Pesquise sua procura

Arquivo | 14 anos de postagens

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Myer Pearlman: O poder do Espírito Santo


Por Myer Pearlman

"Mas vocês receberão poder, ao descer sobre vocês o Espírito Santo, e serão minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra" - Atos 1.8.

O versículo da Escritura, que acabamos de ler, juntamente com o seu contexto, marcam o ponto de transição entre os Evangelhos (os Atos de Jesus) e os Atos dos Apóstolos. Nos Evangelhos, está descrito como a segunda pessoa da Trindade veio; neste texto, se acha declarada a vinda da terceira pessoa da Trindade. Os Evangelhos mostram como Jesus veio morrer pelo seu povo; os Atos, como o Espírito estava por vir, afim de morar com o seu povo. Jesus dera testemunho do Espírito; agora o Espírito daria testemunho de Jesus.

Nos Evangelhos, lemos acerca do princípio do ministério de Jesus; nos Atos, iniciamos a leitura sobre a continuação do seu ministério, nas pessoas dos seus discípulos e apóstolos. Como o Pai enviou Jesus, assim Jesus enviou os seus servos - no poder do Espírito.

No primeiro concílio cristão, que se realizou sobre a presidência pessoal do Senhor Jesus, foram discutidos os planos de evangelização do mundo. Foi então, que o Mestre expos aos discípulos, algo concernente o reino de Deus - um reino, não de poder natural, mas espiritual - caracterizado, não por glória militar, mas por "justiça, paz e gozo no Espírito Santo", um reino difundido, não pelas forças das armas, mas, pelo testemunho da voz humana, pelo poder do Espírito Santo.

O intento de levantar a questão do tempo da restauração de Israel, desvaneceu com a resposta de Jesus: A vós não compete saber os tempos ou as épocas, que o Pai fixou pela sua própria autoridade."

O concílio foi prorrogado, depois de receberem a última comissão do Senhor: "Ide por todo mundo, pregai o Evangelho a toda criatura" - prorrogado até que se unam de novo; em concílio pela chamada do grande Moderador, cuja voz forte ajuntará, tanto os fiéis vivos, como os mortos em Cristo (Atos 1.11).

Depois, Jesus subiu ao Pai. Se estivéssemos ensinando estas verdades a meninos, diríamos: "meninos, Jesus disse aos seus discípulos que esperassem, em baixo, enquanto Ele subia ao telhado para fazer a ligação de poder."

A MANIFESTAÇÃO DO PODER

Jesus se declarou a fonte de poder, quando disse: Todo o poder me é dado".

Certo cientista conta-nos que todo o poder que é distribuído no mundo, tem a sua origem numa só fonte - o sol, que irradia ondas de energia para serem transformadas em luz, calor e eletricidade. Do mesmo modo é o nosso Senhor, a fonte de todo o poder espiritual.

Malaquias se referiu a Ele como sendo o Sol da Justiça, que traria saúde debaixo de suas asas. Ainda, a seu respeito, é dito que Ele é o resplendor da glória de Deus (Hebreus 1.3); Jesus tem relação com o Pai, igualmente como os raios para com o sol. Ele disse: "Eu sou a luz - o sol - do mundo". É uma bem-aventurança ser unido a Jesus, o poder salutar de Deus, que irradia luz celestial.

Note a natureza do poder. Algumas substâncias podem conter mais eletricidade que outras. É o que se chama diferença em potência. A tendência da eletricidade é correr de um corpo de alta potência para outro com potência inferior, afim de uniformizar-se. Quando há contato entre dois corpos, o corpo que contém mais eletricidade, passa a sua força para o outro. 

Existe uma imensa diferença de potência entre Deus e nós! Mas que boa vontade de Sua parte, para se dar a Si mesmo por nós, até ficarmos "cheios de toda a plenitude de Deus"!

Tanto o poder divino quanto o poder natural, precisam de um condutor. A energia do sol é irradiada pelo espaço, por meio de vibrações, em mais de centenas de trilhões por segundo. Mas, enquanto essa energia não entra em contato com o ar e a matéria, não pode ser transformada em luz, calor e eletricidade. Assim, também, só quando o Espírito entra em contato com os vasos submisso, - condutores espirituais - é que o seu poder pode ser manifesto ao mundo.

A eletricidade pode ser manifesta em calor, luz, movimento e som. 

1. A eletricidade é manisfesta em calor.

Apliquemos esta verdade à experiência espiritual. O Espírito pode ser manifesto na vida dos crentes, em forma de zelo ardente, sem o qual não pode haver verdadeira conquista. Os vencedores espirituais, de todas as idades, foram homens de oração, atividade, serviço e amor intenso. 

Diz um escritor: "Nada é possível nesta vida, sem aquele calor intenso de entusiasmo, que faz o mundo pensar que os santos estão loucos." Um outro diz: "Nenhum coração é puro, que não esteja apaixonado; nenhuma virtude é sã, que não seja entusiástica." Henry Martin, o missionário devoto, disse uma vez: "Agora, deixe-me arder até me consumir para Deus." Em outros termos: zelo cristão.

2. A eletricidade pode ser manifesta em forma de luz.

No Novo Testamento, a manifestação de poder espiritual e moral, é considerada como luz: Vós sois a luz do mundo." "Brilhe a vossa luz diante dos homens". A necessidade suprema desta hora é haver cristãos que brilhem. Tais crentes não precisam usar de pesados argumentos abstratos, para dar provas da verdade do Cristianismo. Quanta lógica é necessária para  provar que uma lâmpada pode luzir? Nenhuma. Basta ligar o contato.

Estas palavras - "Brilhe a vossa luz" - podem, também, ter uma significação literal. A face de Moisés não brilhou, voltando ele da presença de Deus? O rosto de Estevão não teve a aparência de um anjo? Faremos isto: todos nós separaremos um dia, para visitar o lugar de Deus, onde o nosso rosto ficará brilhante; e depois brilhemos, brilhemos, brilhemos!

3. A eletricidade pode ser manifesta em forma de movimento.

Os pés que levam as Boas Novas, não só devem ser belos, como também ativos. João Wesley, durante quarenta anos, viajou 4 a 5 milhas por ano, e pregou cerca de quinze vezes por semana. Whitefeld pregou, regularmente, cerca de quarenta vezes, por semana. O efeito natural do recebimento de poder espiritual é o movimento para a evangelização do mundo.

O livro do Atos pode ser resumido em três palavras: ascensão, descensão e extensão. 

A ascensão de Cristo, a descensão do Espírito Santo e a extensão do Evangelho. Cristo subiu, o Espírito desceu, e o nosso dever é propagar o Evangelho.

A eletricidade pode ser manifestada em som: rádio, telefone etc. Que mais doce experiência pode haver, tanto para o pregador, como para qualquer crente, do que a elocução, pela unção do Espírito - o tinido suave das campainhas do Espírito! Tal união é a marca distinta da verdadeira pregação do Evangelho, do qual Pedro disse: foi pregado pelo Espírito Santo, enviado do céu."

A elocução em outras línguas - a voz audível do Espírito que edifica o crente, agindo sobre ele, como um estimulante - é comparável à elocução ungida. Assim, convence o inquiridor sincero e livre de prevenções, do poder sobrenatural do Evangelho. Lembrem-se que estou falando das línguas genuínas, porque, neste mundo imperfeito, as verdadeiras e preciosas línguas são, muitas vezes, imitadas por outras sem valor.

_______

A matéria tem seguimento: Myer Pearlman - O poder do Espírito Santo (parte 2).
_______

E.A.G.

Fonte: Matéria publicada no Mensageiro da Paz, ano 2, nº 14/15, quinzenas de julho e de agosto de 1932, páginas 6 a 9. Rio de Janeiro.

Apelo ao uso de bom senso ao tratar do caso Flordelis e seu marido assassinado Anderson do Carmo

Thomas Nelson Brasil
Há pessoas que se tornam pais e mães, e, infelizmente, falham na estruturação da família e consequentemente na criação de suas crianças. Os bebês crescem e deixam a desejar como cidadãos de bem. E o que dizer sobre quem se propõe a educar filhos não biológicos? Existem casais cometendo falhas também, e chegará o dia em que as consequências surgirão de um jeito muito difícil de enfrentar, infelizmente.

Entretanto, na vida existe mais gente casando e acertando no casamento e na educação das crianças do que errando. Porém, para alguns, aparentemente, as situações de casais e pais com finais felizes só são bem aceitas nos finais de roteiros dos filmes produzidos em Hollywood.

Eu não consigo entender essa gente que usa redes sociais para atacar a cantora e deputada federal evangélica Flordelis. Qual a motivação? As piadas usando memes contra ela são mórbidas, não consigo rir com esse tipo de humor. Não há sentido em se divertir com a dor alheia. 

Eu me dirijo aos cristãos evangélicos. Não devemos imputar inocência e nem culpa, nossa opinião não mudará o destino de ninguém, os papéis de polícia e juiz cabe às autoridades competentes. Cabe a nós aguardar. Ore. Permaneça orando não apenas por Flordelis, mas por todos os filhos adotivos e biológico (s ?), e pela família de Anderson do Carmo, o marido assassinado.

domingo, 25 de agosto de 2019

A Mordomia do Trabalho


Por Eliseu Antonio Gomes

INTRODUÇÃO

O trabalho é uma vocação que aparece em Gênesis, perpassa por Jesus e se confirma nos apóstolos.

É um ponto de vista muito comum considerar trabalho o emprego assalariado. A grande maioria dos indivíduos aceitam a função de empregados porque receberão salário. Mas nem todo trabalhador tem remuneração por aquilo que aceita fazer. Haja vista a valorosa figura desprendida de interesses financeiros da dona de casa e a honradez de cidadãos que se destacam em  funções extremamente importantes em caráter voluntário; essas pessoas doam tempo, talento e suor em favor do próximo sem nenhum anseio de retorno financeiro.

I - O TRABALHO DE DEUS NA BÍBLIA

1. O trabalho de Deus na criação do Universo.

Bilhões de pessoas já leram ou ouviram o que a Bíblia Sagrada diz sobre o começo do Universo. O relato, contido no Livro de Gênesis tem uma frase bem conhecida: No princípio, Deus criou os céus e a terra". Muitos especialistas de vários campos científicos fecharam questão de que há um trabalho inteligente na natureza. Eles ponderam que não tem lógica alguma aceitar a ideia que a complexidão grandiosa da estrutura do Cosmo e da vida na Terra tenha surgido aleatoriamente. Então, vários cientistas e pesquisadores acreditam na existência de um Criador, e se convenceram que o Deus da Bíblia projetou e construiu o Universo.

O cristão evangélico crê na existência do Criador que não foi criado, acredita no relato bíblico da linha do tempo da criação, observa que "em seis dias o SENHOR fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou" (Êxodo 20.11 b); tem convicção e declara que o SENHOR fez o céu o céu dos céus, a terra e tudo que nela há, os mares e tudo o que há neles; e conserva a todos com vida. O crente, aquele verdadeiramente ama a Deus, entende que há a necessidade de separar um dia na semana para descansar com sua família, e junto com a família ir à igreja para celebrar a grandeza de Deus como Criador e adorá-lo como nos céus o exército de anjos o adoram (Neemias 9.6).

Porém, enquanto o ser humano não compreende o propósito do trabalho do Criador na crianção, permanece universalmente mau. Sua ignorância espiritual não resulta em falta de oportunidade, mas é expressão de sua rebeldia (Romanos 1.19-20; Efésios 4.18). A sociedade secular, cada vez mais ignora o Criador, despreza-o. A não religiosidade e as falsas religiões do mundo são consequências da falta de disposição para socorrer os necessitados, tal estilo de vida reflete o caráter daqueles que não amam a Deus de verdade e são tentativas de fugir da vontade do Criador, pois a tendência natural do homem é a de buscar seus próprios interesses  (Isaías 32.6; Filipenses 2.21). Assim, a adoração a Deus tem ficado em segundo plano em muitos corações, o comércio fica aberto todos os dias, o ano escolar é cada vez mais longo, as pessoas não têm disposição de parar para passar um dia com a família e adorar a Deus (Salmo 10.4; 14.1; 53.1).

2. O trabalho de Deus na criação do homem.

No ato da criação do ser humano, Deus o formou do pó da terra. (Gênesis 2.7). As palavras que descrevem este trabalho retratam a atividade de um artesão mestre, formando uma obra de arte que ele dá vida. Esta situação acrescenta detalhes às afirmações de Gênesis 1.27; Salmos 139.14; 1 Coríntios 15.45 e 1 Timóteo 2.13.

O ser humano tornou-se alma vivente através do Espírito do Altíssimo, mas não deve se esquecer que também foi feito por Ele a partir do lodo; deve lembrar-se que os atos de justiça de Deus são perfeitos, que Ele governa o Universo e está sempre atento  ao clamor do pobre e do aflito (Jó 33.4; 34.12-13, 28).

Na excelência da pessoa e da obra de Cristo foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis (Colossenses 1.16). Aquele que está em Cristo é pessoa liberta da escravidão do pecado e vive debaixo da graça de Deus. A obediência que cabe ao cristão é a de seguir a Jesus, estudar a sua Palavra, orar, praticar boas obras e, especialmente, anunciar a mensagem da salvação a todos os povos enquanto há ocasião oportuna ou não. "É necessário que façamos as obras daquele que me enviou enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar" (João 9.4).

3. Deus continua a trabalhar.

As Escrituras Sagradas revelam que Deus trabalhou e trabalha até hoje, Ele não abandonou a terra e nem suas criaturas. Com base nesta informação está estabelecida a mordomia do trabalho do cristão. O trabalho de Deus está registrado nas páginas da Escrituras, mostram o seu labor ao originar o Universo, na criação do homem e revela que continua trabalhando em prol das coisas criadas, especialmente do ser humano.

O salmista escreveu: "Tu visitas a terra e a regas;tu a enriqueces grandemente. Os ribeiros de Deus são bundantes de água; provês o cereal, porque para isso preparas a terra, regando-lhe os sulcos e desmanchando os torrões. Tu a amoleces com chuviscos e lhe abençoas a produção." Salmos 65.9-10. Nosso Deus é vivo e ativo. É importante reconhecer que entre seus atos está a função de abençoar os seus servos fiéis, tanto na esfera espiritual quanto na física. Ao viver como um cristão autêntico e trabalhador honesto a pessoa tem sobre si a oportunidade de receber dEle a bênção por suas atividades laborais. Em consequência disso, o crente vence as situações impostas pelas más administrações públicas, políticas sociais nefastas, economia instável  e corrupção generalizada.


II - A BÍBLIA E A MORDOMIA DO TRABALHO

1. O homem foi criado para o trabalho.

Entre outros definições, o Dicionário Michaellis apresenta as seguintes explicações para o significado do termo trabalho:
• conjunto de atividades produtivas ou intelectuais exercidas pelo homem para gerar uma utilidade e alcançar determinado fim;
• atividade profissional, regular, remunerada ou assalariada, objeto de um contrato trabalhista;
• qualquer obra (manual, artística, intelectual) realizada;
• ação ou maneira de executar uma tarefa, de utilizar um instrumento;
• esmero ou cuidado empregado na feitura de uma obra ou de um serviço:
• qualquer tarefa que é ou se tornou uma obrigação ou responsabilidade de alguém; dever, encargo:
• atividade humana caracterizada como fator principal da produção de bens ou serviços. 
O ser humano foi criado segundo à imagem do seu Criador, portanto, criado para o trabalho. Deus trabalhou no princípio de todas as coisas e ainda hoje continua a trabalhar após estarem criadas. Pelo fato de o homem ser semelhante a Deus, que o fez, entre suas atividades está presente a laboriosidade, que antes do homem cometer o pecado era tarefa fácil.

O cânon bíblico fala do trabalho humano desde o princípio. Antes de criar Adão, já havia o plano divino de que ele seria lavrador (Gênesis 2.5, 8, 15). Sendo que depois seus filhos seguiram trabalhando, Abel ocupava-se como pastor de ovelhas e Caim lidava com a agricultura (Gênesis 4.2).

2. O trabalho antes da Queda.

Ao colocar Adão e Eva no jardim do Éden, o Criador deu ao casal a liberdade para desfrutar de tudo o quanto havia criado. Antes do pecado, a busca pela sobrevivência no Éden era constantemente prazerosa e tranquila para Adão; o solo era lavrado sem nenhum trabalho desconfortável; as plantas produziam frutas, verduras e legumes de boa qualidade nas estações certas à manutenção do metabolismo mínimo do corpo; não havia desgaste físico e nem a necessidade de repor energia comendo carne, as necessidades orgânicas eram supridas pelo alimento vegetal (Gênesis 1.29).

Antes da desobediência ao Criador, o casal tinha no Éden um lugar agradável para morar e a provisão do alimento diário sem nenhum sacrifício. Mas, o Criador fez uma advertência para a mulher e ao homem, eles não deveriam comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, pôs sobre ambos a responsabilidade da obediência (Gênesis 2.5-10, 17). Eles teriam que obedecer à Palavra do Senhor, pois apenas por meio da obediência estariam seguros. Até os dias atuais ainda há esta condição, apenas quem é fiel tem a bênção sobre sua vida: "Quem despreza a palavra terá de pagar por isso, mas o que teme o mandamento será recompensado" - Provérbios 13.13.

3. O trabalho depois da Queda.

Após a queda, o trabalho deixou de ser tarefa fácil, veio o medo e a maldição, a condição ambiental foi transformada para pior, houve a alteração ecológica. Antes, o solo só produzia para benefício do ser humano, depois surgiu cardos e espinhos. O desgaste físico passou a ser parte do trabalho, a dor, o sofrimento e em alguns caso inclusive a doença. Apesar disso, trabalhar ainda é uma vocação do Criador para o ser humano. O homem não pode viver sem tarefa laborativa. Quando isso ocorre, ele violenta a sua própria natureza e viola a diretriz que o Criador lhe deu.

A Boa Notícia de Deus se manifesta em seu Filho único, que se fez maldição para abençoar o ser humano, que se arrepende da vida no pecado e entrega seu espírito, alma e corpo para adorar ao Criador na beleza de sua santidade. "E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas" - 2 Coríntios 5.17.

"Doce é o sono do trabalhador... Eis o que eu vi: boa e bela coisa é comer e beber e desfrutar o que conseguiu de todo o seu trabalho, com que se afadigou debaixo do sol, durante os poucos dias da vida que Deus lhe deu; porque esta é a sua porção. Quanto àquele a quem Deus conferiu riquezas e bens e lhe deu poder para deles comer, receber a sua porção e desfrutar do seu trabalho, isto é dom de Deus. Porque não ficará pensando muito nos dias da sua vida, pois Deus lhe enche o coração de alegria." - Eclesiastes 5.12 a, 18-20.

Salomão conscientiza o trabalhador sobre o conceito do dom de Deus, referente a oportunidade de desfrutar da satisfação que é consequência do trabalho honesto. Ele aconselha o trabalhador, que é servo de Deus, a desfrutar das abundâncias terrenas da vida que Deus dá. Aqueles que consideram a Deus a fonte de sua bênção, recebem prazeres, estabilidade financeira e a capacidade de desfrutar dessas coisas, e devem aproveitar isso.


III - PRINCÍPIOS CRISTÃOS PARA O TRABALHO

1. O homem deve trabalhar "com o suor do seu rosto".

"No suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, pois dela você foi formado; porque você é pó, e ao pó voltará" (Gênesis 3.19).

As tarefas para a sobrevivência do homem se tornaram amargas após a Queda de Adão, quando o solo passou a ser estéril, e a produzir espinhos e cardos. Após o pecado entrar no mundo, o trabalho passou a desgastar o corpo, ser cansativo, afetar a tranquilidade, exigir esforço e derramar suor.

"Lembrem-se do SENHOR, seu Deus, porque é ele quem lhes dá força para conseguir riquezas" - Deuteronômio 8.18 (NAA). Isto é, Deus não interage com o ser humano como se fosse o gênio da lâmpada de Aladim. Ele concede a capacidade humana ao eficiente trabalhador, para que através do próprio suor a pessoa obtenha seu meio de sobrevivência.

Para Salomão, a vida bem-sucedida não era apenas resultado do sucesso financeiro, mas da escolha em viver em santidade, a bênção do Senhor gera prosperidade através da generosidade, do conhecimento  e dedicado ao trabalho honesto (Provérbios 3.3.4). O trabalhador que se esforça para especializar-se em sua profissão, se dedica às tarefas com afinco, é uma pessoa com grande propensão a  encontrar oportunidades para se satisfazer com o sucesso profissional e as consequências dessa condição (Provérbios 3.10, 15; 13.11; 28.19).

2. O trabalho deve ser diuturno.

O trabalho de Deus sobre a Terra é descrito com sendo permanente (Salmos 104.19-23). Ele trabalha sustentando os astros celestes desde o primeiro dia da criação do Universo. O Sol e a Lua fixam mais do que a claridade e a escuridão na Terra, além de girarem em redor do nosso planeta, são matizes dos desígnios do Criador em relação ao equilíbrio entre o tempo de trabalho e de descanso do ser humano.

A Bíblia ensina que é necessário haver boa disposição ao trabalhar. Como fazer isso?
• Levantando-se cedo (Gênesis 28.18; Êxodo 24.4);
• Buscando ao Senhor (Provérbios 8.17);
• Cuidando em todo tempo do trabalho (Eclesiastes 11.6);
• Lembrando-nos de Deus em momentos bons (Eclesiastes 12.1)
• Concluindo a tarefa (Daniel 12.13);
• Começando e terminando (2 Coríntios 8.6).
3. Não ser pesado a ninguém.

As pessoas que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer a Cristo, e portanto não possuem o privilegio de pensar de acordo com raciocínio espiritual, não são capazes de mensurar corretamente a importância do trabalho de pastores, que são tarefas espirituais. Não conseguem entender que o profissional secular trabalha com vista para as coisas dessa vida, que é passageira, enquanto que o pastor lida com o destino final das almas, objetivando a felicidade dessas almas no porvir, na eternidade.

Há gente preconceituosa que olha para a figura pastoral sem lembrar que o próprio Jesus Cristo estabeleceu tal função nas igrejas, visando o bem coletivo (Efésios 4.11-13). Tais pessoas não consideram que os pastores são pessoas vocacionadas, que necessitam se consagrar para estar sempre prontos ao aconselhamento bíblico, orar por enfermos, prepararem o sermão a ser exposto nos cultos.

Críticos do recebimento de dinheiro como salário pastoral, usam a descontextualização bíblica e histórica para atacar pastores. Afirmam que o ganho não tem aprovação de Paulo, que o apóstolo nos deixou doutrina contrária à coleta de dinheiro com objetivo de que uma parte dela servisse como salário aos pastores. Os tais não ponderam que tanto no Antigo quanto no Novo Testamento encontramos textos normativos e textos narrativos. Encontramos a narração bíblica informando que Paulo trabalhou construindo tendas, mas não recebemos orientação na parte normativa solicitando que as lideranças seculares tenham ocupação em atividade secular. Pelo contrário, a norma bíblica apresentada por Paulo recomenda aos cristãos liderados que sustentem financeiramente o seu pastor.

Jesus executou o trabalho de carpinteiro, no entanto, é preciso lembrar também que Ele ao completar trinta anos, a idade de maioridade civil naquela sociedade judaica de então, tomou rédeas de sua vida, afastou-se do lar e abandonou a profissão secular para ser pregador das Boas Novas do céu. Além disso, convidou doze pessoas trabalhadoras para andar com Ele, doze homens o seguiram por três anos e meio em sua jornada de fé e amor. Eles abandonaram suas profissões seculares, deixaram a profissão de pescador, coletor de imposto, e se ocuparam com o trabalho espiritual do Mestre. E sobreviveram ás custas do dinheiro de ofertantes (Lucas 8.3).

Em Atos 20, observamos um texto narrativo. A narração de Lucas apresenta Paulo, em uma reunião de obreiros em Mileto, dizendo ser construtor de tendas. Devemos ter cuidado ao analisar contextos histórico e bíblico. Quanto a questão histórica, lembremos que Paulo agia como missionário. Não é possível fazer um paralelo com o cargo de um pastor, que vive dentro de estrutura eclesiástica já estabelecida, na função de líder em uma comunidade de gente convertida a Cristo. Paulo chegava em localidades onde não havia estrutura eclesiástica, lidava com gente não cristã e cristãos recém-convertidos. Assim sendo, como sobreviver de ofertas cuja origem é o coração cheio de fé, compromisso com a expansão do Evangelho, se não estava entre crentes espiritualmente maduros? Ele sobrevivia com seu labor pessoal em tarefas seculares e quando necessário aceitava o apoio de cristãos de igrejas distantes, gente cristã disposta a patrocinar sua missão evangelística (Filipenses 4.15-16). Quando a nova comunidade cristã estava estabelecida, o apóstolo ensinava os membros sobre o dever da contribuição financeira e partia para outras localidades para criar outros núcleos de pessoas novas convertidas (2 Corintios 9.4-12; Tito 1.5-9).

Nas cartas de Paulo, encontramos o ensino, com a clareza ideal, que mostra haver dignidade em o pastor aceitar salário cuja origem seja a arrecadação de dinheiro da igreja. O texto normativo de Paulo sobre esta questão, é: "Devem ser considerados merecedores de pagamento em dobro os presbíteros que presidem bem, especialmente os que se esforçam na pregação da palavra e no ensino. Pois a Escritura declara: “Não amordace o boi quando ele pisa o trigo.” E, ainda: “O trabalhador é digno do seu salário." - 1 Timóteo 5.17-18 (NAA).

4. O preguiçoso não deveria comer (2 Tessalonicenses 3.10).

"Você comerá do fruto do seu trabalho, será feliz, e tudo irá bem com você" (Salmos 128.2). Para conquistar tal bem-aventurança, o salmista ensina que não basta evitar fazer o que Deus proíbe, é necessário praticar tudo o que Ele manda. Temer ao Senhor significa respeitar o que a Palavra determina.

O Salmo 128 destaca algumas características da pessoa que a Palavra de Deus descreve como bem-sucedida e feliz:
• essa pessoa conquista seu sustento através de atividade honesta;
• casa-se com alguém fértil (há condições para ter descendência numerosa);
• tem uma família abençoada (a companhia com quem se casou e os seus filhos lhe dão alegria);
• recebe provisão;
• há felicidade e prosperidade em seu lar.
5. A relação de empregados e empregadores (Efésios 6.5-9; 1 Pedro 2.18-20).

Os escravos, tanto na cultura helênica como na romana, não tinham direitos legais e eram tratados como mercadorias. Paulo e Pedro abordaram a relação entre servos e senhores cristãos, pois a escravidão era uma prática comum naquela época. No entanto, suas recomendações quanto à conduta do cristão não se aplicam somente àquele contexto, tendo em vista que os princípios espirituais por traz de todas as situações são eternos. Os escravos convertidos deveriam ser obedientes e honestos em todo tempo e não apenas quando supervisionados, eles precisavam trabalhar como se estivessem trabalhando para o próprio Deus, pois o Senhor recompensa a cada um conforme as suas ações, sem se preocupar com a posição que ocupa na sociedade.

A admoestação de Paulo é aplicável a todos os empregados. O termo "obedecei" (Efésios 6.5) diz respeito à submissão desde que a ordem do patrão não envolva uma clara desobediência à Palavra de Deus, como ilustrada em Atos 4.19-20. Através do serviço exemplar do empregado ao patrão, a doutrina de Cristo é bem representada neste mundo: 1 Timóteo 6.1-2; Tito 2.9-10).

Em Colossenses 3.22-24, o apóstolo escreve que é preciso trabalhar temendo ao Senhor, dando mostra que o nosso Deus dá valor ao trabalho do crente prestado diretamente ao ser humano. Assim, trabalhando, haverá recompensa justa por seus esforços, mesmo que se o seu patrão terreno não valorizar a boa qualidade do serviço realizado (Filemon 18; Apocalipse 20.12-13).

A admoestação de Paulo se estende aos senhores e aos empregadores. O patrão deve viver debaixo do temor do Senhor assim como é dever do funcionário, deve glorificar a Deus honrando as pessoas que emprega. Ao quebrar o compromisso evangélico e desrespeitar seus subordinados, instala em sua atividade a desonra a Deus (Efésios 6.9).

► Efésios 4.10-11: Os cinco dons de Cristo para qualificar você a trabalhar na Igreja 

CONCLUSÃO


Para que a vida atinja seu potencial pleno, o trabalhador deve dividi-la de maneira rítmica entre o trabalho, descanso e lazer. O descanso e o trabalho devem ter espaços de tempo proporcionais, para que o corpo se exercite em mão de obra produtiva e a alma possa contemplar o divertimento e tenha oportunidade de adorar a Deus. Neste período de pausa, que na quietação e descontração aproveitemos o tempo para usufruir das bênçãos da criação, do mesmo modo que o Criador descansou no dia sétimo. Não importa o dia que dedicamos ao Senhor, o importante é separar o dia da dedicação em com a finalidade de cultuá-lo e manter nossa comunhão com Ele (Salmos 84.2, 10; Romanos 14.5-8). Nesta interação o indivíduo, as famílias, toda a sociedade encontram condição para viver bem.

E.A.G.
______
Subsídios:
Belverede. O apóstolo Paulo e a administração da coleta de dinheiro na igreja. Eliseu Antonio Gomes. 29 de abril de 2019. URL: https://bit.ly/2ZdY4eU
Belverede. Dízimo: ato de amor e fé. Eliseu Antonio Gomes. 21 de junho de 2011. URL: https://bit.ly/2KS3rHE
Bíblia de Estudo de Avivamento e Renovação Espiritual, página 80
Comentário Bíblico Mattew Henry - Antigo e Novo Testamento - Gênesis a Deuteronômio, 1ª edição 2010, página 29; Rio de Janeiro - RJ; Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD).
Introdução e Comentário. Salmos 73-150. Série Cultura Bíblica. Derek Kidner. Edição 1981, reimpressão 2011. Página 319. São Paulo - SP. (Edições Vida Nova).
Tempo, Bens e Talentos - Sendo mordomo fiel e prudente com as coisas que Deus tem nos dado. Elinaldo Renovato. 1ª edição 2019. Páginas 116-117. Bangu; Rio de Janeiro / RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD).