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domingo, 4 de maio de 2014

O Livro de Êxodo

Êxodo quer dizer "saída", é a continuação do relato de Gênesis. Mostra o desenvolvimento de um pequeno grupo de setenta pessoas numa grande nação com milhões de pessoas. Trata do acontecimento mais importante da história do povo de Israel, isto é, a saída do povo israelita do Egito, onde eram escravos. Moisés é o profeta hebreu a quem Deus escolheu para liderar o povo israelita em sua saída do Egito.

Moisés, cujo nome significa "tirado das águas" é a figura humana central do Livro de Êxodo. A autoria de Êxodo é tradicionalmente atribuída a ele, embasada em quatro passagens: 17.14; 24.4, 7; 34.27.

Através de eventos variados e de encontros face a face com Deus, Moisés recebeu a revelação de todas as coisas que o Senhor desejava que ele soubesse. Assim, através do processo de inspiração do Espírito Santo, comunicou ao povo hebreu por via oral e escrita, a revelação que recebeu.

É provável que o Livro de Êxodo tenha sido escrito durante os quarenta anos de caminhada do povo israelita pelo deserto. Descreve o que Deus fez, como libertou o seu povo. e como, daquela gente, fez uma nação cheia de esperança no futuro.

Moisés, ainda bebê, encontrado no rio Nilo dentro de cesto
pela filha de Faraó.
No capítulo 3, vemos como o Senhor o chamou e revelou seu nome Sagrado, EU SOU O QUE SOU, No capítulo 20 temos a lista dos Dez Mandamentos, que é uma das passagens mais conhecidas da Bíblia Sagrada. Em 34.6-7, encontramos a descrição dos atributos de Deus, como compassivo, clemente, longânimo, bom, fiel e perdoador, que pode ser considerada uma lista paralela da descrição do fruto do Espírito, em Gálatas 5.22-23.

O livro tem quatro partes principais:

1. A libertação dos israelitas;
2. A viagem até o monte Sinai;
3. A aliança de Deus feita com o seu povo no monte Sinai, onde Deus lhes deu as leis morais, civis, e religiosas;
4. A construção de um lugar de adoração para o povo de Israel e a apresentação das leis a respeito do sacerdócio e da adoração a Deus.

Veja mais:

O livro de Êxodo e o cativeiro de Israel no Egito
E.A.G.

Compilações:
Bíblia de Estudo de Avivamento e Renovação Espiritual, Enéas Tognini, página 51, 2009, Barueri, Sociedade Bíblica do Brasil.
Bíblia de Estudo Plenitude, página 64, edição 2001, Barueri, Sociedade Bíblica do Brasil.

sábado, 3 de maio de 2014

Dons de elocução

Por Eliseu Antonio Gomes

Que relação há entre os dons espirituais de elocução e os talentos naturais da comunicação? Alguns dirão que nenhuma, outros que não existe diferença digna de nota. Devemos ignorar os extremos, porque Pedro e Paulo demonstraram considerar que o verbo "servir" (diakoneõ) como "dom espiritual", aludindo tanto aos serviços gerais como ao pastorado, que faz da fala a ferramenta principal de exercício do trabalho ministerial (Romanos 12.7; 1 Pedro 4.11).

Há uma diferença clara entre os talentos naturais e dons espirituais: o Criador nos fez perfeitos, providenciou talentos de expressão para homens e mulheres que com muita facilidade demonstram notáveis habilidades para o discurso e para a música. E, reservado às almas redimidas, que compõem a Igreja, por intermédio do Espírito Santo, Deus distribui dons sobrenaturais de capacitação. Assim, com bastante cautela precisamos observar o uso de talentos naturais e dons espirituais atuantes na Obra do Senhor, porque o Criador de toda a criação também é o Criador da nossa vida em Cristo Jesus, e em sua soberania instrumentaliza seus servos como lhe convém (Jeremias 1.5; Gálatas 1.15).   

É importante conhecer o propósito dos dons do Espírito, Saber qual é o propósito da existência deles, para evitar ser enganado e não envolver-se em confusão sobre eles na Igreja.

Os três dons de elocução, são: profecia, variedade de línguas e interpretação.

Profecia

À vista da importância da profecia, se aplica este versículo: "o testemunho de Jesus é o espirito da profecia" - Apocalipse 19.10.

Temos razão de sobra para crer na profecia vinda de Deus pelo Espírito Santo, pois experimentamos e vemos os resultados positivos dela, que em consonância com o dom da palavra da sabedoria, palavra do conhecimento, nos traz revelações que conduz à vida eterna.

É necessário conhecer profundamente tudo o que se relaciona com a profecia. A manifestação da verdadeira profecia nos exorta, consola e edifica. "Mas o que profetiza, fala aos homens, edificando, exortando e consolando" - 1 Corintios 14.3).

A profecia é comum e proveitosa nas reuniões evangélicas pentecostais, mas cabe o cuidado que Paulo recomenda: fale dois ou três e os outros julguem (1 Corintios 14.29), pois em paralelo com a verdadeira é possível manifestar-se a falsa, que pode inserir no seio da comunidade cristã a religiosidade sem Deus com ensinamentos carnais. A vigilância e a boa orientação são tão necessárias quanto o incentivo a buscar o dom de profecia.

Há três procedências das profecias: do ser humano, de Satanás e.do Espírito,

a - A profecia de origem carnal pode acontecer quando o ser humano tem interesses de liderança, quer ver um desejo realizado, é uma pessoa imatura no aspecto espiritual. Temos o exemplo do profeta Natã. Davi manifestou a ele o desejo de construir uma casa para a arca da aliança, que também era o seu desejo. Então, Natã pronunciou uma mensagem em conformidade com seu coração, porém, o Senhor interveio e disse-lhe: "Vai e dize ao meu servo Davi: Assim diz o Senhor: Tu não edificarás casa para a minha habitação" (1 Crônicas  17.1-4; Jeremias 23. 21, 25, 28; Ezequiel 13.1-8).

b - O espírito imundo jamais se apodera do crente convertido a Cristo. Os porta-vozes do espírito imundo nunca são verdadeiros servos de Deus. A mensagem satânica se caracteriza por se contrária a Palavra de Deus, provocando tragédias. Ver: Isaías 8.19; Atos 16.16-18).

c - Pode-se definir a profecia verdadeira como "falar no próprio idioma, sob a inteira unção do Espírito Santo".

O ministério profético no período da Antiga Aliança e o dom da profecia da Nova Aliança são resultados da operação do Espírito Santo.

A pregação inspirada pode conter elemento profético, contudo, a profecia é diferente porque tem a sabedoria e a fé, é a voz do Espírito e se caracteriza por produzir bons resultados (Deuteronômio 18.22; 1 Coríntios 14. 24, 25).

O sinal mais claro de que uma profecia é verdadeira é que sua mensagem sempre é em consonância com as Escrituras Sagradas, porque o Espírito Santo, que a inspirou, reconhece sua superioridade e jamais se contradiz com o conteúdo bíblico (2 Timóteo 3.16-17). A finalidade da profecia é enfatizar o que está escrito e não trazer revelações extra bíblicas, como por exemplo anunciar a data da volta de Jesus ou revelar os anos de sua infância e adolescência.

Variedade de línguas

Quando os crentes do primeiro século eram cheios do Espírito Santo, falavam em línguas (Atos 2.1-4). Observamos que a experiência era acompanhada de transformações espirituais, o amor por Cristo e pela Palavra de Deus se tornava real na vida deles, se tornavam extremamente zelosos pelo crescimento do reino de Deus.

As línguas estranhas não são dogmas eclesiásticos. Não são ensinadas de pessoas para pessoas, porque são resultado direto do Espírito Santo na vida do crente quando este é revestido com o poder divino.

Assim como na geração apostólica, os crentes batizados com o Espírito Santo no  século 21 recebem o mesmo impulso para aproximar-se do Senhor e realizar a vontade divina com mais ousadia e eficácia.  Tal atitude coloca  em cheque aqueles que afirmam que os crentes que falam em outras línguas agem sob efeito satânico. Como Satanás induziria os seres humanos a servir a Deus de uma maneira melhor?

Há quem afirme que todas as pessoas que são batizadas com o Espírito Santo falam em outras línguas, mas não há base bíblica para tal afirmação. Em 1 Coríntios 1.5, Paulo escreve que deseja que todos os crentes falem em línguas estranhas, o que subentende-se que não eram todos os agraciados com o batismo que falavam. A certeza é que os crentes não batizados com o Espírito não podem falar em línguas estranhas.

As línguas são evidência do batismo, todos os crentes batizados têm o direito de falar em línguas estranhas (Atos 2.1-4; 10.44-47; 19.1-6). Quem fala em línguas, edifica-se a si mesmo e fala com Deus, e deve buscar o dom de interpretação para que a Igreja seja edificada com a mensagem (1 Corintios 14.2, 4, 12-26).

Interpretação de línguas

Entre todos os dons, apenas as capacidades de falar em línguas estranhas e interpretá--las estão restritos aos servos de Deus da Nova Aliança, pois surgiram após o evento do Pentecoste no Cenáculo, quando os discípulos receberam o batismo com o Espírito Santo.

Nem todos os cristãos batizados possuem a capacidade de falar diversas línguas e ao ser falada durante a reunião de culto é necessário que seja interpretada, para que os presentes possam receber a mensagem e sejam edificados (1 Coríntios 12.30; 14.13-26, 28).

O dons de línguas e de interpretação, isto é, a entrega da mensagem da profecia aos crentes na Igreja, podem ser controlados por seus portadores. O espírito do profeta é sujeito ao profeta (1 Corintios 14.28).

Há quem atribua ao dom de falar em línguas um caráter meramente humano, como o brasileiro usar sua intelectualidade e aprender a comunicar-se em alemão, japonês, inglês, etc. No entanto, o falar em línguas, conforme nos mostra as narrativas do livro Atos dos Apóstolos, tem em seu propósito e operação caracterizar a primeira experiência do batismo com o Espírito Santo. Os discípulos não fizeram cursos de idiomas, a capacidade para falar veio a eles sobrenaturalmente. Paulo, em 1 Corintios 14.14, 19, esclarece que o ato de falar através do dom de línguas é uma comunicação do espírito humano com o Espírito Santo, uma ação em que o entendimento do homem fica à parte.

De igual maneira, a capacidade de interpretação do dom de línguas ocorre de forma sobrenatural, a mente humana também não atua. É uma experiência que ocorre entre o espírito do homem e de Deus.

E.A.G.

Consultas:
Batismo e Plenitude do Espírito Santo - O mover sobrenatural de Deus, John Scott, páginas 95 e 96, reimpressão 2013, São Paulo, Vida Nova.
Nos Domínios do Espírito Santo, Estevam Ângelo de Souza, páginas 197-234, 1992, Rio de Janeiro, CPAD.