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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

A Mordomia das Obras de Misericórdia


Por Eliseu Antonio Gomes

INTRODUÇÃO

Viver em sociedade tem sido cada vez mais complicado, em relação aos grandes transtornos impostos pelo pecado e seus efeitos. Em tempos de relativização de valores fundamentais e degradação social, na contramão da sociedade que defende uma ética convencional, estabelecida por normas criadas pela filosofia da pós-modernidade, a leitura bíblica, de modo devocional e sistemático e a reflexão a partir da perspectiva bíblica e cristã sobre assuntos como a valorização da vida humana e o caráter ético de Deus, conduz o crente ao equilíbrio espiritual. 

A busca do conhecimento bíblico viabiliza ao cristão refletir sobre todas as coisas e encontrar meios de fazer a diferença. Nós cristãos, conhecemos o caráter de Deus: santo, bondoso, justo, paciente, generoso e misericordioso. Assim sendo, no ponto de vista cristão, a prática da ética e o exercício da caridade são características inatas e frutos da imagem de Deus no ser humano. Sendo Deus santo e misericordioso, espera-se que o crente tenha um viver em santidade e cheio de misericórdia (Gênesis 1.26; 1 Pedro 1.16). E sendo a Bíblia a sua regra de fé e conduta para situações como um todo, é natural que reaja aos problemas sem moldar-se ao comportamento e costumes do mundo (Romanos 12.1-2).

I - SIGNIFICADO DE MISERICÓRDIA

1. Definição.

Misericórdia é uma palavra de origem latina. A definição dos léxicos Michaellis e Aurélio, resumidamente, descrevem o termo como ato por meio do qual se beneficia alguém; é a compaixão e a piedade, a graça concedida em consequência do sentimento de pesar despertado pelo sofrimento alheio; é a ação real concedida unicamente por bondade.

No Antigo Testamento, encontramos o vocábulo "hesedh". Esta é a palavra hebraica convertida ao idioma português como misericórdia. Seu significado indica beneficência, benignidade, bondade, beleza, amor.

No Antigo Testamento, o texto bíblico que define em profundidade o vocábulo misericórdia é o Salmo 136, onde a palavra é usada vinte e seis vezes. O salmista evidenciou o seguinte:
• a misericórdia serve para proclamar a bondade e o amor de Deus como fundamento para seu caráter e atos (versículo 1);
• a misericórdia sustenta a posição de superioridade de Deus como Senhor (versículos 2 e 3);
• a misericórdia, associada com a justiça divina, constitui a base de todos os atos poderosos de Deus na Criação (4-9) e libertação do povo judeu (10-15);
• a misericórdia é o motivo da orientação que Deus deu no deserto aos hebreus (16);
• a misericórdia é a razão para Deus dar a terra aos descendentes de Abraão e permitir a derrota dos inimigos dos israelitas (17-22);
• a misericórdia é a razão da libertação no passado e no presente (23-25); e seu domínio celestial (26).
No idioma grego, a palavra convertida por misericórdia é "eleos", cujo significado é piedade ativa (Mateus 23.23; Tito 3.5; Hebreus 4.16). Em Tiago 2.13, "eleos" é empregada para falar do livramento do castigo merecido; em Romanos 11.31 e Judas 21, a abordagem do termo é usada para mostrar a salvação que Deus nos dá por meio de Cristo.

2. Misericordioso.

Ao escrever o Salmo 103, Davi revela com esplendor sua gratidão e o convite que fez a sua própria alma para enaltecer ao Senhor por ser o Deus misericordioso. Ele exaltou o Altíssimo por seu caráter, referindo-se ao que Ele é, reconhecendo todas as bênçãos que lhe deu (versículos 8, 11, 17).

A misericórdia faz parte do caráter e dos atributos morais de Deus transferíveis ao ser humano. O Senhor não transmite ou reparte seus atributos absolutos, o de onipotência, de onisciência e da onipresença, dentre outros, mas Ele transfere seus atributos relativos para os homens. O Pai celeste deseja que seus filhos, assim como Ele age, também ajam misericordiosamente, buscando o bem temporal do próximo e dos animais e anunciando a salvação eterna para um número máximo de almas humanas que puder falar (Jonas 4.2, 11).

II - A MORDOMIA DA MISERICÓRDIA CRISTÃ

1. Obras de misericórdia na prática.

A expressão "obras de misericórdia" não consta do texto bíblico, porém, o seu sentido é patente em toda a Bíblia Sagrada. São ações e práticas realizadas em favor dos outros como expressão de amor, especialmente para com os que se encontram em situação de fragilidade física, emocional, social, ou espiritual e precisam do socorro da parte daqueles que servem a Deus.

1.2 - O Bom Samaritano

Lucas 10.25-37 apresenta a parábola O Bom Samaritano, que é uma das passagens bíblicas mais conhecidas das Escrituras Sagradas. Esta parábola tem sua origem no questionamento de um certo doutor (ensinador) da Lei. Ele fez duas perguntas a Jesus. Aparentemente, sua intenção seria fazer apenas a primeira pergunta, mas viu-se compelido a fazer a segunda. “E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” Talvez, inspirado pelo orgulho da posição e sabedoria humana, quisesse debater o assunto com o jovem rabino galileu, acerca do qual tanto ouvira falar. Respondeu-lhe o Mestre com outra pergunta: “Que está escrito na lei? Como lês?” Era como se perguntasse: Você procura realmente informações, ou deseja meramente um debate? Por que perguntar, se a resposta está contida na Lei, da qual você é ensinador oficial?”

O mestre da Lei demonstrou conhecer a resposta, pela rapidez com que recitou: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22.36,37, Marcos 12.30). A citação do grande mandamento era prova de que o rabino possuía discernimento e conhecimento das Escrituras, no entanto, ainda faltava conhecer mais, não havia considerado que existe diferença entre ser apenas conhecedor do texto sagrado e conhecê-lo e praticá-lo.

Jesus colocou o dedo na ferida quando disse ao doutor da Lei: “Faze isso, e viverás”. A flecha atingiu-lhe a consciência, pelo que percebemos no relato bíblico: “Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?” A expressão “querendo justificar-se” dá-nos a chave do problema do homem. Sem dúvida, perturbava-o algum ato de má vizinhança praticado contra algum membro da sua nação. A auto-justificação é a defesa de uma consciência culpada. Sua pergunta soava como uma confissão: “Não amo a meu próximo; tenho dificuldade em observar este mandamento”. O sol não pergunta: “Sobre quem brilharei?”, pois é de sua natureza o brilhar. Quem possui espírito de perdão não pergunta: “Até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei?” (Mateus 18.21). O perdoar é próprio da natureza perdoadora. E aquele movido pelo espírito de boa vizinhança e amor não pergunta: “Quem é o meu próximo? A quem serei misericordioso?” A essência do verdadeiro portador de misericórdia não conhece limites, nem exceções: oferece-se instintivamente a qualquer pessoa cujas necessidades a transformam em objeto de simpatia e benevolência.

A parábola atinge diretamente o problema do doutor da Lei, que era a falta da prática de misericórdia e não a falta de conhecimento do Texto Sagrado. Na ilustração que Jesus narra, há a brutalidade dos salteadores; a desumanidade do sacerdote e do levita, que observam a vítima no chão e prosseguem indiferentes em suas caminhadas; e, a compaixão do viajante samaritano, que não considerou a nacionalidade, o merecimento e religião da vítima e movido por grande compaixão toma atitudes eficientes de alguém que realmente ama e deseja praticar o bem.

2. Somos criados para as boas obras.

Tal  qual o bom samaritano, o crente precisa ter o máximo de cuidado para ser uma pessoa constante na prática de obras de misericórdia. Pois quem exerce obras de misericórdia revela que serve a um Deus misericordioso, longânimo e benigno.

A ação de misericórdia pode ser executada em diversas esferas das necessidades humanas, espirituais, evangelização e missões. O mordomo, cônscio do seu dever de executar a misericórdia, manifesta através de seus atos a vontade de Deus quando pratica o bem. Ao realizar tal ação, o cristão autêntico não faz acepção de pessoas, de circunstâncias e lugares (Mateus 5.43, 45; Lucas 23.42, 43; Atos 17.30).

Em Mateus 5.44, Jesus Cristo ordena aos seus seguidores manifestar a misericórdia perdoando os inimigos; em Efésios 4.32, está escrito: "Antes, sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo" (ARC).

Quem pratica as boas obras aos pequeninos, aproveita o privilégio de fazer o bem ao próprio Cristo (Mateus 24.40). O apóstolo Paulo sempre desenvolveu seu ministério missionário, esforçando-se para atender os pobres em suas necessidades (Gálatas 2.10).

Paulo recomendou a Tito que ensinasse aos irmãos da igreja que pastoreava a serem crentes frutíferos na aplicação de boas obras; explicou que para ser possível haver a frutificação era preciso ensiná-los a evitar discussões inúteis, pois as mesmas causam perda de tempo. "Fiel é esta palavra, e quero que você fale ousadamente a respeito dessas coisas, para que os que creem em Deus se empenhem na prática de boas obras. Estas coisas são excelentes e proveitosas para todas as pessoas. Evite discussões tolas, genealogias, controvérsias e debates sobre a lei; porque são inúteis e sem valor" (Tito 3.8-9).

III - CUIDADOS NA PRÁTICA DAS BOAS OBRAS

1. As boas obras devem glorificar a Deus.

A fé que agrada ao Senhor é ativa, materializada em ações de testemunho perante o Altíssimo e os homens, composta de ações preparadas por Deus para que o crente, criatura feita semelhante ao Criador, ande nelas (Mateus 5.16; Efésios 2.9-10).

O cristão é instruído por Cristo a influenciar espiritual e moralmente através do seu testemunho, assim como o sal e a luz mudam de forma definitiva o espaço que ocupam. No ambiente social, tal influência pode e deve acontecer por meio do testemunho da mordomia das obras de misericórdia, feitas com o objetivo único e exclusivo de glorificar a Deus (Mateus 5.16; 6.2).

A vida terrena, assim como a neblina, é passageira e se dissipa rapidamente. Uns chegam aos 70 e outros aos 80 anos de idade, enquanto outros não alcançam tal longevidade. Portanto, não convém viver distraídos com banalidades; ao contrário, devemos remir o tempo, usar a sabedoria à prática da mordomia cristã (Salmo 90.10; Tiago 4.14).

Como mordomos de tudo o que Deus tem nos concedido, um dia teremos que prestar contas dos nossos bens e talentos. O cristão sábio é administrador fiel, prudente e exemplar, faz a vontade de Deus sabendo que haverá recompensa aos que realizarem de modo correto a mordomia cristã, e cobrança e castigo aos negligentes (Lucas 12.42-48).

2. As obras de misericórdia são obras de amor.

A misericórdia de Deus causa uma grande diferença para melhor na vida do cristão (Tito 3.4) Há uma bela ilustração da misericórdia divina em 2 Samuel, na maneira como Davi tratou Mefibosete, o príncipe aleijado. Uma vez que Mefibosete era neto de Saul e filho de Jônatas, era esperado que fosse assassinado. Mas, fazendo uso da misericórdia do Senhor através de seus atos, Davi poupou sua vida e o acolheu como um de seus filhos à mesa do palácio.

A essência do amor é o próprio Deus; o amor em ação é a essência do cristianismo; a misericórdia é o amor posto em prática; se manifesta em atos de amor porque são obras de amor. Com base neste conjunto de fatores, o apóstolo João declarou: "Quem não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor" (1 João 4.8).

"Pois quero misericórdia, e não sacrifício; conhecimento de Deus, mais do que holocaustos" - Oseias 6.6. O crente deve conhecer a vontade do Senhor e ser observador quanto aos fatos que ocorrem ao seu redor, com o objetivo de prestar socorro aos que necessitam de auxílio. Conhecer a Deus, significa:
• Procurar entender o que Ele fala (Oseias 6.3);
• Conhecer o poder que há em sua comunicação (Salmos 29.3-5, 9);
• Compreender que a vida eterna está nEle e em Jesus Cristo (João 17.3);
• Saber qual é sua vontade e praticá-la (1 Tessalonicenses 4.3-8).
Em Oseias 6.6, o Senhor expressa a questão da necessidade de seus servos terem a capacidade diferenciar entre Ele, que é o Deus verdadeiro, e os deuses falsos. Exige de quem o serve demonstrar a mesma diferença em seu estilo de vida, com relação aos que seguem religiões pagãs. O paganismo, ao invés de promover a santidade e a misericórdia, exige dos pagãos sacrifícios cultuais.

3. Obras de quem é salvo.

Antes de reconhecer a Cristo como Salvador e Senhor, éramos mortos em delitos e pecados, andávamos perdidos seguindo o curso desse mundo, fazíamos a vontade da carne e dos pensamentos, éramos como filhos da ira. Porém, ao crer no plano redentor, nos tornamos filhos da misericórdia de Deus, estamos vivificados em Cristo e temos uma cidadania assegurada nos lugares celestiais, e estamos regenerados para ser a demonstração eterna da obra redentora realizada por meio da graça divina (Efésios 2.1-10).

Aos crentes efésios, Paulo esclareceu que a salvação não é conquistada por meio das "obras, para que ninguém se glorie" (2.9-10). A salvação não pode ser resultado de obras humanas, pois a obra salvadora já foi concluída de modo perfeito na cruz (João 17.1-4; 19.30). Essa obra que Deus realizou por nós, motivada por misericórdia, não precisa de reparos  humanos. Não podemos acrescentar nada consistente a ela (Hebreus 10.1-14); não podemos subtrair coisa alguma dela. Quando Jesus morreu, o véu do templo rasgou-se de alto a baixo em duas partes, mostrando que a partir daquele momento o acesso para Deus foi aberto ao pecador arrependido. Desde então não existe mais necessidade de realizar sacrifícios, pois um único sacrifício - o do Cordeiro de Deus - realizou por completo a grande obra da salvação.

O texto de Tiago diz que a fé salvífica tem que ser atuante. Se a fé não apresenta atitudes de amor a Deus e ao próximo, é uma fé morta  (2.14-20). Com base nesse ensino, podemos concluir que fé sem misericórdia é o mesmo que viver carregando nos ombros um cadáver em avançado estado de decomposição. A fé daquela pessoa que vê um irmão usando peças de roupas esfarrapadas e com dificuldade para alimentar-se, vê alguém sofrendo por falta de elementos indispensáveis à sua sobrevivência digna, e simplesmente saúda-o com "a paz do Senhor", tendo condições para socorrê-lo mas não o socorre, é uma fé que não representa a doutrina de Cristo.

É importante considerar que nas Escrituras Sagradas o sentido contrário de amar não é apenas odiar; na Palavra de Deus, não amar também significa agir com indiferença. Portanto, não há como perceber que uma pessoa é salva apenas porque diz que é salva; que ama a Deus e ama o próximo pelo fato de declarar em palavras possuir o amor. A fé salvífica é reconhecida e demonstrada de modo real através de ações de misericórdia, e propagação do Evangelho de Cristo.

O exercício da misericórdia é a oportunidade de trazer o amor de Deus aos seres humanos. Cabe ao crente verificar na igreja local, entre os moradores do bairro em que mora, as demandas de necessidades que existem ali e ponderar sobre o que é possível ser feito. As possibilidades são muitas: arrecadar alimentos e roupas para quem precisa; doar sangue; visitar os enfermos em hospitais e nas residências; identificar a necessidade de uma pessoa em detalhe e mobilizar uma ação coletiva específica com o objetivo de resolver o problema em definitivo.

A respeito dos crentes praticantes da mordomia de obras de misericórdia, o apóstolo João ouviu uma voz no Céu, que dizia: "Escreva: 'Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham" (Apocalipse 14.13).

CONCLUSÃO

Tudo o que temos e somos vêm do Senhor, precisamos manter esta condição sempre avivada em nossa memória para não pecar como pecaram o sacerdote e o levita, personagens da parábola O Bom Samaritano. A misericórdia faz parte do conjunto de ações que acompanham a salvação do crente em Jesus

A fé autêntica não visa apenas salvar a alma individual da condenação eterna, mas também construir  comunidades a fim de mostrar o amor de Deus não só círculo religioso dos próprios crentes, mas também no mundo em que vivem, considerando a questão econômica, vinculada diretamente à miséria que muitas pessoas e nações estão acometidas.

A Bíblia esclarece de maneira muito clara que não devemos fazer boas obras para sermos salvos, como apregoa o espiritismo e outras religiões reencarnacionistas, que ensinam uma salvação alcançada pelas obras de filantropia. É importante promover o bem-estar do próximo, porém, tendo em vista que esta prática tem seu valor somente para o relacionamento social. a conquista da vida eterna acontece apenas quando a alma humana reconhece que o seu Salvador e Senhor é Jesus Cristo.

E.A.G.

Compilação:

Bíblia de Estudo Palavras-Chave - Hebraico e Grego. Edição 2011. Páginas 1647, 2182 E 2617. Bangu; Rio de Janeiro / RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD).
Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento Warren W. Wiersbe (volume 2). Edição 2006. Páginas 24, 347. Santo André/SP (Geográfica Editora).
Comentário Bíblico - Efésios. Elienai Cabral. Edição 1999, Rio de Janeiro /RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD).
Ensinador Cristão, ano 20, número 79, 3º trimestre de 2019, páginas 19, 20, 31 e 41. Bangu, Rio de Janeiro/RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD).
Lucas - O Evangelho do Homem Perfeito. Myer Pearlman. Edição 1995.  Páginas 79 a 87. Rio de Janeiro / RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD).
Tempo, Bens e Talentos - Sendo mordomo fiel e prudente com as coisas que Deus tem nos dado. Elinaldo Renovato. 1ª edição 2019. Páginas 132, 134, 135, 141-143. Bangu; Rio de Janeiro / RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD).

domingo, 8 de setembro de 2019

O realismo no grafite do português Odeith - carcaça de ônibus


Sergio Odeith, artista português nascido em Damala, depois de criar diversas imagens de insetos gigantes, e mostrá-las em sua página no Instagram, criou no mês passado a impressionante imagem de um ônibus velho - a obra é tão realista que alguns observadores perguntam se o indivíduo assentado sobre o veículo é ou não real. Não é desenho, trata-se do próprio artista. 

Ele desenvolve sua pintura usando linhas em ângulos de 90 graus, cria sombras muito realistas. Sua técnica causa  uma ilusão de ótica no observador. Esta perspectiva do seu trabalho é admirada e reconhecida. Muitos murais já foram realizados por contratos, entre os contratantes estão empresas como  London Shell, Kingsmill, Samsumg e Coca-Cola. Há também em seu currículo os clubes de futebol Sport Lisboa e Benfica, Câmara Municipal de Lisboa e a Câmara Municipal de Oeiras.

Odeith já passou pelo Brasil, apresentou sua arte em São Paulo no Museu Brasileiro de Escultura (MuBE).

Quer ver mais? https://www.instagram.com/odeith/

E.A.G.

sábado, 7 de setembro de 2019

O dia 7 de Setembro que a Rede Globo chamou um garotinho de imbecil


O perfil do portal de notícias da Globo no Facebook publicou, na tarde deste sábado (7 de Setembro de 2019), comentário ofensivo a Ivo César Gonzales, garoto de apenas 9 anos de idade, que participou de desfile do 7 de setembro ao lado do presidente Jair Bolsonaro, no Rolls-Royce presidencial.

O menino corria para acompanhar de perto o carro, Bolsonaro percebeu sua corrida e o convidou para entrar no automóvel. Sua mãe concordou e então Ivo desfilou com o presidente.

A máscara caiu e perceberam tarde demais.

O menino foi chamado para um entrevista ao portal G1. E na pureza das crianças, disse ao entrevistador o que pensava sobre o evento cívico: "Hoje foi o melhor desfile de todos, porque isso nunca tinha acontecido na minha vida. Conhecer os políticos, andar no carro do Bolsonaro, poder ver as viaturas de perto. Foi um dia muito legal.” Após isso, surgiu a digitação do perfil portal G1: "moleque imbecil, vai se alfabetizar." Meia-hora depois, a ofensa foi deletada, porém, criticada por internautas, printada e compartilhada em redes sociais.

Ao anoitecer, a Rede Globo tentou fazer a justificação do injustificável via Twitter e no próprio Facebook. Comunicou que a conta teria sido usada de modo indevido e que repudiaria o uso daquela maneira e que haveria apuração e uma tomada de medida cabível ao fato. Acredite se quiser
Acredite quem quiser: "A conta do G1 no Facebook foi indevidamente utilizada para um comentário ofensivo em um post sobre o menino que acompanhou o presidente Jair Bolsonaro no desfile de 7/9. O G1 repudia o uso de sua conta e anuncia que vai investigar o ocorrido e tomar as medidas cabíveis. (7:03 PM – 7 de set de 2019 – TweetDeck)".

E.A.G.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Salmo 23 na versão King James Atualizada


O Senhor é o meu pastor; nada me falta.

Em verdes prados me faz descansar, e para águas tranquilas me guia em paz.

Restaura-me o vigor e conduz-me nos caminhos da justiça por amor do seu Nome.

Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, pois tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me protegem.

Tu prepararás um banquete para mim na presença dos meus inimigos; me honrarás, ungindo a minha cabeça com óleo e fazendo transbordar o meu cálice.

A felicidade e a misericórdia certamente me acompanharão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do Senhor por dias sem fim.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Davi vence Golias


Deus nos garante vitória pela autoridade que há no nome de Jesus Cristo. 

Para conquistar vitórias, enfrentemos todas as lutas com a prática da orientação da Palavra, tipificada nas Escrituras Sagradas pela espada, e não nos esquecemos de usar a fé cristocêntrica, simbolizada na Bíblia como o escudo.

Assim todos os problemas são derrotados, para a glória do Senhor.

As lutas que nos afrontam podem ser maiores que o gigante incircunciso que Davi enfrentou e o venceu, porque amava ao Todo Poderoso e vivia de acordo com as diretrizes das Escrituras, nós também seremos vitoriosos, porque o Criador está ao nosso lado e é bem maior que o tamanho do Universo.

► A diferença entre ser batizado no Espírito e ser cheio do Espírito Santo
► Efésios 4.10-11: Os cinco dons de Cristo para qualificar você a trabalhar na Igreja 
► Efésios 4.27: O importante contexto de "não deis lugar ao diabo"
► Efésios 5.4 - A definição do termo parvoice no idioma grego
► Efésios 5.4 - O que significa torpeza no idioma grego
► Efésios 5.19-21 - Evidências de quem é cheio do Espírito Santo
► Efésios 6.10-11 - A armadura de Deus e o esfriamento espiritual
► Não vos embriagueis com vinho - contextualização de Efésios 5.18
► O sentido etimológico do termo vaidade
► Perseverando na fé

E.A.G.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Por que ir à igreja fazer parte dos cultos de domingo?

Por Jairo Carlos de Castro Ribeiro

Uma jovem questionou um pastor, assim:

"Estou com uma dúvida e sei que o senhor poderá me ajudar. Eu preciso ir todo domingo ou final de semana ao culto? Não tenho conseguido ir, minha mãe fala que estou errada. Penso que não adianta eu frequentar a igreja todos os finais de semana se não estiver bem para receber o que vem de Deus. Gostaria de uma resposta, pois essa situação tem me intrigado bastante! Um abraço e que Deus o abençoe!"


A resposta sábia do pastor:

• Irmã, se você entende que ir ao culto todos os domingos é uma obrigação, não vá;
• Se você entende que ir ao culto todos os domingos é bobagem, não vá;
• Se você entende que ir ao culto todos os domingos é muito chato, não vá;
• Se você entende que ir ao culto aos domingos é perda de tempo, não vá;
• Se você entende que não ir ao culto aos domingos é pecado, não vá!

Vá ao culto todos os domingos, somente nas circunstâncias abaixo:

• Quando você entender que ir ao culto é uma resposta de amor a Deus por todo o amor que você recebe dele constantemente;
• Quando você entender que é preciso alimentar a sua fé com a Palavra de Deus e com o Pão da Vida que é Jesus;
• Quando você entender que você participa de uma grande família e que, quando você não vai seu lugar fica vazio na mesa;
• Quando você entender que não basta ter fé, é preciso viver a sua fé;
• Quando você entender que o domingo é dia de curtir a família, os amigos, a vida, mas também é dia de curtir o Deus maravilhoso que a ama de todo coração.

Sabe, irmã, certamente você já deve ter experimentado aquela sensação de que o culto não muda. É tudo igual, tudo repetitivo, etc. Lembre-se, porém, que:

• Sua família não muda e você a ama;
• Sua escola é a mesma, e você a frequenta;
• Seus amigos são os mesmos e você não se enjoa deles.

Você vai ouvir também de muita gente que ir ao culto só vale quando a gente tem vontade. Eu também acho… Mas também acho, querida, que devemos educar a nossa vontade para querer coisas boas que nos fazem crescer, que nos fazem felizes.


Jairo Carlos de Castro Ribeiro é pastor titular da Igreja Batista Central de Santo Amaro (IBCSA).

Fonte: O Que Escrevi, Escrevi - Não vá à igreja aos domingos - https://bit.ly/2lApjwW

Em consequência de delação premiada: Ministério Público prende casal Antony Garotinho e Rosinha Matheus

Em consequência de acordo de delação premiada na Operação Lava Jato, nesta manhã o casal Antony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro, e Rosinha Matheus, e a ex-prefeita de Campos de Goytacazes, foi alvo de uma operação do Ministério Público. Garotinho e Rosinha foram encontrados no apartamento da família, situado no bairro do Flamengo, zona sul do Rio de Janeiro, receberam voz de prisão juntos levados para a Cidade da Polícia, lá, passaram por exame de corpo delito e prestaram depoimentos, e depois foram conduzidos ao encarceramento na cadeia de Benfica, José Rodrigo de Freitas, na zona norte do Rio de Janeiro. Outras três pessoas também foram alvos da operação: Sérgio dos Santos Barcelos, Ângelo Alvarenga Cardoso Gomes e Gabriela Trindade Quintanilha. 

O casal foi acusado pelos executivos da construtora Odebrecht, Leandro Andrade de Azevedo e Benedito Junior, e deverá responder pelas acusações de corrupção ativa e passiva e formação de quadrilha. São acusados de receberem propina de 25 milhões, via caixa 2, da Odebrecht, para em troca manipular uma licitação em favor da empreiteira, no contrato da construção em duas etapas de um projeto habitacional chamado Morar Feliz 1 e Morar Feliz 2, que se consistiria na construção de casas populares no município de Campos dos Goytacases, interior do Rio de Janeiro, durante a gestão de Rosinha como prefeita, entre 2009 e 2016. No contrato da construção, consta que deveria haver a entrega de 9.600 casas, porém, menos de 4 mil teriam sido erguidas. O custo da obra teria sido avaliado em 1 bilhão de reais, sendo 62 milhões o valor superfaturado. 

Garotinho foi secretário de Rosinha, nas duas vezes que ela esteve como gestora da cidade de Campos. Atualmente, ele não está vinculado a nenhum partido político e ela tem vínculo com o Patriota, que anunciou a intenção de fazer seu desligamento. 

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, as duas prisões ocorreram para evitar interferências nas investigações. Vanildo José da Costa Júnior, advogado do casal se manifestou publicamente, diz que as prisões são ilegais, lamenta haver politização do judiciário, afirma que irá recorrer da decisão de prisão, e que a Odebrecht só recebeu o dinheiro pelas moradias que foram construídas.

Nos últimos anos, Garotinho faz um histórico de entrar e sair da cadeia. A pergunta é "até quando permanecerá preso dessa vez?" Embora existam tantas idas e vindas ao xadrez, não devemos ter pressa em considerar que o casal é corrupto. Parece que sim, mas Jesus ensina a não se guiar pelas aparências.

Nos últimos três anos, Garotinho foi preso três vezes, sendo duas em 2017 e uma em 2016.
• A primeira prisão de Garotinho foi em 16 de novembro de 2016, ao ser investigado em um esquema de compra de votos em Campos, na eleição municipal daquele ano, foi dito que estaria envolvido no programa social Cheque Cidadão, fazendo compra de votos. A prisão foi revogada oito dias depois, considerando problemas de saúde e com pagamento de 88 mil reais
• A segunda prisão ocorreu em dia 13 de setembro de 2017. Ele estava realizando seu programa na Rádio Tupi e não pôde termina-lo. O cárcere foi pedido pelo juiz Ralph Manhães, da 100ª Zona Eleitoral de Campos dos Goytacazes, que o condenou a 9 anos e 11 meses de prisão por corrupção eleitoral, associação criminosa, coação de duas testemunhas e supressão de documentos. Não muito tempo depois, a determinação foi convertida em prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. Dois dias após, a decisão foi revogada pelo TSE. 
• Garotinho foi preso pela terceira vez em novembro de 2017, sob acusação de crimes como corrupção, participação em organização criminosa e falsidade na prestação de contas eleitorais entre os anos 2009 e 2016. A denúncia do Ministério Público Eleitoral afirmava que o grupo JBS fez doação ilegal de R$ 3 milhões por meio de contrato com uma empresa indicada por Garotinho para financiar sua campanha ao governo do Estado em 2014. A prisão durou três meses. Em dezembro de 2017, o ministro Gilmar Mendes suspendeu a obrigatoriedade de uso de tornozeleira eletrônica.
Rosinha teve sua liberdade restringida pela primeira vez, por conta de delação premiada de executivos da JBS, motivos semelhantes ao do marido.

Para muita gente, essas prisões não surpreendem mais. O Brasil de hoje não é mais tão seletivo quanto foi no passado. Lambaris e tubarões recebem o mesmo trato pela força policial e o ministério público. Mas, ainda precisa melhorar mais, porque quem é tubarão tem o seu caso averiguado pela esfera judicial e a maior parte volta a dormir em suas residências e os cardumes de lambaris não têm a mesma atenção de funcionários públicos revestidos da toga preta e continuam com a liberdade restrita. Nossa sociedade não é composta de castas, logo o sistema judicial tem que agir considerando todos iguais, é isso que determina as leis.

A prisão de Garotinho e Rosinha é mais uma situação que envergonha uma parcela do segmento evangélico brasileiro. Os dias são maus. Mas os crentes não devem se escandalizar com notícias desse porte, pois desde os primórdios do Evangelho o joio e o trigo estão misturados. Além disso, a operação do Ministério Público se guia por uma delação premiada, que pode ser uma acusação de base verídica ou inconsistente. Os crentes sempre foram perseguidos, na perseguição religiosa há a violência física e a verbal, que se constitui de ofensas e calúnias. 

É preciso ver de perto os detalhes dessa situação e esperar o desenrolar do caso. Não defender ou acusar. Da minha parte, não tomo posição porque não parei para ver as notícias sobre eles como gosto de fazer, ainda não analisei mais de um veículo de comunicação, ainda não comparei matérias de jornalistas que costumo acompanhar. É notório que muitos jornalistas têm a cabeça atolada em ideias marxistas e fazem da profissão sua plataforma de militância ideológica, portanto, é prudente usar o filtro do bom senso.

O ruim nisso é o preconceito de alguns na sociedade. Olham Garotinho neste tipo de situação e dizem "olha lá um pastor corrupto sendo preso", sendo que ele nunca foi e nem disse que quer ser um pastor evangélico.  

E.A.G.

Atualização: 04/09/2019. Por volta de 10h30 deste dia, desembargador Siro Darlan determina a soltura de Anthony Garotinho e Rosinha Matheus, fazendo duras críticas à Operação Lava Jato. Portanto, a quarta prisão de Garotinho durou menos que 24 horas. O ex-governador do Rio, alegou que sua prisão é consequência de perseguição política.