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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A verdadeira origem do catolicismo romano

Por Abraão de Almeida

No ano 312 d.C., Constantino, filho de Constâncio Cloro, marcha com um insignificante exército contra Maxêncio, seu concorrente ao trono imperial, o qual lhe declara guerra. Reconhecendo-se sem quaisquer condições de vencer um inimigo muitas vezes mais poderoso, Constantino invoca Deus dos cristãos, pedindo o milagre da vitória. Enquanto se preparava para a batalha, consta ter aparecido a ele e aos seus legionários uma cruz no Sol, sobre a qual lia-se: "in hoc signo vinces" (por este sinal vencereis). Durante a renhida luta, Maxêncio afogou-se no Tibre, e seus soldados foram derrotados. Para Constantino, aquela vitória devia-se à ajuda de Cristo; em sinal de gratidão, no mesmo ano publica um edito, em Milão, no qual declara: "Queremos que todo aquele que deseja seguir a religião cristã possa fazê-lo sem temor algum de ser inquietado".

Aquela medida não encontrava precedentes na história de Roma; daquela data em diante o imperador tornou-se cada vez protetor do cristianismo, chegando mesmo a convocar e presidir um concílio ecumênico cristão em Nicéia, no ano 325. Longe de viver os ensinos de Cristo, contudo, ele se preocupou mais emcombinar as filosofias greco-romanas com a doutrina cristã, deixando-se batizar somente às vésperas da sua morte, em 337. Não erraremos, portanto, se considerarmos o ano 312 como marco principal na paganização da Igreja Romana. Naquela época, já estava desviada do princípio bíblico da justificação pela fé, e, por isso, era chamada, desde o ano 251, Igreja Irregular, juntamente com outras que haviam adotado as doutrinas da regeneração batismal e do batismo infantil.

Com a suposta conversão do imperador, inúmeras crenças pagãs foram admitidas na Igreja, pois a multidão dos novos adeptos não regenerados forçou a cristianização de práticas e costumes estranhos ao Novo Testamento. Em poucos anos, a apostasia transformou a Igreja numa poderosa organização religiosa aliada ao Império  e a serviço dele. Quando a Bíblia diz que "um abismo chama outro abismo" (Salmos 42.7), está confirmando uma experiência milenar; um erro exige sempre outro erro, numa interminável sequência que só pode conduzir à confusão total. Assim começou a acontecer no quarto século, a despeito da insistente advertência apostólica: "Assim que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos anunciamos, seja anátema (Gálatas 1.8).

Vejamos algumas inovações aceitas pela Igreja de Roma a partir de meados do século quarto:

• O imperador Valentiniano, em 366, decreta a supremacia da jurisdição eclesiástica de Roma;

• No ano 400, no concílio de Toledo, dá-se ao bispo de Roma, pela primeira vez, o título de papa;

• No ano 500 começam a ser toleradas as imagens dos santos nas igrejas;

• Por essa mesma época transforma-se em Purificação de Maria a festa pagã das Lupercálias, na qual em Roma se realizava uma marcha de archotes ao Palatino a fim de suplicar a colheita de frutas;

• No ano 600, Gregório I compõe o ofício da missa, uniformiza o culto nas igrejas ocidentais e estabelece o uso universal da língua latina. Com base em todas essas regulamentações, surgem os usos do incenso, das relíquias dos santos, das velas e a oficialização das imagens através de quadros e estátuas;

• A obra de Gregório é consumada em 610 por Bonifácio III, ao substituir no Panteon as divindades do paganismo pelos chamados santos;

• Em 709, começa o costume de beijar os pés do papa;

• Em 740, Gregório III recomenda a absolvição do penitente após a confissão;

• Em 754, o concílio de Constantinopla condena a adoração de imagens e a invocação da virgem e dos santos;

• Em 769, o concílio de Roma anatematiza o concílio de Constantinopla e manda que se veneram as imagens;

• Em 884, Adriano III institui a canonização dos santos;

• Em 1075, o papa Gregório VII ordena a todos os bispos, prelados e demais clérigos que abandonem suas mulheres e filhos. Mais tarde, o concílio lateranense firma a lei do celibato para os sacerdotes, decretada por Calixto II;

• Em 1227, Honorário III faz modificação no culto, ordenando a elevação e adoração da hóstia;

• Em 1229, no concílio de Toulosa, é decretada a proibição da Bíblia pelos leigos;

• Em 1245, o concílio de Leão prescreve aos cardeais o uso de capas escarlates e de chapéus encarnados a fim de que demonstrem a sua disposição de verter o próprio sangre, se necessário, em favor da Igreja;

• Em 1264, Urbano IV instituiu a festividade de Corpus Cristi, fundamentando-se em revelação recebida por uma freira. Com isso teve início a evolução da doutrina conhecida como eucaristia;

• Em 1414, o concílio de Constança proíbe aos leigos o cálice da santa ceia. Por isso o fiel católico romano passou a comungar numa só espécie: a hóstia simulacro do pão;

• Em 1439. o concílio de Florença estabelece que são sete os sacramentos da Igreja Romana. No mesmo ano, o concílio de Basiléia declara que a doutrina da Imaculada Conceição de Maria contraria à fé cristã. A Igreja de Roma condena formalmente este concílio;

• Em 1476, por ordem do papa Sixto IV, é solenemente festejada, pela primeira vez, a Imaculada Conceição de Maria. O mesmo papa, em 1478, teria autorizado a instituição da Santa Inquisição, atendendo ao conselho do arcebispo de Sevilha;

• Entre 1515 e 1517, por ordem de Leão X, é oficialmente instituída a venda de indulgências, prática claramente condenada por Martinho Lutero, o qual propicia a origem da Reforma Protestante;

• Em 1545, no concílio de Trento, pela primeira vez a Igreja Romana coloca em pé de igualdade a Tradição em pé de igualdade com a Escritura Sagrada, e junta a esta os sete livros apócrifos;

• Em 1854, depois de ligeira pausa, em parte motivada pelas fortes críticas protestantes, o para Pio XI decreta a doutrina da infabilidade papal. Segundo o decreto, o papa é infalível enquanto pastor e supremo doutor da Igreja, pretendendo definir um ponto da doutrina ou da moral cristã de modo ex-cathedra, ou seja, usando explicitamente sua autoridade magistral no mais alto nível.

Convém acrescentar ainda a origem de pelo menos mais dois costumes romanistas. O primeiro, denominado as quatorze cenas da última paixão de Cristo nas igrejas (sobretudo, nas ruas) tem origem no culto egípcio de Ísis, deusa correlata a Semíramis da Babilônia; a segunda, conhecida como auréola dos santos, dos anjos e de Cristo, já existia séculos antes de Cristo, na índia, na Pérsia, no Egito e na Babilônia. A Palavra de Deus previu o aparecimento das "inovações" na Igreja Cristã: "Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios" (1  Timóteo 4.1). Ao tratar da condenação da falsa Igreja, Jesus fez essa solene admoestação: "Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos; porque os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou dos atos iníquos que ela praticou" (Apocalipse 18.4-5).

Fonte: Graça, novembro de 1999, páginas 34 e 35, (Graça Artes Gráficas Ltda).
Abraão e Almeida é pastor na Igreja Evangélica Brasileira em Coconut Creek, Flórida, EUA, e autor de mais de 30 livros em português e espanhol.

Um comentário:

Cap Souza Tavares disse...

Excelente Matéria sobre a origem do catolicismo romano. (Posteriormente, vou tecer comentários após meu aprofundamento).
Aproveitando, cheguei até aqui porque pesquisava sobre Anjos e encontrei o conteúdo de terça-feira, 13 de julho de 2010 - "O que a Bíblia fala sobre anjos, arcanjos, querubins e serafins". Achei interessante e muito proveitoso, essencialmente porque estamos vivenciando a Quaresma de São Miguel Arcanjo.
Parabéns!

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