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segunda-feira, 14 de maio de 2018

A Bíblia, o livro da Igreja

Por Antonio Gilberto

A Bíblia é a revelação de Deus à humanidade. Esta é a mais curta definição canônica da Bíblia. Esta posição para com a Bíblia é de capital importância para o êxito do seu estudo. Sendo a Bíblia a revelação de Deus, ela expressa a vontade de Deus. Ignorar a Bíblia é ignorar essa vontade.

O homem deve ler a Bíblia para ser sábio, crer na Bíblia para ser salvo, e praticar a Bíblia para ser santo. Muitos leem a Bíblia somente para estabelecerem recordes de leitura. Ao ler a Bíblia, aplique-a primeiro a si próprio, senão não haverá virtude nenhuma.

Declarou corretamente certo autor anônimo: "A Bíblia é Deus falando ao homem; é Deus falando através do homem; é Deus falando como homem; é Deus falando a favor do homem; mas é sempre Deus falando!"

Tudo o que Deus tem preparado para o homem, bem como o que Ele requer do homem, e tudo o que o homem precisa saber espiritualmente da parte dEle quanto à sua redenção e felicidade eterna, está revelado na Bíblia. Tudo o que o homem tem a fazer é tomar a Palavra de Deus e apropriar-se dela com fé em Jesus.

A atitude correta é estudar a Bíblia como a Palavra de Deus, e não como uma obra literária qualquer..

É preciso ler a Bíblia crendo, sem duvidar, em tudo que ela ensina, inclusive no campo sobrenatural. A dúvida ou descrença, cega o leitor (Lucas 24.25). Leia a Bíblia com oração, devagar, meditando. Assim fizeram os servos de Deus no passado: Davi (SaImos 119.12,18); Daniel (9.21-23).

Como o leitor pensa compreender um livro que ainda não leu do princípio ao fim? Leia a Bíblia toda. Há uma riqueza insondável nisso! É a única maneira de conhecermos a verdade completa dos assuntos nela contidos, visto que a revelação de Deus que nela temos é progressiva.

Mesmo lendo a Bíblia toda, não a entendemos completamente. Ela, sendo a Palavra de Deus, é infinita. Nem mesmo a mente de um gênio poderia interpretá-la sem erros. Não há no mundo ninguém que esgote a Bíblia. Todos somos sempre alunos (Dt 29.29; Rm 11.33,34; 1 Co 13.12).

Saiba-se que conhecemos de fato a Deus, não primeiramente estudando a Bíblia, mas amando-O de todo coração e crescendo em comunhão com Ele (1 João 4.7; João 14.21, 23). É nulo o conhecimento espiritual destituído de fé (Hebreus 4.2).

A Palavra de Deus é destinada ao coração (para ser amada), e á mente (para ser estudada, entendida), Hebreus 10.16. Leia a Bíblia com a melhor atitude mental e espiritual. Isto é de suma importância para o êxito no estudo bíblico. 

O plano de Deus para o crente é que o mesmo tendo uma vez conhecido a verdade salvadora, prossiga até o pleno conhecimento dela (1 Timóteo 2.4; Provérbios 9.9). Reconheça a necessidade do estudo das Escrituras. Isto está implícito em Salmo 119.130; Isaías 34.16; 2 Timóteo 2.15; 1 Pedro 3.15, e nos conduz a dois pontos de suma importância:

1. Por que devemos estudar a Bíblia?

Porque estudar é mais que ler; é aplicar a mente a um assunto, de modo sistemático e constante. Ela é o único manual do crente na vida cristã e no trabalho do Senhor. O crente foi salvo para servir ao Senhor (Efésios 2.10; 1 Pedro 2.9). Sendo a Bíblia o livro texto do cristão, é importante que ele a maneje bem, para o fiel desempenho de sua missão (2 Timóteo 2.15). Um bom profissional sabe empregar com eficiência as ferramentas de seu ofício. Essa eficiência não é automática: vem pelo estudo e prática. Assim deve ser o crente com relação ao seu manual - a Bíblia.

2. Como devemos estudar a Bíblia?

O caminho ainda é o mesmo. A meditação na Palavra aprofunda a compreensão. (Salmos 73.16,17).

Como está o seu apetite pela Bíblia, leitor? A Bíblia alimenta nossas almas (Jeremias 15.16; Mateus 4.4; 1 Pedro 2.2). Não há dúvida de que o estudo da Palavra de Deus traz nutrição e crescimento espiritual. Ela é tão indispensável à alma, como o pão ao corpo. É comparável ao alimento, porém, este só nutre o corpo quando é absorvido pelo organismo. O texto de 1 Pedro 2.2 fala do intenso apetite dos recém-nascidos; assim deve ser o nosso desejo pela Palavra. Bom apetite pela Bíblia é sinal de saúde espiritual.

Estude a Bíblia com o coração, em atitude devocional, e não apenas com o intelecto. As riquezas da Bíblia são para os humildes que temem ao Senhor (Tiago 1.21). Quanto maior for a nossa comunhão com Deus, mais humildes seremos. Os galhos mais carregados de frutos são os que mais abaixam!

Habitue-se a tomar notas de suas meditações na Palavra de Deus. A memória falha com o tempo. Distribua seus apontamentos por assuntos previamente escolhidos e destacados uns dos outros. Use, para isso, um livro de folhas soltas (livro de argola) com projeções e índice. Se não houver organização nos apontamentos, eles pouco servirão. 

Na Bíblia há dificuldades, mas o problema é do lado humano. O Espírito Santo, que conhece as profundezas de Deus, pode ir revelando o conhecimento da verdade, à medida que buscamos a face de Deus e andamos mais perto dEle. Na vida cristã, e no trabalho do Senhor em geral, o Espírito Santo só nos lembrará o texto bíblico preciso, se de antemão o conhecermos (João 14.26). É possível o leitor ser lembrado de algo que não sabe? Pense sobre isso. Portanto, o Espírito Santo quer não somente encher o crente, mas também encontrar nele o instrumento com que operar a Palavra de Deus.

Que a cada dia,  os leitores da Bíblia aprofundem-se mais e mais na comunhão com Deus ao meditar na viva e eficaz Palavra de Deus. 

Compilações em:
Lições Bíblicas - Jovens e Adultos - Para a escola dominical e culto doméstico - página 2, outubro a dezembro de 1980 - Rio de Janeiro/RJ (CPAD).
A Bíblia Através dos Séculos - A história e formação do Livro dos livros, Antonio Gilberto, 15ª edição 2004, página 7, Rio de Janeiro/ RJ (CPAD).

domingo, 13 de maio de 2018

Ética Cristã e Sexualidade

INTRODUÇÃO

A sexualidade não deveria jamais ser tratada como tabu, pois é parte natural e integrante de cada indivíduo. O relacionamento sexual é uma dádiva que o Criador concedeu ao primeiro casal, bem como às gerações futuras (Gênesis 2.24).

Se precisássemos de uma razão para explicar porque Deus uniu as primeiras pessoas no Éden, poderíamos declarar que o motivo foi a preservação da família e que a união conjugal pautada nas Escrituras Sagradas legitima a procriação (Gênesis 1.27,28; Salmos 139.13-16).


I - SEXUALIDADE: CONCEITOS E PERSPECTIVAS BÍBLICAS

Se por um lado a atividade sexual tem seu conceito deturpado na sociedade pós-moderna, por outro lado alguns cristãos insistem em tratá-la como temática proibida. Embora possa trazer incômodo para alguns, a sexualidade humana não pode ser desconsiderada por ninguém.

1. Conceito de Sexo e Sexualidade.

Sexo e sexualidade possuem conceitos próprios, ambos constituem-se atos da criação divina. A união estável de homem e mulher conduz a complementação sexual, e a Igreja abençoa no sacramento do matrimônio.

Relativamente, em biologia, o termo "sexo" se refere a uma condição de espécie orgânica que apresenta de maneira clara e inequívoca a diferenciação entre macho e fêmea, o homem da mulher, seja em seres humanos, plantas e animais.

O termo "sexualidade" tem aspectos gerais, como sua relevância, sua legitimidade, sua instituição divina, indissolubilidade, e importância, etc. Representa o conjunto de comportamentos de pessoas que estão relacionadas com a busca da satisfação do apetite sexual;  retrata ações e práticas, seja pela necessidade do prazer ou da procriação do gênero humano.

Segundo as Escrituras, o homem surgiu como alvo de toda a atividade criadora no que diz respeito à terra como habitação especial. Desde o princípio a sexualidade não é símbolo de impureza. Deus não faria nada ruim. Ele planejou e formou o homem, a “coroa da criação”, numa totalidade, incluindo o sexo.  

2. O sexo foi criado por Deus.

As mãos que elaboraram o cérebro, também fizeram os órgãos sexuais masculino e feminino. Aquele que fez a mente, fez também o instinto sexual. A íntima junção de corpos é uma criação divina. O contato íntimo não pode ser considerado sujo e indecente; não deve ser tratado como atitude obscena e desprezível. Ao contrário, se dentro do casamento, que é a união legítima entre um homem e uma mulher, o sexo é algo sublime, digno e bonito.

O enlace matrimonial faz parte do plano de Deus, é a condição que torna o sexo em causa de satisfação pessoal ao casal. O que transforma o sexo uma relação abominável por grande número de pessoas é o seu uso antibíblico (Oseias 4.12; 5.4, Romanos 1.26-27). Com a Queda no Éden, no lugar de aceitação veio vergonha; alegria e amor foram marcados pela dor, pela luxúria e repressão (Gênesis. 3.7, 16). O uso da sexualidade desordenada é uma das razões porque o Pentateuco refere-se às expressões sexuais como uma fonte de impureza cerimonial (Levítico 15.1-18).

No que se refere a viver segundo a vontade de Deus, em relação a sexualidade, é necessário a cada um de nós orientar-se pelos princípios morais e éticos das Escrituras Sagradas. O escritor de Provérbios (5.18-23). recomenda aos cônjuges que desfrutem do sexo, sem neste caso referir-se ao ato procriativo. 

3. A sexualidade é criação divina.

Ninguém ensina ao bebê mamar o leite maternal, porque ele nasce dotado do instinto de sobrevivência. Ele cresce e passa a fazer amizades, assim demonstra ter instinto gregário. Caso a criança se sinta ameaçada, reage defensivamente pois há o instinto de preservação da vida. E neste grupo de estímulos, está contido o impulso sexual que define a tendência de preservação da espécie.

A sexualidade, em conformidade aos sentidos vitais da constituição e amadurecimento da personalidade, envolve objetivo e componentes mais amplos que a fraternidade. O amor conjugal compõe o instinto sexual, feito de partes psicológicas nutridas nas qualidades físicas dos cônjuges.

A sexualidade ideal do Éden mudou com a queda. O pecador desvirtua o impulso, gera as muitas degradações que desestruturam a sociedade: a depravação física; a baixeza ética e a vileza moral. Contudo, tal situação lamentável não anula o plano do Criador de manter a existência da espécie humana por meio da sexualidade saudável.

Quando se aceita que o desejo humano prevaleça sobre a vontade de Deus, surge a semente da teimosia, esta provoca o endurecimento do coração e morte espiritual.


II – O PROPÓSITO DO SEXO SEGUNDO AS ESCRITURAS

Os nossos corpos são membros de Cristo e templo do Espírito Santo e não podem servir a promiscuidade (1 Coríntios 3.16 e 6.13, 15, 16). São consideradas práticas sexuais ilícitas: adultério (Êxodo 20.14); incesto (Levíticos 18.6-18); zoofilia  (Levítico 18.23); e homossexualidade (Romanos 1.26-27).

O propósito do casamento é "um homem para cada mulher e uma mulher para cada homem". Esta doutrina também foi apresentada por Jesus: "deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher" (Gênesis 2.24). Mateus 19.5).

As referências bíblicas de Eclesiastes (9.9) e Cantares (4.1-12; 7.1-9) advertem quanto ao adultério. Nos levam a estar conscientes que pessoas casadas têm o direito legítimo de desfrutar a sexualidade de maneira exclusiva com quem se casou. A legitimidade cristã para a satisfação dos apetites sexuais restringe-se ao casamento monogâmico heterossexual (1 Coríntios 7.9).

1. Multiplicação da espécie humana.

Em Gênesis, capítulo 1 e versículos 18 ao 23, lemos sobre a afirmação do Senhor dizendo que uma raça assexuada ou unissexuada não seria boa. Há o anúncio do propósito divino em criar a companhia feminina para Adão, a companheira idônea capaz de estar no mesmo plano físico, mental, moral e espiritual com ele. Deus fez Eva a partir de Adão e a apresentou a ele para ser sua esposa. Assim está definida a pureza do casamento: um homem, uma mulher, uma só carne (Gênesis 2.18-25).

Deus, ao criar Adão e Eva, quis que os primeiros seres humanos dessem continuidade à espécie. Com propósitos específicos, puros e elevados, dotou-os de sexualidade plena, deu a ambos a constituição físico-emocional atrelada ao instinto e à aptidão ao ato sexual que os capacitou para a reprodução e preservação da espécie humana. Inclusive, diante disso, está registrado na Bíblia: “viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom e foi a tarde e a manhã: o dia sexto” (Gênesis 1.27, 31).

O homem participa da criação ao reproduzir-se. A procriação é o ato criador do Eterno através do homem. Deus criou o ser humano com a capacidade reprodutiva, instituiu o matrimônio e a família, visando a legitimação desse maravilhoso e sublime processo que a mente da humanidade jamais poderá explicar. “Frutificai e multiplicai-vos”, foi a ordem do Criador (Gênesis 1.27,28).

2. Satisfação e prazer conjugal.

Pesquisadores descobriram um hormônio chamado 'ocitocina'. Essa substância química, conhecida como 'hormônio do amor" é liberada no cérebro durante o prelúdio e ao longo do sexo em si. Ela produz efeitos de empatia, confiança e profunda afeição.

De acordo com as Escrituras Sagradas, o objetivo primordial do sexo é fazer o casal procriar. Mas está claro que entre outros motivos para Deus dar origem ao sexo é o homem encontrar satisfação plena no corpo da mulher e vice-versa (Eclesiastes 9.9).

O texto de Provérbios 5.18,19 fala claramente da recreação física e do benefício humano em um nível biológico proveniente do sexo: "Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade, como a cerva amorosa e gazela graciosa; saciem-te os seus seios em todo o tempo; e pelo seu amor sê atraído perpetuamente". Claramente, os versículos 19 ao 23 recomendam aos cônjuges que desfrutem do sexo, sem referir-se, neste caso, ao ato procriativo; de maneira evidente incentivam a valorizar a união conjugal honesta e santa, visivelmente exaltam a monogamia e a fidelidade.

No Antigo Testamento, por determinação do Senhor, a “lua de mel” durava um ano (Deuteronômio 24.5).

3. O correto uso do corpo.

Os deleites físicos e emocionais, decorrentes do relacionamento conjugal fiel, são propostos por Deus e por Ele honrados. Apenas o ato sexual monogâmico, entre homem e mulher casados entre si, é abençoado por Deus. O desvio do padrão santo implicará punição aos que praticam a imoralidade.

O plano divino sempre foi um único homem para uma única mulher, a união sexual monogâmica, entre o marido e a sua esposa, os consortes formando uma só carne. Deus condena de maneira enérgica a poligamia (Provérbios 5.17, 18).

A sonhada felicidade a dois exerce papel importante ao relacionamento entre os cônjuges. A relação feliz é resultado da harmonia espiritual, cordial, física e emocional. Não é conquistada por meio de abstrações ou estratagema intelectual de um ou de outro. É resultado da observância de regras bíblicas voltadas ao relacionamento interpessoal.  

A convivência amorosa, recíproca e sincera, é um preceito primário da preservação do casamento e de toda família. A aliança matrimonial produz filhos que serão, ou deveriam ser, criados para servirem a Deus. Após os filhos deixarem o lar, pai e mãe preenchem a ausência, desde que exista entre ambos o companheirismo sob as bênçãos de Deus.



Ill - O CASAMENTO COMO LIMITE ÉTICO PARA O SEXO

O matrimônio foi instituído por Deus em caráter indissolúvel e como limite ético dos impulsos sexuais. A união conjugal é a relação legítima onde a cópula pode ser realizada sem que se incorra em atos pecaminosos. (Gênesis 2.18; Mateus 19.4, 5, 8).

1. Prevenção contra a fornicação.

A fornicação é o contato sexual entre pessoas solteiras, ou entre uma pessoa casada com uma pessoa solteira. A ordem de crescer e multiplicar não foi dada a solteiros, mas a casados (Gênesis 1.27,28). Deus não quis que o homem vivesse só e lhe deu uma mulher para ser sua esposa, cujo biotipo já era de alguém em fase adulta, fisicamente preparada para a união conjugal.

Durante a passagem de Paulo por Corinto, havia naquela cidade o templo pagão dedicado a deusa Vênus. Ali, mil sacerdotisas, prostitutas, mantidas às expensas do povo, permaneciam prontas para se entregar aos prazeres imorais, como culto a falsa deusa. Alguns cristãos coríntios, que se davam a essa religião, consideravam difícil acostumar-se com a doutrina apregoada pelo cristianismo, que proibia a prática devassa. Enfaticamente, Paulo orienta os cristãos a se casarem, para evitar a fornicação, e proíbe o desregramento sexual (1 Corintios 7.2, 12).

A intimidade e interação sexual é privativa dos casados. O ensino bíblico sobre sexo é que o homem deve desfrutar o relacionamento íntimo com a esposa de modo natural, racional, sadio e amoroso; mas jamais com a namorada ou noiva ou alguém sem nenhum compromisso ou vínculo afetivo.

A sexualidade descontrolada, é descrita nas Escrituras como concupiscência da carne, é a responsável pelos desvios de comportamento que arrastam o ser humano à transgressão carnal da lascívia. Os fornicadores não entrarão no céu: 1 Coríntios 6.18; Gálatas 5.19; Apocalipse 21.8.

2. O casamento e o leito sem mácula.

"Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará" - Hebreus 13.4. Neste texto, "desonra" diz respeito ao uso do corpo para práticas sexuais ilícitas com ênfase nos casos de relações extraconjugais, com pessoas solteiras ou compromissadas em outro casamento (Mateus 19.9; 1 Coríntios 6.10).

Segundo a vontade de Deus, o casamento deve ser respeitado por todos, não pode ser maculado por ninguém. Alguns desonraram a união conjugal. Embora, muitas vezes, escapem da reprovação humana, porém não escaparão do juízo divino (Mateus 19.6; Naum 1.3).

A mídia consente, promove e exalta o erotismo, a lascívia, a prostituição, e o sexo fora do casamento. De modo irresponsável e pecaminoso, incentiva a prática sexual como instrumento de prazeres egocêntricos. Cabe ao cristão ignorar essas sugestões antibíblicas e cumprir o propósito estabelecido por Deus para a sexualidade.  

A relação sexual entre pessoas casadas deve ser exclusiva. 1 Coríntios 7.2, 3, 5 nos diz: "Por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido. O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher, ao marido.' (...) 'Não vos defraudeis um ao outro, senão por consentimento mútuo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e, depois, ajuntai-vos outra vez, para que Satanás vos não tente pela vossa incontinência".

CONCLUSÃO

O propósito original de Deus para a sexualidade é que tanto o homem quanto a mulher vivam uma vida feliz como esposo e esposa. E para atingir esta meta no casamento, é necessário cumprir o compromisso diário de fidelidade e respeito ao parceiro, ou parceira de núpcias. Tal aliança implica direitos e deveres recíprocos entre as partes envolvidas.

Em sua vida de casado ou casada, é preciso que mantenha postura equilibrada e responsável, firmada nas promessas contidas na Palavra de Deus. Se você percebe que não cumpre corretamente seu papel no casamento, ainda é tempo de se corrigir. Em primeiro lugar, reconheça o seu equívoco, busque o perdão do Senhor e do seu cônjuge. Depois, recomece com oração e fé em Deus,. Com essas atitudes, o Senhor lhe dará graça para viver de acordo com os preceitos bíblicos. O apóstolo Paulo afirma que o Senhor nos abençoou com todas as bênçãos, isto inclusive significa a habilidade para fazer do casamento um sucesso (Efésios 1.3). A presença de Cristo no casamento é garantia de alegria duradoura (João 2.1-11).


E.A.G.

Compilação

Dictionary of the Old Testament: Pentateuch. T. D., Baker, D. W. Alexander, página. 742. edição 2003. Downers Grove, IL: (InterVarsity Press).
Lições Bíblicas Adulto. Valores Cristãos - Enfrentando as Questões Morais de Nosso Tempo-O-Cristao-e-a-Sexualidade, Douglas Baptista, lição 7 - Ética Cristã, e Doação de órgãos, 2º trimestre de 2018, Rio de Janeiro (CPAD).
Lições Bíblicas Adulto. Ética Cristã - Confrontando as questões morais. Lição 10: O cristão e a doação de órgãos, Elinaldo Renovato de Lima, 3º trimestre de 2002, Rio de Janeiro (CPAD).
Manual Bíblico Unger, Merril Frederick Unger, reimpressão 2008, páginas 39 e 80, São Paulo -SP (Edições Vida Nova).

sábado, 12 de maio de 2018

Mateus 6.22-23. Quando as luzes são trevas?


O que você me diz sobre a declaração de Cristo em Mateus 6.22, 23? Está escrito assim: “Os olhos são a lâmpada do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz; se, porém, os seus olhos forem maus, todo o seu corpo estará em trevas. Portanto, se a luz que existe em você são trevas, que grandes trevas serão!” (NAA).

Uma pessoa desabafou mostrando-se entristecida com um irmão que reencontrou por acaso em um estabelecimento comercial. A conversa só causou chateação. Quando quis compartilhar sua bênção de uma porta de emprego aberta, após muito tempo sofrendo desempregado, o tal desdenhou de sua alegria. Também, zombou do seu peso, chamando-o de “gordinho”. 

Eu digo que existe gente magra e saudável e outras magras por motivo de alguma doença; há pessoas obesas saudáveis e outras pessoas pesadas por motivo de enfermidade. Mas tais detalhes não passam pela cabeça de quem está escravizado pelo mau-hábito de falar sem pensar antes. 

É claro que a crítica construtiva é boa. Pois é o reflexo da mente virtuosa. Mas o bom-alvitre recomenda expressá-la somente quando solicitada, para que nunca sejamos inconvenientes.

Vamos refletir: Jesus disse “se a luz que há em você são trevas”?

Esta frase parece não ter sentido algum, é complicado encontrar o significado. Talvez seja uma força de expressão conhecida como hipérbole, o recurso de linguagem que usa o exagero como meio de chamar a atenção. Mas prefiro acreditar que “luzes que são trevas” seja aquela situação em que a pessoa está acostumada com a escuridão, deixa de se sentir incomodada com a falta de luz e não se importa mais com a utilidade que a iluminação representa durante o período noturno. 

Indo da ilustração para a prática, tal lição fala sobre comportamento. Os olhos são figuras de linguagem cujo sentido alude às intenções do coração humano. No caso, ver é o mesmo que estabelecer metas e se esforçar para atingi-las.

Ao cristão, cabe alimentar “objetivos iluminados”, fazer a vontade de Deus no que tange às relações interpessoais. Amar. O amor não faz mal ao próximo e jamais acaba. Portanto, em toda a nossa vida precisamos buscar a luz e vigiar para não nos acostumar com o breu desse mundo que não quer obedecer os mandamentos de Jesus Cristo.

E.A.G

Cientista David Godall comete eutanásia aos 104 anos de idade



David Goodall, londrino com nacionalidade australiana, aos 104 anos de idade, cercado por netos e um amigo, colocou fim a própria vida em uma clínica na Balileia, a cidade considerada capital cultural da Suíça. A eutanásia ocorreu nesta quinta-feira, 10 de maio de 2018. Ele foi botânico e ecologista, pesquisador honorário da Universidade Edith Cowan de Perth, influente no estudo da vegetação, e teve sua fama acentuada ao trabalhar como editor-chefe da série de livros "Ecossistemas do Mundo", enciclopédia em 30 volumes, publicados entre 1972 a 2015 pela Elsevier.

A medicina confirma que a fé faz bem a saúde
Ética Cristã, Pena de Morte e Eutanásia
Philip Nitschke – O Doutor Morte
Viver dói, a dor diz que você está vivo e pode ser feliz

Exceto pelo ensurdecimento, o cientista não tinha qualquer problema de saúde. Ao som de Beethoven, o cientista pôs fim a própria vida em uma clínica de suicídio assistido na Suíça. Talvez tenha escolhido tocar Beethoven porque como ele o compositor alemão também sofria com o mal da surdez. 

Goodall não tinha nenhuma doença grave ou terminal, mas alegava que já havia vivido muito e que sua qualidade de vida estava aquém da que gostaria. Após uma queda, ele ficou em seu escritório por dois dias até ser descoberto caído e levado para um hospital.

Aos 102 anos, Goodall chamou a atenção da mídia para si quando a universidade em que trabalhava o afastou de suas atividades "por razões de segurança"; acionou a imprensa tentando fazer com que as circunstâncias se revertessem conforme sua vontade. Apesar de criar um debate local sobre a força de trabalho de pessoas idosas, a universidade não o recolou em seu quadro de funcionários.

Depois disso, ele tentou, sem sucesso, tirar a própria vida na Austrália, o país onde morava. E decidiu transformar seu desejo de morte em uma missão a mídia teria que contar. Então fez campanha aos australianos, com o objetivo de receber a autorização legal para cometer o suicídio assistido. Sua campanha mórbida não obteve sucesso.

Na data do 104º aniversário, no início de abril deste ano, convidou a emissora estatal para registrar o momento em que apagaria as velas do bolo, ocasião que aproveitou para dizer sobre sua tristeza em ter atingido seu centenário e outra vez falar sobre seu desejo de morrer. Circunstância em que usou as câmeras de televisão como vitrine e divulgar que planejava viajar para Liestal, Suíça, onde uma clínica havia aprovado sua morte assistida.


O transporte foi pago, ao custo de 20 mil dólares australianos, pela Exit International, a instituição que ajuda suicidas a darem cabo de suas vidas. A Suíça não é o único país onde o suicídio assistido, ou eutanásia, é legal. Também está liberado na Bélgica, no Canadá, em partes dos Estados Unidos, na Holanda, e em Luxemburgo. Mas a Suíça é o único país em que o serviço também pode ser oferecido a estrangeiros. É por isso que Goodall voou para lá.

Antes de cometer o suicídio, o botânico fez uma grande conferência de imprensa para enfatizar a ideia da liberação da eutanásia ao redor do mundo. Declarou ele: "Eu não pensava  ir para a Suíça, embora seja um bom país. No entanto, preciso viajar, para ter a oportunidade de suicídio que o sistema da Austrália não permite. Estou muito ressentido. Percebam como minha vida aqui é insatisfatória em quase todos os aspectos. Quanto mais cedo chegar ao fim, melhor. Sinto tristeza pelo fato de uma pessoa como eu, que deveria ter direitos de plena cidadania, incluindo o direito de suicídio assistido, não tê-lo".

Instantes antes da morte, o idoso assinou documentos sobre sua decisão na presença da família e amigos e médicos, comeu peixe e batata frita, o prato preferido dele, e cheesecake, de sobremesa. Após ele mesmo aplicar a injeção letal, ouviu a Nona Sinfonia de Beethoven, conhecida pelo quarto movimento como Ode à Alegria. E morreu ao término dessa peça musical.
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Segundo a Exit International, Goodall não acreditava em nenhum tipo de continuação de vida após a morte. Ele pediu que nenhuma cerimônia fosse realizada em sua memória e que seu corpo fosse entregue à ciência ou que, em caso de rejeição, as cinzas fossem espalhadas na Suíça.

No processo pela qual passou para cometer a eutanásia, Goodall precisou apenas girar  uma espécie de roda, esta liberou uma substância letal, que ao fluir entrando em seu organismo através da corrente sanguínea do seu braço, não demorou para se mostrar eficaz em seu efeito.

Vale lembrar, o cientista morreu em seu suicídio na Suíça, após ter o pedido de suicidar-se negado na Austrália. Segundo a agência France Presse, o ato de eutanásia era totalmente proibido na Austrália, e no ano passado foi legalizado no estado de Victoria, mas apenas para solicitantes com doença em fase terminal.

É óbvio que todos que nascem sabem que em seu futuro há a sombra da morte. Goodall escolheu data e hora para dar fim em sua existência nesse mundo, e morreu da maneira que considerou ser a melhor possível. 

Fala-se em liberdade individual, o direito de acabar com a própria vida. Mas é preciso questionar isso, principalmente quando a pessoa não passa a certeza de que está com o controle total de suas faculdades mentais. Alguém aos 104 anos continua a raciocinar perfeitamente?

Seu suicídio ocorreu em conformidade com a lei daquele país, mas dificilmente será considerada em concordância com as diretrizes da Academia Suíça de Ciências Médicas. A instituição revisa o tema e demonstra posição contrária à escolha pela eutanásia. ​​

E.A.G.

Consultas:
Exame - Cientista australiano de 104 anos morre na Suíça por suicídio assistido - 10 maio 2018 - 09h56 - https://exame.abril.com.br/ciencia/cientista-australiano-de-104-anos-morre-na-suica-por-suicidio-assistido/
G1 - Cientista David Goodall, de 104 anos, morre na Suíça após suicídio assistido - 10/05/2018 08h16 - Atualizado 10 de maio de 2018 10h19 - https://g1.globo.com/bemestar/noticia/cientista-david-goodall-de-104-anos-morre-na-suica-apos-suicidio-assistido.ghtml
BZ Basel - Darum inszeniert der 104-jährige Australier David Goodall seinen Freitod in der Schweiz - atualização em 8 de maio de 2018 às 08h09 - https://www.bzbasel.ch/basel/baselbiet/darum-inszeniert-der-104-jaehrige-australier-david-goodall-seinen-freitod-in-der-schweiz-132543607

domingo, 6 de maio de 2018

Ética Cristã e Doação de Órgãos



Por Eliseu Antonio Gomes

INTRODUÇÃO

Na prática, ética é a conduta ideal e reta esperada de cada indivíduo. No campo teórico é o estudo dos deveres do indivíduo, isolado ou em grupo, objetivando a exata conceituação do que é certo e do que é errado. A Ética Cristã  deve ser fundamentada  no conhecimento de Deus como revelado nos ensinos de Cristo. Para os crentes em Jesus, significa o comportamento, o porte, a compostura tendo como base a Bíblia Sagrada, considerando-a como regra de fé e prática.

Doar significa salvar vidas. Então a disposição em conhecer o tema doação de órgãos em profundidade é importante. Embora o assunto seja complexo, também é cativante. O que faz com que o cristão conhecedor da matéria, via perspectiva bíblica, consequentemente, seja um componente útil, capaz de fazer a diferença positiva, a toda hora que for necessário falar sobre este tema.

I – DOAÇÃO DE ÓRGÃOS: CONCEITO GERAL

No Brasil e em praticamente todas as partes do mundo civilizado, a doação de órgãos é gratuita e de livre decisão do doador ou familiar responsável em caso de doação pós-morte. Em circunstância alguma esse processo pode envolver negociação comercial ou interferência econômica. Vender órgão humano é crime.

A lei brasileira que definiu a doação de órgãos diz que, se a pessoa não declarar em documento sua decisão de não ser doador, seus órgãos podem ser retirados para salvar vidas de pessoas doentes. Mas parece que causou mais prejuízo do que vantagem em termos de motivação para a doação. Cerca de 70% das pessoas aprova a doação de órgãos, mas parece que por sentimentalismo, pois o número de não doadores tem aumentado.

1. Definição de transplante.

A Constituição Federal de 1988 determina de forma precisa o direito à vida. E para acentuar esse direito, a Lei nº 9.434, de 4 de fevereiro de 1997, fundamenta a legalidade sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para objetivos de transplante e tratamento, desde que seja de livre vontade e autorizada pelo doador ou seu familiar responsável. A doação de órgãos é liberada e grátis. É uma decisão que deve elaborada de maneira clara entre o doador e os familiares. O médico e a equipe hospitalar podem colaborar nesse desenvolvimento do assunto, com orientações seguras dos procedimentos, considerando o bem de todos e da vida.

O "transplante", ou "transplantação" é o procedimento cirúrgico que consiste na retirada do órgão ou tecido de um indivíduo, ou medula óssea, juntamente com vasos que o irrigam, com o objetivo de colocar em outro ser humano para compensar ou substituir uma função perdida. Pode ser realizado entre pessoas vivas ou ser usado o organismo de alguém recém-falecido. São reutilizados órgãos como coração, pulmão, fígado, rim etc. Na maioria das vezes, o órgão tem origem em um cadáver.

São transplantados órgãos como o coração, o fígado, o pâncreas, os rins, os pulmões, os tecidos e outros. O caso de transplante de pele, é realizado com a finalidade recuperar áreas atingidas por queimaduras.

Além disso, há o transplante de células-tronco que são encontradas, principalmente, na medula óssea, placenta e cordão umbilical. Ò transplante de células-tronco adultas pode ser realizado entre pessoas vivas e, portanto, não apresenta problemas éticos. Como a Bíblia ensina que a vida tem início na fecundação (Jeremias 1.5), a ética cristã desaprova o uso das células-tronco embrionárias, pois este procedimento só é possível matando o embrião.

Atualmente, para quem é cristão ou não, o transplante de rim  é considerado um dos mais comuns. Também é considerado comum o transplante da da transfusão de sangue. Não há polemica quanto à intervenção da ciência médica no doente renal crônico, pois está largamente constatado que assim o paciente recebe oportunidade para continuar a viver, tem sua vida normalizada.

2. O conceito de doação na Bíblia.

A ideia de "doar" está exposta amplamente nas Escrituras Sagradas, diretamente ligada ao mandamento de "amar o próximo".

Os pais que estão na terra costumam dar o melhor e de maneira rápida o que seus filhos necessitam, mas o Pai celeste, que ultrapassa infinitamente os pais da nossa carne, tanto em poder quanto em bondade e sabedoria, nos dá o Espírito Santo aos que lhe pedirem (Lucas 11.9-13). Jesus recebeu todos os talentos do Espírito sem medida, e assim era apto para realizar as obras do seu ministério, que consistia em socorrer os aflitos, apregoar a liberdade aos cativos, dar vista aos cegos (Lucas 4.19; João 3.34). Ao cristão não basta saber orar bem e orar constantemente, é necessário praticar o bem, sendo parte ativa daquilo que diligentemente ora. A pessoa que verdadeiramente tem o Espírito em sua vida, ama o próximo da mesma maneira que Cristo amou; sabe que o socorro aos enfermos é a marca registrada do cristão autêntico, que "mais bem-aventurada coisa é dar do que receber"  (João 15.10, 13; Atos 20.35; 1 João 3.16).

O Criador, ao formar o corpo humano do pó da terra e soprar em suas narinas o fôlego celestial, fez com que a origem da vida humana fosse um evento nobre. Portanto, doador e receptor, que expressam a imagem e a semelhança de Deus, em suas atitudes de receber e doar órgãos, perpetuam a nobreza do ato divino da criação (Gênesis 1.26; 2.7; Provérbios 15.32).

A excelência da doação repousa na disposição de fazer o bem ao próximo, com base na prática da vontade do Senhor. Doar ao necessitado é uma forma de colocar a fé em prática.  O apóstolo Tiago que a fé sem obras é morta (2.14-17). Por sua vez, João escreveu que aquele que afirma amar a Deus mão não ama ao seu irmão, está faltando com a verdade (1 João 4.20).

Jesus Cristo prometeu a todos que não se negam ao gesto de doar proceder generosamente com bênção de reciprocidade: ""dai, e ser-vos-á dado" (Lucas 6.38 a).

3. A doação de si mesmo: pertencemos a Deus.

No Brasil. órgãos, tecidos e partes do corpo humano podem ser doados para beneficiar a saúde de outra pessoa, desde que não cause prejuízo ao organismo do doador.  O cristão autêntico deve observar esta situação levando em conta a sua consciência, que necessita estar ajustada aos parâmetros bíblicos e assim atuar segundo a orientação da Palavra de Deus.

Como cristãos, precisamos tratar deste assunto possuindo o mais alto interesse, evitar a posição do mero sentimentalismo sujeito a mudanças de ponto de vista. Pois o sentimento superficial não é fé, não é amor, não está em conformidade com o reflexo da imagem de Deus no ser humano; o amor deve ser demonstrado por obras, não apenas de palavras (1 João 3.17,18).

Você teria coragem de doar um de seus rins para salvar uma pessoa? Ter doado ou recebido algum tipo de órgão do corpo é uma experiência dramática, experimentar o episódio implica aos envolvidos na situação em passar por momentos tensos e de dúvidas.

II - EXEMPLOS DE DOAÇÃO

A doação de órgão e de tecidos humanos é a aprovação manifestada por parte de uma pessoa, permitindo que seus órgãos e tecidos sejam retirados, para serem aproveitados por pessoas portadoras de doenças crônicas, com o objetivo de aumentar-lhes sua sobrevida. O procedimento cirúrgico consiste na remoção do elemento orgânico enfermo para ser substituído por outro saudável.
Doação de órgãos após a morte 
O doador deve decidir livremente sobre a sua vontade de realizar a doação e para isso deve ser bem informado. Para que esse direito seja exercido mesmo após a morte, cabe aos familiares saberem o desejo do doador e cabe ao potencial doador manifestar e expor essa vontade ainda em vida. 
Doação de órgãos em vida
Para doar órgãos e tecidos em vida é preciso que o doador tenha compatibilidade com o paciente que receberá a doação, boas condições de saúde e tenha parentesco de até quarto grau familiar ou ser casado com a pessoa. Se não existir vínculos, a doação só poderá ser realizada mediante ordem judicial. A doação de órgãos não pode afetar a saúde do doador e ele precisa estar ciente dos riscos e consequências da cirurgia. O órgão para ser doado precisa ser duplo ou ter capacidade de reconstituir no organismo. 
Não existe implicação ética para a questão do transplante de órgãos, por doação entre pessoas vivas, à luz das Escrituras Sagradas,  caso a consciência de ambos, doador e recebedor, esteja em paz e sem dúvidas (Romanos 14.1-23; 1 Coríntios 8.7-13; 10.23-33).
1. O exemplo dos gálatas.

A igreja da Galácia, atual Turquia, foi fundada por Paulo. Aparentemente, os crentes daquela localidade desejaram doar até o que não podiam, para amenizar ou eliminar de uma vez por todas uma extrema aflição que acometia o apóstolo. Não há nas páginas da Bíblia informação específica sobre qual era este mal e cogita-se que fosse uma enfermidade nos olhos ou na visão.

Ao evangelizar na região da Galácia, Paulo deixou indícios de ter sentido os efeitos da dificuldade em sua carne. E orou a Deus três vezes para livrar-se do mal, o Senhor lhe respondeu: "a minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza" (Gálatas 4.13-15; 2 Coríntios 12.7, 9 a).

O fato incontestável é que era grande o apreço dos crentes gálatas por Paulo, e Paulo destaca que os gálatas não o desprezaram nem o rejeitaram por causa disso. Ele escreveu que os membros daquela igreja viviam o cristianismo através de atos bondosos, se necessário arrancariam os próprios olhos e os doariam no objetivo de fazer acabar seu sofrimento (Gálatas 4.15).

2. O desprendimento de Paulo.

Assim que Paulo tomou ciência do perigo que corria em Jerusalém, foi aconselhado a recuar. Porém, ao invés de voltar atrás, demonstrou estar plenamente decidido a dar continuidade ao seu ministério missionário, não apenas sofrer "mas ainda a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus" (Atos 21.10-13).

Com uma obstinação positiva, humilde e resoluto, Paulo discursou ao voltar de sua terceira viagem missionária a Jerusalém: "Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus" (Atos 20.24).

Demonstrou notável disposição para suportar dores e sofrer prejuízos em prol do Reino de Deus. Escreveu que doaria seu tempo, corpo, força, interesse, tudo para servir aos irmãos em Cristo (2 Coríntios 12.15).

3. A doação suprema de Cristo.

A Bíblia mostra a suprema doação. A morte vicária do Salvador é o maior exemplo do ato de doar. Jesus Cristo se doou, de corpo e alma, para que não morrêssemos. Para que não fôssemos condenados à morte eterna, doou muito mais que um ou outro órgão para salvar as nossas vidas.  Ele entregou a sua vida por inteiro na cruz do Calvário.

Foi por intermédio do sacrifício de Cristo, e de sua vitória sobre a morte, que fomos resgatados de nossa vã maneira de viver (1Pe 1.18-21). O apóstolo João enfatiza essa doação e no incentiva a fazer igual: "Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos" (1 João 3.16).

Doar órgãos para salvar outras vidas é um sublime ato de amor. Podemos entender que um órgão a ser doado é um “bem” do mais alto valor para a salvação da vida orgânica de um doente.

Ill - DOAR ÓRGÃOS É UM ATO DE AMOR

Muitas pessoas ainda morrem à espera de um órgão para sobreviver. Informações da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) mostram que 2.333 doentes morreram à espera de um transplante no ano de 2015. Muitas pessoas apesar disso rejeitam a doação por dilemas éticos e por falta de informação.

A doação de órgãos humanos, da mesma maneira que a de tecidos, antes de tudo, deve ser vista como um ato de amor e coragem. Doar é a ação concreta de extremo afeto. É a boa ação que representa literalmente o sentimento de benevolência que sentimos pelo outro. Tal ação dá a conhecer, de maneira irrefutável o verdadeiro bem-querer através do ato de solidariedade. 

1. O princípio da empatia e da solidariedade.

Cristo nos ensinou no Sermão do Monte: "tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós" -  Mateus 7.12.

Se uma mãe tem um filho que padece de problema cardíaco crônico, a quem a medicina aponta  poucas chances de sobrevida, certamente deseja ansiosamente que os médicos encontrem um coração de alguém, que dê oportunidade de sobrevivência para sua criança doente.

A empatia é definida como sentir o que a outra pessoa sente. É a posição de colocar-se no lugar do outro. A pessoa que se coloca no lugar do próximo, se estiver diante de uma situação extrema como doar órgãos, tende a ser doador de órgãos, pois o verdadeiro amor o impulsiona-nos à doação.

Amar a Deus e ao próximo como a si mesmo é a síntese da lei e dos profetas, o resumo da lei de Cristo, que nos ensina não haver maior amor do que doar a sua vida ao próximo (Mateus 22.37-40; João 15.13).

Portanto, identificar irmãos na igreja que estejam em luta contra uma enfermidade séria. precisando de doação de sangue ou de um órgão, dá a cada cristão a oportunidade de socorrer pessoas que estão sofrendo bem perto de nós.

2. O princípio do verdadeiro amor.

A questão humana de doar órgãos está fundamentada no princípio do verdadeiro exercício do amor, quem realmente ama entende o altruísmo do auxílio mútuo, é solidário, e tem raízes no princípio da empatia e da solidariedade, que a Bíblia Sagrada apresenta como princípios cristãos. Portanto, desde que dentro das suas possibilidades, jamais deixa de socorrer alguém que estiver em dificuldade.

Salvar a vida de alguém é, sem dúvida, uma demonstração de elevado sentido espiritual e moral. A ação em nada contraria os preceitos éticos ou bíblicos, exceto no caso de células-tronco embrionárias. A pessoa que declara sua vontade de doar seus órgãos vitais após morrer não deve ter sua vontade desrespeitada.

Não é fácil a uma família tratar desse assunto num momento de fragilidade e luto. Mas, com certeza, a maior barreira ao ato de doar órgãos é a desinformação, que inviabiliza aos familiares agir em tempo adequado. Neste momento de pesar, a consciência do cristão para agir corretamente precisa estar alinhada e sintonizada com a Palavra de Deus.

CONCLUSÃO

A doação de órgãos em vida, ou depois de morto, é um elevado gesto de amor. Ninguém deve ser forçado à prática de tão nobre gesto. Portanto, cabe aos líderes da igreja conscientizar os membros a agirem amorosamente, lembrar da questão humanitária, não deixar esquecer que a transferência de órgãos é um modo de fazer com que a pessoa falecida esteja ainda um pouco mais de tempo entre nós.

Como cristão, cada um de nós, precisa ser capaz de se manifestar tendo como base a Palavra de Deus, pois é apenas nesta condição que o crente é agente que faz a diferença positiva e traz à luz os princípios da Ética Cristã.

E.A.G.

Compilação:
Bíblia de Estudo do Expositor, segunda edição revisada 2015, Jimmy Swaggart, página 2014,  Baton Rouge, EUA (Ministério Jimmy Swaggart)
Lições Bíblicas Adulto. Valores Cristãos - Enfrentando as Questões Morais de Nosso Tempo, Douglas Baptista, lição 7 - Ética Cristã, e Doação de órgãos, 2º trimestre de 2018, Rio de Janeiro (CPAD).
Lições Bíblicas Adulto. Ética Cristã - Confrontando as questões morais. Lição 10: O cristão e a doação de órgãos, Elinaldo Renovato de Lima, 3º trimestre de 2002, Rio de Janeiro (CPAD)

IPOG Blog - Conheça a lei sobre transplantes e doações de órgãos - 21 de agosto de 2017 - https:// blog.ipog.edu.br/ gestao-e-negocios/ transplantes-e-doacoes-de-orgaos/

terça-feira, 1 de maio de 2018

O que separa o cristianismo de toda religião mundial?

Por David Fairchild

O que separa o cristianismo de toda religião mundial?

Você ora? Os muçulmanos também.

Você evangeliza? As Testemunhas de Jeová também.

Incêndio e desabamento de edifício na cidade de São Paulo



O feriado do 1º de maio de 2018, celebração do Dia do trabalhador, amanheceu com cenas impressionantes, assustadores e tristes.

Incêndio de grandes proporções atingiram duas edificações no centro velho da Capital de São Paulo, no inicio da madrugada. Era 1h30 quando o Corpo de Bombeiro combatia o incêndio e o edifício Wilton Paes de Almeida, com seus de 24 andares, ruiu. A igreja Luterana, ao lado, foi parcialmente afetada em sua estrutura.

O prédio, que pertence ao governo federal, já havia sido evacuado, quando em chamas veio abaixo, em torno de 2 horas da madrugada. No momento do colapso um soldado do Corpo de Bombeiro, Diego Francisco Santos, tentava resgatar uma pessoa e ambos desapareceram envolvidos por destroços da estrutura, fogo, muita fumaça e pó. O bombeiro sobreviveu e não se tem notícia da pessoa que estava sendo socorrida. Está confirmada 1 vítima fatal e 320 pessoas são dadas como desaparecidas.

No passado, o edifício era usado pela Polícia Federal, e atualmente estava desativado. O edifício estava sendo ocupado ilegalmente por grupos de famílias de baixa renda, ocupação esta organizada pelo Movimento sem Teto Luta pela Moradia, que cobrava aluguel no valor médio de R$ 350,00. Situava-se entre as avenidas  Rio Branco e Antonio Godói, próximo ao Largo do Paissandu, no conhecido centro velho da Capital, perto da divida dos bairros Campos Elísios e Santa Cecília, regiões conhecidas como Cracolândia.

A primeira equipe da imprensa de televisão a estar na região foi o SBT, com o jornalista Marcelo Bitencout, que fez transmissões ao vivo. Vizinhos gravaram o sinistro e o exato momento do desabamento, as imagens circulam na internet, nas redes sociais. O flagrante já roda o mundo, como é possível assistir nesse vídeo. Link: Brazil highrise fire causes building to collapse.

Bem próximo dessa tragédia, em 24 de fevereiro de 1972, houve o incêndio no Edifício Andraus, na Avenida São João, que vitimou 346 pessoas, sendo 16 vítimas fatais.

E.A.G.