Pesquise sua procura

Arquivo | 14 anos de postagens

terça-feira, 12 de agosto de 2014

A fé se manifesta em obras

Por Eliseu Antonio Gomes

A doutrina bíblica da fé é uma das mais importantes e significativas para a vida do cristão.

A Bíblia fala que a fé é um presente de Deus, produzida por Deus no coração do ser humano por meio da pregação da Palavra (Tessalonicenses 2.13; Romanos 10.17).

A fé, as obras e a justificação

O termo fé ocorre 244 vezes no Novo Testamento. Pode ser vista com diversos significados: a fé comum aos que crêem (Marcos 16.17); fé como fruto do Espírito (Gálatas 5.22); fé como dom outorgado pelo Espírito (1 Coríntios 12.9 a); fé como meio de salvação (Romanos 5.1). O ponto de vista da fé apresentada por Tiago é a confiança em Deus. Sem essa confiança é impossível viver a vida cristã. O justo viverá pela fé, através dela recebe a salvação e é justificado por Deus (Tiago 2.19; Romanos 1.16 - 17;  Hebreus 11.6).

A justificação pela fé é a doutrina chave da salvação. Trata-se de um ato soberano em que Deus, justo Juiz, declara que o homem é pecador e torna-se inocente perante Ele por causa da obra realizada por Jesus Cristo na cruz. O pecador recebe a justificação exclusivamente pela fé. A fonte de justificação  é Deus e a sua graça; a base da nossa justificação é Cristo e sua cruz; o meio de se apropriar da justificação é a fé (Romanos 5.1).

O enfoque de Tiago não contradiz o ensino de Paulo (Romanos 3 e 4). A sua ênfase é que as obras não salvam, mas são evidências de que somos salvos, a espécie de fé que temos é a fé que demonstramos. Enquanto Paulo ensina que o crente não é justificado por suas ações (Romanos 4.5; 5.1; Gálatas 2.16). Tiago explica que as boas obras são o lado ativo da fé, o lado visível da justificação que é operada pela confiança plena que o verdadeiro crente possui  (1 Tessalonicenses 2.1-5; 2 Pedro 1.5-11; 1 João 5.12).

A fé de um verdadeiro crente justificado precisa ser revelada através da obediência. A fé que justifica é a mesma fé que produz obras coerentes com tudo o que o Evangelho orienta.

A fé sem obras é inútil

"Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado" - Tiago 4.17.

Está implícito nas Escrituras Sagradas que amar é agir fazendo o bem ao próximo, que a fé e as obras são inseparáveis. Quando a fé não está acompanhada de ação ela para nada serve, pois está morta.

As pessoas em nossa volta só poderão constatar que cremos realmente em Deus de todo o coração se em nosso relacionamento com elas revelarmos o amor do Criador por intermédio de nossos atos de amor.

As três características da fé morta

Tiago combateu a fé inoperante, este tipo de fé existe apenas no intelecto, trata-se de uma confissão vazia, improdutiva, imperceptível e demoníaca.

1. Fé improdutiva

Para ensinar sobre a necessidade de manifestar a fé com ações, Tiago cita duas figuras bíblicas muito diferentes uma da outra: Abraão, homem piedoso que deu origem ao povo de Israel, e Raabe, uma prostituta, que pertencia a um povo pagão e inimigo dos israelitas. Os dois tinham algo importante em comum: exercitaram a fé. A subordinação do patriarca Abraão em oferecer o sacrifício que o Senhor lhe pediu e a disposição de Raabe em ajudar os espias israelitas expressaram a confiança que eles tinham em Deus.

Usando ilustração simples e objetiva, Tiago ensina que a pessoa com a fé morta olha para o irmão necessitado, faz um discurso piedoso, mas não resolve seu problema (Tiago 2.15-17).

Sobre a fé morta, a declaração de João foi: "Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus? Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade" - 1 João 3.17-18.

A fé morta não vem acompanhada de boas obras, é incapaz de agir para salvar o pecador. A fé salvadora é acompanhada de frutos. João Batista fala de frutos de arrependimentos, enquanto Paulo fala de sua operosidade (Mateus 3.8; Gálatas 5.16-23; Efésios 2.10; 1 Tessalonicenses 1.3).

Uma vez salvos em Cristo, o amor materializado por meio das boas obras, torna-se a identidade do cristão. Como cristãos temos a obrigação de suprir as necessidades do próximo, principalmente, dos irmãos. Ao ajudar o irmão carente, estamos fazendo para Cristo (Mateus 25.40; Gálatas 6.10).

A verdadeira fé opera através do amor, e a ajuda ao necessitado é uma expressão desse amor (Gálatas 5.6; 6.10).

Assim como Paulo, Tiago afirma que o crente será julgado (2 Corintios 5.10). O julgamento, naturalmente, será realizado por Cristo. Como Justo Juiz, contudo, Ele julgará usando liberalidade e generosidade para com os que são alvos de julgamento e manifestaram as boas obras de amor ao próximo. Ele explica os critérios deste juízo: "Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa do juízo" - Tiago 2.13.

2. Fé imperceptível

O conceito de boas obras na Bíblia está estritamente ligado à salvação. Boas obras são apenas aquelas que são compatíveis com a orientação bíblica, ou seja, que Deus ordena (Miqueias Miquéias 6.8; Colossenses 2.20-23). Nenhuma obra praticada pela natureza humana sem conversão é vista por Deus como boa obra, mesmo que sejam atos de bondade, pois não glorificam a Deus (2 Reis 10.30; Mateus 23.23; 1 Corintios 10.31).

As obras da natureza não regenerada, ou da carne, não têm nenhum valor diante de Deus, elas não glorificam ao Senhor porque são iniciativas que não representam a sua soberana vontade (1 Corintios 10.31; Isaías 64.6).

Tudo o que fazemos sem fé é pecado; jamais receberemos alguma recompensa de Deus se não agirmos pela fé (Romanos 14.23; Tiago 1.6 -7).

3. Fé demoníaca

O crente que não ama não produz boas obras, pois o mandamento ordena amar ao Senhor e ao próximo. Aquele que usa a fé amando cumpre a lei de Cristo (Mateus 5.43-44; 1 João 4.21; Romanos 13.8-10).

Tiago ensina que não basta ter o conhecimento da existência de Deus e crer que Ele existe. A fé alojada apenas no intelecto, se não for posta em prática, é morta. Quem tem apenas o conhecimento de Deus, sem fazer uso desse conhecimento em favor do próximo, está na mesma condição dos demônios.

"Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus" - Mateus 7.21.

"Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem" - Tiago 2.19.

Quando o diabo tentou a Jesus, deu prova de possuir conhecimento bíblico (Mateus 4.1-11).  Os demônios sabiam quem era Jesus e confessaram o nome de Cristo (Marcos 1.24; 3.11; 5.7; Lucas 4.34). Eles reconheceram a Jesus como o Juiz e criam na existência de um lugar de castigo (Marcos 5.1-13; Lucas 8.31). Apesar de tudo isso, eles não agem segundo a vontade de Deus, e, portanto, não possuem boas obras.

A fé sem boas obras é igual a fé que os demônios possuem. Observe que ela envolve o intelecto e as emoções, porém não produz a salvação de seus portadores porque no que se refere à parte volitiva que é vontade de agir segundo Deus quer, não existe decisão pela obediência ao Senhor.

As três características da fé viva

A fé age através de três elementos: intelecto, emoção e volição. Temos um exemplo disso em Atos 2.37:

1. Parte intelectual: "Ouvindo eles estas coisas"
2. Parte emocional: "compungiu-se lhes o coração" 
3. Parte volitiva: "e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos irmãos?"

Conclusão

O poder de produzir boas obras provém do Espírito Santo que habita no coração do cristão fiel. Ninguém jamais deve pensar que possui uma fé atuante por méritos próprios. Os evangelistas Marcos e João, o escritor de Hebreus e o apóstolo Paulo esclarecem que o Espírito Santo habita em nós, que alcançamos a graça de Deus e que somente através da intercessão sacerdotal de Cristo é que temos condição de manifestar boas obras ((João 15.4-6; Lucas 11.13; Hebreus 7.25; Romanos 1.17).

Tiago converge com estes ensinamentos e dirige seus ensinos contra os que na igreja professavam fé em Cristo e na expiação pelo seu sangue, crendo que isso por si só bastava para a salvação. Eles também achavam que não era essencial no relacionamento com Cristo obedecer-lhe como Senhor. Tiago afirma que semelhante fé é inútil e que não resultará em salvação e nem em qualquer outra coisa positiva.  Também, diz que não devemo pensar que mantemos uma fé viva exclusivamente por nossos esforços.

Artigo relacionado: Da zona do meretrício à genealogia de Jesus

E.A.G.

Compilações:
Bíblia de Estudo Palavras Chaves, página 1293, edição 2011, Rio de Janeiro (CPAD).
Lições bíblicas - Mestre, Eliezer de Lira e Silva; 3º trimestre de 2014, páginas 49-55, Rio de Janeiro (CPAD).
Lições Bíblicas - Mestre, Elinaldo Renovato de Lima; 1º trimestre de 1999, páginas 40, 43-44, Rio de Janeiro (CPAD). 
Revista Exposição Bíblica - Liberdade, Fé e Prática - Gálatas e Tiago; Arival Dias Casimiro; páginas 45-49; 3ª edição em julho de 2013; Santa Bárbara d'0este/SP (Z 3 Editora Ltda). 

Provérbios 6.16-19 na tradução bíblica A Mensagem


"Aí estão as seis coisas que o Eterno detesta e as sete que ele não tolera:

olhos arrogantes,
língua que profere mentiras,
mãos que matam o inocente,
coração que planeja maldades,
pés que correm pela trilha da impiedade,
boca que mente e é cheia de falsidade,
e aquele que provoca brigas e discórdia entre irmãos."

A Mensagem - Bíblia em Linguagem Contemporânea, Eugene H. Peterson, 2011, São Paulo (Editora Vida).

domingo, 10 de agosto de 2014

Escavações em Israel encontram tesouro de moedas do Segundo Templo


A Autoridade de Antiguidades de Israel (AAI) - instituição que preserva a história do país -.anunciou nova descoberta arqueológica. Diversas moedas de bronze foram achadas em uma antiga aldeia judaica. Estima-se que o tesouro tenha 2 mil anos de existência, era de uso corrente por volta do ano 70 depois de Cristo (d.C.).

Ao acaso, a escavação de trabalhadores da Netivei Israel (Empresa Nacional de Infraestrutura e Transportes), que ampliava uma estrada de Jerusalém à Tel-Aviv, encontrou uma casa e enterrada num canto dos compartimentos da residência uma caixa de cerâmica com 114 moedas de bronze, datadas do 4º ano da Grande Revolta dos judeus contra o Império Romano.

Em todas as moedas estão estampados o desenho de um cálice e há a inscrição em hebraico "Para a redenção de Sião" de um lado. Do outro, existem o desenho de um pacote feito de fronde fechado de ramos da palmeira, murta, salgueiro, frutos de cidreira - itens usados ​​durante o feriado judaico da Festa dos Tabernáculos - junto da inscrição Ano Quatro em hebraico, possível alusão ao quarto ano da revolta.

O anúncio deste achado coincide com a data em que os judeus relembram a destruição do Segundo Templo. O Segundo Templo, considerado um lugar sagrado e local de adoração para o povo judeu, foi construído pelo rei Herodes, onde hoje localiza-se o Domo da Rocha, e destruído sob o comando do imperador Tito, aproximadamente em 70 d. C.

"O tesouro parece ter sido enterrado vários meses antes da queda de Jerusalém, e nos proporciona um olhar sobre a vida dos judeus que viviam na periferia de Jerusalém, no final da rebelião", disse Pablo Betzer que é um dos diretores de escavação em um comunicado para a imprensa.

O trabalho de alargamento da pista, que era responsabilidade da Netivei Israel, passou a ser conduzido também pela AAI, que em outras ocasiões já encontrou outros artefatos ligados a períodos narrados pela Bíblia.

Após o achado, estuda-se a preservação da velha cada e de toda aldeia em que ela se encontra. Arqueólogos afirmam que os moradores originais do local, agora escavado, assim como a maioria das aldeias judaicas na Judeia, envolveram-se nas duas principais revoltas contra os romanos, tanto a Grande Revolta (ano 70) quanto a Rebelião de Bar Kochba (entre 132 e 135). Devido à sua participação nos motins, as aldeias foram destruída duas vezes.

E.A.G.

Com informação de:
http://www.foxnews.com/science/2014/08/05/2000-year-old-trove-ancient-coins-found-in-israel/
http://www.livescience.com/41499-photos-10000-year-old-house-israel.html

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A fé e a oração de Jabez

"Houve um homem chamado Jabes, que foi a pessoa mais respeitada da sua família. A sua mãe pôs nele o nome de Jabes porque ela havia sofrido muito durante o parto. Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Oh! Tomara que me abençoes e me alargues as fronteiras, que seja comigo a tua mão e me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição! E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido" - 1 Crônicas 4.9-10 (NTLH).

O nome Jabez (a'-bez) possui significado forte e extremamente negativo: "tristeza"; "causador de dor"; ou, "ele causa dor"; ou, ainda, "ele causa tristeza".

A genealogia em que o nome de Jabez aparece é a da família real de Judá. Qual seria o motivo da mini-biografia de Jabez estar incluída bem no meio desta lista? Temos poucas informações sobre quem era ele. Sabemos apenas que sua mãe chamou o seu nome Jabez, porque deu-lhe à luz sentindo tristeza, e que foi ele quem mais sobressaiu entre seus irmãos.

O que Jabez fez de tão extraordinário que seja digno de nota? Ao examinar o texto bíblico, encontramos algo especial que explica a razão de existir tal registro bíblico. Jabez invocou o Deus de Israel, portanto, ele era um adorador do Deus verdadeiro. Podemos entender que era homem de constante oração e determinado a alcançar um objetivo. É um exemplo de servo de Deus.

O leitor atento da Bíblia certamente já percebeu que todos os nomes bíblicos, de Gênesis a Apocalipse, carregam a sorte de uma pessoa. Jacó, por exemplo, quer dizer “suplantador”, nome muito apropriado para o patriarca maquinador. Noemi e seu marido colocaram em seus filhos os nomes de Malom e Quilom, que significa “franzino” e “debilitado”, e exatamente assim eram eles, ambos morreram ainda jovens. Salomão significa “paz” e fazendo jus ao seu nome, tornou-se o primeiro rei de Israel a reinar sem precisar ir à guerra.

Assim sendo, Jabez que nasceu numa época em que nomes significavam verdades e eram símbolos da realidade, e viveu durante o período em que o nome era freqüentemente tomado como um desejo ou uma profecia para o futuro de quem o possuía, recebeu uma identificação que significava “dor”, não era um bom presságio para ele. Mas apesar desse quadro inicial negativo, porque tinha fé, acreditava na bondade do Senhor, clamou pela bênção divina e tornou-se um honrado chefe de uma família de Judá,

O nome foi dado a ele no momento do nascimento. Retratava o humor de sua mãe, que o trouxe à luz durante um parto muito complicado e dolorido, seu significado se encaixava às circunstâncias do momento complicado em que nasceu.

Provavelmente, enquanto crescia o seu nome trouxe-lhe amargura, provocou a zombaria e desdém de seus irmãos e circunvizinhos, causando-lhe muitos problemas de relacionamento. Ao longo de seus anos, ouviu sobre o Deus de Israel, vivo e verdadeiro, que havia libertado seus ancestrais da escravidão, que os resgatara de poderosos inimigos e os colocara numa terra de fartura. Ao tornar-se adulto, Jabez acreditava e confiava piamente no Deus de milagres e maravilhas, que ouvia e respondia orações. Então, cansado de sofrer ele decidiu pedir um novo começo para si mesmo e formulou uma das orações mais famosas que encontramos no Antigo Testamento, sabedor de que se dirigia ao Deus que era fiel a aliança que havia feito com seu povo e tinha condições de responder sua oração de forma satisfatória. Ele pediu a bênção do Senhor sobre sua vida. E foi abençoado.

A palavra "bênção" é mais profunda do que uma saudação de "bom dia" ou "boa noite". É mais profunda que a bondade humana de alguém altruísta que favorece outra, expressa a bondade de Deus que ocorre como um favor ilimitado e sobrenatural.

A oração de Jabez não está registrada na Bíblia apenas pelo fato de ter sido feita, mas em razão de como ela foi realizada, isto é, com palavras cheias de fé, sinceridade e devoção, e por seu resultado alcançado. Jabez buscou a providência de Deus de maneira consciente.

Ao clamarmos pela bênção de Deus, não devemos pedir a bênção como se ela fosse algo comum, como se fosse algo que poderíamos conseguir pelo nosso próprio esforço. Ao clamar, devemos esperar pela maravilhosa e ilimitada bondade, que apenas Deus tem para oferecer e deseja conceder.

Ao orar, não é preciso usar as mesmas palavras de Jabez, apenas ter na oração os mesmos elementos: o sentimento de dependência, expressão de confiança, ímpeto, e coração aberto. Ao estar diante da face do Deus pessoal, adorá-lo, sabendo que só podemos pedir que a mão de Deus esteja conosco quando nosso desejo supremo é fazer a vontade dEle. Desta espécie de oração surge a poderosa vontade de Deus, que concede resposta conforme o pedido.

Encontramos na Bíblia muitas mulheres que na condição de mães são mencionadas como influenciadoras de seus filhos, tanto para o bem quanto para o mal. As mães dos reis perversos de Israel, a mãe de Moisés,  a mãe de Timóteo, etc. Através das experiências de Jabez, aprendemos que Deus intervém na vida de quem o ama. Assim, o destino de todos nós não está traçado por causa de erros cometido em momento infeliz de uma mãe ou um pai, ou por outros fatores circunstanciais . É por isso que muitas pessoas estão retratadas na Bíblia com dois nomes de significados diferentes: Abrão se tornou Abraão, Sara, Sarah, Jacó passou a ser chamado de Israel e Simão se transformou em Pedro, e assim por diante.

É preciso servir ao Senhor crendo que Ele quer o nosso bem e sempre mostrará o caminho para sair de qualquer espécie de problema. O exemplo da fé de Jabez nos revela que Deus ouve o clamor do justo e altera o destino ruim que o meio em que vivemos nos coloca. Quando confiamos em Deus, o nosso futuro está nas mãos dEle.

Aprendi com a oração de Jabez que ao orar as palavras não devem sair da minha boca por sair, aquelas que cinco minutos depois da oração não lembro mais o que foi dito. Explicando de outro jeito, não convém fazer orações sem valorizar a liberdade de se aproximar do Trono da Graça. Tenho experiência neste sentido: quando há valor, há resultado positivo, mesmo que a resposta não seja a esperada, sei nitidamente que fui respondido.

E.A.G.

Compilações:
A oração de Jabez, Bruce Wilkinson, 2001, São Paulo (Editora: Mundo Cristão)
http://biblehub.com/1_chronicles/4-10.htm 
http://biblehub.com/commentaries/illustrator/1_chronicles/4.htm 
http://biblia.com.br/dicionario-biblico/j/jabez/ 
http://www.godembassy.org/main/pastor-sandej-adeladzha/item/2110-sudbonosnyie-imena.html?tmpl=component&print=1

terça-feira, 5 de agosto de 2014

A verdadeira fé não faz acepção de pessoas

Por Eliseu Antonio Gomes

O primeiro conselho de Tiago aos irmãos evangélicos é sobre a necessidade de não haver na igreja uma fé que cometa acepção de pessoas. Provavelmente, ele tenha convivido com irmãos que prestavam consideração exagerada às riquezas e aos luxos desse mundo, tenha conhecido crentes que prestigiavam os ricos e desonravam os pobres.

Deus trata todas as pessoas de maneira igual

João viu "uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos e povos, e línguas, que estavam diante do trono e perante o Cordeiro..." - Apocalipse 7.9.

Por influência de características genéticas e climáticas e de outras ordens, os seres humanos foram se reunindo em cantos distintos da Terra, mas toda a Humanidade tem origem comum em Adão. Portanto, não tem o mínimo sentido dizer que os negros, os africanos, foram pessoas escolhidas para serem rejeitadas por Deus. Para o Criador,  não há privilégios, favoritismo ou discriminação de raças; o Senhor contempla a todos de maneira igual, independente do grupo biológico, características genéticas e posição socioeconômica (Gênesis 1.27; Isaías 45.12; Atos 17.26).

O que é acepção de pessoas?

Acepção é a tradução de uma palavra grega que, literalmente, significa "receber o rosto". No Novo Testamento, ela é usada primeiramente como uma tradução literal da palavra hebraica do Antigo Testamento correspondente a acepção.

"Receber o rosto" é fazer julgamentos e estabelecer diferenças baseadas em considerações externas, tais como aparência física, status social ou raça; é agir com parcialidade, tomar partido, formar facção, fazer escolhas e rejeições; é a tendência de preferência em favor de pessoa ou pessoas em detrimento de outra ou outras, atribuição de títulos ou privilégios. Tiago utiliza o termo com o significado de preferência de pessoa ou grupo, predileção por alguém em atenção à classe social.

O favoritismo baseado em aspecto externo é incompatível com a fé em Jesus, que veio derrubar as barreiras de nacionalidade, raça, classe e religião. No exercício da fé verdadeira "não pode haver grego, nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos" (Gálatas 3.11).

Você já viveu uma situação de ver uma pessoa pela primeira vez e sentir aversão dela? Esta sensação é o estado primário da acepção, mesclado com o preconceito. É preciso aplicar em nosso viver diário os ensinamentos do próprio Deus, que a despeito de Sua glória e majestade, trata a todos de igual modo, não discriminando raça, nacionalidade, cultura, condição social, sexo. Ele não olha a aparência exterior, mas o coração.

A doutrina calvinista

O teólogo João Calvino ensinava que segundo o decreto de Deus algumas pessoas estão predestinadas a vida eterna e outras a condenação eterna. Esta declaração é contrária ao caráter de Deus, que "amou o mundo inteiro" e interessa-se por todos que aceitam a Palavra, com obediência, em qualquer lugar do mundo, de todas as etnias e classes sociais (João 3.16).

Deus quer que as pessoas de todas as nações se arrependam de seus pecados e sejam salvas (2 Pedro 3.9).

O procedimento ideal do cristão

As exortações da Carta de Tiago abordam a questão da perseverança na provação, a importância de uma fé inabalável, os problemas de riqueza e pobreza (1.2-18); a necessidade de se colocar em prática a Palavra de Deus (1.19 - 2.26); o problema das brigas entre irmãos e o antídoto às crises de relacionamento (3.1-4, 12); as atitudes e características que devem estar presentes no perfil do cristão (4.13 - 5.11); juramentos, oração, o estímulo a que se conduza os pecadores ao arrependimento (5.12-20).

Isto tudo posto, é marcante que as diversas preocupações de Tiago revelam a unidade do seu raciocínio do início ao fim de sua redação. O apóstolo revela a necessidade de cada cristão ser praticante da Palavra de Deus, pois a religião pura se consiste dessa prática, que por sua vez só é possível quando o crente vive em ações de amor a Deus e ao próximo. Amor a Deus manifestado pela obediência; amor ao próximo manifestado através do fato de não discriminá-lo e ao socorrer os pobres e as viúvas em suas necessidades.

Em Tiago 2.3, é apresentada uma situação que exemplifica o ato de acepção. O apóstolo retrata uma cena deplorável. A ilustração mostra duas pessoas de aparências externas bem diferentes entrando num local de reunião como visitantes. Uma delas apresenta todos os sinais de riqueza: veste-se em trajes de luxo resplandescentes e usa anéis de ouro, tais como os usados por membros da classe alta dos cavaleiros romanos. O outro é um homem pobre e veste-se com roupas sujas. O homem rico recebe uma atenção especial e é conduzido com gentilezas ao seu assento. Por outro lado, ao homem pobre é dito: "Você, fique de pé ali', ou: 'Sente-se no chão, junto ao estrado onde ponho os meus pés" (Tiago 2.3 - NVI).

É pecado fazer acepção, principalmente contra as pessoas menos favorecidas economicamente, pois Deus as escolheu para Si (Tiago 2.5). É preciso vigiar, caso não haja vigilância, é possível haver favoritismo social onde as pessoas dizem ser geradas pela Palavra da Verdade. A principal razão para rejeitar a acepção de pessoas é que o Evangelho é a mensagem que dá respeito e dignidade ao ser humano. O favoritismo, a parcialidade e quaisquer tipos de discriminação devem ser combatidas rigorosamente na igreja local, porque é atitude altamente reprovável diante de Deus.

Atitudes de parcialidade, ou acepção, demonstram que quem assim age não é pessoa espiritualmente sábia, pois a sétima característica da sabedoria do alto é a imparcialidade, ou seja, não executar preferência injusta (Tiago 3.17).

Sobre acepção no Antigo e Novo Testamento

Existem diversas referências no Antigo e Novo Testamento que evidenciam a recomendação de que é preciso saber respeitar as diferenças individuais, e Tiago faz uso de algumas delas.

A passagem bíblica de Deuteronômio 10.17 reflete muitos assuntos abordados por Tiago (1.21 - 2.2.6). O texto veterotestamentário narra o momento quando Moisés, o grande líder de Israel, se despediu do povo, exortou-o a amar a Deus e servi-lo, dizendo: "Pois o Senhor vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande e terrível, que não faz acepção de pessoas".

Tiago também se reporta a Levíticos 19.15 (ARA), que tem escrito "Não farás injustiça no juízo; nem favorecendo o pobre, nem comprazendo ao grande; com justiça julgarás o teu próximo", uma vez que no capítulo 2 e versículo 18 de sua carta encontramos a citação expressa de Deuteronômio 18.18.

Assim como tratou Tiago, Pedro também abordou a questão da acepção de pessoas: ao chegar à casa de Cornélio. Muitos dos companheiros judeus de Pedro acreditavam que Deus os amava mais do que os gentios, mas Pedro compreendeu que Deus não se relacionava com os israelitas usando favoritismo. Então iniciou a pregação dizendo: "Reconheço, por vontade, que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo" (Atos 10.34, 35).

Conclusão

Tiago refere-se ao Evangelho como a Lei da Liberdade.

No coração do cristão deve haver respeito às pessoas de maneira igual, o crente não deve favorecer algumas pessoas mais do que outras. Se age assim, desobedece a Lei da Liberdade, a Lei de Cristo. O apóstolo repele, duramente, o comportamento de quem privilegia as pessoas por sua riqueza, afirmando que tal ação se caracteriza em se fazer de "juízes de maus pensamentos", e afirma que tal procedimento a seu tempo será julgado. (Tiago 2.1-4, 12 , 8-9).

Na Igreja do Senhor não deve haver acepção de pessoas, pois todos custaram o mesmo preço do sangue de Jesus e todos somos um nEle. No Corpo de Cristo, constituído por almas remidas,  flui a vida divina, em cujo processo natural é a relação interpessoal de amor e confiança entre todos os membros, que afetam uns aos outros gerando a edificação mútua (Efésios 4.13-16).

O cristão brasileiro, de pele parda, com miscigenação do índio, do europeu, do africano e asiático, tem a mesma importância para Deus que o cristão israelense ou palestino, chinês ou japonês, russo ou norte-americano, inglês ou argentino. Enfim, em Cristo, todos, de qualquer raça, aparência ou cultura, pobres ou ricos, quando aceitam a Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas, são uma só pessoa para Deus (Gálatas 3.28).

E.A.G.

Compilação 
Lições bíblicas - Mestre, Eliezer de Lira e Silva; 3º trimestre de 2014, páginas 41-47, Rio de Janeiro (CPAD).
Lições Bíblicas - Mestre, Elinaldo Renovato de Lima; 1º trimestre de 1999, páginas 32-36, Rio de Janeiro (CPAD). 
Tiago - Introdução e Comentário, Douglas. J. Moo, páginas 62 e 63; 1ª edição 1990, reimpressão 2011, São Paulo (Edições Vida Nova).