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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

JAYME KEMP E O CRENTE SEM CERA


A revista Educação Cristã é um periódico trimestral com estudos bíblicos direcionados às escolas dominicais, publicada pela Socep Editora Ltda.

Nos meus primeiros anos de convertido, fui um crente que leu muito, mas muito mesmo. O gosto pela leitura veio antes da conversão. Li a Bíblia da primeira até a última página mais de uma vez, e comprei diversos livros sobre todos os assuntos que desejava ter maior aprofundamento do tema, lidos nas Escrituras e não compreendidos plenamente.

Um desses escritores dos meus tempos de neófito foi o missionário Jayme Kemp, que em seu ministério se voltou aos jovens e suas questões sexuais, temática que os pastores não costumam abordar nos púlpitos. Encontrei muitas respostas nas literaturas de Kemp.

Hoje eu fui às compras, na rua Conde de Sarzedas, centro de São Paulo, e encontrei uma revista com artigos de Kemp. Embora nesta revista ele esteja abordando outras pautas diferentes do que eu lia no passado, percebi que continua com o mesmo frescor dos tempos de antes e continua nos presenteando ensinamentos interessantes sobre textos bíblicos que costumamos ler e não atinar com a mesma acuracidade que ele atina.

Abordando o tema integridade, em um dos artigos da revista, ele cita Filipenses 1.9-11: "...que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o dia de Cristo".

Depois da citação, Kemp foca o "serdes sinceros". Na raiz latina, é o mesmo que "sem cera". Ele esclarece a razão disso recorrendo a uma pequena história que resume o seu significado.

Explica: Carpinteiros e marceneiros sabem que a madeira, para se transformar em mobília de boa qualidade precisa estar seca. Profissionais desonestos, por ganância, se utilizam de madeira ainda verde para fazer móveis. A madeira inadequada, quando se transforma em mesas, cadeiras, etc, apresenta trincas quando prontas. E para esconder os defeitos do consumidor deste material, o costume é tingir o produto com a cera, fazendo com que as rachaduras desapareçam e ganhe aparência de seca. Mas, o resultado da aparência falsa é temporária, quando há a exposição do sol a cera é expelida da madeira.

"É exatamente isto que integridade quer dizer: 'sem cera', transparente, sem máscara", afirma Jayme Kemp no artigo.

Eu não sou uma pessoa perfeita, porém, guardei comigo uma lição muito importante de meu pai. Ele disse uma vez o seguinte e eu nunca esqueci: "Se você quer fazer algo, e isto não puder ser revelado para todos, então não faça, porque com certeza é algo errado". Em outras palavras, ele ensinou-me a ser um crente sem cera!

Dias atrás, colhi com alegria o fruto desta lição. Troquei postagens com diversos blogueiros por e-mail. Em determinado momento um deles afirmou que publicaria algo que eu havia escrito muito tempo atrás, pois havia feito print da minha digitação. Mesmo sem lembrar do conteúdo que ele se referia, e pensava que iria me deixar em condições complicadas perante todos, respondi sem medo "publique onde você quiser, amigo".
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A minha tranquilidade veio da obediência ao ensinamento de meu pai. Eu não tenho cera!

E.A.G.
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TULIPAS NA PRIMAVERA

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O Carvalho - uma árvore muito citada na Bíblia Sagrada



Carvalho, árvore que faz parte da vegetação do Monte Hermon

“Atravessou Abrão a terra até Siquém, até ao carvalho de Moré. Nesse tempo os cananeus habitavam essa terra” - Gênesis 12.6.

O carvalho é um gênero de árvore classificada de dicotiledôneas cupulíveras. Há cerca de trezentas espécies de carvalho. Ela ocupa o primeiro lugar entre as árvores por causa da sua longevidade, suas grandes dimensões e qualidade da madeira.

Segundo os tradutores da Bíblia, diversos termos hebraicos são traduzidos por carvalho, no entanto, alguns deles trata-se do terebinto.

Na Bíblia o pé de carvalho é o símbolo da força: ‘(o amorreu) era forte como os carvalhos’ (Amós 2.9).

Existe na Síria cerca de nove espécies de carvalho, e quase outras tantas variedades (Isaías 6.13; 44.14; Oseias 4.13; Amós 2.9).

Há na Palestina carvalhos solitários, não cortados para fazer uso da lenha, que atingem grandes alturas. Quando a terra foi colonizada pelos cananeus, era, provavelmente, a Palestina ocidental tão rica de montados, como o é hoje a Palestina oriental.

A relação do Carvalho com a cor vermelha 

Em Israel, encontra-se a espécie que a Botânica classifica como Quercus Calliprinus (quercus: carvalho em latim). Dela, os israelitas extraíam o tanino, usado para curtir o couro (Atos 10.6).

E também, há outro variante da árvore, identificada como Quermes (as palavras vermelho e vermelhão tem origem etimológica neste nome). O Carvalho Quermes serve de fonte de alimento para um inseto também conhecido como Quermes, que por meio de seu bico longo extrai a sua seiva da árvore e chega a morrer no processo de alimentação. Dos corpos secos deles se produz o corante vermelho. Referências bíblicas sobre o corante: Ezequiel 23.14; Jeremias 22.14.

Esta cor, em hebraico "shani" e "shani tolaat", é traduzida ao português como escarlate , vermelho. Em 2 Crônicas 2.7 ela é vertida ao nosso idioma como carmesim.

A tintura é bem conhecida desde os tempos mais remotos: usada nas peças de roupa dos sacerdote e sumo sacerdote (Êxodo 28.6, 8, 15). Como também é mencionada em outras situações: o fio pendurado na janela da prostituta de Jericó (Josué 2.18); Saul usava roupas na cor escarlate (2 Samuel 1.24); o carmesim era cor conceituada (Lamentações 4.5); um manto escarlate foi posto sobre Jesus para fazer zombaria (Mateus 27.28; Lucas 23.11).

"Vinde então, e argui-me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã" - Isaías 1.18.

Na Palestina, o carvalho acha-se representado principalmente pelo carvalho de Quermes, do qual há exemplares de uma circunferência entre 6,5 à 8 metros. Outra abundante espécie é a Valônia do Levante, isto é o carvalho decíduo de cúpula espinhosa: empregam-se as suas bolotas no curtimento de peles, mas os árabes servem-se delas como alimento.

Alguns carvalhos são sempre viçosos, mas outros são precoces, deixando cair as suas folhas no outono. É esta uma clara distinção que seria feita mesmo numa idade não científica. Que era esse o caso entre os antigos hebreus, depreende-se de duas passagens de Isaías: ‘sereis como o carvalho, cujas folhas murcham’ (1.30); e, ‘Como terebinto e como carvalho, dos quais, depois de derrubados, ainda fica o toco’ (6.13).

Abraão habitava nos carvalhaes de Manre; em Siquém, Jacó usou um pé de carvalho como esconderijo; Rebeca foi sepultada debaixo de uma dessas árvores (Gênesis 13.18; 35.4; 35.8).

Josué erigiu uma grande pedra aproveitando-se da sombra do carvalho; o Anjo do Senhor assentou-se debaixo desta árvore que estava em Ofra; Absalão ficou preso pela cabeça em seus galhos; a madeira do carvalho foi usada para praticar idolatria; os remos dos barcos da Síria eram feitos da madeira do carvalho (Josué 24.26; Juízes 6.11,19; 2 Samuel 18.9; Isaías 44.14; Ezequiel 6.13; 27.6).

O Carvalho dos Adivinhos

Em algumas traduções bíblicas, em Juízes 9.37, encontramos a expressão “Carvalho dos Adivinhos” , ou “Planície de Meonenim”, ou “Carvalho de Meonenim”. Sempre usada como nome próprio.

Meonenim é o particípio intensivo do verbo “anan”, que significa “praticar agouros”, uma prática proibida que era desenvolvida como negócio debaixo dos carvalhos, provavelmente por cananeus e israelitas apóstatas (2 Reis 2.16; 2 Crônicas 33.6; Levíticos 19.26).


E.A.G.

Fontes:
Conciso Dicionário Bíblico - Ilustrado, por diversos autores americanos e ingleses. Traduzido por D. Ana e Dr. S.L. Watson, página 230.Edição da Junta de Educação Religiosa Batista Brasileira (JUERP). Anexo na Bíblia Sagrada - Edição com letras vermelhas, com dicionário e concordância, 2ª edição 2013, Santo André-SP  (Geográfica Editora)
Dicionário Bíblico Universal, A. R. Buckland e Lukyn Williams, Edição revista e atualizada, maio de 2007, página 120, São Paulo-SP  (Editora Vida).
O Novo Dicionário da Bíblia, volume 1, 4ª edição 1981, página 271, São Paulo-SP (Edições Vida Nova).
Pequena Enciclopédia Bíblica - Dicionário, Concordância, Chave Bíblica, Atlas Bíblico, Orlando Boyer, 30ª impressão 2012, Rio de Janeiro-RJ (CPAD).