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terça-feira, 21 de setembro de 2021

O poder da fraqueza

Uma das histórias bíblicas que mais gosto é a de Davi e Golias. Ao que parece, todas as manhãs os israelitas se alinhavam ao redor da colina, preparados para guerrear contra os filisteus, Golias descia ao vale. E ficava ali, bem armado para a luta, com o escudeiro ao lado; gritando com o exército israelita, desafiando-o à ir pegá-lo! À essa altura, todo o exército israelita se virava e fugia para o acampamento (1 Samuel 17.1-24).

Parece que isso vinha ocorrendo havia já algum tempo, quando Davi apareceu no cenário. Depois de discutir um pouco com seus irmãos, Davi apanhou cinco pedras e desceu ao vale, a fim dedesafiar Golias. E aquela cena poderia ter sido engraçada para quem assistisse a ela do alto da colina. Davi com sua funda, caminhando ao encontro do gigante todo paramentado com armas de guerra. Entretanto, para surpresa geral, e principalmente para Golias, Davi saiu do combate como vencedor.

Por que é que Deus decidiu usar Davi, naquele embate contra Golias? O rapaz não tinha treinamento miliar, estava despreparado, não tinha experiência e era muito jovem. Do ponto de vista humano, não tinha nada a seu favor. Havia ali milhares de soldados israelitas que teriam sido melhores candidatos. Entretanto Deus escolheu Davi. Por quê?

E se...

Imaginemos que você, amigo leitor, fosse o observador a que me referi acima. Está sentado na encosta da colina, olhando tudo o que se passa lá embaixo. Vê Golias, descendo para o vale, na mesma rotina diária. Em seguida, percebe uma movimentação entre os soldados israelitas. Um de seus guerreiros empunha espada e escudo, e se encaminha para o vale em meio aos brados de aprovação geral. Embora esse soldado não seja tão grande quanto Golias, não é um anão, claro! E quando ele toma posição de combate, nota-se claramente que esse guerreiro já esteve em muitas batalhas.

Em seguida, os dois lutadores investem um contra o outro. Durante alguns minutos, parece que o valente guerreiro israelita encontrou um seu igual. Mas, antes mesmo que consigamos piscar os olhos, nosso herói aplica em Golias um golpe que o apanha desprevenido e o grandalhão vai ao solo. Em um ou dois segundos o soldado israelita apanha a espada do gigante e de um só golpe decepa-lhe a cabeça. A tropa israelita aplaude ruidosamente, enquanto os soldados inimigos fogem.

Acha isso empolgante? Mas não tem nada de surpresa. Já vimos outros casos de pessoas em desvantagem ganharem a luta. 

A escolha de Deus

A questão pode ser resumida assim: Quanto maior a dificuldade, melhor para Deus. Nosso Pai celeste obtém maior atenção, e assim, maior glória, quando opera por intermédio de pessoas consideradas fracas. O apóstolo Paulo descreve isso com essas palavras:

"Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes. E Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são, 29a fim de que ninguém se glorie na presença de Deus" (1 Coríntios 1..27-29).

Veja na segunda frase. Deus prefere usar as coisas fracas do mundo. Ele não é obrigado a agir assim. Ele o faz por uma decisão própria. Quando usa as coisas fracas, sua força e poder se tornam muito mais evidentes.

Uma das razões porque Deus permite o sofrimento em nossa vida é que confiemos na força dEle e não nossa. Dessa forma, Ele aperfeiçoa seu poder em nós (2 Coríntios 12.9). Quando confiamos no poder divino, a suficiência de Deus se torna manifesta para nós e para todos que  e para todos que conhecem nossa situação. A vitória de Davi foi motivo de regozijo e incentivo para toda a nação israelita. E o mesmo acontece sempre que Deus opera através de um de seus filhos a despeito de suas fraquezas individuais.

Prejuízos

As tribulações sempre nos prejudicam de alguma maneira. Exaurem nossas forças físicas, ou então nos esgotam emocionalmente, cansando-nos ao nível mental. Impedem que atuemos com cem por cento de nossa capacidade. A mente se divide. Até as tarefas mais simples tornam-se grandes provações. Trabalhos que nos tomavam apenas algumas horas, agora exigem o dia todo. Ficamos irritadiços. Por qualquer coisinha estamos brigando.

Assim é a natureza de todas as tribulações. Elas nos roubam os recursos de que precisamos para uma atuação perfeita. Nossos pontos fortes tornam-se nossas maiores fraquezas. A adversidade é sempre inesperada, nunca bem recebida. É intrusa e ladra. Entretanto, nas mãos de Deus, ela se torna o meio pelo qual seu poder sobrenatural se manifesta em nossa vida.

Poder perfeito

E o apóstolo compreendia esse princípio. Ele pediu a Deus três vezes a remoção do espinho na carne, e por fim obteve uma resposta. Não foi o que ele esperava. Deus lhe disse, apenas, que não removeria o espinho. Entretanto, iria conceder-lhe forças de que precisava a fim de desempenhar o trabalho para o qual fora chamado.

"Então ele me disse: 'A minha graça é o que basta para você, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.' De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Por isso, sinto prazer nas fraquezas, nos insultos, nas privações, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então é que sou forte" (2 Coríntios 12.9-10).

Como todos nós, Paulo também preferia que as circunstâncias lhe fossem favoráveis. Assim é que ele orava: "Senhor, livra-me desse espinho." Mas Deus quis que o apóstolo vivesse com uma dificuldade. Era de sua vontade que Paulo permanecesse naquela condição. Não, porém, por amor à fraqueza. O propósito de Deus era abater a confiança de Paulo em suas próprias forças, em sua própria sabedoria, em seu próprio intelecto. Ele queria que Paulo vivesse e ministrasse às pessoas a partir de sua fraqueza, não confiando em sua própria força. Essa é a ideia expressa na frase: "meu poder se aperfeiçoa na fraqueza."

O termo "se aperfeiçoa" nesse texto não tem sentido moral; não se trata da perfeição que é oposto da imperfeição, não. A ideia aí é de algo que se tornou "completo" ou "acabado". Deus estava dando a Paulo um princípio geral. De acordo com tal princípio, quanto mais fracos formos, maior será nossa necessidade de força. Quando, finalmente, o que era fraco se fortalece, nota-se com maior nitidez que a força foi renovada. 

Uma das melhores maneiras de Deus demonstrar seu poder é manifestá-lo através de um vaso fraco, com deficiência. É por essa razão que Deus permite o sofrimento em nossa experiência. O propósito dele não é tornar-nos fracos e incapazes de viver nossa própria vida, mas, sim, capacitar-nos pelo seu poder a fazer coisas que de outra forma não poderíamos realizar.

Uma prioridade dolorosa

Pela perspectiva divina, era mais importante que Paulo experimentasse o poder sobrenatural, do que vivesse livre de dores, de tribulações. Ele foi apedrejado e abandonado como morto, sofreu naufrágios, açoites, picada de cobra,  e ao final foi preso. No final, entretanto, a reação de Paulo foi a seguinte:

"Por isso, sinto prazer nas fraquezas, nos insultos, nas privações, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então é que sou forte" (2 Coríntios 12.10).

A  procura dos fracos

Talvez você possua características que julga serem fraquezas. Ou, talvez, seus pais não lhe propiciaram elementos que você considera necessários para o seu sucesso. Talvez uma tragédia recente, ou uma doença, o deixe duvidando de que tenha alguma utilidade, algum valor.

Se você se identifica com qualquer uma dessas situações, regozije-se! Você é exatamente o tipo de pessoa que Deus está procurando. Ele quer crentes através dos quais possa demonstrar seu imenso poder, que estejam conscientes de suas fraquezas, mas dispostos a permitir que o Senhor lhes controle e dirija a vida. Deus está à procura de homens e mulheres que estejam dispostos a assumir os desafios que lhes parecem tremendamente difíceis se os tiverem de enfrentar sozinhos, mas que confiam em que Deus vai assumir o fardo. Está à procura de filhos seus que já saibam por experiência própria o que Paulo queria dizer quando afirmou: "Minha graça' (de Deus) 'é suficiente para você." Ele quer crentes que reconheçam bem suas fraquezas, mas que diariamente busquem a suficiência e o poder de Cristo!

Agora pense numa coisa. Sua maior fraqueza é a maior oportunidade para Deus. Portanto, em vez de reclamar e implorar a Deus que mude suas circunstâncias, peça-lhe que encha de poder essa lacuna. Deus permitiu que a tribulação lhe sobreviesse a fim de enfraquecer sua confiança em suas próprias forças. 

O desejo dEle é que você aprenda a viver na dependência dEle para obter aquilo que lhe falta. Conforme for ficando cada vez mais disponível nas mãos do Senhor, mais o poder dEle se manifestará em sua vida, influindo nas pessoas com quem você convive. À semelhança do apóstolo Paulo, você será capaz de gloriar-se em suas próprias fraquezas, pois onde você for fraco, aí Deus poderá ser forte!

Extraído do livro Como Lidar com o Sofrimento, Charles Stanley, publicado pela Editora Betânia via revista Mensagem da Cruz, número 109, de abril -junho de 1996. 

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