.

Conclusão

Por vontade própria, Deus não deu ao povo de Israel um monarca, dava-lhes os juízes, pois Ele mesmo era o Rei de Israel.

Deus é o Senhor da história, na plenitude do tempo enviou Jesus como nosso Libertador, nosso Salvador, para nos redimir da opressão do pecado e da morte. Cristo é um Juiz Justo, que haverá de julgar o mundo inteiro (2 Timóteo 4.8; Atos 17.31).

Deus é o nosso Juiz e Libertador (Salmos 75.7; Isaías 45.21), capaz de realizar coisas impossíveis. Nos dias atuais, Deus procura homens e mulheres, pessoas consagradas, a quem possa capacitar. Da mesma maneira que escolheu libertadores, ungindo-os com seu Espírito para que fizessem grandes façanhas no passado, pode nos dotar com o Espírito Santo e nos usar para trazer libertação àqueles que estão presos ao desespero e ao pecado.

E.A.G.

Compilações:
Bíblia de Estudo Indutivo, página 376, edição 1997, Tennessee - EUA (Editora Vida).
Bíblia de Estudo Plenitude, páginas 252 e 253, edição 2001, Barueri (Sociedade Bíblica do Brasil).
Bíblia Jovem, página 352, edição 2001, São Paulo (Editora Vida).
Bíblia FaithGirlz!, páginas 300 e 303, edição 2009, São Paulo (Editora Mundo Cristão).
Dicionário Bíblico Universal A.R. Buckland & Luckin Williams, edição 2007, São Paulo-SP (Editora Vida).
Pequena Enciclopédia Bíblica - O. S. Boyer, 19ª impressão, São Paulo, edição 1992 (Editora Vida).