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segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Você já foi vítima de notícia falsa?

A disseminação de fakenews assombra a sociedade na atualidade. Cada dia mais é preciso estar atento para não ser vítima ou sem se dar conta, ser um agente disseminador.

Atualmente, quantas notícias você compartilhou nas redes sociais? Se você nunca pensou nisso, é importante começar a pensar. Com o avanço da internet, há mais notícias circulando entre as pessoas e, consequentemente, mais informações falsas sendo disseminadas como verdadeiras. 

Um estudo divulgado em 2018 pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, revelou que as fake news (notícias falsas) se espalham 70% mais rápido e com mais abrangência do que as reais.

Conforme a pesquisa, os usuários que compartilham mais mentiras são os menos ativos, têm menos seguidores e estão nas redes sociais há pouco tempo, em comparação àqueles que compartilham notícias verdadeiras – características correspondentes em grande parte a pessoas com mais idade.

O comando da internet

Apesar do termo fake news estar mais na moda do que nunca, a ideia de contar mentiras para tirar proveito de situações acompanha toda a trajetória da humanidade.

Richard Romancini, professor de História da Comunicação da Universidade de São Paulo (USP), lembra que as fofocas no meio social sempre existiram. Contudo a difusão delas era menor do que a das notícias falsas compartilhadas atualmente. No passado, se alguém quisesse propagar algo tinha mais riscos e custos, e com um potencial maior de desaparecerem.

A responsabilidade por passar adiante um boato cabe a todo cidadão

A velocidade de espalhamento de notícias fez da internet, especialmente por causa das redes sociais, o mais poderoso veículo de disseminação de assuntos falsos. Veja nove passos para barrar conteúdo inverídico e evitar ser enganado
  1. Repare se o texto tem autor e se realmente ele existe. Se não tiver nenhum dado sobre isso, desconfie.
  2. Preste atenção no título. Se for apelativo e que atraia bastante a atenção, pode não ser verídico.
  3. Leia a matéria completa e não apenas a chamada, pois quanto mais impressionante ela for, existe mais chance de a notícia não ser verídica.
  4. Analise se a notícia tem juízo de valor ou pode prejudicar alguém, alguma empresa ou instituição. Em caso afirmativo, redobre os cuidados e a atenção.
  5. Cheque a fonte daquilo que recebeu. Para saber se a notícia é confiável, clique no site e confira se ele é o gerador da informação ou a coletou de outro local.
  6. Pesquise a notícia nos provedores de internet. Acesse o Google ou similares para verificar quantos e quais são os sites que publicaram nota semelhante.
  7. Verifique a data da publicação da informação. Se for velha ou nem tiver a data no texto, pode ser falsa ou de má-fe.
  8. Observe se a publicação contém teor sarcástico, irônico ou com informações exageradas, que são comuns em fake news.
  9. Verifique se o texto tem gírias, erros de português ou de formatação, o que geralmente ocorre em notícias falsas.
Por causa da relação de proximidade entre as pessoas que a internet oferece, o que importa para elas não é conhecer ou desconhecer a veracidade das informações, mas sim estar em concordância com essas pessoas. Por exemplo, é muito mais provável que alguém que fume compartilhe uma notícia sobre uma suposta descoberta científica dos benefícios do cigarro do que uma que não fume. Essa crença pode levar ao ato de compartilhar uma notícia falsa, sem a percepção do prejuízo que se pode causar.

Criando histórias que não existem 

Vocês já ouviram falar do “bebê diabo”? Quem é brasileiro e da década de 1970 deve se lembrar desta história. O extinto jornal Notícias Populares [*] publicou um artigo sobre um bebê que acabara de nascer e tinha uma aparência horrível – ele se assemelhava à imagem que se faz do diabo, com chifres e rabo. Isso aconteceu em 1975. Imagina hoje, com o avanço da tecnologia, como tal notícia acabaria se disseminando. Ainda que de cara a situação já pareça mentirosa, por vezes muitos terminam acreditando em matérias que mídia apresenta.

O jornal era conhecido por suas manchetes sensacionalistas e, por vezes, duvidosas. Esse foi apenas mais um exemplo. No entanto, o que marca o caso é a repercussão que a matéria alcançou. Muitas pessoas afirmavam que tinham visto o tal bebê. Se elas queriam aparecer ou se haviam visto vultos, não é possível saber.

O que sabemos é que uma notícia falsa conseguiu espaço, notoriedade e convenceu outros a acreditarem tanto nela que passaram a espalhá-la. Claro que existiam aqueles que mentiram para tirar vantagem da história. Mas, ainda assim, algo que não é verdadeiro conseguiu mexer com as pessoas.

A parcialidade da notícia sempre existiu em veículos de comunicação de massa, com o objetivo de movimentar a opinião pública. Com a propagação de fake news, nunca as atividades da imprensa tradicional (revista semanal, jornal, televisão e rádio) foram tão necessárias. Cabe a imprensa pautar temas de interesse público e ao mesmo tempo ter procedimentos de checagem para que não seja absorvida pelo volume de informações sem fundamento, seja por conta da falta de interesse de averiguação, ou seja por motivação pérfida.

Apesar do papel da imprensa, a população também deve ajudar, procurando boas fontes de notícias e conhecendo a linha editorial dos veículos. Ler revistas e jornais, acompanhar a programação de rádios e da televisão com regularidade ajuda a ter um ideia de como a publicação "pensa". Mas jamais se abasteça com notícias de apenas um veículo. Leia a mesma notícia em mais de uma fonte e chegue a suas próprias conclusões. Afinal, a opinião sobre aquilo que você analisa deve ser sua.

Controle tecnológico 

Redes sociais, como Facebook e Twitter, não têm capacidade para evitar a circulação de mentiras. Mas existem ferramentas que ajudam a combatê-las. Márcio Vasconcelos, codiretor do Instituto de Tecnologia e Equidade, informa que uma delas é aceitar denúncias sobre situações que violam os Termos de uso das Plataformas. A principal denúncia é sobre perfis falsos, o que é proibido e leva o usuário a ter seu perfil suspendido.

Outra estratégia são as parcerias que algumas redes sociais fizeram com agências de checagem de fatos. Elas indicam quando as mensagens são falsas ou apresentam links com verificações sobre elas. 

Conclusão

As mídias sociais têm características que simulam os comportamentos de interatividades próximas, isto é, recebemos informações de pessoas que conhecemos e nos quais, diversas vezes, temos bastante confiança, porém, sem que haja nenhum contato presencial.

O esforço em identificar as fake news cabe a cada um de nós. A responsabilidade por neutralizar um boato cabe a cada cidadão. É ele quem deve filtrar o que recebe e checar o que vê, ouve e lê antes de formar uma opinião quanto ao assunto e compartilhá-la. Em muitas vezes, a mentira chega a nós sem que a pessoa emissora tenha e intenção de cometer o dolo, apenas não conferiu a confirmação.

Todos precisam entender como a esfera online funciona e reconhecer que não há mais garantia de que uma informação recebida é necessariamente verdadeira. É preciso desconfiar de tudo o que recebemos.


* Notícias Populares [NP], foi um jornal que circulou em São Paulo entre 15 de outubro de 1963 e 20 de janeiro de 2001. Publicava matérias sobre crimes violentos de maneira exageradamente sensacionalista. Pertencia ao Grupo Folha, a mesma empresa que publica o jornal Folha de S.Paulo.

Extrato, conteúdo resumido: Folha Universal, ano 25, número 1358, 15 a 21 de abril de 2018. Páginas 2, 16-18. Título original: Você já foi enganado por notícias falsas? Janaina Medeiros.  Versão impressa. https://www.universal.org/folha-universal/

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