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sábado, 11 de novembro de 2017

Diga não às drogas

Acho que neste mundo ninguém procurou descrever o seu próprio cemitério. Não sei como meu pai vai receber isso, mas preciso de todas as forças enquanto é tempo.

Sinto muto, meu pai, acho que este diálogo é o último que eu tenho com o senhor. Sinto muito mesmo. Sabe, pai, está em tempo do senhor saber a verdade que nunca desconfio. Vou ser breve e claro. Bastante objetivo.

O tóxico me matou. Travei conhecimento com o meu assassino, o tóxico, aos 15 ou 16 anos de idade. É horrível, não pai? Sabe como nós conhecemos isso? Através de um cidadão elegantemente vestido, e bem falante, que me apresentou o meu futuro assassino: o tóxico.

Eu tentei recusar, tentei mesmo; mas o cidadão mexeu com o meu brio dizendo que não era homem. Não é preciso dizer mais nada, não é pai? Ingressei no mundo do tóxico.

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No começo foram as torturas, depois os desvaneio, e a seguir a escuridão. Não fazia nada sem que o tóxico estivesse presente. Depois veio a falta de ar, o medo, as alucinações; e logo após veio a euforia do pico novamente. Eu me sentia mais gente que as outras pessoas; e o tóxico meu amigo inseparável, sorria, sorria...

Sabe, pai, a gente quando começa acha tudo ridículo, e muito engraçado. Até Deus eu achava ridículo, e hoje no leito de um hospital, eu reconheço que Deus é o mais importante de tudo no mundo, e que sem a ajuda dEle eu não estaria escrevendo essa carta. Pai, eu só tenho 19 anos e sei que não tenho a menor chance de viver. É muito tarde para mim; mas, para o senhor, meu pai, tenho um último pedido a fazer.

Diga a todos os jovens que o senhor conhece e mostre a cada um deles esta carta. Diga a eles que em cada porta de escola, em cada cursinho de faculdade, em cada lugar, há sempre um alguém bem vestido e bem falante, que irá mostrar-lhes o seu futuro, assassino e destruidor de suas vidas, e que os levará à loucura e à morte, como aconteceu comigo. Por favor, faça isso meu pai antes que seja tarde demais para eles.

Perdoai-me, pai. Já sofri demais. Perdoai-me também por fazê-lo sofrer pelas minhas loucuras. Adeus, meu pai.

Autoria desconhecida.

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Bola colorida na areia da praia. By Eliseu Antonio Gomes

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