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quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Missionario Eurico Bergstén e família no Brasil


Nome completo: Lars Eric Bergstén. Conhecido pelos brasileiros como missionário Eurico Bergstén. Nasceu em Helsinque, capítal da Finlândia, em 13 de agosto de 1913, faleceu na capital de São Paulo / Brasil, em 6 de março de 1999. Cresceu em lar evangélico. Casou-se em 2 de dezembro de 1936 com Ester Lindfors, que passaria a ser chamada Esther Margareta Bergstén, e com ela teve Nils Göran, Ulla, Gitta, Else e Ruy Bergstén, que trabalhou como gerente de produção da Casa Publicadora das Assembleias de Deus. 

Veio ao Brasil em 2 de setembro de 1948. Esteve 7 meses no Rio de Janeiro e 7 meses em Belo Horizonte, quando mudou-se para a Bahia em 29 de novembro de 1949. Fixou-se em Salvador até o ano de 1956. Deixou as atividades no município soteropolitano com destino a Recife (PE), onde permaneceu até 1960. Atendendo convite do Pastor Cícero Canuto de Lima, transferiu-se para São Paulo, ficando na capital paulista até 1967, seguindo ao Rio de Janeiro. 

As características do missionário Eurico Bergstén que mais se destacaram foi sua humildade, sinceridade, vida de oração, paixão pelas almas e pela Palavra de Deus, além de sua resignação e sensibilidade à voz divina. Algumas experiências e curiosidades em sua vida denotam o quanto vivia pela fé. 

"O Senhor disse-me"

Ao escrever os comentários para revistas de Escola Dominical, Bergstén costumava encher o cesto de lixo várias vezes com seus rascunhos, porque preocupava-se muito com a qualidade do que estava escrevendo para o povo de Deus. Ao término. afirmava que tudo o que ficara no cesto de lixo era proveniente dele, ser humano falho, e o que ficara à revista, o que estava bem feito e seria publicado, não era dele, mas de Deus, porque "o que é bom é de Deus", costumava lembrar. 

Quanto aos sermões, irmão Eurico não era de repetir mensagens. Mesmo se fosse pregar em uma igreja humilde no sertão do nordeste, em um lugar distante e simples, não repetia uma mensagem. Ele lembrava que não devemos entregar "pão dormido", "maná velho", ao povo. Também considerava que fazer esboços bíblicos de todas as mensagens que iria pregar, todas obtidas depois de orar a Deus perguntando o que deveria falar na ocasião. Por isso, muitas vezes, no meio da pregação, ratificava: "O Senhor disse...", porque o que entregava era o que o Senhor realmente lhe tinha dado para aquele momento. 

Ao vir com a sua família de Recife para São Paulo em 1961, ficou morando na antiga igreja do Belém (SP), enquanto procurava casa para alugar, mas sem sucesso. Porém, certo dia, em oração, Deus lhe disse: "Não quero que procure casa para alugar, mas para comprar". Surpreso e sem saber como poderia comprar uma casa se mal podia morar de aluguel, perguntou a Deus: "Como, Senhor?" Deus então deu o nome de um irmão a quem deveria pedir determinada quantia em dinheiro para ser paga posteriormente em data a ser acertada. Ao falar com o irmão, foi atendido prontamente e o irmão ainda disse que não se preocupasse em pagar logo. Mesmo assim, mais à frente, Deus abençoou-o e pôde liquidar o compromisso. 

Detalhes

O irmão Eurico costumava ser atendido por Deus até nas coisas mínimas. Certo dia, numa ida à cidade, perdeu sua agenda. Sem saber onde poderia tê-la deixado, fez uma breve oração e Deus falou ao seu coração: "No banco. A moça do caixa tal está com a sua agenda". Então se dirigiu ao local e à moça indicada por Deus. A agenda realmente estava lá e a moça prontamente devolveu-a. 

Antes de dormir, costumava orar de joelhos por duas Horas. Orava todos os dias pela manhã a partir das 4 da madrugada. Quando sua esposa despertava às 6 horas, oravam juntos alguns minutos. Mas, depois de sofrer uma cirurgia causada pelo trauma da perda da esposa, passou a ter períodos menores ajoelhado em oração, porque perdera muito da sua capacidade física.

No fim do ano 1998 foi avisado por Deus da aproximação da sua morte. No dia em que isso aconteceu, repetiu várias vezes e com muita euforia as seguintes palavras: "Eu estou muito alegre! Hoje eu estou muito alegre mesmo!" Perguntado sobre a razão de sua estranha euforia, respondeu: "O Senhor disse-me hoje que está bem próximo o dia da minha partida". Poucos meses depois, partiria para o Senhor. 

Descrito como modelo expressivo da vocação missionária, homem de espírito reto, mente determinada e aberta, vigososo, escreveu 35 revistas da Escola Dominical e 5 livros, sua obra literária foi toda publicada pela Casa Publicadora das Assembleias de Deus. Em 1987, a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) prestou-lhe homenagem, deu-lhe o título de Conselheiro Vitalício da CPAD, juntamente com o missionário Bernhard Johnson Jr.

 "A Assembleia de Deus no Brasil perdeu recentemente uns de seus grandes baluardes... Em razão de um edema pulmonar, ele partiu para o Senhor às 20h30 do dia 6 de março, sábado, deixando saudades e exemplo de vida íntegra ao serviço de Deus. Estava com 85 anos, dos quais 65 de ministério e 50 deles servindo ao Senhor no Brasil. O velório foi realizado no Cemitério da Paz, no bairro paulistano Morumbi. Seu sepultamento se deu às 16 horas do dia seguinte, no Cemitério Horto da Paz, também em São Paulo' (...) O pastor finlandês Gösta Bergstein, irmão do missionário (...). falou em nome das igrejas da Suécia e da Finlândia através de uma ligação telefônica" - escreveu o articulista de O Mensageiro da Paz.

A nota revela que Bergtéin afirmava que veio ao Brasil com o propósito de cooperar nas questões de liderança, costumava intitular-se um pequeno servo de Deus e tinha como lema não ser desobediente à visão celestial. Diz que tanto no Brasil como na Finlândia ganhou muitas almas para o Reino de Deus, e deixou um grande legado para todos os que o conheceram seu exemplo de vida.

E.A.G.

Fonte:
Assembleianos Puritanos. Biografia: Eurico Bergstéin. 29 de abril de 2011. http://assembleianospuritanos.blogspot.com/2011/04/biografia-eurico-bergsten.html

Mensageiro da Paz. Ano 54. Edição especial. Março de 1999. Bangu. Rio de Janeiro / RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD). 

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Lídia: a crente hospitaleira - N. Lawrence Olson

Pico 'O Dedo de Deus'
 Serra dos Órgão; Guapimirim, Rio de Janeiro, Brasil · Cordilheira
 · Ilustração de capa; revista Lições Bíblicas (CPAD).
Publicação ao 2º trimestre de 1975. Artista não identificado.

Por N. Lawrence Olson

INTRODUÇÃO

Verdade prática: A genuína hospitalidade bem pode tornar-se o meio de um expressivo serviço para Cristo. "E tudo quanto fizerdes, fazei-o de coração, como ao Senhor, e não aos homens," Colossenses 3.23.

Leitura em classe: Atos 16.12-15; 35-40; 3 João 5-8.

Após as experiências, da região da Galácia, Paulo pensou em evangelizar a província da Ásia, mas o Espírito Santo não o deixou. Pensou em ir à Bitínia, mas novamente foi impedido. Mas seguiu para Troas, porto de mar, conhecida na história como Troia, a cidade que na antiguidade sustentou o cerco dos gregos durante 10 anos. Aqui Paulo teve a visão do "homem da Macedônia", que lhe implorava vir ajudá-lo. Então entendeu o motivo de o Espírito Santo fechar as portas das outras províncias.

Deus nessa hora abria as portas da Europa! Seria na Europa onde o evangelho teria a sua maior expressão e vitória. Depois, da Europa, o evangelho prosseguiria seu caminho rumo aos confins da terra. Embarcando em um navio em Troas, Paulo e seus companheiros chegaram a Neápolis e dali rumaram a Filipos, cidade que era colônia romana.

Foi um privilégio do autor destas linhas visitar esta região, há dez anos passados, e estudar e fotografar as ruínas de Filipos, incluindo a prisão interior em que estavam encarcerados Paulo e Silas. Estas ruínas incluem uma igreja construída no meio do 4º Século, em que se vê até hoje o tanque de batismo, provando que o batismo era por imersão como algumas igrejas ensinam. Ele fotografou também o rio Angites, distante menos de 2 quilômetros da cidade, em que o carcereiro e sua casa foram batizados nessa noite (Atos 16.33).

Em Filipos Paulo não encontrou sinagoga, pois haviam poucos judeus, mas à beira do rio encontrou Lídia, vendedora de púrpura, que abriu seu coração e mais tarde sua casa, de dimensões amplas, ao evangelho.

I - A CONVERSÃO DE LÍDIA

Leitura: Atos 16.12-15.

A. Encontrada no lugar da oração. Versículos 12 a 14. Nessa primeira cidade europeia a ser evangelizada, Pulo não encontrou "uma comissão de recepção"! Parecia que não tinha ninguém" Sinagoga não havia" Como ia começar o trabalho? Mas lá ao oeste da cidade ele encontrou um grupo de senhoras que ali, à beira do rio (num lugar arborizado e muito apropriado para tais reuniões, como o autor teve oportunidade de verificar "in loco"!) costumavam orar, aos sábados. Paulo começou logo a pregar-lhes a mensagem de Cristo, o Salvador. Ele não se importou que só senhoras compunham a sua audiência. A alma da mulher vale tanto quanto a do homem. Onde estavam os maridos? Não sabemos, com certeza, mas possivelmente eram homens que preferiam deixar as coisas de religião com as mulheres, como muitas vezes acontece! Queremos crer que esses mesmos homens fossem depois evangelizados e viessem a assumir a liderança na igreja nascente em Filipos, como é normal. Mas quanto não devemos a mulheres fiéis que, na falta de homens para liderar, fazem o que podem, muitas vezes com sucesso extraordinário! Lídia foi uma dessas. Lídia era negociante de "púrpura". Segundo o dicionário, "púrpura" era uma anilina ou púrpura da mais excelente qualidade, extraída  da raiz de "garança", ou "ruiva  dos tinteiros", e dum molusco marinho. Até hoje os pintores a usam por causa de sua grande durabilidade. Sendo um artigo caro, entendemos que o negócio de Lídia limitava-se à alta classe. Lídia era gentia, vinda de Tiatira, mas de coração faminto pelas coisas de Deus. Foi Paul oque lhe deu de comer do "pão da vida"!

B. A Ouvinte Ávida. Versículos 14 e 15. Quando o servo de Abraão procurou uma esposa para Isaque, ele encontrou Rebeca como a resposta à sua oração. Depois ele testificou, "...o Senhor me guiou no caminho", Gênesis 24.27. É um princípio espiritual que Deus nos guia quando estamos no "caminho" e encontrará uma direção perfeita pela mão do Senhor. Foi o que aconteceu com Lídia que andava na luz que possuía e consequentemente sua luz ficou mais forte como a do meio dia! Ela encontrou a sabedoria que provém, não da mente humana, mas si do Espírito de Deus. 1 Coríntios 2.13,14. No princípio ela tinha condições de indagar as coisas do Espírito, mas quando regenerada, abriu-lhe um mundo novo de realidade celestial. É o que significam as palavras "o Senhor abriu-lhe o coração". Versículo 14. A palavra "abrir" no original significa "abrir de tudo", como também é usada em Lucas 24.32,45, onde Jesus "abriu" o entendimento dos dois discípulos de Emaús. Lídia demonstrou a mudança de coração por ganhar a sua família para Cristo, incluindo empregados e associados da vida comercial. Lídia foi mesmo exemplo de crente!

II. A CONSAGRAÇÃO DO LAR

Leitura: Atos 16.15,24-34

A. A Hospitalidade Cristã. Versículo 15. Lídia, logo após a sua conversão, ofereceu a sua casa para hospedar os missionários, sentindo com muita obrigação para com eles. Queria servir-lhes e a Cristo, com algum conforto do que dispunha,. É interessante notar como a oferta que ela fez, sem imposição, mas fazendo-os sentir que era o privilégio dela recebê-lo em sua casa. Ela procurou um modo de continuar a demonstrar a sua fé, de maneira concreta. Queria que seu lar fosse um centro de evangelização, e sem dúvida nos primeiros tempos sua casa serviu de salão de cultos, com osemmpre acontecia no início dos trabalhos. Que belo exemplo para os demais em Filipos! Esta igreja, que nesses dias nascia, tornou-se a igreja mais chegada ao apóstolo Paulo. Foi a única que nenhuma repreensão levou quando o apóstolo escrevia suas cartas. Quem pode duvidar que Lídia teve forte influência nessa formação espiritual dessa igreja? Quanto vale um bom exemplo?

B. Um Lugar de Descanso.

Leitura: Aros 16.35-40. 

Versículos 37-40. No prosseguimento da obra em Filipos, Paulo foi usado por Deus para expulsar um demônio de uma moça possessa, fato em que resultou ser ele e Silas açoitados com varas e postos numa prisão interior. Mas não se importaram com os sofrimentos e de estar presos no tronco, que era um terrível instrumento de tortura. A meia-noite cantavam hinos em louvor a Deus! Foi quando um terremoto sacudiu o prédio, fazendo chegar às pressas o carcereiro que, supondo que os presos houvessem fugido, ia suicidar-se. Tocado no coração, perguntou aos pregadores que devia fazer para se salvar. Paulo disse: "Crê no Senho Jesus". O homem creu e toda a sua casa. Tratou de curar as feridas, e nessa madrugada o carcereiro e sua família foram batizados no rio Angites. 

Foi uma vitória importante para o evangelho. Os magistrados então queriam que Paulo saísse da prisão pela "porta dos fundos", mas isso ele recusou fazer, exigindo que eles mesmos o "soltassem" Exigia respeito às leis romanas sob cuja proteção ele tinha direito, como cidadão romano. Eles cumpriram a exigência, servindo-lhes de lição para não maltratar os pregadores do evangelho sem nenhuma razão. 

Após esses acontecimentos então foi que Paulo retirou-se para a casa de Lídia, onde teria sossego e comunhão com os crentes e onde juntos louvariam ao Senhor por seu livramento. Notamos que, em vez de Paulo exigir o conforto dos outros, foi ele quem os "confortou"! Isso porque de Deus ele havia recebido conforto do Senhor, que o fez capaz disso.

A CONFIRMAÇÃO DO PRINCÍPIO DE HOSPITALIDADE

Leitura: 3 João 5-8.

A. A Hospitalidade é Obra de Fé. Versículo 5. A hospitalidade caracterizou a Igreja Prtimitiva em toda parte. A terceira carta de João foi escrita numa época quando Diótorfes, que desejava proeminência na igreja, queria embargar os mensageiros do idoso apóstolo João de receber hospitalidade dos cristãos. Mas Gaio manteve seu lar aberto para esses servos de Jesus, apesar das ameaças. Gaio assim fez porque era uma expressão de sua fé que abrangia até pessoas estranhas e forasteiros. É assim que o amor cristão opera, preocupando-se com as necessidades de outrem.

B. A Hospitalidade Facilita a Promoção do Evangelho

Leitura: 3 João 5-8; 1 João 3.14-24

Versículo 6-8. Nem sempre podemos demonstrar o nosso amor e a nossa hospitalidade no lar. Mas sempre podemos cooperar de modo tangível com as nossas ofertas e sustento regular para as obras de missões. João menciona que não devemos exigir nada dos estranhos à causa do Senhor, para eles nã opensarem que o evangelho é um comércio. Os crentes devem sustentar os obreiros que saem para os campos no mundo afora. O espírito liberal muito ajudará nessa obra de evangelizar o mundo.

E.A.G.

Fonte: Lições Bíblicas. N. Lawrence Olson. Lição 9: Lídia - a crente hospitaleira. abril-maio-junho-de-1973. Guanabara / Rio de Janeiro (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD).

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Raquel, a esposa muito amada de Jacó

Por Eliseu Antonio Gomes

Raquel em hebraico significa "ovelha", cuja conotação é pacificadora e mansa. Ela era filha caçula de Labão, irmã de Lia e sobrinha de Rebeca. Mulher de grande beleza (Gênesis 29.17). Casou-se com Jacó; foi sua esposa favorita. Sua história está registrada no livro de Gênesis, dos capítulos 29.1 a 35.29.

O primeiro encontro dela com Jacó aconteceu quando ele se encaminhava à Padã-Arã, por orientação de Isaque, seu pai, para conhecer uma mulher que fosse sua esposa de entre os parentes de sua mãe (28.1-2). Na ocasião, ela conduzia o rebanho para beber água e ele a ajudou abrindo a tampa do poço e saciando a sede dos animais, e depois beijou-a, foi amor à primeira vista (29.2-10-11).

Jacó  ficou na casa de seu tio Labão um mês inteiro. Aí o tio lhe disse que não era correto ele trabalhar de graça, só porque era seu parente, e perguntou quanto ele queria ganhar. Como Jacó estava apaixonado por Raquel, não perdeu tempo, pediu a mão da moça em casamento a Labão. Ambos entraram em um acordo pitoresco, Jacó sugeriu trabalhar cuidado do rebanho de Labão por sete anos, para só depois desse tempo ter a permissão dele para casar-se com ela. E Labão aceitou a proposta, dizendo que preferia ver sua filha casada com ele do que com um estranho. O amor de Jacó por Raquel era realmente admirável, pois considerou esse tempo como se fosse poucos dias pelo muito que a amava (29.20).

Assim, Jacó trabalhou sete anos com o objetivo de casar-se com Raquel. Quando passou o tempo combinado, Labão agiu desonestamente com Jacó. Deu uma festa de casamento e convidou toda a gente da região. Mas naquela noite Labão pegou Lia e a entregou a Jacó, e ele teve relações com ela. Só na manhã seguinte foi que Jacó percebeu que havia dormido com Lia, que Labão não havia cumprido com a palavra empenhada. Tentando justificar-se, disse-lhe não era costume em sua terra dar primeiro a mão da filha caçula em casamento antes da filha mais velha. Talvez, tenha feito isso, para que Jacó continuasse cuidado de suas ovelhas. E Jacó aceitou aquele sacrifício. Quando terminou a semana de festas do casamento de Lia, Labão permitiu que Jacó se casasse com Raquel. Jacó relacionou-se intimamente com ela; e ele amava Raquel muito mais do que amava Lia. E ficou trabalhando para Labão, conforme havia dito que ficaria (29.15-26).

Duas irmãs casadas com o mesmo marido - isso não pode dar certo... Ainda mais quando o amor não é dividido de forma igual. Só mais adiante foi que se proibiu o casamento com duas irmãs durante a vida de ambas (Levíticos 18.18). Neste triângulo que se formou, Lia estava sobrando... A irmã mais velha, só se tornou esposa de Jacó porque, na noite de núpcias, ele foi enganado pelo pai da noiva com uma artimanha engenhosa.

Deus viu que Jacó desprezava Lia e que ela sofria muito com a situação em que foi envolvida. E se compadeceu dela, fazendo com que ela tivesse um filho atrás do outro. Pôs no primeiro filho o nome de Ruben; no segundo Simeão; o terceiro, Levi; o seguinte, Judá. Para cada nascimento, ela reconhecia que o Senhor a abençoava através da maternidade e nutria a esperança que seu marido a amaria mais, se aproximaria mais e louvava a Deus em cada gravidez.

De todas as maneiras as duas irmãs tentavam se destacar mais que a outra no quesito filhos. Raquel era estéril. Sendo assim ela se sentiu enormemente atormentada e decidiu usar a escrava Bila como  "barriga de aluguel", levou-a a Jacó e disse que ela seria sua concubina e todos os filhos que gerasse seriam considerados como se fosse dela. Então, a disputa entre as duas irmãs deslanchou de vez. Com Bila, Jacó foi pai de Dã, Naftali.

Lia percebeu que não seria mais mãe e entregou sua escrava Zilpa a Jacó como concubina também, e esta concebeu a Gade, Aser.

Quando viu que Rubem havia achado mandrágoras no campo e trouxe-as para sua mãe, quais algumas para si e foi pedir a Lia, que negou-se a dar-lhe. Para que mudasse de ideia, disse a irma que permitira que Jacó se deitasse com ela novamente, e elas entraram nesse acordo (Gênesis 31.19,34,35). Para sua surpresa, Lia veio a engravidar outras vezes, o próximo filho teve o nome Issacar e o sexto menino chamou-se Zebulom. E na sua última gravidez nasceu uma menina e a ela deu ao bebê o nome de Dina.

Raquel era capaz de ações sem princípios. Quando Jacó, depois de 20 anos explorado pelo sogro tomou a iniciativa de afastar-se definitivamente de Labão, sem o avisar que voltaria à casa de seu pai, Raquel aproveitando a ausência do pai, furtou dele uma imagem de culto idólatra, conhecida como terafins e "ídolos do lar" (Gênesis 31.19). Labão ao dar falta de Jacó, das filhas, dos netos o do objeto idólatra, perseguiu a Jacó para reclamar de sua saída às escondidas e reaver o objeto e o alcançou. Jacó permitiu que fizesse uma revista em todos os seu pertences. Ele não o encontrou, pois estava escondido na sela do camelo em que Raquel havia se sentado e recusou-se a levantar dando como desculpa estar no período menstrual. Ali foi o único lugar que não houve verificação, por certo porque Raquel gozava de toda confiança do pai e do marido. Jacó, sem saber da transgressão de Raquel, revoltado com o fato, amaldiçoou quem havia roubado seu sogro, para sua tristeza a maldição não demoraria a surtir efeito (Gênesis 31.22.42).

Raquel se sentia envergonhada e orava ao Senhor para que pudesse ter mais filhos, ao menos mais uma vez. Deus ouviu sua oração e fez com que ela engravidasse. E ela foi mãe de José. Depois, voltou a engravidar, teve problemas no trabalho de parto, quis chamar a criança de Ben-Oni (filho do meu sofrimento), suspirou e faleceu. Jacó preferiu que o filho se chamasse Benjamin (que quer dizer filho da minha mão direita). Enterrou-a em Belém e levantou ali um memorial de pedras em sua homenagem (Gênesis 35.16-20). José e Benjamin foram os filhos mais estimados de Jacó.

José, o primeiro filho de Raquel e Jacó

E.A.G.

Compilações:
História de Mulheres da Bíblia. Eva Mündlen. Edição 2013. Páginas 89 a 94. Barueri - SP (Sociedade Bíblica do Brasil - SBB).
História Sagrada do Antigo e Novo Testamento. Bruno Heuser. Edição 1965. Petrópolis - Rio de Janeiro (Editora Vozes).
O Novo Dicionário da Bíblia.  Volume 3. Quarta edição 1981. Página 1368. São Paulo - SP (Edições Vida Nova).

domingo, 17 de novembro de 2019

O Exílio de Davi

O povo de Israel passava por dias complicados. Davi, após ter sido ungido a rei, ser um servo de Deus, havia se exilado, pois Saul, dominado por sentimentos negativos queria matá-lo. O exílio de Davi, relatado em 1 Samuel 22.1-5, remete o cristão para a realidade de inúmeras situações difíceis que o seguidor de Jesus pode ser acometido. Este episódio faz com que entendamos que a permissão do Senhor, para que o crente vivencie o sofrimento, tem o objetivo de fazer com que este crente esteja, futuramente, apto para assumir missões que jamais teria competência para exercê-la se não experimentasse o tempo da provação.

A caverna de Adulão. 

A caverna de Adulão foi uma bênção para Davi e os homens que ali se encontravam. Buscando ficar fora do alcance e da vista de Saul, Davi refugiou-se em uma caverna na cidade canaanita chamada Adulão, no território de Judá, a meio caminho entre Jerusalém e Laquis. A cidade foi fortificada por Reboão visando dificultar o ataque dos egípcios (2 Crônicas 11.7); os judeus a habitaram após o exílio (Neemias 11.30).

Os Salmos 57 e 142 dão uma ideia do estado flutuante das emoções de Davi durante sua provação. As duas poesias abordam o período em que se escondeu na Caverna de Adulão. No Salmo 57, ele se mostra corajoso, animado, quase parece gostar da situação por causa da certeza do seu resultado vitorioso. No Salmo 142, deixa transparecer a tensão que há em sua alma por ser odiado e estar caçado, porém, continua reverente ao Senhor.

Compreendemos por meio de suas palavras que sua fé o sustenta, embora esticada até seu limite. Ao invés de se acovardar, por causa do círculo do inimigo que deseja seu mal, reconhece que está em vantagem contra eles, pois conhece o poder do Altíssimo, que o protege e lhe dá estratégias eficazes (1 Samuel 24.1-15).

O arqueólogo francês Charles Clermont-Ganneau visitou o local em 1874 e escreveu: "O local é absolutamente desabitado, exceto durante a estação chuvosa, quando os pastores se abrigam lá durante a noite". Na atualidade, o lugar é identificado como Ai el Ma e Tell esh-Sheikh Madhkur.

Uma entrada de caverna em Adulão.  Crédito: David Bena. 29 de dezembro de 2014.
 https://en.wikipedia.org/wiki/Adullam 

Os exilados da caverna de Adulão.

Haviam 37 guerreiros valentes em Adulão, segundo a lista em 2 Samuel 23.8-39, porém em 1 Crônicas 11.11-41, o número de homens chega a 53. Os relatos de suas façanhas encontram-se nestas referências bíblicas.

Cavernas naturais não são uma raridade nas regiões de Israel e da Palestina, visto que toda a região montanhosa a oeste do Jordão, excetuando um trecho de basalto ao sul da Galileia se compõe de pedra calcária e de giz. Tais cavernas eram usadas como habitações, esconderijos, túmulos.
• Abraão e sua família tiveram seus corpos sepultados em cavernas de Macpela (Gênesis 23).
• Lázaro ficou quatro dias dentro de uma caverna até ser ressuscitado por Jesus (João 11.38);
• Ló e suas filhas abrigaram-se em uma caverna após a destruição de Sodoma (Gênesis 19.30);
• Josué encurralou cinco reis, que se esconderam em uma caverna em Maquedá (Josué 10.16);
• Israelitas se esconderam de midianitas em cavernas (Juízes 6.2);
• Obadias escondeu de Jezabel 100 profetas em cavernas (1 Reis 18.4,13).
Juntaram-se a Davi três classes de pessoas: aqueles que se achavam em aperto, apuro, dificuldade ou perseguição. aqueles que deviam dinheiro a juros; e homens amargurados. Os amargurados eram considerados fora da lei e estavam insatisfeitos com o governo de Saul. E por se identificarem com a situação de Davi, perseguido por Saul, se uniram a ele formando um exército sob sua liderança.

O pequeno exército de homens fiéis a Davi combatiam tribos selvagens que exploravam os fazendeiros, protegendo-os de muitos perigos. Em troca, os protegidos de Davi separavam uma parte de seu lucro aos seus protetores. Um desses fazendeiros que receberam proteção era Nabal, marido de Abgail, que, não soube ser grato ao auxílio recebido (1 Samuel 25.32).

Há um propósito elevado quando Deus nos "exila."

"A seguir, Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo" (Mateus 4.1).

Há um grande benefício em servir a Deus, em circunstâncias de adversidades e de bonança. Na geração do profeta Malaquias, o povo se queixava amargamente dizendo que não via nenhuma consequência proveitosa em servir ao Senhor, posto que - acreditavam eles -, não recebiam nenhuma recompensa especial. 

Em sua resposta, Deus não quis convencê-los de que os justos estavam em melhor situação. Disse-lhes que conserva um "memorial escrito" no qual Ele anota os feitos de todos que o temem, e que um dia virá como juiz para destruir os maus e preservar os que o temem. A fidelidade tem sua relevância, seu valor será óbvio neste momento de prestação de contas, embora não o seja para muitos nos dias atuais (Malaquias 3.1,14,16).

A fidelidade é o segredo para reinarmos com Cristo.

"Se perseveramos, também com ele reinaremos; se o negamos, ele, por sua vez, nos negará" (2 Timóteo 2.12).

Toda provação tem a permissão de Deus (Gênesis 22.1). Tiago 1.12 revela que o crente será provado durante toda a sua vida, o crente é um bem-aventurado ao não desistir da sua fé durante as provações e quando provado e aprovado receberá a recompensa da vida eterna.

Ser cristão não nos isenta de sofrimentos e provações (João 16.33; Atos 14.22; Tiago 1.1-11). Todo cristão passa por adversidade de várias formas e intensidades (1 Pedro 1.6). Em meio aos tempos adversos, o crente pode encontrar alegria, pois a sua fé sustenta-o com a consciência que o Todo Poderoso o ama e é fiel, não permite que sobrevenha sobre ele lutas maiores do que sua capacidade de suportá-las e vencê-las (Hebreus 12.2; 1 Coríntios 10.13).

Por estar escrevendo a um amigo que o conhecia muito bem, Paulo sentiu necessidade de aconselhar Timóteo a ser perseverante, para isso fez a comparação do cristão com o serviço militar (2.3-2) e com o trabalho da lavoura (2.4). Ele o aconselha e pede que reflita sobre os aconselhamentos. Na ocasião, o apóstolo estava perfeitamente cônscio  das ameaças e perigos que pesavam sobre sua vida, e queria que Timóteo se exercitasse, preparando-se para qualquer dificuldade que tivesse no futuro. E de fato Timóteo sofreu grande perseguição e chegou a ser preso também, porém, o escritor do Livro aos Hebreus, no capítulo 13 e versículo 23, revela que ele foi posto em liberdade.

Na obra de Cristo, lutemos por Cristo.

"Não façam nada por interesse pessoal ou vaidade, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo, não tendo em vista somente os seus próprios interesses, mas também os dos outros" (Filipenses 2.3-4).

Paulo estava preso por amor ao Evangelho quando escreveu a carta aos crentes de Filipos. Apesar da liberdade restringida, ressoa por toda a carta uma mensagem repleta de alegria. A alegria é tema mencionado dezoito vezes, a despeito das provações do apóstolo e das dificuldades que a igreja enfrentava (1.27-30). Em cárcere, Paulo demonstrava querer cuidar dos interesses de Cristo e não de seus interesses pessoais (Filipenses 2.21). Paulo estava preso por amor ao Evangelho quando escreveu a carta, corria o risco de ser sacrificado, porém, se isso servisse para edificar os irmãos em sua fé, não seria um fato entristecedor.

O cristão deve analisar o tempo da adversidade e entender que a caminhada cristã é uma situação em desenvolvimento no viver diário dos crentes, as lutas que enfrenta não podem se constituir em fator desanimador. Pois, todos os acontecimentos devem ser vistos como oportunidades de crescimento espiritual. Deus cuida de seus filhos e não os abandona jamais.

Os filhos devem cuidar dos pais em todos os momentos.

"Herança do SENHOR são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão"(Salmos 127.3).

Honrar os pais é mandamento da Palavra de Deus (Êxodo 20.12). No meio de toda aflição que estava passando, Davi cuidou especialmente de seus pais, deu-lhes amparo e proteção, pois não poderia jamais deixá-los ao alcance das mãos de Saul. Ele solicita ao rei de Moabe que conceda abrigo a eles. Talvez lembrando-se que Rute, bisavó de Davi, era moabita e sendo Saul inimigo de Moabe, o rei aceitou o pedido (Rute 4.17). Moabe era um país situado ao sul de Amon, a sudeste do Mar Morto, na Transjordânia. A região foi destinada por Deus aos descendentes de Moabe, filho de Ló (Gênesis 19.37).

O conselho dos pais quando são mais do que meros "não faça isso, não faça aquilo", mas orientações cuja base é a Palavra de Deus, têm potencial para desenvolver o amor pelas melhores coisas da vida. Este amor pelas melhores coisas, especialmente pelo conhecimento da vontade de Deus, começa quando alguém presta atenção aos conselhos dos servos do Senhor. Isto pode ocorrer na relação familiar, dos pais aos filhos. Quando as instruções começam a ser recebidas no período infantil, o amor pela sabedoria do alto se transforma numa busca de toda a vida, podendo tornar o filho até mais sábio que seu pai. Tal condição privilegiada faz com que a criança cresça e tenha a consciência lúcida para entender perfeitamente que precisa amar seus pais, e principalmente saber e ter disposição para cuidar muito bem deles no período da velhice avançada.

Deus sempre abençoa os filhos obedientes.

"Honre o seu pai e a sua mãe, para que você tenha uma longa vida na terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá." (Êxodo 20.12).

Os Dez Mandamentos, que aparecem no capítulo 20 de Êxodo e em Deuteronômio 5, formam o núcleo central da moralidade e da ética; e são um grande avanço sobre outros códigos legais da época. O Novo Testamento repete todos eles, à exceção do quarto mandamento. A expressão "ética judaico cristã", que às vezes se ouve nas cortes e nas câmaras legislativas, refere-se aos amplos princípios morais que são derivados das leis delineadas em Êxodo, Números, Deuteronômio e Josué.

Os cristãos devem honrar os que são colocados por Deus na obra.

"Lembrem-se dos seus líderes, os quais pregaram a palavra de Deus a vocês; e, considerando atentamente o fim da vida deles, imitem a fé que tiveram" (Hebreus 13.7).

Em seu formato, Hebreus é mais um livro de ensino teológico do que voltado para orientações da prática cristã, aos deveres espirituais do cristão neste mundo. Mas no décimo terceiro capítulo, o autor reúne uma lista de sugestões e recomendações específicas, dedica-se aos conselhos para a jornada de fé. Entre as orientações contidas no último capítulo, observa que visto que Cristo já cumpriu tudo o que era necessário para a nossa salvação, em gratidão ao Senhor devemos oferecer-lhe sacrifícios de louvor, que é confessar ao mundo a autoridade que há em seu nome (versículo 15).

O autor de Hebreus, em 13.1-25, encerra o livro exortando os leitores para uma vida de bom testemunho cristão. Alguém disse com bastante propriedade que "testemunhar não é algo que fazemos; é algo que somos". Nesta linha de raciocínio, o autor de Hebreus mostra que é preciso anunciar ao mundo a nossa crença no Altíssimo através do nosso comportamento, pois se o que falamos estiver em desarmonia com as atitudes, a pregação torna-se em sal insípido e luz apagada. Billy Graham certa vez disse que "a maior necessidade do mundo hoje é de cristãos com maturidade espiritual, que não somente tenham professado sua fé em Cristo, mas que vivam essa fé a cada dia".

Ainda, como um pastor que cuida do seu rebanho, o autor de Hebreus apresenta uma bênção (13.20-21). Esta bênção revela alguns dos muitos privilégios que temos como cristãos: nós temos o Deus da paz; nós temos um pastor grande e imortal; nós vivemos sob uma nova aliança; nós somos aperfeiçoados por Deus para cumprirmos a sua vontade; nós temos um Deus que opera em nós para vivermos de forma agradável em sua presença e para a sua glória. 


Artigo em desenvolvimento.

sábado, 16 de novembro de 2019

Tiago 3.13-18 - A sabedoria que só interessa aos cristãos espirituais

Alguém publicou o seguinte em seu perfil de rede social:

"Por mais inteligente que alguém possa ser, se não for humilde, o seu melhor se perde na arrogância. A humildade ainda é a parte mais bela da sabedoria."

Não discordei. E digitei o que está a seguir.

Quero dizer uma obviedade, antes da opinião: Sábios são aqueles que sabem, aqueles que absorvem informações. Quem consegue guardar mais conhecimento, é mais sábio do que aquele que guarda menos. E quem valoriza mais as informações mais úteis, é mais importante do que o sábio que não escolhe bem o que vale a pena saber.

A arrogância é o sinal de que a pessoa não é sábia, o quanto deveria ser. O arrogante não sabe ser modesto. Só demonstra humildade quando está na posição da superioridade, se tiver que ser submisso logo desaparece a capa da elegância e a fala cordial.

É sempre bom lembrar que a Carta de Tiago (3.13-18) descreve a sabedoria que devemos ter. O conhecimento bíblico nos faz saber o que Deus diz para nós e como Ele quer que a gente viva.

"Está escrito assim: Quem entre vocês é sábio e inteligente? Mostre as suas obras em mansidão de sabedoria, mediante a sua boa conduta. Se, pelo contrário, vocês têm em seu coração inveja amargurada e sentimento de rivalidade, não se gloriem disso, nem mintam contra a verdade. Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; pelo contrário, é terrena, animal e demoníaca. Pois, onde há inveja e rivalidade, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins. Mas a sabedoria lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, gentil, amigável, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento. Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz."

O que temos neste texto para ser meditado?
• Nem todo sábio é inteligente. A inteligência é a capacidade de administrar bem o conhecimento. E nem todos conseguem fazer isso.
• Nem toda inveja carrega amargura; as pessoas invejosas e quem tem o hábito da competição, têm que tomar cuidado. Ser alguém assim indica falta da sabedoria do que Deus quer dela. Precisa conhecer mais a Palavra e querer mudar as atitudes.
• Viver invejando e rivalizando é um hábito aprendido em fontes da terra, copiado de comportamento humano e pode até ser o resultado de uma aprendizagem de demônios. Pesado isso, mas é a Bíblia ensinando!
O conhecimento da vontade de Deus vem através da revelação que está na Bíblia. A Bíblia mostra como é a sabedoria do alto. Ela é pura, pacífica, moderada, amigável, cheia de misericórdia, bons frutos, imparcial, sem fingimento. Deus é assim! Deus é puro, pacífico, tem autocontrole, é tratável, é misericordioso, é portador de todas as nove características do fruto do Espírito, não favorece um prejudicando outro, é sempre sincero. E devemos ser imitadores dEle e de Cristo.

Eu não pensava em tantas linhas... mas elas vieram... rsarsrs

Bom domingão.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

A Ressurreição de Dorcas - Atos 9.36


Por Eliseu Antonio Gomes

"Em Jope havia uma discípula chamada Tabita, nome este que, traduzido, é Dorcas. Ela era notável pelas boas obras e esmolas que fazia" - Atos 9.36 (NAA). 

A mulher cada vez mais conquista seu espaço na sociedade atual. E qual era o espaço da mulher nos tempos bíblicos? Ao ler a Bíblia e observarmos as personagens femininas, encontramos uma variedade de pessoas e situações em relatos marcantes, momentos de alegria e dor, paixão e amor, astúcia e sagacidade. E percebemos que Deus se importa e cuida de cada um de seus filhos e filhas.

Jope, uma bela cidade costeira, situada  a quase 60 quilômetros de Jerusalém, era o principal porto marítimo da Judeia e o mais próximo de Jerusalém (2 Crônicas 2.16; Atos 10.5 e 11.5). Hoje é chamada Jafa, comunidade residencial em Tel-Aviv. Era comum que as mulheres perdessem seus maridos em naufrágios no alto-mar, havia muitas viúvas e órfãos em estado de carência.

Ali, morou uma mulher cristã chamada Dorcas, muito piedosa, dedicada às boas obras e a dar esmolas. Não se sabe se Dorcas era uma judia entre os gregos ou uma helenista convertida ao cristianismo. O seu nome grego, cujo correspondente em aramaico ou hebraico é "Tabita", significa "gazela" nos dois idiomas. Tal definição, talvez, possa ser em alusão aos belos olhos do quadrúpede.

A narrativa de  Lucas a descreve apenas como discípula. Esta é a única vez que encontramos no Novo Testamento uma mulher descrita com este título.  Ao chamá-la de "discípula", a intenção do escritor de Atos dos Apóstolos era enfatizar que Dorcas de fato era uma pessoa praticante dos ensinamentos de Jesus.

Bondade, Dorcas usava seu talento com mãos de costureira habilidosa, criava vestimentas para ajudar o próximo e, por consequência, mostrar a todos que amava a Deus e seguia os passos de Cristo. Ao socorrer as pessoas confeccionando peças de roupas e doá-las, cumpria a vontade do Mestre, que disse: "Estava nu, e vestiste-me" (Mateus 25.36).

Em um determinado dia, essa mulher, muito doente, veio a falecer rodeada por inúmeras pessoas que havia ajudado. Como a cidade de Lida ficava perto de Jope, onde Pedro se achava naquela ocasião, os discípulos mandaram-lhe dois mensageiros, com o pedido de vir urgentemente para a casa de Dorcas. O apóstolo Pedro, sabendo do ocorrido, pôs-se à caminho; ao chegar; levaram-no até o lugar em que estava o corpo. Rodeou-o grande número de viúvas, mostrando-lhe, em lágrimas, as roupas que Dorcas tinha dado a elas. Pedro mandou sair todos do quarto e pôs a orar ajoelhado. Voltando-se ao corpo, proferiu as palavras: "Tabita, levanta-te". E assim Dorcas teve sua vida restaurada. Abrindo os olhos, assentou-se. Amparada pelo apóstolo, imediatamente levantou-se. Em seguida, Pedro chamou as viúvas e os discípulos, ao vê-la revivida todos se admiraram e depois testemunharam em toda a cidade que ela havia ressuscitado e muitos creram no Senhor por causa da obra que Deus fez por meio do apóstolo.

Segundo as práticas judaicas em Jerusalém, o corpo devia ser sepultado no mesmo dia que a pessoa morresse. Mas fora de Jerusalém, na comunidade cristã permitia-se um período de três dias para o sepultamento. Quando havia a circunstância de atraso, os judeus e os gregos tinham em comum o hábito de colocar o corpo em num quarto do andar superior, após lavá-lo. Foi exatamente isso que os irmãos de Jope fizeram com o corpo de Dorcas, cheios de fé eles tiveram a ideia  de trazer o apóstolo para que orasse a Deus e apresentasse aquela situação. 

Por que Deus concedeu a Pedro que fizesse esse milagre impressionante? O milagre da ressurreição de Dorcas causa perplexidade, pois, tantos líderes importantes da igreja morreram e ninguém os trouxe de volta  à vida para que prolongassem os seus serviços. Pode ser que Deus tenha permitido tal ressurreição para que os habitantes de Jope fossem alcançados através da inquestionável evidência do poder de Cristo sobre a morte. Restituir-lhe a vida era a maneira de Deus dizer para a sua igreja o quão importante era para Ele o trabalho que Dorcas desenvolvia.

Oferecer-se para cuidar dos filhos de alguém quando este alguém vai ao estudo bíblico, visitar um enfermo no hospital, dar atenção ao idoso solitário, ser voluntário no serviço de distribuição de sopa aos carentes desabrigados e desempregados, doar roupas usadas, que ainda estão em bom estado e nã o usa mais, é o que Deus espera que façamos como gente crente em Cristo. Se, sem nenhum interesse de receber algo em troca, a nossa vida transborda de amor em atos de beneficência, nos tornamos eficientes em revelar aos outros o caráter amoroso de Jesus em nós. Mais do que palavras, as nossas ações falam poderosamente do amor de Deus pelas criaturas. A vida marcada pelo altruísmo e pela prestatividade, exerce um poderoso impacto na vida das pessoas, não apenas sobre as que recebem os benefícios de ajuda, mas também sobre aquelas que observam o nosso dia a dia.

O episódio de Dorcas nos faz lembrar que um dia Deus ressuscitará todas as pessoas, que viveram em todos os lugares e em todas as gerações. E todas as pessoas que se dedicaram em demonstrar por suas atitudes o caráter bondoso do seu Salvador, serão levados ao Céu a lá permanecerão para sempre livres de sofrimentos, dores, doenças e tristezas.

E.A.G.

Compilação:
Bíblia da Mulher. Edição 2009. Barueri - São Paulo (Sociedade Bíblica do Brasil).
História Sagrada do Antigo e Novo Testamento. Bruno Heuser. Edição 1965. Petrópolis - Rio de Janeiro (Editora Vozes).
Minidicionário Bíblico Difusão. David Conrado Sabag. Páginas 125 e 126. Cultural do Livro

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Davi é Ungido Rei


Eliseu Antonio Gomes

INTRODUÇÃO

A narrativa de 1 Samuel é uma parte importante da história israelita, O livro 1 Samuel contém um drama psicológico dos mais intensos das histórias bíblicas. Neste livro, temos registros de fatos entre o término do período dos juízes até o estabelecimento do reino, sob o governo de Saul e de Davi, que o sucedeu no trono. Seus personagens são todos importantes, sendo Davi o maior destaque, pois foi o fundador da linhagem real que culminou em Jesus Cristo.

I - DAVI: O REI UNGIDO

1. Significado e propósito da unção.

Jacó ungiu uma coluna em Betel como forma de dedicação ou consagração do local (Gênesis 31.13); o ato da unção religiosa era tida como oficial e a Tenda da Congregação e a Arca do Testemunho foram ungidas (Êxodo 30.26-28). Na época dos juízes, estes eram separados por meio da unção, consagrando-se para propósitos específicos (Juízes 9.8-15). A unção era conferida, ao sacerdote (Êxodo 28.41; 29.36; 40.15; Números 3.3); sumo sacerdote (Êxodo 29.29; 40.13-15; Levítico 4.3; 16.32) e aos reis (1 Samuel 9.16; 16.1; 2 Samuel 2.4; 5.3; 1 Reis 34, 39).

A aplicação de unção de reis e sacerdotes acontecia para que desempenhassem sua missão conforme as normas divinas (Êxodo 40.13-15; 1 Samuel 9.16;1 Reis 19.16)

Jesus Cristo foi um servo ungido com o Espírito Santo (Isaías 61.1; Lucas 4.18; João 1.32,33; Atos 4.27; 10.38), e nesta unção foi feito por Deus profeta, sacerdote e rei, e descrito na Bíblia como o Ungido (Salmos 2.2; Daniel 9.25, 26) João 1.41; Atos 9.22); viveu sob a dependência do Espírito para fazer e realizou a obra do Pai, seu ministério foi marcado por milagres, curas, maravilhas, pregação e ensino poderoso (Atos 10.38).

O crente em Cristo recebe a unção divina para ser rei e sacerdote para com Deus (2 Coríntios 1.21; 1 João 2.20,27; Hebreus 1.9); seus olhos são ungidos com "colírio" para que possam ver a realidade espiritual (Apocalipse 3.18). Os apóstolos e os presbíteros ungiam os doentes com a finalidade de receberem a cura (Marcos 6.13; Tiago 5.14). 

2. O simbolismo da unção.

A aplicação de azeite ao corpo ou à cabeça era comum (Deuteronômio 28.40; Rute 3.3; 2 Samuel 12.20; Daniel 10.3; Miqueias 6.15). O uso de óleo ou unguento era prova de consideração (Salmos 23.5; Mateus 26.7; Lucas 7.38,46; João 11.2), até os mortos recebiam essências perfumadas (Mateus 26.12: Marcos 16.1).

No Antigo Testamento, no âmbito religioso, a unção indicava que alguém ou o objeto estava separado para algum ofício designado por Deus (Êxodo 30.28). A prática aconteceu antes mesmo do período monárquico. Nas páginas dos Evangelhos, a unção estava relacionada a Cristo e aos cristãos, no sentido de dotá-los de poder para testemunhar as verdades celestes (Atos 1.8; 1 João 2.20, 27). Paulo ensina sobre isso, afirma que o cristão está em Cristo, isto é, aqueles que aceitam a Jesus como Salvador e Senhor estão unidos com Cristo e Cristo transforma suas vidas colocando o Espírito em seus corações (2 Coríntios 1.21,22).

No simbolismo da unção, podemos ter dois sentidos específicos: o primeiro é relacionado à linhagem do rei Davi, tendo seu aspecto escatológico, pois, a partir da sucessão dessa linhagem, esperava-se o Messias redentor (Salmos 2.2; 18.50; 45.7).

A base da unção neotestamentária fundamenta-se no Antigo Testamento, como um ato ordenado por Deus, está ligada ao que já havia sendo antes vinha sendo sendo praticado pelos servos de Deus no passado. Simboliza o derramamento do Espírito do Senhor (1 Samuel 10.9; Isaías 61.1).

No ato da unção, declarava-se que a pessoa separada para um propósito especial e que em sua vida estava a presença do Espírito Santo de Deus, que a guiaria e orientaria para desempenhar com sucesso a missão para a qual estava designada.

No Novo Testamento, a unção é apresentada em vínculo com a fé em Cristo, apresentada juntamente com a sabedoria e a cura:
• 1 João 2.27 - "Quanto a vocês, a unção que receberam dele permanece em vocês, e não precisam que alguém os ensine. Mas, como a unção dele os ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permaneçam nele, como também ela ensinou a vocês."
• Tiago 5.14-16 - "Alguém de vocês está sofrendo? Faça oração. Alguém está alegre? Cante louvores. Alguém de vocês está doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará. E, se houver cometido pecados, estes lhe serão perdoados. Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros, para que vocês sejam curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo."

Na atualidade, algumas igrejas possuem a prática de ungir objetos e pessoas. Porém, é preciso lembrar que na Dispensação da Graça, os elementos não são mais indispensáveis para a manifestação da presença e do poder de Deus. A unção do cristão tem origem na fé Cristo. Sobre a unção entre os cristãos usando elementos, a única circunstância em que o Novo Testamento aconselha a prática de ungir é em casos de crentes acometidos por doenças, sendo que os agentes da operação do milagres são a fé manifestada com oração em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor.

3. A unção sobre Davi.

Em um tempo caótico, o povo de Israel quis um rei e pediu para Samuel escolher um rei para eles (1 Samuel 8.1-22). Deus instruiu Samuel a ungir Saul para governar os israelitas, indicando a Saul, um rapaz da tribo de Benjamin, que foi ungido e se tornou o primeiro monarca dos judeus (10.1-27). Como soberano, Saul derrotou os amonitas, porque o Espírito era com ele, mas quando passou a agir impacientemente, ser teimoso e desobediente às orientações divinas, o Senhor o rejeitou e pediu a Samuel que ungisse o filho mais novo do belemita Jessé, neto de Boás e Rute, o garoto Davi, pastor de ovelhas, músico e poeta. (15.34 - 16.13; Rute 4.17).

1 Samuel 16.1-13 é uma seção bíblica que marca o final do livro, traz a história de Saul e Davi, mostrando que Davi se torna cada vez mais eminente enquanto Saul vai de mal a pior, terminado sua sua tragicamente. O decorrer dos capítulos mostra que ao reinar, Davi unificou as tribos de Israel em um só reino, trouxe paz a Israel e encontrou o favor de Deus. 

II - DAVI: O REI QUE ERA SERVO

1. O ungido servindo.

Um dos ensinamentos centrais do Antigo Testamento é que Deus é Rei. Esta metáfora é a principal usada pelo Senhor em seu relacionamento com o povo de Israel. E nesta perspectiva, Êxodo 15.18 proclama: "O SENHOR reinará eterna e perpetuamente". Porém, por meio da vida de Davi, o livro 1 Samuel nos revela que Deus não rejeitou a realeza humana. Em vez disso, há nas entrelinhas a expectativa que quando um rei humano "se assentar no trono do seu reino, mandará escrever num livro uma cópia desta lei, feita a partir do livro que está com os sacerdotes levitas. O rei terá esse livro consigo e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer o SENHOR, seu Deus, a fim de guardar todas as palavras desta lei e estes estatutos, para os cumprir" (Deuteronômio 14.18,19).

Deus escolheu se relacionar com a humanidade por meio  de alianças.  O livro 1 Samuel mostra a aliança de Deus com Davi. Deus escolheu a Davi entre os filhos de Jessé, o belemita, neto de Boaz e Rute (Rute 4.17), para ser o sucessor de Saul como rei de Israel (Rute 4.17). Sendo uma pessoa humilde, após ungido a rei ele não abandonou sua posição de servo e fez isso até que chegasse o momento de assumir o trono. Por sua postura humilde, Deus fez aliança com Davi. Uma aliança implica um relacionamento com compromissos, promessas. A aliança que Deus fez foi a promessa de que seus descendentes estariam sobre o trono de Israel para sempre. E esta promessa cumpriu-se, pois da sua linhagem Mateus traz a genealogia de José, que foi um dos descendentes de Davi (Mateus 1.1-16). No versículo 16, está escrito: "E Jacó gerou José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo" (Mateus 1.16).

2. O Espírito do Senhor se retira de Saul.

Por causa do coração endurecido Deus rejeitou a Saul e buscou uma pessoa que lhe agradasse para ser o líder sobre seu povo. E assim sua linhagem não permaneceu no trono. Ele não perdeu o trono devido ao poder dos filisteus, mas sim por causa da arrogância que abrigava em seu coração (1 Samuel 13.14). O apóstolo Paulo, fazendo menção dessa história, disse: "E, tendo tirado Saul, levantou-lhes o rei Davi, do qual também, dando testemunho, disse: 'Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade'.” (Atos 13.22).

Não há fatalidades nas Escrituras, mas uma disciplina terna para que o indivíduo se converta e conserte seus erros. O leitor da Bíblia pode observar que tanto as promessas quanto as sentenças de condenação são condicionais. Se por acaso Saul se arrependesse e mudasse de atitude, seu arrependimento com toda certeza seria a oportunidade para receber o perdão do Senhor e ao ser perdoado seu futuro seria repleto de dias abençoados. Como exemplo, podemos mencionar a história contida no livro de Jonas.

Davi era reconhecido como bom músico, pessoa valente, bom soldado, pessoa que comunicava-se de maneira bem articulada, alguém com boa aparência e que possuía comunhão com Deus (1 Samuel 16.18; 18.12-14.28). Este é o perfil resumido da pessoa que o Senhor escolheu para assumir a monarquia de Israel no lugar de Saul. Entretanto, ele não foi um ungido do Senhor por causa de seus atributos pessoais ou pela aparência física. Deus apontou Davi a Samuel para que o ungisse como o próximo rei de Israel observando seu intelecto inclinado para o bem, seus desejo e suas vontades e emoções pautadas nas Escrituras Sagradas.

As motivações que geram as atitudes de um ser humano refletem o seu coração e são conhecidos do Senhor antes que se manifestem (1 Samuel 16.7; Mateus 12.34-35). Ao cristão, cabe refletir sobre isso, pois o Espírito Santo se entristece e como a chama que se apaga sem a combustão do oxigênio, o Espírito é extinto em definitivo na vida de pessoas, se estas cometem pecados de modo consciente e repetido. Para conferência: Marcos 3.28-30; Efésios 4.30-32; 1 Tessalonicenses 5.19.

3. Deus levanta autoridades.

Enquanto Jesus contava acerca do serviço para o reino de Deus e acontecimentos que antecederiam a sacrifício na cruz, Tiago e João pediram ao Mestre que lhes concedesse o direito de se assentarem um à direita e outro à esquerda dEle. Tais posições conferiam honra e caracterizava autoridade. Estar sentado à direita de um rei era o lugar de maior honra, indicando poder, prestígio e autoridade. O lugar esquerdo era reservado para a segunda pessoa mais importante depois do rei.

Então, o Senhor respondeu-lhes que não sabiam o que estavam pedindo, pois se desejavam tal privilégio, deveriam antes seguir o exemplo que Ele lhes tinha dado. Deus veio ao mundo para servir, dar a sua vida em resgate da humanidade. Não é certo alimentar tal desejo. Não importa a posição em que Deus nos permite viver, precisamos cumprir a missão que a nós foi confiada. O posto de líder e de liderado precisa ser exercido com humildade (Marcos 10.35-45; Colossenses 3.17, 23).

III - DAVI: O REI QUE ERA GUERREIRO

1. O gigante Golias.

Após ser ungido, Davi teve diante de si um grande desafio, o qual foi temido por todo a nação israelita: enfrentar um gigante filisteu. Por quarenta dias, pela manhã e á tarde, o gigante desafiou os israelitas a lhe apresentarem um homem para um duelo, e Israel teve muito medo. Davi, no entanto, ao escutar uma única vez o que dizia aquele homem, indignou-se e questionou como um incircunciso poderia afrontar daquela maneira os exércitos do Deus vivo. E, imediatamente, se prontificou a reagir, quis enfrentá-lo sob a unção de Deus.

A expressão enfática "Socó que estava em Judá" (1 Samuel 17.1) mostra que as tropas de filisteus avançavam dentro dos limites territoriais do povo de Deus. Eles acamparam no monte Socó e os judeus o mantinham sob observação acampados em Azeca, tendo entre ambos os acampamentos o vale de Elá. As duas regiões até os dias atuais têm suas denominações preservadas, situam-se a oeste de Belém.

O gigante, cuja origem era Gate, uma das cinco cidades filisteias sobreviventes de uma raça antiga denominada anaquins, derrotados por Josué,era chamado de Golias (Josué 11.21,22; 1 Samuel 6.17; 17.1-11). Era um grande guerreiro, imenso em estatura, com aproximadamente 2,97 metros de altura. Ele surge no cenário do desafio e gabando-se de ter matado Hofni e Fineias, e levar a Arca para a casa do deus Dagom e também de ter tirado a vida de muitos outros israelitas. É possível que Golias tenha sido escolhido para fazer o desafio de duelo por causa de sua elevada estatura, uma vez que Saul era uma pessoa, do ombro para cima, mas alto do que qualquer um do seu povo, e se esperava que ele respondesse ao desafio (1 Samuel 10.23). 

2. Davi, ungido e cheio de fé.

Do versículo 12 ao 37, Davi surge como o menor, ou seja, o mais novo da casa de seu pai. A narrativa bíblica o apresenta levando comida aos seus irmãos no acampamento dos israelitas. Davi revela-se como uma pessoa de grande zelo,  fé e valentia.

Seu amor a Deus, fé e coragem fazem com que ele se disponha a querer lutar contra Golias. Frente ao grande e temido gigante, ninguém ousava lutar mesmo diante das propostas oferecidas por Saul - a mão de sua filha e a isenção de impostos para a família do vencedor. Ele não teme as armas de Golias, seu tamanho, sua experiência de guerra; por isso, ele prontamente de dispõe a lutar contra o gigante.

Davi possuía duas experiências de perigo, havia lutado e matado um leão e um urso para proteger o rebanho de seu pai, e estas situações de vitória serviram para que tivesse disposição para enfrentar o ameaçador filisteu, que afrontava  o exército do Deus vivo.

3. As armas do garoto.

Quando Davi se prontificou a enfrentar Golias, não houve quem manifestasse acreditar na capacidade do rapaz que pastoreava ovelhas. Mas Davi era um crente fortalecido pela fé, a vitória que parecia impossível aos olhos humanos para ele não significava motivo para não levantar-se em nome do Senhor dos Exércitos e, por fim, naquele que insultava Israel e o Altíssimo. Então, apenas a atiradeira e uma pedra foram peças mortais contra a parafernália que aparentemente protegiam o gigante, pois "Deus usa os que não são para confundir os que são" (1 Coríntios 1.28).

Como em muitos outros momentos, foi Deus quem deu esta surpreendente vitória ao seu povo (1 Samuel 17.37; 2 Crônicas 32.8; Salmos 20.7; 28.7,8; 33.16-19; Zacarias 4.6).

4. O contraste entre Davi e Golias

Descobertas arqueológicas na cidade de Nuzi, do século 16 a.C., permitiram que a couraça de escamas metálicas, com aproximadamente 57 quilos, ficasse conhecida. Centenas de escamas eram presas a couraça com barbante ao pano ou couro.

A aparência de Golias e instrumentos de guerra assustavam tanto Saul quando o exército israelita. O equipamento de Golias era pesado:
• Couraça feita de escamas de metal. Tinha como propósito proteger o corpo, incluindo caneleiras para proteger as pernas.
• Capacete de bronze, servia como proteção para a cabeça.
• Escudo retangular, provavelmente carregado entre os próprios ombros ou por um escudeiro, proporcionava grande proteção
• Lança com ponta de ferro, pesava aproximadamente 8,5 quilos.
As armas que protegiam Golias eram todas feitas de bronze, mas as que ele usava para ataque eram de ferro. A espada tinha lâmina chata e curva, parecida com um foice; a lança era semelhante a um dardo, contendo ponta perfurante de ferro

Tudo isso evidenciava que Golias não era somente um soldado afamado, mas bem armado e preparado para qualquer batalha sangrenta. Confiando na superioridade de seu equipamento, assim como em sua força física  experiência de guerreiro em combates campais, desafiava os soldados israelitas, pedia que alguém se apresentasse para duelar com ele num confronto individual. Havia em seu coração a certeza da vitória, estava tão seguro disso que prometeu entregar seus compatriotas à escravidão em caso de fracasso. Mas quando a inesperada derrota aconteceu, os filisteus não honraram essa promessa.

Davi tinha consciência que era inútil usar couraça e capacete de bronze, oferecido por Saul, e foi à luta com aquilo que tinha costume usar:
• Um cajado;
• Uma funda de pastor;
• Cinco seixos do ribeiro.
O cajado era usado para enxotar lobos e cães ferozes; a funda, que era feita de tira de couro, contendo um bolso no fundo, era usada por pastores na Síria, os benjamitas eram hábeis em seu manejo (Juízes 20.16; 1 Crônicas 12.1-2). O alforge era uma pequena bolsa para ser colocado dinheiro, e foi ali que Davi guardou as pedras. Com o cajado, pedra, funda, habilidade e pontaria para usar esses objetos rudes, Deus usou a Davi, o servo segundo o seu coração, que arremessou uma pedra uma úncia vez e esta encravou na testa de Golias, atingido pela pedrada ele caiu e logo teve sua cabeça cortada com sua própria espada (1 Samuel 17.48-51).

CONCLUSÃO

Golias representava os filisteus; Davi o povo de Deus e o próprio Deus. Enquanto o poderio de Golias dava esperança aos filisteus, a vulnerabilidade de Davi causava medo aos israelitas. O contraste entre os dois era motivo maior para a expressão do poder do Todo Poderoso, que não precisa usar a força física ou instrumentos de guerra para livrar seu povo.

O sucesso na obra de Deus só acontece quando há a consagração, se houver disposição para depender  plenamente do Espírito Santo (Romanos 1.1) Esta é razão pela qual Paulo fala que precisamos estar cheios dEle (Efésios 5.18). Com o Espírito na vida, o crente tem capacidade para desempenhar com denodo a obra de Deus. Tudo o que realizamos tem de estar sob a direção do Espírito. O batismo no Espírito é a capacitação divina máxima para o empreendimento da evangelização com resultados agradáveis a Deus.

E.A.G.

Compilação
O Governo Divino em Mãos Humanas - Liderança do Povo de Deus em 1º e 2º Samuel. Osiel Gomes. 1ª edição 2019. Páginas 103-104, 106-109. Bangu, Rio de Janeiro/RJ (Casa publicadora das Assembleias de Deus - CPAD).
Panorama da Bíblia. Sem autoria apresentada. 1ª edição julho de 2016. Páginas 54 e 55. Bangu, Rio de Janeiro/RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD).
Pequena Enciclopédia Bíblica - Dicionário, concordância, chave bíblica, atlas bíblicos. Orlando Boyer. 30ª impressão 2012. Página 534, Orlando Boyer. Rio de Janeiro (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD).
1 e 2 Samuel - Introdução e Comentário. Joyce G. Baldwin. Série Cultura Bíblica. Páginas 136, 137, 140 a 143. Edição 1996. São Paulo / SP (Vida Nova).