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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

A Chamada Profética de Samuel

Por Eliseu Antonio Gomes

INTRODUÇÃO


O terceiro capítulo de 1 Samuel traz ao leitor da Bíblia o início da carreira ministerial na vida de Samuel, que viveu no decorrer dos últimos dias dos juízes, durante o fracasso do sacerdócio sob o comando de Eli, e no início do regime monárquico do governo desastrado sob o comando de Saul. 

I - DEFININDO O "PROFETA" EM ISRAEL

1. A menção de "profeta" no livro.

A primeira menção do ofício de "profeta" registrada nos livros de Samuel,  embora o termo profeta não esteja escrito, é feita em 1 Samuel 2.27-36. Trata-se de "um homem de Deus" que a Bíblia não revela seu nome. Este homem não identificado é usado por Deus para repreender Eli como sumo sacerdote e pai.

Os filhos de Eli, Hofni e Fineias, serviam como sacerdotes em Siló, mas tratavam as ofertas a Deus com desprezo e tinham relações com mulheres à porta da entrada da Tenda da Congregação. Estas mulheres, possivelmente, eram dedicadas ao serviço religioso, conforme determinava Êxodo 38.8).

Hofni e Fineias ignoraram as advertências de Eli. Mas Eli não tomou as devidas providências por eles não terem acatado suas repreensões. Assim, por Eli honrar mais aos seus dois filhos do que ao Todo Poderoso, p juízo divino veio sobre sua casa, seus dois filhos foram mortos no dia em que os filisteus capturaram a arca da aliança. Quando Eli soube da morte dos filhos e que a arca havia sido capturada, caiu da sua cadeira para trás, e quebrou o pescoço e morreu. A tragédia alcançou a esposa de Fineias, que em estado de gravidez deu à luz um menino e em seguida faleceu (1 Samuel 1.3,9-18,24-27; 2.11-3.18; 4.1-22; 14.3; 1 Reis 2.27).

Deus sempre apresenta uma pessoa específica para quando é necessário tomar a frente de uma missão especial. Ele usa homens para advertir, repreender, julgar e intervir nos rumos equivocados da humanidade. Moisés e Samuel são bons exemplos disso (Deuteronômio 33.1).

Depois da morte de Eli e seus filhos, Samuel se tornou o líder de Israel. Clamou ao Senhor em Mispa e Deus libertou os israelitas dos filisteus. Por toda a sua vida, Samuel percorreu Betel, Gilgal, Mispa e sua terra natal Ramá, proferindo julgamentos, governando e liderando Israel em atos de adoração.

2. Definição de profeta.

No hebraico, "nabi" tem  sentido primário de apontar alguém que declara algo. No contexto bíblico, descreve aquele que recebeu por revelação direta de Deus suas palavras para proclamar  ao povo. Este termo aparece mais de trezentas vezes nas páginas do Antigo Testamento. Entre tantas citações, podemos vê-la em Gênesis 20.7; Números 12.6; 1 Samuel 3.20; 1 Reis 1.8; Salmos 74.9; Jeremias 1.5.

Observa-se em narrativas do Antigo Testamento que o profeta era um homem usado por Deus, alguém que mantinha comunicação com o Espírito do Senhor e recebia dEle visões, previsões, prognósticos, predições e posteriormente transmitia as revelações que via. Era o indivíduo que dirigia-se ao Senhor por meio de súplicas, enfatizando à justiça e ao direito, é quem realizava milagres, pronunciava julgamentos por meio de atos simbólicos. Vivia controlado pelo sobrenatural divino, por isto era chamado de "vidente". Ezequiel é um dos profetas apresentado nas Escrituras como um homem de grandes visões (Ezequiel 1.1).

A palavra vidente no hebraico é "ro'eh" e "hozed", que quer dizer "aquele que vê, que percebe, tem visão". E "profeta é um termo associado à palavra falada, à oralidade. O vocábulo "profeta" em hebraico é "nabi".  Etimologicamente, a definição de "nabi" é incerta, mas, diversos significados lhe são atribuídos, entre os quais, "chamado por Deus" e "orador". Porém, a maioria dos estudiosos trata a palavra "profeta" com o sentido de "porta-voz". Deuteronômio 18.15-22 é a passagem que apresenta o padrão que define a função do profeta. As atividades de Moisés preparando o povo israelita para entrar em Canaã é um exemplo essencial que define o papel do profeta.

No ato de profetizar, o profeta comunica aquilo que Deus realmente deseja falar, é o elo entre Deus e os ouvintes, e nesta condição faz com que quem o ouve entenda perfeitamente qual é a intenção e o sentido da mensagem que Deus quer que seja entregue. Esta mensagem sempre tem a finalidade de conclamar o povo à santidade e obediência, que resulta em comprometimento e adoração.

2.1 - O profeta como atalaia.

O profetismo foi um movimento usado por Deus com o objetivo de incentivar, renovar a comunhão do povo com Ele. O profeta do Antigo Testamento era visto como atalaia e pastor (Jeremias 6.16; Ezequiel 3.17), a pessoa escolhida por Deus para trazer assuntos cuja origem era divina.

No contexto do Antigo Testamento, "atalaia" tem o significado de “sentinela”, “guarda” ou “vigia”. O dever do atalaia era manter-se em prontidão, prestar atenção em tudo, vigiar com máxima atenção, com a intenção manter a segurança e o bem-estar de todos. Para isso ele espiava, tinha olhos treinados para observar ao redor e assim saber de tudo o que se passava dentro do ambiente em que era designado a proteger. O sentinela era responsável pela segurança de acampamentos e do povo hebreu, faziam rondas pelas ruas da cidade como força policial, se mantinham em posto fixo sobre os muros e torres das cidades fortificadas (2 Samuel 18.24; 2 Reis 9.17-20; Isaías 62.6; Cantares 3.3 e 5.7).

Seu dever era descobrir o momento em que o inimigo chegasse, sua obrigação era alertar a todos para não não fossem pegos de surpresa. Se o seu alerta não fosse levado a sério e o inimigo atacasse, Deus não cobraria dele as mortes, mas se o atalaia percebesse o movimento de ataque e não alertasse, e o inimigo viesse e causasse mortes, Deus cobraria deles todo sangue que fosse derramado e toda vida que fosse ceifada.

3. Samuel e os demais profetas.

Sempre houve em Ana, a mãe de Samuel, um cuidado especial para que seu filho estivesse envolvido com a obra de Deus. Ela orou por ele e o entregou aos cuidados de Eli. Este, observando a dedicação de Ana, orou por ela, rogando a Deus a bênção para a sua casa (1 Samuel 2.20, 21).

Nos dias de Samuel, quase todos os hebreus estavam envolvidos com práticas que se consistiam em pecado, e por este motivo a manifestação do Senhor por meio da Palavra das visões estavam escassas. Neste cenário, Samuel destaca-se em sua geração como um grande profeta, desde Dã até Berseba, porque o Senhor confirmava o seu ministério profético. Por meio de Samuel surgiu um novo ânimo e o despertamento espiritual em Israel (1 Samuel 3.1,19,20).

O profeta autêntico é inspirado pelo Espírito Santo, recebe mensagens por meio de visões e revelações (Números 11.17-25; 1 Pedro 1.21). Os livros do Antigo Testamento nos mostram que, além de receberem inspiração divina para revelar o que Deus queria comunicar para a nação israelita, muitos profetas guiavam e orientavam os reis em suas decisões, e estes eram intitulados "profetas da corte" e "estadistas", e por transmitirem exatamente o que o Senhor desejava expressar, muitas vezes foram perseguidos e mortos, porque a Palavra do Senhor que transmitiam não dizia o que os ouvintes gostariam de ouvir (Mateus 23.37). Às vezes apareciam indivíduos entre os isralitas que ousadamente falavam em nome do Senhor sem que Ele tivesse mandado, inventavam coisas da sua mente e coração, e eram punidos pela ação divina por causa disso (Jeremias 14.14; 23.16 e Ezequiel 1.3).

II - O DESENVOLVIMENTO DO MINISTÉRIO DE SAMUEL

1. O crescimento profético de Samuel.

O versículo 21 do capítulo 2 do primeiro livro de Samuel, revela que Ana teve mais seis filhos além de Samuel. O número sete remete à perfeição nas tradições judaicas, pode significar que a bênção de Deus é perfeita na questão da fecundidade de Elcana e Ana como pais de família e uma ênfase das Escrituras sobre o chamado ministerial de Samuel.

No capítulo 2 e versículos 18 a 21, notamos que apesar de Samuel ainda ser uma criança, tinha em seu coração o propósito de servir a Deus com fidelidade. Enquanto que os filhos de Eli viviam mergulhados em práticas pecaminosas. Quando teve inicio o ministério profético de Samuel, a casa de Eli e toda a nação de Israel  estava em um baixo nível ético, moral e espiritual, esta situação fazia com que raramente o Senhor se manifestasse através de visões (1 Samuel 3.1. Por meio de Samuel, cuja vida estava em comunhão com Deus, houve um avivamento espiritual em Israel, fazendo com que o povo se despertasse para um comportamento equilibrado e aceitável diante de Deus (1 Samuel 9.22).

É muito clara a narrativa sobre o crescimento de Samuel como profeta, na referência bíblica 1 Samuel 3.19-20: "Samuel crescia, e o SENHOR estava com ele e não deixou que nenhuma de suas palavras caísse por terra. Todo o Israel, desde Dã até Berseba, reconheceu que Samuel estava confirmado como profeta do SENHOR". Seu amadurecimento não era apenas físico. Samuel também crescia no conhecimento das tradições judaicas, mas principalmente na comunhão com Deus, assim como ocorreu com Jesus (Lucas 2.52).

O ministério profético de Samuel iniciou a prática de ungir o rei. Quando o povo exigiu um rei, como havia em outras nações, Samuel ungiu Saul, a quem o Espírito de Deus veio em Zufe. Em Mispa, Samuel reuniu os israelitas e declarou Saul como o rei escolhido por Deus para Israel. Quando Saul desobedeceu a Deus e com respeito aos despojos pertencentes aos amalequitas derrotados, Samuel deixou Saul e mais o encontrou, lamentando que o Senhor o havia rejeitado. Os atos seguintes e derradeiros de Samuel foi ungir Davi como rei em lugar de Saul e escondê-lo em sua casa quando Saul tentou matá-lo. 

2. A formação profética de Samuel.

Deus chamou a Samuel quando ele tinha cerca de 12 anos (1 Samuel 3.1-4), a mesma faixa etária de Jesus quando foi levado a Jerusalém por seus pais (Lucas 2.42).

O jovem Samuel foi chamado para ser um vaso, um instrumento nas mãos de Deus, desde cedo o texto bíblico fala do seu preparo para assumir uma grande missão. Enquanto o tempo não chegava, ele recebia o treinamento e o ensino necessário. Samuel cresceu, desenvolveu seu chamado à Obra de Deus sob os cuidados de Eli.

A passagem de 1 Samuel 2.18-21 descreve Samuel vestido com uma estola de linho ministrando ao Senhor, a tarefa só era permitida  ao sacerdote (Êxodo 28.4; 2 Samuel 6.14). Entendemos que Eli deu a Samuel essa vestimenta cerimonial. Notamos que Eli viu no menino as características que o qualificavam ao exercício sacerdotal, Deus preparou como sacerdote e profeta tendo em Eli a pessoa que o instruía. Desta maneira, Samuel foi crescendo em estatura na presença do povo, e todos compreenderam que ele fora encarregado com um ofício profético da parte do Senhor (1 Samuel 3.20). 

Samuel era um líder nacional que exercia os ofícios de sacerdote e profeta. Ele aparece diversas vezes nos relatos do primeiro livro de Samuel, oferecendo sacrifícios pelo povo na consagração dos reis Saul e Davi e pelo exército de Israel (1 Samuel 7.9; 9.12,13; 10.8; 13.8,9; 13.3,13). É reconhecido naquela geração como homem honrado "e tudo quanto diz sucede infalivelmente (1 Samuel 9.6) "e o Senhor era com ele, e nenhuma de todas as suas palavras deixou cair por terra" (1 Samuel 3.19).

Através do ofício profético de Samuel, surgiu a escola de profetas (1 Samuel 19.18-20; 2 Reis 2.3-5; 6.1).

3. A disciplina de Samuel.

O terceiro capítulo de 1 Samuel, versículos 4 a 10, mostra o chamado e prova que Samuel era um jovem disciplinado e comedido.

Samuel, sendo ainda bem jovem, foi favorecido com uma revelação divina. A revelação dizia respeito ao fim do exercício sacerdotal pela genealogia proveniente da casa de Eli e o juízo divino sobre ele e seus filhos (1 Samuel 3.1-21).

Samuel cresceu servindo a Deus junto a Eli, que enxergava cada vez menos conforme envelhecia. Aproximadamente, aos doze anos, enquanto dormia Samuel ouviu  uma voz chamando seu nome. Então, ele se levantou e foi aonde Eli dormia e perguntou-lhe se o havia chamado. O sacerdote respondeu-lhe que não o chamara e pediu que voltasse para seu leito. Isso se repetiu por três vezes, até que Eli percebeu que o Senhor chamava Samuel e instruiu-o a voltar para sua cama e quando ouvisse outra vez o chamado, responder "fala, Senhor, porque o teu servo ouve". E quando ouviu novamente a voz chamando-o, fez conforme Eli havia dito. Então, Deus anunciou a ele o juízo que traria à casa de Eli. A situação espiritual dos filhos de Eli os impedia de herdar o ministério do pai, eles estavam corrompidos, portanto Deus não permitiria que continuassem como sacerdotes.

Ao amanhecer, Eli quis saber o que Deus havia revelado a Samuel, e relutante Samuel disse-lhe exatamente o que havia sido revelado. Eli, consternado, aceitou a soberania divina sobre sua casa, dizendo: "Ele é o Senhor. Que Ele faça o que achar melhor" (1 Samuel 3.18).

Daquele dia em diante o Senhor passou a falar com Samuel e usá-lo para através dele falar com o povo israelita, e todos começaram a prestar atenção ao que ele tinha a dizer, com intenção de obedecer ao Senhor.

Algumas qualificações de quem realmente serve ao Senhor:
• Deus se faz conhecer a ele (Números 12.6; Jeremias 15.19; Ezequiel 3.17);
• Tem conhecimento profundo das Escrituras (2 Timóteo 3.15-17);
• É receptivo à correção, instrução da Palavra e assim é perfeito aos olhos de Deus (2 Timóteo 3.17);
• É perfeitamente ensinado para toda a boa obra (2 Timóteo 3.17);
• É inspirado pelo Espírito Santo (Números 11.16-29; Neemias 9.30; 2 Timóteo 3.16, 
III - O MINISTÉRIO PROFÉTICO NA ATUALIDADE

1. O dom da profecia.

O Novo Testamento tem sua definição para profeta (prophétes, em grego). A palavra aparece 159 vezes entre Mateus e Apocalipse. O prefixo da palavra "pro", antes, e "phemi", falar, não deixa dúvidas sobre a função, que é aquele que fala em nome de Deus, inspirado por Aquele que é onisciente, onipresente e onipotente.

O dom de profecia, disponível a todos os crentes, manifesta-se de forma sobrenatural e momentânea; encoraja, exorta e consola a Igreja; edifica de forma coletiva e individual o povo de Deus (1 Coríntios 12.7-11; 1 Timóteo 4.14).  Assim como no Antigo Testamento, o profeta é a pessoa que fala em nome do Senhor, é o mensageiro de Deus que anuncia ao povo a vontade de Deus, e através do anúncio instrui a todos sobre a necessidade de compreender a importância de obedecer à vontade do Todo-Poderoso.

Os crentes que são usados pelo Espírito no exercício de dom de profecia na congregação são chamados de profetas (1 Coríntios 14.29,32,37). Mas não podemos confundir o ministério profético com o dom de profecia. Existe diferença entre o dom de profeta (Efésios 4.11) e o dom de profecia (1 Coríntios 12.4).  O primeiro faz parte dos dons ministeriais e o segundo está entre os dons espirituais.
• O profeta neotestamentário. 
Em Efésios 4.11 temos uma lista apontando para cinco dons ministeriais concedidos por Cristo à Igreja, entre os quais consta o de profeta.  O evangelista Lucas, em Atos 13.1, nos permite saber que "havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnabé; Simeão, chamado Níger; Lúcio, de Cirene; Manaém, que tinha sido criado com Herodes, o tetrarca; e Saulo". Apesar de não existir grande quantidade de profetas quanto havia durante o Antigo Testamento, não faltava quem profetizasse nos primeiros anos da Nova Aliança.
• Dom de profecia (1 Coríntios 12.1-11).
Faz parte dos dons espirituais. Dons são são talentos e habilidades dadas por Deus à sua Igreja com o objetivo de servir melhor aos santos, serve para transmitir os desígnios de Deus para a igreja no sentido de exortar, edificar, consolar o povo por meio da elocução. Em 1 Coríntios 14.1, Paulo aconselhou os crentes a buscarem zelosamente os dons espirituais, dando um destaque especial ao dom de profecia. Lucas revela que havia o exercício deste dom em Éfeso (Atos 19.6). 
Deus continua a falar ao seu povo por meio de profetas e através do dom de profecia. Porém, é importante saber que o dom profético não tem como objetivo criar doutrinas. O dom de profecia não tem caráter normativo, posto que não possuem a autoridade canônica da Bíblia Sagrada - que é a única regra de fé e conduta reconhecida pela Igreja de Cristo. A regra infalível da fé do cristão são as Escrituras Sagradas, portanto, é primordial aos cristãos estarem conscientes que toda locução profética é passível de julgamento à luz da Palavra de Deus (1 Coríntios 14.29).

O crente usado com o dom de profecia deve se sujeitar ao conteúdo bíblico. E de igual modo os cristãos que exercem o ministério do ensino e da pregação não têm autoridade para aumentar, diminuir ou modificar o cânon sagrado.

2. O ministério de profeta no Novo Testamento.

O ministério profético foi dado por Deus à Igreja. Segundo Atos 13.1 e 15.32, os profetas eram impulsionados pela inspiração profética e entregavam a mensagem de Deus com ousadia. Nesta atividade, tinham como característica exortar, ensinar e orientar o rebanho de Cristo.

Alguns profetas eram usados para predizer o futuro, como Ágabo. Ele saiu de sua casa na Judeia para levar as mensagens de Deus. Em consequência de seu ministério, foi levantada uma oferta em tempo hábil para ajudar a Igreja em Jerusalém durante um período de fome e a Igreja foi avisada antecipadamente sobre a prisão do apóstolo Paulo (Atos 11.28; 21.11).

3. Onde estão os profetas?

Ao apresentar a vontade de Deus ao pecador, a mensagem tem o confronto entre o bem e o mal, a santidade e o mundanismo, o que é considerado a avaliação entre o certo e o errado; a Palavra age como o martelo quebrando pedras e como o fogo consumidor e coisas imprestáveis (Jeremias 23.29). Isto é, ela age de modo contundente. E sendo assim, o príncipe das trevas tem a intenção de silenciar os profetas de Deus, para que as almas perdidas não encontrem o Caminho que leva-as para Deus. Como estratégia ao estado de silêncio quando é a hora do cristão falar, há o argumento "não podemos julgar; alega que o julgamento é uma falta de amor ao próximo". Não se deixe enganar por este pensamento, pois só aqueles que desconhecem a Bíblia, fazem dele um estilo de convivência moldada ao comportamento deste mundo; Jesus diz o contrário: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” (João 7.24).

Simbolicamente, o pregador é um atalaia neste mundo distante da vontade de Deus (Ezequiel 3.17-21). Como pregadores - seja a pessoa em posição de líder na igreja ou o membro que frequenta os cultos sem responsabilidade em postos de liderança eclesiástica -, toda pessoa que recebeu a Cristo como Salvador e Senhor tem sobre si a ordenança de Jesus de evangelizar e ensinar as almas como prostrar-se e servir a Deus corretamente.

Jesus descreve os crentes como luz do mundo e sal da terra. Estes dois elementos são agentes transformadores do ambiente onde estão postos. O sal traz sabor para a comida e age como conservante da mesma; e a luz dissipa a escuridão, permite a nós ter visão do lugar em que estamos e ajuda a não tropeçar em coisas que estão pelo caminho e desviar de buracos e crateras. Temos a missão de influenciar as pessoas a servirem a Deus, o que significa exercer julgamentos, alertar sobre comportamentos errados com a finalidade de que as almas saiam das trevas, abandonem o pecado e se salvem da perdição eterna. Há a obrigação de apresentar o que diz a Palavra de Deus a todos neste mundo, nós cristãos seremos cobrados se assim não for feito. Se não fizermos isso estamos pecando por omissão (Mateus 5.13-16; Tiago 4.17).

Ao compartilhar o conhecimento da Palavra de Deus, quem recebe a mensagem que compartilhamos passa a estar em contato com a fragrância espiritual que exalamos e como consequência sua atitude receptiva proporciona-lhe vida eterna. Mas quem ouve a mensagem e a despreza, o bom cheiro representa a ele o sinal da condenação sem-fim. Provérbios 13.13 diz que aquele que despreza a Palavra, perecerá, mas quem for reverente e obedecê-la receberá de Deus um galardão.

CONCLUSÃO

Não é possível dizer com certeza que idade Samuel tinha quando Deus o chamou e entregou-lhe a primeira mensagem. Mas não resta nenhuma dúvida que a partir daquele momento começou a carreira de Samuel como profeta de Deus, líder militar e juiz de Israel. Assim como Samuel gozava de bom conceito diante de seus compatriotas e conterrâneos da sua geração, porque se dedicava ao Senhor com inteireza de coração, é de vital importância que todo cristão se comporte com decência e honestidade diante do povo na sociedade em que vive.

Nos dias atuais, Deus continua chamando pessoas para realizar seus propósitos e o mundo observa com olhar crítico quem ocupa cargo eclesiástico de relevância.  Sendo assim, é preciso haver crente com o coração disposto a atender o chamado do Senhor, pessoas que creiam que Ele as chama e queiram obedecer suas orientações, pois é necessário ser visto como um referencial de grande valor espiritual para as almas que ainda não seguem a Jesus Cristo.

E.A.G.

Subsídios:
Bíblia do Pregador Pentecostal. Comentários de Erivaldo de Jesus Pinheiro. Edição 2016. Páginas 1740 e 1794. Barueri - SP (Sociedade Bíblica do Brasil - SBB).
Lições Bíblicas. O Governo Divino em Mãos Humanas - Liderança do Povo de Deus em 1º e 2º Samuel. Osiel Gomes. 4º trimestre de 2019. Lição 3. Páginas 17-22. Bangu, Rio de Janeiro/RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD).
O Governo Divino em Mãos Humanas - Liderança do Povo de Deus em 1º e 2º Samuel. Capítulo 3: A Chamada Profética de Samuel. Osiel Gomes. 1ª edição 2019. Páginas 51 a 57. Bangu, Rio de Janeiro/RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD). 

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Tempo para o lazer


Por Ana Lúcia Leonardo Carriço 

Uma missionária, gozando de suas férias na cidade de Macaé, interior do Estado do Rio de Janeiro, aproveitou a tarde fresca da primavera e junto com a criançada da vizinhança, organizou brincadeiras e jogos; corrida de saco, de bicicleta, pular corda, soltar pipas etc. Eram momentos descontraídos e alegres que relembravam os tempos idos de infância. Numa dessas tardes prazerosas, uma criança que passava, espantada, gritou: "Mamãe, olha" É a missionária". A mãe, com olhar de reprovação, disse: "Os tempos mudaram... Parece que as missionárias não têm mais o que fazer e ficam brincando na rua, como se fossem crianças".

Como você pode observar, o lazer tem um aspecto controvertido, dando a entender que a espiritualidade é um compartimento na vida do ser humano que não se harmoniza com as outras necessidades vitais. Uns consideram o lazer como pecado; outros, como perda de tempo. Muitas formas de divertimentos são censuradas no meio evangélico e pouco se diz sobre isso como uma parte construtiva da vida.

É muito importante para a nossa saúde emocional, mental e física, que tenhamos momentos de lazer. Não basta uma noite bem dormida após o lufa-lufa diário, é preciso respirar outros ares e visualizar outras novas paisagens. O descanso é uma oportunidade para se refazer, refletir e recomeçar. O próprio deus criou o mundo e depois descansou. 

A palavra "lazer" vem do latim "licére", que significa o que é lícito, permitido. Se pensarmos bem, temos muitas oportunidades para usufruir dele, basta dividirmos sabiamente o tempo. Entretanto, lazer não é um tempo de abandono das responsabilidades para viver uma vida descontrolada durante alguns dias. O coração, órgão vital do corpo humano, sempre trabalha, mas, na verdade, ele descansa entre uma palpitação e outra. Se somente trabalhasse, não aguentaria. Se parasse de vez, morreríamos. É preciso tanto o trabalho como o descanso, e tudo em seu ritmo próprio.

Momentos de lazer são aqueles que separamos para a prática de atividades que nos trazem alegria, prazer, não estando presos à ideia de trabalho ou compromisso sério. É muito saudável a recreação em família, grupos de trabalho, grupos acadêmicos etc. Não somente a criança precisa de tempo de descontração, mas todos nós, jovens, adultos e idosos.

No livro de Êxodo, capítulo 31.51, o lazer na concepção judaica está associado ao descanso: Seis dias trabalharás, e no sétimo descansarás", ordenou o Senhor ao seu povo. A compreensão básica da relação descanso - lazer soma-se ao comportamento social do povo judeu, representado pelas festas judaicas, onde os "motivos espirituais" foram canais de expressão física e emocional através das palmas, cânticos, danças, banquetes e celebrações.

As marcas do sofrimento, da escravidão e do jugo legalista não puderam impedir a liberdade dos sentimentos, a espontaneidade e o contentamento do povo de Israel. Os reis Davi e seu filho Salomão, foram os que melhor ilustraram a natureza humana que busca a felicidade e que acha no lazer uma grande expressão da vida.

Grupos têm sofrido eventuais distorções na compreensão do conceito de lazer. De maneira hostil, aberta ou velada, sutil ou disfarçada, ele nos é apresentado como atividade não espiritual, ou ênfase mundana que tenta preencher o vazio da vida. Outros consideram os momentos lúdicos como mera perda de tempo, deixando de lado coisas mais importantes. E há até aqueles que defendem que o cristianismo privilegia o sofrimento. Portanto, o lazer, que proporciona prazer, deveria ser evitado.

Para alguns, quando o indivíduo se diverte, nega o testemunho. É preciso compreender que essa obsessão pelo testemunho indica um profundo engano acerca da espiritualidade e reflete a transferência, para o Evangelho, de conflitos de personalidade.

O descanso é fundamental, mas não pode se transformar numa estratégia de fuga. Quando interrompemos uma atividade de trabalho para, sem compromisso, nos dedicarmos a algo novo, que foge ao rotineiro, reorganizamos nossas percepções. Nos momentos de descontração, muitas vezes, surgem as soluções para determinados problemas.

A partir dessas considerações, nossa tarefa como Igreja consiste em limpar, esclarecer o seu verdadeiro sentido. E assim, eis algumas sugestões básicas para o lazer.


1. Adequação de tempo

Há pessoas que trabalham doze a quinze horas por dia, sete dias na semana e depois reclamam que não têm tempo para se divertir. São os "viciados em trabalho". Determinado trabalhador fez a seguinte colocação: "Há cinco anos não tiro férias. Aproveito para tirar em dinheiro e assim compro alguns bens para a família". Isto deixa claro a falta de respeito do trabalhador para com seu corpo e sua família. Além disso, é uma demonstração de como a sociedade capitalista e consumista pode tornar o cidadão cego.

A rotina, fonte de tensões e estresses, é a grande inimiga da saúde emocional. Um indivíduo que se torna seu escravo não se dá ao direito de recrear-se e está violando uma lei bíblica: "Há tempo para todo o propósito debaixo do céu (Eclesiastes 3.1).


2. Reuniões informais

Esses encontros s são portas abertas para o crescimento pessoal. Saber lidar com as relações interpessoais é uma arte. A vida social faz-se necessária e essencial. A habilidade social se constrói, necessariamente, por um caminho de convivência, solidariedade, respeito mútuo e esquilíbrio, bases fundamentais para o convívio humano.


3. Seja livre, relaxe.

Há quem diga que a felicidade não existe, que há apenas momentos de felicidade. Outros, que ela é relativa:depende do dia, do estado de espírito e do humor. Mas devemos entendê-la como a busca do foco interior e exterior de uma relação do ser humano com ele mesmo e com o outro. Dá trabalho, demanda tempo e esforço, mas é o passaporte para uma vida com liberdade. Há os que vivem presos ao passado, sempre lamentando o presente e têm medo do futuro; são os indivíduos cujas vidas se transformaram num caos, sem espaço para ser feliz.

Momentos descontraídos, com brincadeiras, liberam as energias. É um tempo de liberdade no extravasamento do nosso potencial: correr, pular, brincar etc. Todos temos dentro de nós um pouco de criança. Quando alguém conta uma história, a atenção do grupo é captada para a cena, é um ato que nos envolve á infância e faz muito bem. Relaxa.

Quando o lazer pede um tempo na vida do indivíduo é necessário parar e atender. Lazer não é perda de tempo, ao contrário, trata-se de investimento na saúde, um recarregar das baterias físicas e emocionais, a fim de melhorar a qualidade das atividades cotidianas. É fundamental investir naquilo que o dinheiro não compra e a posição social não propicia.

Quem trabalha de forma insana, negligenciando a própria saúde, tem vida curta no mercado, porque atinge um grau de estresse tão alto que prejudica seu rendimento. O ritmo frenético do dia-a-dia pode nos deixar com os nervos "à flor da pele", com se diz, e é exatamente aí que o grito de socorro do nosso organismo precisa ser escutado. Afinal, ninguém é super-homem e nem deve haver qualquer pretensão de competir com a máquina. A Bíblia nos aconselha a dar o devido tempo ao descanso do nosso corpo e da nossa mente. Então, vamos obedecer!


Fonte: Vida Cristã, ano 52, número 209, 4º trimestre de 2005, página 35. Centro, Rio de Janeiro.

Ana Lúcia Leonardo Carriço é pedagoga e membro da Igreja Batista Central de Jardim América, no Rio de Janeiro. 

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Por que líderes religiosos escolhem o suicídio?


Não pretendo julgar ninguém. Sei que cada caso é um caso que precisa ser analisado de modo específico. Não fomos criados como peças padronizadas numa esteira de montagem.

Jesus Cristo nomeou doze homens como apóstolos. Os designados pelo Senhor, foram: Pedro, Tiago (filho de Zebedeu), João, André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé; Tiago (filho de Alfeu), Tadeu, Simão (zelote) , e Judas Iscariotes (Marcos 3.16-19). Judas usava uma máscara social, esteve no círculo íntimo mas não demonstrava suas reais intenções. Quando a máscara caiu, não suportou ter a verdade da sua realidade exposta perante a sociedade e enforcou-se (Mateus 27.5).

Não uso a palavra máscara apenas com o sentido de desvio de caráter. Embora haja quem a use para esconder a índole má, em muitos casos trata-se de pessoas que estão no meio cristão sem objetivos ruins. É aquele ou aquela que adota o comportamento religioso pelo fenômeno da osmose, gente que age como renascido em Cristo mas ainda não passou pela experiência da regeneração espiritual. Não foi sem propósito que Jesus disse "Não fique admirado por eu dizer: 'Vocês precisam nascer de novo' ” (João 3.7).

A minha impressão pode estar errada, mas penso que a armadilha que prende e destrói muitos religiosos, sejam eles líderes ou não, é a máscara da santidade. Explico: a pessoa cria a imagem pública diferente daquela que realmente é, e depois essa imagem o "sequestra", o indivíduo vira escravo do personagem que criou de si mesmo.

O que há de triste no meio cristão, e eu me incluo nessa condição, é que em muitas situações a pessoa conhecedora do conteúdo da Bíblia Sagrada esquece o que sabe, não pratica o que aprendeu nas Escrituras e esconde seus erros. Ao agir assim, ao invés de semear a semente da Palavra, que gera a colheita das promessas de bênçãos do Senhor, semeia ideias humanas, e com toda certeza colherá cardos e espinhos e sofrerá pela ausência das bênçãos em seus dias. Não devemos esconder que há falhas em nós, é preciso admitir que às vezes o controle foge das nossas mãos.

Paulo admitiu suas falhas. Ele escreveu: "Porque bem sabemos que a lei é espiritual. Eu, porém, sou carnal, vendido à escravidão do pecado Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, concordo com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isso já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim, mas não o realizá-lo. Porque não faço o bem que eu quero, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim" Romanos 7.14-20.

Todos nós desejamos ter uma vida feliz. A Bíblia tem a fórmula da felicidade. Leia-a nos Salmos 34.12-14). Para ser feliz, é necessário propor a si próprio conhecer a Bíblia e ser praticante das orientações que ela apresenta. Precisamos, periodicamente, orar, ler e meditar sobre o conteúdo das Escrituras; fazer do conhecimento bíblico a maneira de viver (Provérbios 4.7; 24.3-4). Adotar o cristianismo como estilo de vida significa abandonar a máscara em definitivo (Provérbios 28.13). A máscara é pesada, machuca a consciência e tem poder para destruir o seu portador, portanto, que o seu portador a destrua antes de ser destruído por ela.

O que eu vi de perto? Eu conheci uma pessoa vítima da máscara, era alguém do meu círculo próximo. Eu perdi este amigo porque ele ingeriu “uma tonelada” de pílulas. Ele foi parar numa UTI, passou por cirurgia, ficou em coma por dois dias, retomou a consciência por algumas horas e depois entrou em óbito.

Este amigo esteve em minha casa uns três dias antes de tomar a carga de comprimidos. Chegou fazendo surpresa, não avisou que viria, como era seu costume. Fez uma visita de despedida não declarada, só entendi isso depois.

Conversamos em reservado. Conversa séria, mas em tom de informalidade. Em minha sala de estar, ele disse que não estava mais suportando a si mesmo. Eu falava com ele e ao mesmo tempo orava em pensamento pedindo a Deus para ter a mensagem certa com palavras certas. Dialogamos sobre suicídio sem falar a palavra suicídio. Eu lhe disse o que entendia sobre esse assunto pela perspectiva da Bíblia: a nossa vida pertence a Deus, só Ele pode dá-la e tomá-la.

Tudo em vão. Ele já havia decidido o que faria. Deus não suspende o livre-arbítrio que nos deu. Passados cinco anos ainda me lembro dele neste encontro derradeiro. Saiu de minha residência segurando a mão da sua esposa. Olhou para trás em minha direção e da minha família. Acenou sorrindo. Era o riso da máscara maldita. A coitada da esposa estava de fato feliz. Foi-se para sempre. Entristeceu a esposa linda, deixou assuntos não acabados com seus dois filhos lindos, e não quis ver os netos lindos crescerem...

Uma lástima. Lastima!

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

1 Reis 2.8 - Cuidado com Simei!

Por João Pereira de Andrade e Silva

"Eis que você também terá de lidar com Simei, filho de Gera, filho de Benjamim, de Baurim, que me lançou uma terrível maldição no dia em que eu ia a Maanaim. Porém ele veio ao meu encontro junto ao Jordão, e eu, pelo SENHOR, lhe jurei, dizendo que não o mataria à espada" - 1 Reis 2.8 a.

A Bíblia Sagrada comenta algumas características e fatos a respeitos de muitos personagens, fala de exemplos deixados por vultos do Antigo e do Novo Testamento, que formam o panorama de épocas de um passado bastante remoto para nós. Lemos: "Pois tudo o que no passado foi escrito, para o nosso ensino foi escrito..." (Romanos 15.4 a). Abordaremos um personagem cujo procedimento não é aconselhável tê-lo como inspiração. Apesar disso, não deixa de apresentar lições para nossa vida espiritual, principalmente para aqueles que desejam servir ao Senhor "guardando o mistério da fé em pura consciência".

Vamos falar sobre alguns aspectos da vida de Simei, filho de Gera, de Baurim - o homem que amaldiçoou Davi, o grande rei de Israel. Simei era filho de Benjamim. Portanto, um israelita. Não possuímos informação se era, ou não, da família de Saul. Pelo modo de agir, temos a impressão de que era um saudosista, pois ao amaldiçoar Davi, disse-lhe: "O SENHOR Deus o está castigando por todo o sangue derramado na casa de Saul, cujo reino você usurpou. O SENHOR já entregou o reino nas mãos de seu filho Absalão. Agora você caiu em desgraça, porque é um assassino!" (2 Samuel 16.8).

Como muitas pessoas em nossos dias, Simei não tinha visão ou revelações espirituais. Não aceitava e nem se incomodava com a direção de Deus, pois se atentasse para essas coisas, saberia, como o general Abner, e outros, que o Senhor havia escolhido e ungido Davi para que reinasse sobre Israel. Davi não era um usurpador, mas um homem chamado e constituído por Deus. Apesar disso, para homens carnais, ambiciosos e politiqueiros, essa questão de direção, revelação de Deus, não significam nada. Os "Simeis" não atentam ao fato de que na Obra de Deus, devem prevalecer a direção e revelação do Senhor.

Muitos vivem a procura de "um lugar a direita, ou a esquerda". Não importa, desde que tenham posição. E para consegui-la "amaldiçoam" companheiros, negando-lhes as qualidades espirituais que os capacitam. São como Simei, não reconhecem a unção nem a direção de Deus.

Simei foi injusto, cometendo grande erro ao chamar Davi de "homem de sangue", porque Saul foi muito mais sanguinário do que Davi. Senão, vejamos os fato:

• quando Saul fora avisado pelo seu criado Doegue (edomeu) do que o sacerdote Aimeleque havia dado a Davi e aos seus homens, os pa~es da proposição e a espada que pertencera a Golias, o gigante, isto foi o suficiente para que Saul fosse interpelar o sacerdote e ordenasse a morte de oitenta e cinco homens, que ministravam perante o Senhor  (1 Samuel 22.17-19).

Sem motivo que justificasse vingança tão ignominiosa, Saul ordenou uma grande chacina, pois além dos oitenta e cinco homens ungidos, sacrificou todos os habitantes de uma cidade, incluindo as criancinhas que ainda era nutridas apenas com leite materno. Então o saudosista Simei não tinha razão para dar a Davi o qualificativo de "homem de sangue". Realmente, Davi havia derramado sangue. Mas não o sangue inocente. Porém, em "guerras do Senhor", para defesa e consolidação territorial do seu povo em lutas sérias e leais.

Há, todavia, outros ângulos a considerar. "Os criados de Saul", que eram israelitas, não quiseram estender suas mãos contra os sacerdotes. Respeitaram a unção que havia sobre eles. O Doegue, entretanto, que era edomeu, descendente de Esaú, alheio às promessas de Deus, arremeteu contra os sacerdotes e os matou.

Que Deus tenha misericórdia, que jamais haja em nós atitudes parecida com a de Doegue, homem que não possui temos de Deus, gente entranha à doutrina e princípios que norteiam a vida e "modus operandi" da Igreja e do ministério eclesiástico. Esses são sempre dispostos a usar a calúnia ou pressupostos discutíveis, contra "sacerdotes" ungidos do Senhor.

Doegues, não se esqueçam de que Deus cuida da sua Obra.

Enquanto o rei Davi estava firme no trono, e a Nação experimentava período de paz, o Simei não se manifestou. Quem sabe até visitava a corte, dando suas opiniões. Mas, bastou que Davi sofresse o impacto da revolução do filho Absalçao, que o obrigou a deixar o governo, para que Simei aparecesse, exteriorizando todo o fel do seu sentimento, do fingimento e da deslealdade. Não passou diretamente para o lado dos revoltosos, mas achava que os revoltosos tinham razão. Como muitos fazem em nossos dias, não entrou na linha de frente da batalha e nem se quer quis lutar, porém, deu apoio indireto para Absalão, como se Davi fosse um mal administrador, conivente com pecados, e outras coisas mais.

Simei cometeu muitos erros. Ele  se enganou quando disse que Deus havia dado o reino para Absalão naquele ocasião e nem posteriormente. Deus não dá posto de liderança para rebeldes. Estes sempre tentam tomar os "reinos" usando estratégias malignas e subterfúgios vergonhosos e terminam fracassados em suas tentativas desleais.

Sabemos que após a derrota de Absalão, Simei foi dos primeiros a ir ao encontro de Davi, quando este voltara ao trono em Jerusalém. Pediu perdão, confessou o pecado, prometeu lealdade e até conseguiu que Davi o perdoasse e lhe poupasse a vida. 

Passaram-se os anos, e antes de morrer Davi o "recomendou" a Salomão, seu filho sucessor. O novo monarca era homem sábio e prudente. Tratou dos casos de Adonias e Joabe, e quanto Abiatar, seguidor de Adomias, Salomão o mandou para Ananote, "para os seus campos". Chamou também a Simei, recomendando que viesse residir em Jerusalém e que não saísse da cidade. Simei, muito cordato e "humilde" aceitou e até considerou ser boa aquela palavra. Porém, se esqueceu da recomendação do rei, e saiu para buscar seus servos. Foi o último dos seus erros, pois este lhe custou a vida.

Assim acontece com todos que não andam em sinceridade; que usam de engano; que não "respeitam as dignidades alheias", que falam coisas perversas; que não temem a Deus e nem a sua Palavra. 

Que Deus nos guarde dos "Simeis" e do seu modo de agir.

E.A.G 

Fonte: Mensageiro da Paz, ano 46, número 3, ano 1976, Rio de Janeiro - RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus).
Texto usado com adaptação ao blog Belverede.

sábado, 3 de agosto de 2019

A Mordomia dos Dízimos e Ofertas

Por Eliseu Antonio Gomes

INTRODUÇÃO

No idioma do Novo Testamento, o termo mordomia é "oikonomos". Significa "o maior de uma casa", isto é, a supervisão dos negócios de uma casa. Em outras palavras, o mordomo é a pessoa que administra os bens do seu senhor. Ele é o responsável geral pelos serviços, empregados, compras, manutenção, alimentação e finanças. No sentido bíblico, a mordomia é usada figurativamente para ilustrar o papel do crente como administrador dos negócios de Deus aqui na terra (Lucas 6.42). Deus coloca sobre o homem a responsabilidade pelo manejo correto de todos os recursos que permite estar em suas mãos (Mateus 15.25; Lucas 19.13).

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Artigo relacionado:
EBD - A Mordomia do Tempo
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A mordomia cristã eleva o crente para um nível dimensional mais excelente, onde a confiança e a fidelidade são a base do relacionamento entre ele, a igreja e Cristo. Quando o crente é uma pessoa que colabora financeiramente, fazendo isso de modo voluntário, desempenha o seu papel de mordomo. Esta atitude é uma oportunidade especial, além de exercitar sua fé, agradece a Deus ao se engajar em projetos que a comunidade cristã da qual faz parte está desenvolvendo.

I - AS FONTES DE RECURSOS DA IGREJA LOCAL

1. Dízimos e ofertas.

O assunto mordomia na questão das finanças é um assunto que não deve ser evitado. É de extrema relevância não se omitir sobre o assunto dízimos e ofertas, pois observamos muitas interpretações errôneas a respeito. É preciso ensinar que a entrega dos dízimos e ofertas não é uma obrigação, precisa ser feito com alegria, gratidão e reverência. O descuido com este tema tem como consequência transformar novos convertidos em crentes não amadurecidos na fé cristã. A falta de ensino faz com que a pessoa recém-convertida não descubra o seu compromisso como servo de Deus e o prejudica, pois ao não contribuir perde as bênçãos que o Senhor promete conceder aos contribuintes.

O cristão precisa ser uma pessoa consciente e produtiva. É um erro não entender que a obra de Deus depende do seu envolvimento, que precisa de recursos financeiros. A fonte desses recursos da igreja local são os dízimos e as ofertas. Sem eles, a obra missionária, os trabalhos sociais não acontecem e os obreiros de tempo integral, junto com sua família, sofrem.

Sobre o salário de obreiros envolvidos na obra de Deus em tempo integral, Paulo escreveu o seguinte:
• 1 Coríntios 9.11.  "Se nós semeamos entre vocês as coisas espirituais, será muito recolhermos de vocês bens materiais?"
• Gálatas 6.6. "Mas aquele que está sendo instruído na palavra compartilhe todas as coisas boas com aquele que o instrui."
• 1 Timóteo 5.18. "Pois a Escritura declara: “Não amordace o boi quando ele pisa o trigo.' E, ainda: 'O trabalhador é digno do seu salário."
É triste saber que há quem pense que desde que já está salvo, importa apenas satisfazer seus interesses pessoais, prejudicando assim o crescimento do reino. Não é aceitável haver no coração do cristão avareza e ganância. A mordomia dos dízimos e ofertas está fundamentada nos valores de liberalidade e coração grato. Não pode haver dúvida que, embora Deus prometa abençoar, a disciplina dos dízimos e das ofertas nada tem a ver com barganha ou coisa parecida.

1.2. A respeito dos dízimos

A palavra hebraica traduzida ao idioma português como dízimo é "ma´aser" e a grega é "deka", significam "a décima parte". Na lei de Deus os israelitas tinham a obrigação de entregar a décima parte da sua renda como sinal de gratulação pelas bençãos que Senhor dava a eles (Levíticos 27.30-32; Números 18.21-26; Deuteronômio 14.22-29).

Levítico 27.30-33 apresenta a regra sobre a obrigatoriedade existente aos israelitas; Deus ordenou que entregassem dízimos aos sacerdotes da religião judaica. Eles eram obrigados a entregar dízimos sobre toda a sua produção, seus grãos, fruto das árvores e gado. Se fosse possível obter a décima parte desta produção, qualquer que fosse, deveriam ficar com noventa por cento da colheita. Agindo assim, os judeus reconheciam que Deus era o dono das suas terras, aquele que lhes dava os frutos e que eles mesmos eram seus arrendatários e dependentes dele. Desta maneira, os judeus lhe davam graças pela abundância que tinham e suplicavam a sua dádiva na continuação da abastança.

O animal que já havia sido entregue ao sistema religioso como dízimo, depois que tivesse passado por baixo da vara, ou bordão, do pastor, não havia incentivo algum para ser devolvido ao dizimista, ainda que fosse oferecido pelo proprietário algo melhor em troca. Mas, quando o dono do bicho desse um quinto à mais do valor do seu dízimo, a troca de animais era permitida, e os dois animais passavam a ser considerados consagrados e o que serviu de troca não poderia mais ser resgatado.

1.3. Ai dos líderes escandalizadores (Lucas 17.1-2).

Ao ler e estudar a Bíblia, o crente aprende a honrar ao Senhor" (Provérbios 3.9). Ao suster e abastecer os ministros - que trabalham em tempo integral na igreja - ele age com disposição gerada na pessoa do Espírito Santo que fez o convencimento ao partilhamento através do conhecimento adquirido pelo contato com as Escrituras Sagradas (1 Coríntios 9.14).

A liderança evangélica não pode esquecer que o objetivo da entrega das contribuições é a promoção do Reino de Deus, estritamente para a disseminação do Evangelho no mundo (1 Coríntios 9.4-14; Filipenses 4.15-18; 1 Timóteo 5.17, 18) e socorrer os necessitados (Gálatas 2.10).

O enriquecimento desordenado de pastores evangélicos é observado por Deus e por crentes e descrentes. Eles não têm o temor do Senhor e nem sentem vergonha de se apoderar do dinheiro que não lhes pertence. Sobre essa situação reprovável e vergonhosa, como mordomo de Deus o cristão, prudente como a serpente, deve se perguntar: "Para onde vão os dízimos e ofertas?" Permanecendo simples como as pombas, se recusar a ser financiador desse tipo de escândalo (Mateus 10.16). Como mordomo do Senhor, o cristão precisa zelar pelo que Deus lhe confiou, para evitar que os lobos se estabeleçam no meio do rebanho de Jesus. É preciso se afastar dos homens réprobos e servir ao Senhor em uma igreja cujo dirigente é alguém fiel ao Bom Pastor, fazer parte de igrejas onde aquele que pastoreia usa o recurso entregue pela membresia para zelar pela estrutura de templos e construir novos templos, sustentar missionários e socorrer os necessitados.

2. O cuidado com recursos externos.

Os recursos financeiros de que a igreja local necessita não devem ser provenientes de governos, de órgãos públicos ou de organismos financeiros. Toda vez que algum obreiro resolveu conseguir dinheiro para a igreja em fontes estranhas ao que a Bíblia recomenda, acarretou problemas para seu ministério e para os irmãos.

3. Outras fontes de recursos.

Não é errado a igreja local, através de uma instituição social, como uma associação beneficente, um centro social, uma creche, ou um hospital, instituídos legalmente, receber recursos que lhe sejam oferecidos pelo Poder Público para obras sociais, por exemplo, desde que isso não implique em compromisso político ou de outra ordem. Centros espíritas, terreiros de macumba, creches, hospitais e outras instituições, recebem subvenções, por que não haver para as igrejas evangélicas? O que não deve aceitar é a concessão de recursos públicos para atividades como evangelismo, ensino, adoração, louvor etc. O financiamento das atividades da igreja local deve ser proveniente das fontes legítimas indicadas na Palavra de Deus, que são os dízimos e as ofertas dos crentes.


II - A BASE BÍBLICA PARA OS DÍZIMOS E AS OFERTAS

1. Os dízimos no Antigo Testamento.

1.1. O gesto de agradecimento do patriarca (Gênesis 14.14-20).

Melquisedeque, considerado um tipo de Cristo, era rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo. Salém foi o primitivo nome de Jerusalém, cuja primeira menção bíblica está nesta narrativa. O significado do nome Melquisedeque é rei da justiça, e a palavra Salém se assemelha ao termo hebraico que quer dizer paz (Hebreus 7.1-6). O rei e sacerdote trouxe pão e vinho, para revigorar Abrão e seus soldados cansados devido a batalha que haviam participado, parabenizando-os pela sua vitória. Sendo sacerdote do Deus Altíssimo, abençoou Abrão, o que podemos imaginar que tenha sido, para Abrão, um alívio maior do que tinham sido o seu pão e o seu vinho. Em resposta, Abrão deu-lhe o dízimo de tudo, isto é, dos despojos como uma retribuição pelas suas atitudes de respeito e gentileza (Hebreus 7.4).

Abrão deu o dízimo de tudo para Melquisedeque; mais tarde Deus o abençoou em tudo (Gênesis 14.18-20; 24.1). O patriarca foi assinalado entre todas as pessoas de todos os tempos com o título amigo de Deus (2 Crônicas 20.7; Isaías 41.8; Tiago 2.23). Tal amizade foi honrada por ambos os lados e ainda hoje é uma inspiração para a cristandade.

A expressão "casa de Deus" aparece duas vezes no capítulo 28 de Gênesis, nos versículos 17 e 22. Esta passagem bíblica é atinente ao episódio em que Jacó fez seu voto de que entregaria o dízimo a Deus.

1.2. O dízimo para assistência social: Deuteronômio 26.12-15; Jeremias 22.3; Malaquias 3.5).

De três em três anos, havia entre os judeus a recomendação do Senhor para que os dízimos recolhidos fossem destinados aos levitas, estrangeiros, órfãos e viúvas. Após isso, a recomendação do Senhor era para que eles agradecessem por terem entregado a parte da colheita, que pertence a Deus, aos levitas, órfãos e viúvas, por não terem retido para uso pessoal o dízimo. Depois disso; então, deveriam pedir que lá da morada celeste o Senhor olhasse para eles e abençoasse o território israelita, mantendo-o como nação que mana leite e mel (expressão da tradução bíblica Almeida Revista e Corrigida no versículo 15). Ao pé da letra, no texto hebraico, "terra que mana leite e mel" é uma maneira de dizer que se trata de uma terra muito rica, cheia de fartura. Veja a descrição deste termo em detalhes lendo Deuteronômio 8.7-10.

1.3. Levítico 26.12-16.

Os versículos 11 ao 13 apresentam os termos da aliança que Deus fez com o seu povo, aborda a questão da desobediência, que tem como consequência castigos. Em 2 Coríntios 6.16, ao abordar a questão do crente ser o templo do Deus vivo e estar contaminado por influência dos pagãos, Paulo cita o texto contido no versículo 12, para explicar ao povo da nova aliança que a pessoa que se dedica por completo ao Senhor é abençoada: “Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.”

1.4. Deus chamou a nação israelita ao arrependimento (Malaquias 3.10-11).

O profeta, na condição de porta-voz de Deus lembrou os israelitas que, além das outras transgressões daquele povo, eles retinham os dízimos e as ofertas, que deveriam ser entregues no templo judaico. Os conterrâneos de Malaquias estavam sendo desobedientes à Lei dada a Moisés (Levíticos 27.30-31; Deuteronômio 12.18; 14.28-29), e com essa atitude de desobediência consciente atraíam maldição sobre si mesmos. Contudo, se voltassem a contribuir para a manutenção da obra divina, poderiam comprovar as bênçãos sem medida da parte do Senhor. Nesta profecia, o Todo Poderoso disse que repreenderia o devorador nas plantações agrícolas, acabaria com a esterilidade na vida financeira e faria de seus servos pessoas prósperas e abençoadas.

2. O dízimo no Novo Testamento.

Não é possível afirmar que o crente que não traz o dízimo para o templo está com a salvação comprometida. Podemos pensar que o crente que não traz o dízimo para a manutenção do templo certamente não tem senso de responsabilidade com as coisas que envolvem a obra de Deus, no sentido das necessidades materiais, tais como manutenção de obreiros em tempo integral, ajuda aos necessitados, viúvas, órfãos etc.

Em entrevista para a revista Ensinador Cristão, o pastor e teólogo Elinaldo Renovato lembra que a salvação é resultado da fé em Jesus. Só Cristo pode salvar o homem (João 14.6). A salvação tem origem na graça e não em obras (Efésios 2.8-10). Renovato conclui seu raciocínio dizendo que o crente que não é fiel nos dízimos pode não perder a salvação, mas certamente perde as bênçãos prometidas por Deus para os dizimistas fieis; perde galardões nos céus pela falta de gratidão e amor pela manutenção do ministério cristão (Malaquias 3.8-10).

Cheio de razão, um poeta brasileiro da nossa contemporaneidade, escreveu: "Quem ama, cuida". Se o crente ama ao Senhor e ao próximo, põe-se a pensar sobre a questão de manter o templo no qual congrega, aberto, em boas condições para recebe bem as almas que ainda não conhecem o Salvador. Procura os melhores meios para colaborar, pois ali é o local em que se reúne com irmãos para ser edificado espiritualmente e conviver fraternalmente com a comunidade que possui a mesma fé que ele.

O apóstolo Paulo não coagia as pessoas a contribuírem, não as obrigada a dar por senso de obrigação mas por ato voluntário, sincero, como manifestação do amor sincero que havia em seus corações. Para isso, usou como exemplo incentivador a diligência dos macedônios para conscientizar os coríntios sobre a necessidade de ajudarem o ministério cristão financeiramente (2 Coríntios 8.8-15). Porém, o exemplo perfeito para ser alguém que se dispõe a dar é Jesus Cristo, que aceitou deixar "as riquezas" do céu e "se fez pobre" (Mateus 8.20). Paulo lembrou aos filipenses: "Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus, que [...] assumindo a forma de servo, [...] ele se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz" (Filipenses 2.5-8). Ele fez isto para que possamos receber as riquezas espirituais, para que pudéssemos ter a paz com Deus (2 Coríntios 5.19) e experimentar nesta vida terrestre a paz de Deus e posteriormente continuar gozando dessa paz no céu (João 14.27. Filipenses 4.7).

O dízimo é do Senhor. O dizimista reconhece que o Senhor é dono de tudo, do Universo, do planeta Terra, dos seres humanos e seres irracionais, enfim, de tudo que está criado (Salmos 24.1; Levíticos 27.30-32; Salmo 24.1) e que tudo provém dEle (1 Crônica 29.14). Por entender que inclusive ele pertence a Deus, o cristão não realiza sua entrega em caráter obrigatório, como se a atividade fosse uma determinação legal ou religiosa. Sua prática como contribuinte é baseada na firme convicção de que Deus merece os primeiros e melhores produtos do seu trabalho.

2.1 Uma polêmica sobre cristãos dizimistas (Mateus 23.23).

Aplicar a disciplina de ofertas e dízimos é tão importante hoje quanto era no Antigo Testamento. Atualmente, com a expansão das igrejas, incumbidas de irem ao mundo pregando e ensinando o Evangelho, elas carecem das contribuições generosas dos crentes. É importante contribuir, pois o crente que não possui o dom de evangelista, é participante da missão evangelística tanto quanto aquele que está em atuação no campo missionário. Todos têm oportunidade de se manter engajados, pois a obra não é de homens, é de Deus (1 Coríntios 3.6).

Uma das polêmicas sobre o dízimo é a ausência de uma ordem específica sobre sua entrega no Novo Testamento. O Senhor não dirigiu palavra sobre dízimo aos seus seguidores. Jesus mandou entregar o dízimo, mas ao fazer isso, recomendou que se entregasse a contribuição no templo judaico; a recomendação foi uma orientação para judeus que se apresentavam como pessoas religiosas ultra zelosas pela prática do judaísmo; elas não eram seguidoras de Jesus.

2.2. Quem eram os escribas e quem eram os fariseus?
• Escribas. No Antigo Testamento, o escriba (sopher, em hebraico) era um inspetor (2 Crônicas 26.11; 2 Reis 25.19; ver também Gênesis 41.49 e 2 Samuel 24.10). Uma espécie de oficial real ou um secretário com o nível de ministro (2 Samuel 8.17; 1 Reis 4.3; 2 Reis 18.18). Poderia servir como tesoureiro do estado (2 Reis 12.10). No idioma original do Novo Testamento, encontramos o termo "grammateus" como o equivalente à escriba. Gramatheus está associado com a palavra alfabeto. Era posto de secretário ou assistente, função de prestígio, como o oficial que trabalhava como escrivão da cidade de Éfeso (Atos 19.35). A importância da Lei de Moisés estimulava-os a estudar e transmitir o conteúdo das Escrituras aos israelitas. A princípio, esta atividade era encargo dos sacerdotes. Esdras era um sacerdote, mas também um antigo escriba, versado nas palavras e mandamentos do Senhor, que estudou e ensinou a Lei aos israelitas (Esdras 7.6, 11). Às vezes, o escriba agia como um secretário que escrevia uma carta (Esdras 4.8); enquanto em outras ocasiões era alguém que transcrevia as Escrituras, de maneira desleixada (Jeremias 8.8,9), ou temente a Deus como Baruque (Jeremias 36.26,32). 
Através dos escribas, as leis religiosas e civis foram aplicadas à vida do povo, e, simultaneamente, as interpretações e decisões dos escribas tornaram-se leis orais e tradições enraizadas na cultura israelita.
• Fariseus. A palavra fariseu é "parash", que significa separar ou dividir. A origem deste grupo religioso é obscura. O grupo de fariseus era um grupo separado, acredita-se que vivia em uma espécie de clausura, apartados fisicamente da sociedade. A separação da qual o nome se refere poderia ser a separação geral das impurezas do mundo ou ligada a alguma situação histórica. Poderia ser por causa de uma vida de rígida abstenção dos costumes pagãos na época de Esdras e de Neemias; ou a recusa de adotar costumes gregos mesmo sob a ameaça de morte na época e Antíoco Epifânio; e, ainda, devido a ruptura que aconteceu em 165 a.C., após a reconquista do Templo, entre os macabeus. Podem ter sido o grupo de “piedosos”, também conhecido como Chasidim, que estavam dispostos a lutar pela liberdade religiosa, mas não pela independência política. Estas possibilidades são apenas teorias, não há comprovação para sustentar como fato comprovado.
Jesus criticou um escriba e um fariseu porque eles eram hipócritas e contraditórios. A recomendação do judaísmo era entregar o dízimo de rebanhos, vinho, grão e óleo (Levíticos 27.30-33; Números 18.21-32; Deuteronômio 14.22-29; 26.12-15; Malaquias 3.8-12), com o objetivo de manter o sustento dos levitas, manutenção do templo judaico e ajuda ao pobres. Mas ambos acrescentavam ao mandamento o dízimo de ervas, com motivação de fazer transparecer comportamento de religiosidade acima da média daquela sociedade, contudo, desprezavam o mais importante da Lei, a justiça ou juízo, o socorro ao necessitado e a fé.

A contra-argumentação para isso é que quase nenhum texto do Novo Testamento poderia ser considerado doutrina se não houvesse indicação expressa de que Jesus ministrava apenas para judeus. Por exemplo, no Sermão do Monte, Ele falou para os judeus, mas o seu texto encerra o cerne da doutrina cristã.

3. As ofertas nas Escrituras.

Após perceberem o quanto tinham se afastado dos mandamentos de Deus, os judeus decidiram estabelecer um firme concerto com Ele. Então, todo o povo voltou-se para o Senhor e fez um acordo, por escrito, assumindo o compromisso de viver em conformidade com a Lei de Deus (Neemias 9.38-10.39). Os princípios morais e éticos da sociedade, sempre contrastam como os ensinos da Bíblia. Mas, os cristãos que forem sinceros e aprenderem a se deixar guiar somente pelo que está escrito na Palavra de Deus jamais tropeçarão nem se deixarão influenciar pela filosofia desse mundo perdido.

III. A MORDOMIA DOS DÍZIMOS E DAS OFERTAS NA IGREJA LOCAL

1. Como deve ser a entrega dos dízimos e das ofertas na igreja local.

A mordomia do cristão quanto ao dízimo deve ser praticada considerando o texto de Provérbios 3.9-10. O cálculo de dez cento deve ser feito sobre o valor bruto, porque entende-se que o princípio bíblico que norteia a entrega do dízimo no Antigo Testamento é o das "primícias" (Provérbios 3.9-10).

Quando o crente recebe algum sinal de misericórdia da parte de Deus, é adequado que expresse seu reconhecimento por meio de algum ato especial de amor reverente. Deus sempre deve receber o que lhe é devido, daquilo que temos. Um bom mordomo de Deus, antes de tudo, é um bom servo de Deus. Um bom servo é fiel ao Senhor em todos os sentidos. Como mordomo, o crente dedica tempo ao serviço dEle, vive em amor e santidade. Faz tudo em nome do Senhor; como para o Senhor e não para homens e sempre visa a glória de Deus em tudo que faz (Colossenses 3.17, 23; 1 Coríntios 10.31).

O crente em Cristo deve aprender a honrar ao Senhor com sua fazenda, de maneira voluntária e reservada. A prestação de honra a Deus só é possível se a contribuição financeira ocorre por livre vontade, sem nenhuma pressão humana. Quando há constrangimento para contribuir, o contribuinte não presta honra ao Criador, atende a um individuo procurando ser agradável a ele. Assim, é muito provável que nesta ação não exista a fé genuína, não há gratidão e amor ao Senhor. 

2. O dízimo dos empresários cristãos.

O dízimo do empresário deve ser com base na renda. Faturamento não é renda, pois inclui os custos e o lucro; o faturamento é da empresa. O lucro é o excedente sobre o custo, que permite o reinvestimento nos negócios através do Capital de Giro. O empresário deve entregar o dízimo de "sua renda", que pode ser do Pró-Labore ou do que é mais comum, da "retirada" que ele usa para sua manutenção e de sua família.

O que ele retira é a sua renda. É desse montante que deve extrair o valor do dízimo. Assim como o assalariado, o dízimo do empresário deve ser do "bruto", do total de sua renda ou retirada, e não do líquido (Provérbios 3.9-10).

CONCLUSÃO

"O que a pessoa semear, isso também colherá. Mas aquele que está sendo instruído na palavra compartilhe todas as coisas boas com aquele que o instrui" - Gálatas 6.6. 

Exercer a generosidade constitui-se um privilégio mais que especial. Há uma promessa muito grande de prosperidade para o que abre a mão para a obra de Deus e para ajudar as pessoas. Acerca do indivíduo generoso, a Bíblia diz: "Uns dão com generosidade e têm cada vez mais; outros retêm mais do que é justo e acabam na pobreza" (Provérbios 11.24). 

O que você faria se Deus pedisse a você para ofertar "tudo" o que tem, assim como fez a viúva pobre observada por Jesus? Dar tudo o que tem é difícil, mas é possível. Mas Deus não pede tudo, Ele pede uma pequena parte dos rendimentos. Ofertar quase tudo quando o orçamento é pouco, às vezes, também não é fácil de se fazer. Porém, se Deus pedir tal atitude, Ele providencia tudo. Não contribuir nada é sempre mais fácil, mas não é a decisão correta para quem ama a Deus. Precisamos sempre oferecer a Deus o nosso melhor e isso exige determinação.

E.A.G
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Compilação

Bíblia de Estudo do Expositor. Edição 2017. Páginas 254 e 255, Baton Rouge, LA, EUA (Ministério de Jimmy Swaggart).
Bíblia de Estudo NTLH. Edição 2015. Páginas 149, 1412. Tamboré; Barueri/SP (Sociedade Bíblica do Brasil (SBB).
Cobiça e Orgulho: Combatendo o desejo da carne, o desejo dos olhos e a soberba da vida. Natalino das Neves. 1ª edição 2019. Páginas 59 e 60. Bangu, Rio de Janeiro/RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD).
Comentário Bíblico Mattew Henry - Volume 1. Antigo Testamento: Gênesis a Deuteronômio. 1ª Edição 2010. Página 442. Bangu, Rio de Janeiro/RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD).
Ensinador Cristão. Ano 20, número 79. Páginas 25, 26, 33, 87. Bangu, Rio de Janeiro/RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD).
Lições Bíblicas: Discipulado e Integração, o segredo para o crescimento da Igreja. Geremias do Couto. 1º trimestre de 1996. Lição 7: O Novo Crente e a Mordomia Cristã. Páginas 32 e 33. Bangu, Rio de Janeiro/RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD).
Série Comentário Bíblico. 1 e 2 Coríntios: Os Problemas da Igreja e Suas Soluções. Stanley M. Norton. 3ª Edição 2016. Página 226. Rio de Janeiro (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD).
Tempo, Bens e Talentos: Sendo Mordomo Fiel e prudente com as coisas que Deus nos tem dado. Elivaldo Renovato. 1ª Edição 2019. Capítulo 7: A Mordomia dos Dízimos e Ofertas. Páginas 87 a 90 e 94. Bangu. Rio de Janeiro/RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD).

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Cuidado com o que a memória diz

A Negação de Pedro.
 Arte do dinamarquês Carl Heinrich Bloch no ano de 1873.
Há memórias fortes e memórias fracas; há memórias privilegiadas e memórias que não vão além do nível comum. Quando perfeita, a memória pode ajudar de modo surpreendente quem a possui. Mas a memória também pode trair o seu dono. O indivíduo que confia demasiadamente nela corre o risco de entrar em situação vexatória, se o apontamento da memória não estiver exato, se a clareza de detalhes não for integral. 

Assim sendo, tenham o máximo de cuidado com a memória, pregadores, quando fizerem citação de trechos das Escrituras Sagradas, pois não é sempre que a memória retém as coisas satisfatoriamente.

Um dos pontos que muitos tropeçam com muita frequência, por confiarem na memória, é a narrativa sobre a negação de Pedro, quando Jesus estava sendo julgado. Comete-se equívocos quanto ao número de vezes que Pedro faltou com a verdade, dizendo não conhecer o Mestre, e no número de vezes que o galo contou naquela ocasião.  Todos que confiam na memória e afirmam que o galo cantou três vezes, antes que Pedro mentisse, infelizmente, estão confundidos. 

Quantas vezes o galo cantou antes de Pedro negar o Mestre? A Bíblia não declara que o galo cantou três vezes e nem Jesus fez essa afirmativa quando advertiu a Pedro acerca do ato da negação. O que está escrito é o seguinte: "Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, três vezes me negarás" - Mateus 26.34 (ARC). 

Três vezes se refere à negação e não ao cantar do galo. Observe com atenção a vírgula, antes da palavra "cante", e tudo estará esclarecido. O leitor apressado, que não respeita o sinal gráfico de pontuação que ali está, induz a memória a sugerir que o galo cantaria três vezes antes que Pedro cometesse seu ato falho.

O episódio que estamos comentando é um dos poucos que está registrado nos quatro Evangelhos: Mateus 26.31-35 e 26.69-75; Marcos 14.27-31 e 14.66-72; Lucas 22.31-34 e 22.54-62; e João 13.36-38 e 18.15-18, 25-27. Mateus e João relatam que antes que o galo cantasse uma vez, Pedro negaria o Senhor. Quem registra o número de vezes do canto do galo é o evangelista Marcos (14.72) e o faz nesses termos: "E no mesmo instante o galo cantou pela segunda vez. Então Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe tinha dito: “Antes que o galo cante duas vezes, você me negará três vezes.” E, caindo em si, começou a chorar" . 

O que acabamos de ler é exatamente o que está escrito nos Evangelhos. É claro que se tivéssemos que fazer uma recomendação aos que confiam em demasia na memória, diríamos que não convém confiar exageradamente. Confiar no que está escrito, sem alterar o lugar da vírgula.

Consulte a Bíblia antes de consultar a memória. Tome cuidado com os registros da sua memória.

E.A.G.
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Autor do artigo não identificado. Conteúdo extraído do periódico Mensageiro da Paz, ano 40, edição número 3, página 4, publicado em fevereiro de 1970 pela Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD), cidade do Rio de Janeiro, estado do Rio de Janeiro então denominado Guanabara. O conteúdo desta postagem é adaptado ao blog, com acréscimos de referências bíblicas, troca de vocábulos que caíram em desuso por outros agora em voga e uso das regras ortográficas da Língua Portuguesa que entraram em vigor em 1º de janeiro de 2009.

domingo, 7 de julho de 2019

A oração - Artigo escrito por Lewi Pethrus

Por Lewi Pethrus

Fala-se acerca da armadura do cristão, a qual é necessária na luta, ou no serviço para o Senhor. Explica-se também qual é o meio de receber esta armadura.

Há duas coisas que devemos considerar. Primeiro: a nossa luta, como povo de Deus, não é carnal, mas, espiritual. Segundo: só devemos lutar onde há inimigos.

Cometemos um grande erro quando lutamos onde não há inimigos. Convém pelejarmos no lugar em que estiver o inimigo.

Um comandante inexperiente manda as tropas para o oeste, quando o inimigo está no oriente, pelejando assim, sem motivo e sem resultado, cansando as suas tropas e gastando inutilmente as suas munições.

Onde está o inimigo?

Veja no verso 12 de Efésios 6: "Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais." 

Acontece, às vezes, que atacamos a carne e o sangue, procurando convencer os homens dos seus erros, sem nos lembrarmos que a nossa luta não é contra a carne e o sangue, pois, através das heresias está o poder das trevas, que não se deixa convencer.

Conforme 2 Lucas 2.9, o espírito do anticristo já reina neste mundo, e os homens já estão movidos e dirigidos por este espírito, e poderes estranhos. Não podemos, de forma alguma, convencê-los pelo modo referido. Mas, devemos ter compaixão de tais pessoas, e concentrar a nossa luta contra os poderes das trevas, que está atrás de seus erros. E nessa luta, não vale nada o uso de armas carnais. Se, por acaso, vencermos com armas carnais, a nossa vitória é humana. mas, se a luta é  for espiritual, a vitória é divina.

Às vezes. podemos pensar que a nossa obra é intelectual e, portanto, procurarmos intelectualmente convencer os inimigos dos seus erros. O resultado de uma obra tal é que o povo fica convencido e não convertido. Há muitos trabalhos religiosos que são dirigidos intelectualmente. É um grande erro.

O apóstolo Paulo diz que a fé dos coríntios não estava fundada em sabedoria humana, mas, sim, no poder de Deus. Muitos trabalhos religiosos, que não dão resultado, são provenientes desta causa.

Pode-se fazer uma pregação importante, mas o inimigo não teme, ao contrário, se alegra, fortalecendo-se mais. Por quê? Naturalmente, porque nada perde. Se erramos o alvo nada ganhamos. A pregação belíssima, um templo importante ou um grande número de membros, não tem a menos influência sobre o poder das trevas.

Como vencer?

Só há um meio de vitória, tanto para a igreja quanto individualmente para o membro - a oração.

"Orem em todo tempo no Espírito, com todo tipo de oração e súplica, e para isto vigiem com toda perseverança e súplica por todos os santos" - Efésios 6.18.

A oração vence tudo. Satanás quis impedir Paulo de ir à Macedônia, mas este o venceu. Como? Observe o que ele diz: "orai por mim". Ele não diz "eu sou um apóstolo, um homem sábio - apenas pediu a oração dos santos. Também, o apóstolo orava sozinho, ele mesmo disse "dobro os meus joelhos". Orava com os irmãos, como por exemplo na ocasião da despedida, na praia.

Quando conhecemos o valor da oração, sabemos que o progresso do trabalho não depende da beleza e perfeição da linguagem. É um fato real, não depende disso. Você pode ter pouca inteligência, pode ser fraco, no entanto, ser abençoado. Como? Pela oração. Ao orar, conquista vitórias, verá almas salvas, doentes curados e crentes batizados no Espírito Santo.

Durante esses 20 anos de trabalho tenho visto que há vitória e progresso para a causa do Senhor, quando a igreja ora fervorosamente. Se esquecer de orar, não conquistará vitória. Eu creio na oração. É possível muitas vezes estar escondido um "Judas" ou pecador, seja o que for, tudo é removido pela oração.

Não há causa alguma que mais aborreça Satanás do que a oração. É este o ponto que o crente é mais atacado. Tenho experiência disto. Ainda que eu tenha o desejo de ser uma homem de oração, tenho sido tentado a falhar. O inimigo cria milhares de laços para nos impedir de orar.

Vemos exemplos na vida de Daniel. Muitos laços armou o inimigo contra ele. Mas, Deus lhe deu a vitória. Os inimigos de Daniel procuraram falha na conduta dele, perceberam o seu hábito de constante oração e a sua vida de piedade. E assim armaram uma cilada para impedi-lo de orar durante trinta dias. Que fez Daniel? De um lado estava o cantinho da oração, e de outro, esperava-lhe a cova dos leões. Qual foi a sua escolha? Foi para sua casa e orava como de costume. Ele não fez um "culto de oração" especial, continuou a orar como de costume.

Talvez, Satanás lhe disse: Você não precisa orar tão alto, assim; feche sua janela, e ore apenas com seu coração. Mas Daniel manteve -se firme em seu hábito de orar e venceu. E foi isso uma das maiores vitórias da sua vida. Por meio da oração, experimentou a vitória na cova dos leões.

Algumas pessoas disseram para mim: "Pethrus, acabe com aquelas orações barulhentas antes do culto". E depois do culto, qual o motivo de orar tanto?

Certa vez, fui convidado para jantar em casa de um amigo, um nobre crente. Havia ali outros convidados. Quando estávamos sentados à mesa, ele disse o seguinte: "Em nenhuma igreja tenho achado tanta edificação para minha alma, como na sua. Aprecio muito suas orações, porém, uma coisa quero dizer: acabe com os cultos de oração. Tenho a intenção de levar meus amigos ao culto, mas temo que por causa das orações barulhentas eles se escandalizem. Acabe com aquele barulho e muito mais pessoas se agregará à igreja."

Escutei-o sorrindo e depois lhe respondi: "O sr. não disse que tem achado edificação na nossa igreja, como em nenhuma outra encontrou? Se a causa disso são as orações, como será então se eu acabar com elas?"

***

Vamos orar irmãos. Não tenham vergonha da oração. Deixemos o mundo saber que estamos orando e que cremos no poder da oração.

Tenho assistido a grandes reuniões em que cerca de três mil pessoas louvavam a Deus, duma vez. Isto comove os ouvintes.

Em nossa igreja temos oração ao meio-dia, cada dia. Foram umas irmãs que deram início a isto, vindo ao nosso escritório para orar. Também tenho assistido a esses cultos de oração. Essas orações têm continuado durante dezoito anos, sem parar, e são assistidas por muitos ou por poucos. Se me dessem Estocolmo inteira, eu não acabaria com tais reuniões.

A oração é um poder que afasta as trevas, que liberta as almas e que nos ajuda a vencer em todas lutas. Como é possível orar sempre? Somente estando cheio do Espírito Santo. O Espírito Santo nos ajuda a orar.

Em nenhum ponto me sinto tão fraco quanto neste. Então, não posso aformar: agora vou orar. Mas posso dizer a cada dia: Oh, Deus, ajuda-me a orar!

"Bem-aventurado o povo que conhece os gritos de alegria, que anda, ó SENHOR, na luz da tua presença" - Salmos 89.15.

Amém.

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Observação: Ortografia atualizada ao idioma português usado atualmente.

Fonte:
Mensageiro da Paz, ano 1, número 1, 1 de dezembro de 1930 (Rio de Janeiro).
Reprodução a partir de publicação em formato PDF -  https://bit.ly/2xz0lB9