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sexta-feira, 23 de julho de 2021

Senhorio: ativo ou passivo?

Por Fred Markert

Nosso Deus é uma Pessoa de muita ação e dinâmica. Na Bíblia toda, do Gênesis ao Apocalipse, vemos sempre um Deus que "nunca dorme, nem cochila" (Salmos 121.4 - NTLH). Toda vez que Deus surge em cena, alguma coisa começa a acontecer - e sempre é algo grandioso. São colunas de fogo, mar que se abre, rio que se torna em sangue, terremoto, dilúvio. De todos os livros que já foram escritos, a Bíblia deve ser o mais cheio de acontecimentos.
 
Isso se dá porque o Autor dela se acha totalmente envolvido com sua criação. Ele está em constante inter-relacionamento com seu povo, com o objetivo de realizar os propósitos e o dinâmico plano que tem, não apenas para Ele, mas também para todas as nações e culturas. Na Palavra de Deus percebe-se claramente que todos aqueles que submetem sua vida ao Senhor são como arrebatados por esse redemoinho de ação, emoção e movimento, que é parte do próprio ser divino.

Abraão é um homem respeitável, um criador de ovelhas bem estabelecido na vida. Mas um dia conhece a Deus, e recebe uma ordem dEle: "Saia da sua terra' ... 'e vá para a terra que lhe mostrarei" (Gênesis 12.1). Depois disso, ele passa a viver uma aventura atrás da outra. E Moisés também. Certo dia, ele encontrou uma sarça uma sarça que queimava e não era consumida pelo fogo, e a partir daí começa sua "viagem", uma série de acontecimentos tão extraordinários e estonteantes que foram precisos quatro livros para contá-los. Josué conduz o povo à vitória, suplantando adversidades incríveis, e nesse processo também testemunha milagres e mais milagres. Davi era um simples pastor de ovelhas, que amava muito a Deus e que de repente é colocado no palco, sob a luz dos refletores. Primeiro mata um terrível gigante, depois conduz o povo em vitoriosas batalhas contra o inimigo de sua gente, e por fim se torna o mais extraordinário rei que Israel teve. Daniel se ajoelha para orar, , e daí a pouco se vê numa jaula, enfrentando leões ferozes, famintos. Paulo está perseguindo a Igreja de Jesus e, subitamente, encontra-se com o próprio Jesus. Cai no chão, fica cego, recebe uma grandiosa missão de pregar o Evangelho, e parte dali para conquistar o mundo par Cristo - e escrever grande parte do Novo Testamento.

Desde o início dos tempos, a atividade divina sempre teve como foco sua amada criatura - o homem. A Bíblia é um relato bem documentado de como Deus está sempre atuando em busca do homem. Principiando em Gênesis, logo depois do "salto" (nós não "caímos" em pecado; saltamos nele), e no decorrer dos séculos, Deus nunca desistiu de nós. E o testemunho da História, infelizmente, é que, embora Ele esteja sempre de forma ativa em busca do homem, nem sempre este tem estado a buscá-lo da mesma forma.

AVENTURAS COM MUITA AÇÃO

O Novo Testamento contém inúmeros mandamentos divinos que, à semelhança da natureza de Deus, dão a ideia de ação. Jesus disse: "ide por todo mundo"; "curai enfermos"; "pregai o evangelho"; "dai-lhe vós mesmos de comer"; "tome a sua cruz"; e por aí vai; a lista é longa. Mas mandamento passivo, só encontrei um.

Pouco antes de Jesus subir ao Céu, ordenou a seus discípulos que "esperassem a promessa do Pai". Que fora que o Pai prometera? O poder do Espírito Santo. E qual seria o efeito desse poder? "...vocês receberão poder, ao descer sobre vocês o Espírito Santo, e serão minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra" (Atos 1.8). O único mandamento passivo que Jesus deu foi "esperai". Mas Ele só o deu para para que os discípulos pudessem se preparar e mais tarde ser lançados no ativo processo de transformação do mundo. E sabendo que a natureza de Deus é tão direcionada para ação, não é de estranhar que o livro que registra esse evento e seus maravilhosos efeitos se chama Atos dos Apóstolos.

SUBMISSÃO SÓ APARENTEMENTE

Embora Deus se revele a nós como um Pai atuante, poucos de nós refletem esse aspecto da natureza divina. É verdade que sabemos dizer coisas bonitas, mas o que realmente dá a medida do conceito que temos de uma postura dinâmica para com o senhorio de Cristo - bem como de nossa dedicação a Ele - é o modo como vivemos no dia-a-dia. Nunca me esqueci de um incidente que causou um profundo impacto em minha vida.

Acabara de pregar uma mensagem sobre missões em uma grande igreja de Chicago. Após o culto, setenta e cinco pessoas se sentiram tocadas por Deus e foram à frente para obter melhor orientação. Mas houve um senhor que ficou esperando até que todos saíssem, para depois falar comigo. Disse-me que era médico, e logo sugeri que usasse seus conhecimentos em uma obra missionária, durante uma ou duas semanas, ao que ele respondeu desinteressadamente: "Gostaria muito, mas meu escritório está sempre tão cheio que não tenho tempo para nada".  E em seguida, como que pedindo desculpas, acrescentou: "Eu faria qualquer coisas para Deus, se Ele me pedisse."

Essa observação dele me deixou incomodado, mas no momento não entendi a razão. Mais tarde, quando voltei a pensar sobre aquilo, ocorreu-me a resposta: a atitude dele para com o senhorio de Cristo era totalmente passiva.

O QUE É UMA ATITUDE PASSIVA?

A melhor definição de atitude passiva para com o senhorio de Cristo é a declaração que tenho ouvido de centenas de crentes que dizem com toda sinceridade:

"Minha vida, meu tempo, meu dinheiro, minha casa, meu carro, tudo que tenho é do Senhor. Qualquer hora que ele quiser qualquer uma dessas coisas, é só pedir."

Esta frase parece maravilhosa, mas fica muito aquém da realidade de que Cristo tem todos os direitos sobre tudo que somos e possuímos. Nela está claramente implícito que a pessoa ainda não entendeu a revelação de Deus. Temos de empregar todo o nosso tempo, talentos e riquezas no sentido de realizar os planos dEle  para o seu reino. Está implícito também o falso conceito de que alguns de nós se consideram "liberados" por Deus, e podem viver do jeito que quiserem até ser interpelados por Ele. Isso deixa com o Senhor toda a responsabilidade de intervir e nos redirecionar, "caso" queira alguma coisa.

Na atitude passiva, nós entendemos que o nosso tempo, talentos e bens são "nossos" - e que nós temos o controle deles - até que Deus peça alguma coisa especificamente. Mas na atitude ativa, dizemos: "Senhor, meu tempo, meus talentos e bens já são totalmente teus.. Como deseja que eu os use para a tua glória?"

O que ocorre é que como todos os crentes sinceros acreditam no senhorio absoluto de Cristo, o inimigo teve que inventar um estratagema sutil para tornar parciais os direitos absolutos do Senhor sobre nós. Então, nós, automaticamente, assumimos com alegria a atitude de acatar "mentalmente" o senhorio de Cristo, pensando que isso é suficiente. Mas o fato é que estamos nos enganando a nós mesmos, quando fazemos de tudo a fim de evitar a responsabilidade de realizar a vontade de Deus em todos os aspectos de nossa vida. Estamos vivendo uma fantasia tão parecida com a realidade, que nem percebemos o quanto é ilusória.

UM FALSO SENTIMENTO DE SEGURANÇA

Essa atitude passiva pode iludir-nos dando-nos um falso senso de segurança. Achamos que Deus simplesmente encantado conosco, já que estamos dispostos a fazer qualquer coisa por Ele.. Mas Jesus disse: "Se alguém quer vir após mim, negue a si mesmo" (Lucas 9.23a), isto é, abandone tudo. Ele não disse que essa pessoa tinha que estar disposta a abandonar tudo. Disse que teríamos que abandonar tudo. "Assim, pois, qualquer um de vocês que não renuncia a tudo o que tem não pode ser meu discípulo" (Lucas 14.33). Renunciar a tudo a favor de quê? Renunciar para colocar tudo debaixo do controle diário e atuante do Rei dos reis e Senhor dos senhores, já que tudo que possuímos nos foi confiado por Deus em sagrada mordomia.

A passividade par com o senhorio joga tudo no futuro; estamos sempre tencionando servir a Cristo ou dar-lhe tudo no futuro, algum dia, mas não no momento presente. Já a atitude ativa para com Ele coloca tudo no presente: "Senhor, revela-me como devo usar hoje tudo que me confiaste, para atingir teus objetivos".

A atitude ativa nos comunica um forte senso de direção, enquanto a passiva é muito vaga. "Algum dia, talvez, eu faça alguma coisa para Deus." Deus não se impressiona com pessoas que têm ótimas intenções de dedicar-lhe parte de suas horas de folga, ou alguns anos de sua vida quando já estiverem aposentados, depois que os filhos estiverem criados, cada um em sua casa. Deus tem maior prazer naqueles que , à semelhança de Jesus, digam: "Não sabiam que eu tinha de estar na casa de meu Pai?" (Lucas 2.49). São pessoas que darão o primeiro lugar em tudo, no presente.

O MANDAMENTO JÁ FOI DADO

Se adotarmos uma atitude passiva poderemos parecer com os dois religiosos da parábola do Bom Samaritano, que diariamente contemplavam os problemas do mundo que os cercava, mas passavam de largo, sem fazer nada. Será que estamos esperando que Deus nos fale do Céu, ordenando que acudamos os perdidos, feridos e os que sofrem? Ele já deu o mandamento: "Vão por todo o mundo e preguem o evangelho a toda criatura..." (Marcos 16.15). Essa deve ser a mentalidade do crente; deve fazer parte da vida diária dele. Mas nós reduzimos bastante a aplicação do mandamento, achando que diz respeito a missões estrangeiras e a apenas algumas pessoas extraordinárias, os missionários. O sacerdote e o levita não reconheceram que o seu bairro era parte do "mundo" e que já tinham sido chamados para prestar serviço cristão, em amor, ali mesmo onde estavam.

Quando um médico nos dá uma receita não ficamos a esperar o dia todo perto do telefone aguardando que ele telefone quatro vezes e nos diga: "Olhe, tome o comprimido agora." As instruções já vêm na receita ou na bula. Mas o crente que assume uma atitude passiva age assim, pois fica esperando que Deus repita seus mandamentos, que já estão claros, para depois obedecerem.

Certa vez um jovem aproximou-se de William Booth, o sempre fervoroso fundador do Exército de Salvação, e disse-lhe: "Gostaria muito de trabalhar na Obra de Cristo em tempo integral, mas não recebi chamada de Deus." Booth olhou-o pasmado e replicou: "O quê? Está querendo dizer que não recebeu uma chamada? O que você quer dizer é que não ouviu o Chamado!"

AQUILO QUE NÃO UTILIZAMOS, PERDEMOS

No capítulo 25 de Mateus há uma ilustração muito clara do que é atitude ativa e passiva. Certo homem ia sair de viagem e confiou sua riqueza a três dos seus servos. Cada um recebeu uma quantia, de acordo com sua habilidade pessoal de geri-la, e com amplas liberdades para usá-la, como achasse melhor. Quando voltou, ficou sabendo que dois daqueles homens tinham sido fiéis, isto é, tinham procurado ativamente dar a melhor aplicação possível ao dinheiro que ele lhes havia confiado.

Acho até que posso ouvir aqueles servos dizendo: "Nós sabemos quais sãos os objetivos de nosso senhor. Então, qual será a melhor forma de empregar estes valores de modo a atingir os objetivos dele?

Mas o terceiro escolheu o caminho da passividade. Por quê? "Chegando, por fim, o que tinha recebido um talento, disse: 'Sabendo que o senhor é um homem severo, que colhe onde não plantou e ajunta onde não espalhou, fiquei com medo e escondi o seu talento na terra; aqui está o que é seu." (Mateus 25.24-25). Estou convencido de que o medo é uma das principais razões por que a maioria dos crentes não está se sujeitando ativamente ao senhoria de Cristo.

Recentemente foi solicitado a um grupo de jovens crentes que respondessem com sinceridade duas perguntas: "Você receia que, se entregar sua vida totalmente a Cristo, Ele o mandará para um lugar aonde não deseja ir? Você receia que, se dedicar sua vida totalmente a Cristo, Ele ordenará que se case com alguém que não deseja contrair matrimônio?" E 95% daqueles jovens responderam que sim, que sinceramente tinham medo de que Deus enviasse a um lugar aonde não desejavam ir, e todos os cem disseram que achavam que Deus ordenaria que se casassem com alguém que não desejam desposar.

Igual ao servo receoso da parábola, muitos crentes possuem uma imagem distorcida de nosso grande Deus. Veem-no como um feitor cruel e impiedoso, que irá torná-los profundamente infelizes, e tirar de sua vida tudo o que eles gostam, se se entregarem inteiramente a Ele. Mas Jesus ensinou justamente o contrário. O servo que foi lançado nas trevas e que perdeu tudo o que tinha foi justamente aquele que não havia feito a aplicação mais sábia de tudo que lhe fora confiado. Os outros dois foram reconhecidos como servos fiéis, e receberam bênçãos ainda maiores das mãos do seu senhor. Como eles, nós também somos apenas mordomos daquilo que o Senhor nos confiou, e um dia teremos que prestar-lhe contas da maneira como aplicamos tudo isso.

AS CONSEQUÊNCIAS DE UMA ATITUDE PASSIVA

Se tivermos uma atitude passiva para com o senhorio de Cristo iremos enfrentar alguns incômodos.

1. Não teremos orientações claras de Deus.

"... sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai' ... e que ele tinha vindo de Deus e voltava para Deus..." (João 13.1,3). Vemos neste texto que Jesus tinha conhecimento de três fatos essenciais, acerca de sua vida e seu destino. Sabia de onde viera, para onde ia, e que no momento achava-se realizando a perfeita vontade de Deus. Por causa disso, realizou a parte que lhe cabia no plano do Pai com toda a determinação, força, objetivo e perseverança. E o fator decisivo que o ajudou a atravessar os momentos difíceis e o impulsionou para a vitória foi o fato de manter os olhos fixos no alvo revelado por Deus.. "... o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz... (Hebreus 12.2).

Assim como Deus teve um plano para Jesus, Ele também tem, para cada um de nós, um desígnio singular dentro do seu propósito geral de conquistar para si toda a raça humana. Mas, se não nos empenharmos na aplicação dinâmica do senhorio de Cristo para a nossa vida, nunca iremos cumprir seu desígnio para nós. 

Precisamos saber que viemos de Deus. Foi Deus quem formou nossa personalidade, nosso intelecto, quem nos deu os talentos que possuímos, e tudo o mais que nos diz respeito, de modo a que estivéssemos capacitados para cumprir sua vontade em nossa vida (Salmos 139.13). 

Precisamos saber para onde estamos indo. É muito fácil buscarmos o ideal humano: estudar, fazer curso superior, casar, ter filhos, comprar uma casa e um carro etc, sem antes pararmos para procurar saber qual é a orientação específica de Deus para nós. Deus tem um alvo específico para cada um de nós. Se não estivermos atentos, a sociedade poderá desviar-nos da meta de vida que tivermos em vista, sem que nem nos apercebamos disso. Nossa cultura, o sistema educacional, nossos pais, a pressão social e os meios de comunicação exercem uma influência muito forte em nossa visão de vida.

É possível passarmos toda a vida sem ter a consciência de que recebemos uma mensagem clara de Deus para fazer o que estamos fazendo. Paulo iniciou nove das suas onze cartas com a seguinte afirmação: "Paulo, chamado pela vontade de Deus para ser apóstolo de Cristo Jesus..." (1 Coríntios 1.1). Quem não sente que pode fazer a mesma afirmação confiante com relação ``a atividade em que está envolvido, está seguindo pelo caminho da passividade. O ideal é que nós possamos afirmar: "Maria, uma dona de casa classe média, criando os filhos para Cristo, pela vontade de Deus"; ou "Jorge, um carpinteiro missionário na África, pela vontade de Deus"; João, funcionário da junta de missões, pela vontade de Deus".

Só então poderemos ser enviados ao mundo com uma direção certa, um objetivo definido e com toda a impulsão. Do contrário, ficaremos a oscilar de uma atividade para outra, sempre inseguros de nossos planos, e do alvo a que nos dirigimos.

Precisamos saber se no momento nos encontramos realizando a vontade de Deus. Não basta saber qual é a vontade de Deus para a nossa vida. É possível uma pessoa ter absoluta certeza de sua chamada para uma determinada atividade, e ainda assim deixá-la de realizá-la devido aos distrações e armadilhas que o inimigo prepara. Se Jesus, que era o Filho de Deus, precisou orar a noite toda antes de escolher seus discípulos, quanto mais nós precisamos ter o máximo cuidado ao decidir cada detalhe de nossa existência. 

Não podemos permitir que nossa maneira de viver, nossos hábitos nos empurrem pela estrada da vida, alheios a tudo. Temos que fazer tudo que for necessário para nos certificarmos de que estamos no centro da vontade de Deus, e, naturalmente, pedir a Ele que vá fazendo as correções ao nosso curso, para que possamos no fim chegar à nossa meta. 

2. As circunstâncias de nossa vida poderão controlar e reduzir nossa utilidade no reino de Deus.

"Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é agradar aquele que o recrutou." (2 Timóteo 2.4). O que Paulo ensina neste texto não é que não devemos nos envolver nos negócios dessa vida, mas, sim, que devemos tomar cuidado para que eles não nos embaracem, nos dominem e nos controlem. A pergunta que temos de responder aqui é: "Estou deixando que as circunstâncias de minha vida me governem e limitem minha ação, ou sou eu quem as está governando segundo a vontade de Deus para mim?"

Um dos perigos de uma atitude de passividade diante do senhorios de Cristo é que os cuidados deste mundo - nossa profissão, os compromissos com a escola, as dívidas - limitem e inibam nossa utilidade no reino de Deus a ponto de desagradarmos a Deus. Será que compramos uma casa ou um carro, e só depois percebemos que não poderemos contribuir para a causa do Senhor como devíamos? Ou procuramos primeiro descobrir qual é a vontade dEle para nossas finanças e depois compramos esses bens dentro do plano financeiro que Ele estabeleceu para nós? Quando não encaramos o senhorio de Cristo com uma atitude ativa podemos comprometer nossa liberdade para obedecer ao chamado do Senhor. Podemos acabar como as pessoas em Lucas 14.16-21 que foram convidadas para o banquete, mas disseram: "Comprei um campo e preciso ir vê-lo; peço que me desculpe'; 'Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las; peço que me desculpe'; 'Casei-me e, por isso, não posso ir'".

3. Seremos atormentados por sentimentos de culpa e pela sensação de frustração.

Se não tivermos a profunda convicção de que o que estamos fazendo é a vontade de Deus e de que essa atividade está difundindo o reino de Deus, nossa alegria será maculada por um sentimento de culpa. Tenho amigos crentes, que são fiéis, são dedicados ao Senhor, mas que, sempre que os visito, deixam transparecer um certo sentimento de culpa. Invariavelmente, a certa altura da conversa, abaixam a cabeça e dizem: "É, eu sei que deveria estar testemunhando mais. Sei que devia ter ido para o campo missionário. Pode ser que algum dia..."

Com uma atitude passiva perante o senhorio de Cristo teremos sempre uma torturante sensação de que não estamos vivendo bem dentro do plano de Deus para nós - principalmente quando temos contato com pessoas que se sentem confiantes do que fazem, e da direção que estão dando à sua vida.

Paulo não tinha nenhum sentimento de culpa quando possuía bens em abundância, nem perdia a alegria quando era insultado, porque tinha uma atitude ativa e sabia que todas as circunstâncias de sua vida estavam nas mãos de Deus (Filipenses 4.11,12).

A única coisa que pode nos proporcionar paz e senso de realização é conhecer a vontade de Deus para a nossa vida e realizá-la. Se não estivermos convictos de qual é a vontade de Deus dEle, não poderemos saber se estamos lhe agradando ou não. É assim que nos tornamos alvos fáceis para o inimigo, que gosta de explorar nossas inseguranças, levando-nos a sucumbir a crises como a da meia-idade, a crise de identidade, ou quaisquer outras moléstias físicas, emocionais, mentais ou espirituais que nos tolhem, impedindo que sejamos felizes e mais frutíferos na obra do Senhor.

Na parábola do semeador, em Mateus 13, Jesus nos ensina que a "boa terra" - os que realmente são salvos - produzem fruto em diversos níveis: a cem, sessenta e trinta por um. Cada um de nós tem, no presente, o ministério pelo qual esteja disposto a pagar com disciplina espiritual. Já encontrei muitos crentes ansiosos, frustrados e com forte senso competitivo, que não estão dispostos a se disciplinar e procurar saber qual é a vontade de Deus para eles. E se soubessem não teriam a firmeza necessária para pô-la em prática. Muitos crentes frustrados vivendo em uma vida de trinta por um,, e querendo uma frutificação de cem por um. "...aquilo que a pessoa semear, isso também colherá..." (Gálatas 6.7).

A Bíblia diz que certos sinais acompanharão aqueles que creem. Se alguém está frustrado por não estar vendo o poder de Deus acompanhar sua vida e ministério, provavelmente é porque está indo a parte alguma. Não se pode acompanhar um carro parado.

A CONSEQUÊNCIA MAIS SÉRIA

Nossa tendência é nos sentir felizes e tranquilos com a vida que levamos, e nos esquecermos de que nos encontramos numa guerra total cujo objetivo é conquistar as nações e salvar a alma eterna dos homens em toda a parte. Esquecemo-nos de que cada um de nós é chamado a participar da grande comissão, atuando como embaixadores da reconciliação, conduzindo os perdidos a um Pai terno e amoroso (2  Coríntios 5.18,20).

Imaginemos uma batalha em que um general estivesse dando ordens e ninguém estivesse obedecendo. Como seria essa guerra? O que aconteceria se cada soldado estivesse fazendo o que bem entendesse, cada um indiferentemente buscando seus próprios objetivos, em vez de procurar compreender bem os objetivos de seu comandante? Eles nunca venceriam a guerra. As forças militares estariam espalhadas, cada um seguindo numa direção, e o inimigo conquistaria a terra. E não é isso exatamente, uma figura do que passamos em grande parte do mundo hoje? As forças das trevas estão dominando bilhões de pessoas e boa parte do exército de Deus está vagando sem rumo pelas cercanias do campo de batalha.

PARA GANHAR A GUERRA

O maior obstáculo que a Igreja de Cristo enfrenta hoje é o acovardamento e a inatividade daqueles que têm uma vida passiva em relação ao senhorio de Cristo. É muito necessário que oremos, mas a ordem que o Senhor nos deixou: "Negociem até que eu volte" (Lucas 19.13) determina que entremos em ação. Só existe um chamado de Deus em Cristo Jesus, é o chamado para o alto. Não existe chamado para baixo, nem para ficar parado. Se alguém está parado saiba que a tropa já saiu em marcha e você ficou para trás.

Não podemos nos dar ao luxo de viver sem saber qual é o nosso papel da realização da grande comissão. Precisamos cumprir o nosso dever individual, como soldados da cruz, abandonando nossos desejos egoísticos, para que possamos realizar os desígnios de Deus para nossa vida desimpedidamente, pro amor ao reino de Deus. Um dia nós estaremos diante de Deus para prestar-lhe contas de como empregamos nosso tempo, talento e bens materiais. Emprenhemo-nos em buscar uma atuação dinâmica do senhorio de Cristo em cada aspecto de nossa vida, para que sejamos considerados um "servo bom e fiel", naquele terrível dia (Mateus 25.23,41).

UMA ÚLTIMA PERGUNTA

A Bíblia diz que aqueles que conhecem o seu Deus se tornarão fortes e ativos. Os apóstolos não teriam ganhado o mundo se não tivessem sido heróis e mártires. Nós temos o privilégio de participar do mais antigo, dinâmico e vitorioso exército que já marchou contra as forças das trevas na história do universo. Mas o exército que Deus está preparando não visa uma batalha no futuro; ele já está lutando contra as trevas no presente momento. E a questão é: "Você está participando dela? Acha-se engajado em serviço ativo, ou se encontra na reserva, esperando ser convocado?" 


Salvo nota, os textos bíblicos são da Nova Almeida Atualizada (SBB).
Fonte: Mensagem da Cruz, ano 81, outubro 1988 a março de 1989, páginas 18 a 29, Venda Nova - MG (Editora Betânia).

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