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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

A Velhice de Davi


Por Eliseu Antonio Gomes

INTRODUÇÃO

Certa vez, alguém escreveu o seguinte: No período da infância, quem observa alguém entre 20 e 30 anos pensa que tal pessoa é velha; quem tem entre 20 e 30 tende a cogitar que o indivíduo na faixa de 60 está vivendo em velhice; e o sexagenário pondera que ser velho é ter passado de 70 anos de idade. O que dizer sobre isso? Cada um de nós deve olhar para si mesmo entendendo e aceitando que o envelhecimento é um desenvolvimento gradativo natural que provoca alterações no organismo, mudanças vistas como normais da vida.

A lei número 10.741, de outubro de 2003, dispõe sobre o Estatuto do Idoso. Em seu artigo número 1, declara que pessoas  com idade de 60 anos ou mais são consideradas legalmente idosas.

I - UMA VISÃO GERAL SOBRE A VELHICE

1. Concepções antigas e modernas.

Os seres humanos têm demonstrado atitudes muito diferentes diante da velhice. Na antiguidade clássica, a velhice era vista como sinônimo de sabedoria, os postos de governo e ensino eram reservados primeiramente aos anciãos. Em época mais remota, povos bárbaros que praticaram o canibalismo contra as pessoas velhas, fracas, improdutivas.

Ainda existe em países orientais a preservação da dignidade do idoso; e, infelizmente, salvo as valiosas exceções, em muitas nações ocidentais, de forma não literal, a antropofagia volta a se repetir, pois a pessoa envelhecida é esquecida, abandonada, maltratada por familiares e pelos governos.

2. Concepção bíblica.

Deus criou a vida humana como um processo evolutivo, a ser iniciado na infância e terminar na velhice. O começo e o final são caracterizados pela fragilidade de uma vida que está começando ou terminando. Mas, enquanto a sociedade considera a velhice como a etapa de impotência e mal-estar, quando os sentidos vão morrendo aos poucos, quando se apaga a capacidade de desfrutar os prazeres da vida, quando a pessoa começa a ser um estorvo para os familiares e quando sua única esperança é o túmulo, as Escrituras Sagradas mostram a longevidade humana de modo bastante positivo. Ao Senhor, quanto mais a entrada dos anos, mais plenitude de vida tem a pessoa.

A morte de Abraão é assim descrita: "Os dias da vida de Abraão foram cento e setenta e cinco anos. Abraão expirou e morreu após uma longa velhice, e foi reunido ao seu povo. Os filhos dele, Isaque e Ismael, o sepultaram na caverna de Macpela, no campo de Efrom, filho de Zoar, o heteu, em frente de Manre, o campo que Abraão havia comprado dos filhos de Hete. Ali foram sepultados Abraão e Sara, sua mulher. (Gênesis 25.7-10). Moisés também viveu cento e vinte anos, "seus olhos não se haviam enfraquecido, e ele não havia perdido o vigor" (Deuteronômio 34.7). 

A bênção do Senhor se expressa nesta porção bíblica: "Em toda aquela terra não havia mulheres tão bonitas como as filhas de Jó; e seu pai lhes deu herança entre seus irmãos. Depois disto, Jó viveu mais cento e quarenta anos; e viu os seus filhos e os filhos de seus filhos, até a quarta geração. E assim Jó morreu, após uma longa velhice" (Jó 42.15-17).

Toda a narrativa que encontramos de Mateus ao Apocalipse não faz referência ao período da velhice de maneira negativa. No tempo do ministério terrenos de Jesus Cristo, os anciãos era usado para se referir aos chefes de comunidades, tomavam parte do Sinédrio, juntamente com os sumos sacerdotes e os escribas. Quando a igreja começou a se organizar, durante o tempo da perseguição do Império Romano, as comunidades cristãs encarregavam um colegiado de anciãos, conhecido como "presbitério" com vista a estabelecer o governo das comunidades cristãs.

Diversas passagens bíblicas mostram a vida longa como prêmio à fidelidade e à vida justa (Êxodo 20.12; Deuteronômio 4.40; Provérbios 3.1-2; 4.10). Em não poucos casos a morte prematura transmite a ideia de castigo divino (Salmos 9.18; Provérbios 10.27). Jesus Cristo, entregou a sua vida em favor do pecadores quando estava no auge da maturidade de um homem, pois aceitou receber em si o castigo que era nosso  (Lucas 3.23). 

II - PROBLEMAS NA VELHICE DE DAVI

1. A velhice de Davi.

É um grande consenso que Davi (em hebraico, "amado"), o segundo e maior rei de Israel, é uma das figuras mais importantes da história israelita e de toda a Bíblia Sagrada. Filho mais moço de Jessé, nasceu em Belém, cidade onde passou a maior parte da sua juventude como pastor.

A grande mácula de seu caráter foram os males que perpetrou contra Urias, e que resultou na morte deste - pecados dos quais ele se arrependeu amargamente e foi perdoado. Seu último cântico, exprime o espírito de sua vida e de seu governo (2 Samuel 23.1-7).

O relato de  1 Reis 1.1-4 mostra que ele, pela misericórdia de Deus havia escapado de muitos perigos e doenças, mas nada disso evitou que aos setenta anos seu vigor  físico decaísse e fosse arrastado pelo peso da idade aos portões da sepultura. O calor natural do corpo deixava seu organismo e nada era capaz de aquecê-lo e assim esteve confinado ao leito até seu último suspiro. Entre virtudes e falhas, para Davi a velhice e a morte também chegaram.

2. Enfrentando mais um filho rebelde.

Após as mortes de Saul e Jônatas, Davi reinou em Hebrom por sete anos e meio; quando Isbosete, filho de Saul, faleceu, Davi tornou-se rei sobre todo o Israel. Tomou dos jebuseus a terra de Jebus (Jerusalém), no monte Sião e fez dela a sua capital, e edificou ali um palácio, havendo ao lado uma tenda em que a arca do Senhor foi guardada (2 Samuel 6), até que o templo fosse edificado por seu sucessor Salomão, para abrigá-la. Ergueu a fortificação do monte Sião, que ficou conhecida como cidade de Davi.

Na última parte de seu reinado de trinta e dois anos em Jerusalém, seu filho  Absalão, rebelou-se contra Davi e foi morto, causando assim grande desgosto ao seu pai. Pouco antes da morte de Davi (a data é discutida como tendo ocorrida em 1015, 980 ou 977 a.C.), outro filho mostrou-se rebelde, Adonias, que por meio de uma revolta, tentou frustrar a escolha dele a favor de Salomão como seu sucessor.

Não obstante fosse ele o herói do povo, Davi, contentando-se com um apelo à Justiça divina, recusou mesmo em sua própria defesa, levantar sua mão contra o ungido do Senhor - Saul. Fugindo da inveja implacável de Saul, escapou primeiro para a terra dos filisteus; então reunindo na caverna de Adulão 400 homens (mais tarde 600) e rumando para cá e para lá na região meridional, conseguiu esquivar-se de seu perseguidor, sem tocá-lo. 

Davi teve muitas aflições com seus filhos, Amnom e Absalão foram responsáveis pela maior parte da sua tristeza. Sua vida foi um Contraste ao comportamento de seus dois filhos, Absalão (o filho que havia tratado com frieza), e Adonias (que havia recebeu muito mimos); ambos não reverenciaram ao Senhor e atentaram contra sua vida.

Deus escolheu a Salomão para reinar em Israel e Davi o constituiu como seu sucessor (1 Crônicas 22.9 e 23.1).  Encontramos em 1 Reis 1.5-10 o relato sobre a aspiração de Adonias ao trono de Davi, quando Davi já está em seu leito de morte. Adonias, homem de boa aparência, agiu insolentemente, não pensou em receber instruções de Davi quanto ao seu futuro, não mostrou nenhum sentimento de pesar ao vê-lo sofrendo, ao perceber que o trono ficaria vago, proclamou-se rei à revelia da vontade paterna e sem consultar ao Senhor.

3. Constituindo Salomão como rei.

A transmissão da coroa tinha a direção divina, portanto, sendo Natã um autêntico profeta do Senhor, empenhou-se ao máximo na situação da sucessão real. Davi e Bate-Seba não sabiam sobre a atitude de Adonias proclamar-se o novo rei de Israel até o profeta Natã avisá-los. 

Estando Davi acamado, e Salomão sendo ainda muito jovem para tomar as medidas necessárias para assumir o poder, Natã e Bate-Seba  asseguraram a sucessão real para Salomão, conforme podemos conferir em 1 Reis 1.11-31. Buscaram de Davi a ratificação da sucessão para Salomão e impediram a usurpação de Adonias, a ênfase da ordem do rei confirmava o título de real a Salomão e estava de acordo com o plano divino sobre quem seria o próximo soberano de Israel.

Atos referentes ao início do reinado de Salomão:
• 1 Reis 1.32-34. A reação de Davi, ao transmitir orientações a Zadoque, Benaia e Natã foram importantes para assegurar a posse de Salomão.
• 1 Reis 1.36. Benaia, comandante do exercito de Davi, apoiou a coroação de Salomão dizendo "amém".
• 1 Reis 1.45. Natã, no exercício do ministério de profeta, e Zadoque, o de sacerdote, ungiram Salomão com óleo do Tabernáculo em evento público.
• 1 Reis 1.46. A cidade se alvoroçou com grande brado de alegria quando Salomão recebeu a unção.
É preciso manter o sentimento de autopreservação sempre em alerta, pois o adversário de nossas almas não descansa, está sempre em atividade para retirar de nossas cabeças a coroa da salvação. É importante estar vigilante em nosso benefício espiritual e do próximo. Assim como fez Natã, temos o compromisso de alertar aqueles que esqueceram de vigiar e correm o risco de perder a sua coroa; os ministros do Evangelho devem, em nome de Jesus Cristo, empenhar-se com todo esforço possível para que o diabo não roube a coroa da salvação daqueles que estão distraídos com efemeridades dessa vida passageira (Apocalipse 3.11).

III - AS PALAVRAS FINAIS DE DAVI EM SUA VELHICE

1. O reconhecimento da ação do Deus de Jacó.

Jacó (em hebraico, ya‘aqob) significa '‘apanhador de calcanhar", “malandro” ou “suplantador”. Foi o filho gêmeo de Isaque e Rebeca, teve uma história longa e cheia lutas amargas. Esaú, foi o primeiro a nascer e Jacó veio à luz agarrado no calcanhar de seu irmão (Gênesis 25.21-28)

As promessas de Deus aos patriarcas tinha a consideração de abençoar o primogênito, isto é, o primeiro filho homem a nascer.  Na ausência do pai, o filho primogênito tinha autoridade sobre a família (Gênesis 37.21-30; 42.37), a porção dobrada da herança (Deuteronômio 21.17), e o direito ao sacerdócio. A história de Esaú e Jacó (Gênesis 25.30-34; 27.36), mostra que o primogênito poderia perder sua bênção. Devido ao fato de estar faminto e não valorizar seu relacionamento com Deus, Esaú aceitou a oferta de Jacó e trocou sua bênção por um prato de sopa que o irmão lhe preparou e depois se arrependeu amargamente. Jacó, valendo-se da cegueira do pai, fingiu ser Esaú e foi encontrar-se com seu pai, pedindo-lhe que o abençoasse com a bênção de primogenitura, enganado, pensando que se tratava de Esaú, abençoou a Jacó. Assim, o significado de seu nome fez todo o sentido: suplantador.

Quando Jacó voltava para sua terra natal, depois de muitos anos vivendo distante de seu lar, porque seu irmão Esaú, descobrindo-se prejudicado queria matá-lo, um grupo de anjos veio ao seu encontro (Gênesis 32.1,2), recepcionando-o com a proteção de Deus. Ao passar com sua família e comitiva de empregados pela parte rasa do ribeiro de Jaboque, ganhou uma experiência excepcional com “um varão” desconhecido. Lutou com ele para que não fosse embora até o romper do dia (v. 24). Embora estivesse com seu quadril ferido, foi bem-sucedido e ganhou a disputa, do varão com quem lutou, uma bênção que mudou o seu nome de Jacó (“enganador”) para Israel (“o que luta com Deus"). Aquele homem revelou sua verdadeira identidade, abençoando Jacó e também mudando o seu nome. Esta pessoa era o próprio Deus Eterno (Gênesis 17.5; 35.9­,15; Isaías 65.15; Oseias 2.23; 12.3,4).

Quando Davi citou o patriarca Jacó, é provável que reconhecesse o quanto foi uma pessoa pecadora e o quanto Deus foi misericordioso com ele. Todos nós somos pecadores, carentes da misericórdia divina. Se reconhecemos nossos erros e buscamos ao Senhor, pedindo a bênção de seu perdão, alcançaremos sua misericórdia. E, relembrando a promessa que Jesus fez aos que perseveraram até o fim da vida em fidelidade ao Senhor (Apocalipse 2.17) seremos uma alma entre as almas de uma grande multidão de salvos, lá no céu, que um dia receberá uma pedrinha branca em que estará escrito o nosso novo nome.

2. O Davi inspirado.

Ainda muito jovem, matou o filisteu, gigante Golias, o que lhe deu acesso à corte do rei Saul, cuja melancolia Davi acalmava, tocando magistralmente sua harpa.  O Antigo Testamento o apresenta como guerreiro valente, cantor, músico, a ele é atribuído um grande número de poemas, publicados no livro de Salmos.

Além das inspiradoras obras escritas, Davi inspirava através de suas atitudes com vista a reinar glorificando o Deus de Israel.  Sua guarda de 600 heróis, composta, na maior parte, por estrangeiros, especialmente quereteus e peleteus (provavelmente cretenses e filisteus), Davi possuía, segundo registro em Crônicas 288 mil guerreiros dos quais 24 mil pegavam em armas cada mês do ano.  As suas campanhas militares, bem sucedidas e de poucos anos, fizeram com que Davi se tornasse o soberano de todo o território, desde o Eufrates até as fronteiras do Egito (2 Samuel 8). Dessa maneira, sua heroica confiança em Deus sempre o susteve em todas as dificuldades de sua própria vida e de seu reinado.

Nos dias mais difíceis da história, os homens sentiam que só com outro Davi se cumpririam as promessas de Deus. A lembrança das "firmes promessas de Davi" (2 Samuel 7.12-16) e do "concerto eterno" que Deus fizera com ele (2 Samuel 23.5), revivificou a esperança messiânica do povo naquele que se daria "como testemunha aos povos, como príncipe e governador dos povos" (Isaías 55.3,4; Atos 13.34).

A única pessoa que as Escrituras declaram ter sido o "homem segundo o coração de Deus" é Davi (1 Samuel 13.14 e Atos 13.22). O Novo Testamento nos diz que Jesus Cristo pertence à linhagem de Davi, descreve o Salvador de muitas maneiras sendo que uma delas é que o Filho de Deus é o Leão de Judá e a raiz de Davi.

CONCLUSÃO

Nos textos de Eclesiastes (8.7-8 e 12.1-10) temos as impressionantes e poéticas abordagens sobre velhice, os versos falam de enfraquecimentos e doenças e concomitantemente ao apego à vida. E aprendemos que a pessoa idosa merece consideração e respeito, deve ser tratada com carinho, até pelo fato de que o curso natural da vida leva a todos para esta fase.

Embora haja na Bíblia muita ênfase reconhecendo ao ancião a prerrogativa de possuir a inteligência e a sabedoria (Deuteronômio 32.7; Salmo 78.3; Joel 1.2), não existe uma exaltação incondicional à velhice."Melhor é o jovem pobre e sábio do que o rei velho e tolo, que já não se deixa admoestar" (Eclesiastes 4.13).

E.A.G.

Compilações:
Comentário Bíblico de Mattew Henry. Volume 2. Antigo Testamento - Josué a Ester. Edição 2010. Páginas 448 e 449. Rio de Janeiro (RJ). Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD).
Dicionário Bíblico Wycliffe. Charles F. Pfeiffer, Howard F. Vos, John Rea. 2ª Edição 2007. Páginas 1006, 1007 e 1596. Rio de Janeiro (RJ). Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD).
Vocabulário Teológico Para a América Latina. J.L Idígoras. Edição 1983. Páginas 529, 530. São Paulo / SP (Edições Paulisnas).

domingo, 22 de dezembro de 2019

Ceo no blog Belverede

O que é? "■ Belverede Ceo" é apenas uma marcação para uso interno neste blog. Visa facilitação na atividade de atualização de postagens; regularizar links que perderam o elo ativo e a melhoria de imagens, etc.

E.A.G.

História da Assembleia de Deus: Celina Albuquerque e Emília Costa

O primeiro culto oficial da Assembleia de Deus, quando o nome da Assembleia de Deus ainda era Missão de Fé Apostólica, ocorreu na residência de Celina Albuquerque, situada na rua Siqueira Mendes, 79 (atual 161). Seu marido, Henrique Albuquerque convidou os pioneiros, Gunnar Vingren e Daniel Berg, a dar continuidade à pregação pentecostal em sua casa, após haver a rejeição por parte da liderança batista à promessa de Jesus Cristo, registrada em Atos 2.17-18. Celina é apontada como a primeira pessoa assembleiana a receber o batismo com o Espírito Santo desta denominação.

Emília Costa foi consagrada ao diaconato no dia 06 de fevereiro de 1928 por Gunnar Vingren, serviu a Jesus Cristo na Assembleia de Deus em São Cristóvão (Rio de Janeiro).

Memórias das Assembleias de Deus no Brasil.
Frida Vingren

sábado, 21 de dezembro de 2019

Rute: a moabita citada na genealogia de Jesus Cristo

Por Eliseu Antonio Gomes

Rute, em hebraico significa "companhia feminina". Rute é uma entre duas mulheres que possuem um livro com o seu nome, a outra é Ester. Ela era moabita, viveu no período dos juízes. Em sua própria terra, Moabe, foi casada com Malom, um homem da tribo de Judá (Rute 4.10), filho mais velho de Elimeleque e Noemi, israelitas vindos de Belém-Judá para Moabe durante certa época de fome.

Em uma sucessão rápida e trágica, Noemi ficou viúva e perdeu seus dois filhos sem deixar herdeiros.  Então, desamparada em nação estrangeira, decidiu voltar para sua terra natal onde esperava achar o apoio de parentes. Antes de partir em sua viagem de retorno, incentivou as duas noras, viúvas jovens, Rute e Orfa, à buscarem suas famílias e se casarem outra vez. Mas, em vez de fazer isso, Rute insistiu em acompanhá-la, afastando-se de todos que conhecia, reafirmando sua lealdade à sogra e, mais importante, ao Deus que ela servia.

Rute adotou tanto a nacionalidade da sogra como também a Deus como o seu Senhor. A união de ambas foi bem forte, só a morte foi capaz de sapará-las (Rute 1.16-17).

Elas chegaram em Belém sem recursos financeiros, e sendo a época da colheita de cevadas, Rute consciente que era a mais jovem entre as duas, cheia de carinho pela sogra, tomou a iniciativa de procurar meio de sustento para ambas. Então, sem reclamar, ela foi colher os grãos que os ceifeiros deixavam para trás nos campos de um homem rico, chamado Boaz, parente de Elimeleque, seu falecido sogro. Boaz a notou e lhe deu sua proteção, permitiu que ela colhesse cevada no seu campo, em reconhecimento de sua lealdade a Noemi. Ele foi beneficiada por Boaz durante toda a colheita da cevada e do trigo.

Noemi, sendo uma mulher sábia e experiente, logo percebeu que Boaz era qualificado pela lei judaica a dar continuidade a linhagem familiar, por este motivo instruiu Rute conquistá-lo.  Rute, sabendo que sua sogra só queria o seu bem, fez exatamente o que Noemi a aconselhou fazer (Rute 3.5). Quando toda a colheita já havia sido efetuada, e o trabalho na eira havia começado, agindo segundo instruções de Noemi, Rute procurou-o à eira à noite. Quando Boaz adormeceu, Rute descobriu os pés dele  e deitou-se próxima, em demonstração de respeito à ele e para se colocar em posição de serva.

Estar ali assim, sem tocá-lo, era um gesto que demonstrava-a como mulher merecedora de ser sua esposa, reivindicação de sua proteção e apelo ao seu cavalheirismo. Ao acordar, Boaz se surpreendeu com a atitude de Rute e viu que ela de fato era uma mulher virtuosa. Ele mediu seis medidas de cevada e deu à ela como um presente, enviou-a de volta para sua casa logo que a madrugada terminou (Rute 3.8-15).

Recorrendo a dez anciãos da cidade como testemunhas, Boaz apelou para o parente mais chegado de Noemi que redimisse um terreno que pertencera a Elimeleque, e que era uma possessão sagrada que não devia mudar de família proprietária (cf. Levíticos 25.23). A isso Boaz firmou palavra de compromisso, apresentou adicionalmente a obrigação de casar-se com Rute conforme a lei do casamento, chamada de levirato (Levíticos 25.25, 47-49; Rute 4.5). 

No Antigo Testamento, havia a prática que obrigava um homem a casar-se com a viúva de seu parente próximo, quando o falecido não deixasse descendência masculina. Por esta lei, o parente mais próximo de Eimeleque deveria se casar com Rute. Mas o parente mais chegado não podia fazê-lo, e renunciou de tal direito em favor de Boaz. Então, com o passar do tempo, Rute e Boaz contraíram matrimônio. Ela foi mãe de Obede, que veio a ser o avô de Davi (1 Crônicas 2.12), dessa maneira Rute e Boaz tornam-se antepassados do Rei Davi e, consequentemente, de Jesus Cristo. Rute é uma das cinco figuras femininas cujo nome é mencionado na linhagem de Jesus, isto no leva a saber que ela desempenhou papel importante na Bíblia (Mateus 1.1-17).

Existem inúmeras mensagens que podemos receber da vida e do caráter de Rute, ela foi um modelo digno de imitação, exemplo de bom companheirismo, lealdade, modéstia e simplicidade. Era uma mulher esforçada, confiável, tinha boa fama na sociedade em que viveu. A biografia de Rute é uma das histórias prediletas da Bíblia, pois aborda a superação de problemas complicados, fala sobre amor, superação, e a providência divina.

E.A.G.

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

A Rebelião de Absalão

Por Eliseu Antonio Gomes

INTRODUÇÃO 

Os acontecimentos trágicos no relacionamento conturbado entre Davi e Absalão ocorreram em cumprimento da profecia de Natã (2 Samuel 12.10-11 e 16.20-23). Ao dar vasão às paixões carnais,  com Bateseba, Davi provocou muitas situações conflituosas em sua família.

Semelhantemente, o fato de Davi ter sido um rei polígamo, algo que não era da vontade de Deus, também se consistiu em fator causador de enorme  sofrimento em sua vida (Deuteronômio 17.17). 

I - O HOMEM ABSALÃO

1. Descrição.

Absalão ('avshalom), nome hebraico, significa "pai é da paz". Ele foi o terceiro filho de Davi, resultante do casamento com uma estrangeira, Maaca, filha de Talmai, rei de Gesur (2 Samuel 3.3).

Absalão era um homem de aparência admirável, da planta dos pés ao mais alto da cabeça não havia defeito algum. Era dotado de personalidade forte, possuía facilidade para entender situações implícitas e usava-a com malícia, com intenção de conquistar o coração do povo. Era hipócrita, escondia um espírito de grandeza, falsa devoção a Deus.

Biograficamente, há muitos detalhes sobre a pessoa de Absalão, em especial no quesito físico, mas nenhum destaque mostra que era uma pessoa espiritual. No coração de Absalão havia a natureza depravada e apóstata contra Deus, alimentada por seus propósitos ruins, totalmente contrários ao que o Senhor esperava dele vontade. Consequentemente, seus planos foram revelados, ao pôr em prática sua rebelião contra o rei Davi.

Absalão mantinha cabelos compridos, cortava-os uma vez por ano. De acordo com 2 Samuel 14.26, sua cabeça chegou a produzir duzentos siclos de fios de cabelo, peso equivalente a dois quilos, entre um e outro corte. Sua beleza masculina era tão admirável quanto a beleza feminina de sua irmã Tamar,  o que injustificavelmente motivou que ela fosse violada por Amnon, o filho primogênito de Davi, gerado em casamento com outra mulher (2 Samuel 13.1-18).

2. Em que consistia a causa da sua revolva?

2 Samuel 13 narra o início da tragédia ocorrida na família de Davi.

Quando Amnon, que era o primeiro na linha sucessória ao trono de Davi, cometeu a situação deplorável de desrespeitar sua meia-irmã Tamar, uma grave infração a lei de Deus (Levíticos 18.11), tal ação desencadeou desarmonia e derramamento de sangue à casa de Davi. Embora Davi tenha ficado irado contra Amnon, foi omisso e abriu mão de sua responsabilidade como pai e rei, pois não fez justiça alguma (13.21). Entretanto, quando Absalão,  irmão de sangue de Tamar, soube que ela havia sofrido violência sexual por Amnon, planejou seu assassinato friamente. Era grande seu carinho por Tamar, tanto que homenageou-lhe dando seu nome para uma de suas filhas (14.27).

Passados dois anos (versículo 13.23), Absalão, preparou uma festa, ordenou a seus criados que aproveitassem o momento de embriaguez de Amnon e o matassem. O crime aconteceu conforme ele quis que acontecesse. E assim como Davi planejou a morte de Urias por meio de seus soldados, Absalão matou Amnon pelas mãos de seus criados (2 Samuel 11.14-17; 13.28-29).

II - A REVOLTA DE ABSALÃO

1. A fraqueza do reino de Davi.

A vingança de Absalão incorreu no desprazer de seu pai Davi. Após vingar-se, ele afastou-se do palácio, exilando-se em Gesur, em companhia de parentes maternos (2 Samuel 13.19-39). Absalão permaneceu exilado por três anos, ao retornar a Jerusalém, esteve banido das dependências da corte por mais dois anos.

Após cinco anos afastado de seu pai, conseguiu reconquistar o favor dele, porém recompensou este favor com um sentimento de revolta e movimento conspiratório, visando tirá-lo do trono e ficar em seu lugar. Dissimulado, provavelmente ressentido pelo fato de Davi não ter feito justiça ao caso de sua irmã, escondia dentro de si o sentimento de ódio contra seu pai.

2. O Absalão político.

Politicamente, Absalão sabia como abrir caminho em meio à oposição. Depois de voltar de Gesur à Jerusalém, usou a influencia de Joabe sobre Davi, forçando-o a abrir caminho para que tivesse audiência com o rei, e pudesse outra vez ter acesso livre à corte real e seus prazeres. Ao dizer "se há em mim alguma culpa, que me mate" (2 Samuel 14.28-33), deixou a impressão de que estava convencido precisar castigar seu irmão Amnon, ao cometer o ato de vingança, matando-o, não havia cometido erro algum (1 Samuel 20.8).

Absalão foi admitido à presença de Davi, recebeu seu perdão com um beijo (14.33). Mas, deliberadamente, depois de perdoado passou a minar a autoridade do pai, aumentando seu próprio prestígio (2 Samuel 15.1-15). Usava sua  imagem pública marcante, toda a habilidade teatral relacionando-se com o povo fazendo elogios falsos, apresentava-se em público com devoção fingida a Deus. Usava perspicácia com o objetivo de chamar a atenção do povo em seu favor, exercia o ofício de juiz de Israel, função que não era sua, com a intenção de ser favorecido com o aumento da sua popularidade.

3. Proclamando-se rei.


Tais procedimentos sagazes asseguraram um elevado grau de sucesso à busca de seus objetivos, mas não poupou-lhe de receber as duríssimas consequências de seus atos maus.

Depois de reconciliado, Absalão pediu permissão a Davi para ir para Hebrom, cidade em que seu pai havia sido ungido rei sob Judá e todo o Israel; Hebrom também era o lugar em que ele nasceu (2.4; 3.2-3; 5.3). Recebeu a autorização de Davi, dizendo-lhe que iria apenas pagar um voto, realizar um sacrifício de ação de graças a Deus por ter permitido que voltasse para Jerusalém. Porém, sua viagem servia de estratégia disfarçada, desejava ter ambiente propício para começar sua revolta política. Em sua trama conspiratória, levou consigo alguns dos líderes de Israel para dar a impressão de que o rei, em sua velhice, apoiava a situação de fazê-lo rei naquele momento (13.10-12).

4. A lealdade dos servos de Davi.

Enquanto Absalão oferecia sacrifícios, a rede de conspiradores aumentava. E um mensageiro levou rapidamente essa informação a Davi, que resolveu fugir, evitando o confronto dentro de Jerusalém, pois queria preservar a cidade que havia embelezado, e evitar mortes de inocentes  (15.1-13).

Davi recebeu apoio de sua guarda real, que era formada por seiscentos homens, inclusive de Gate, isto é, mercenários filisteus. Teve o apoio de Itai, comandante dos goteus, mais tarde Itai foi recompensado com a nomeação ao comando de um terço do exercito de Davi (18.2,5,12).

III - A MORTE DE ABSALÃO

1. Coração de pai.

Absalão cometeu escândalo terrível contra seu pai, ao seguir o conselho de Aitofel e relacionar-se sexualmente com suas concubinas, que haviam ficado em Jerusalém para cuidarem do palácio (16.15, 21-22).  Na cultura do Oriente Médio, o controle do harém era atribuição do monarca, então Absalão, em atitude que assinalava ser o novo rei da nação, dentro de uma tenda armada no telhado do palácio com o conhecimento de todo o povo, relacionou-se com concubinas de Davi  (11.2). Tal vexame ocorreu em cumprimento à profecia de Natã (12.11-12).

Sério perigo rondava a vida de Davi, a rebelião de Absalão angustiava seu coração. Ele registrou seu lamento por esse problema no Salmo 3, demonstrando que considerava Deus o seu Ajudador, escudo protetor e restaurador da sua dignidade. Com esta visão, invocou o poder divino para ser abençoado com livramento. Em sua confiança encontrava condição de naquela situação deitar-se e conseguir dormir sem dificuldade, e ao acordar ter a certeza que o Todo Poderoso o guardava.

2. O preço da rebelião de Absalão.

A rebelião de Absalão custou-lhe a vida. Seu fim é fato muito conhecido, morreu em circunstância vexatória. O capítulo 18, versículo 9 a 17, narra o seu fim.

Depois que Davi fez o arranjo militar para enfrentar a rebelião. pediu aos capitães que tratassem Absalão com brandura, como se a insurreição do filho rebelado fosse apenas uma estripulia de menino bagunceiro. Absalão foi atraído com seus homens, por Joabe, que era o comandante-em-chefe das fileiras de Davi, para a floresta de Efraim, ali foi cercado e 20 mil soldados foram abatidos. Ele pôs-se em fuga, durante a cavalgada, seu cabelo ficou preso nos galhos de uma carvalho, permaneceu ali dependurado entre o "céu" e a terra. Ali ele foi traspassado por três dardos atirados por Joabe. Os três dardos traspassaram o coração de Absalão, enquanto ainda estava vivo, dez jovens, que levavam as armas de Joabe, cercaram Absalão e acabaram de matá-lo. Levaram Absalão e o jogaram numa grande cova. E levantaram sobre ele um enorme monte de pedras. E todo o Israel apressou-se, cada um para a sua casa.

Com a ajuda de Usai e de Joabe, Davi foi capaz de derrotá-lo em batalha, sem tem que fazer confronto físico pessoal (2 Samuel 15.32-37 e 17.1-16; e 18.1-21; também 19.1-7).

Todo pecado tem sua consequência, por isso a melhor atitude é sempre evitá-lo. 

CONCLUSÃO

O servo de Deus deve fazer de tudo para proceder corretamente perante Deus e o próximo, pois a fragmentação moral e espiritual na sua vida  pode causar situação incontrolável, levando-o a significativas perdas, daí a exigência de Paulo: "sejamos irrepreensíveis" (1 Timóteo 3.2).


Compilação.
O Novo Dicionário da Bíblia. J. D. Douglas. Volume 1. Quarta impressão 1981. Página 25. São Paulo - SP  (Edições Vida Nova).
289
Introdução e Comentário. 1 e 2 Samuel. Cultura Bíblica. Joyce G. Baldwin. Primeira edição 1997. Página 289. São Paulo - SP (Edições Vida Nova).
Comentário Bíblico Moody: Gênesis a Apocalipse. Charles F. Pfeiffer

Há poder na luz


Por Eliseu Antonio Gomes

"A Lua inocente que nada faz a não ser brilhar, move todas as incansáveis ondas do mundo" - Francis Thompson.

Há poder na luz. Há no cristão a necessidade de recebê-la, nossa missão é retransmiti-la.

A Lua não produz calor, e nem luz própria, a sua missão é ser refletora da luz solar, quando o Sol emite seus raios para o outro lado do planeta Terra. Isto faz toda a diferença para nós, que estaríamos em escuridão inimaginável sem o reflexo que ela nos envia.

Astrônomos afirmam que a Lua mantem quatro posições diferentes em relação ao Sol durante o mês. Nós percebemos os diferentes ângulos pelo seu reflexo distinto. As posições são classificadas de "lua cheia", "lua minguante", lua nova" e "lua crescente".

Mas, além disso, segundo Isaac Newton, junto com o Sol, a presença da Lua exerce força gravitacional sobre o movimento das águas, mantendo-as nas partes mais baixas da Terra. O Sol e a Lua desempenham papéis importantes no nível dos oceanos. Esta influência é quase que impercebível, apesar das consequências dessa ação ser notada por banhistas em todas as praias.

Como cristãos, fazemos o paralelo da interatividade dos planetas que citamos.

Graças ao equilíbrio entre velocidade e força gravitacional que o Criador deu à Terra, ela gira em torno do Sol e recebe dele iluminação, calor e a pressão gravitacional, que mantém as pessoas e coisas fixadas no solo. Fazendo a analogia com o aspecto espiritual, o Sol é Jesus Cristo e a Terra é toda a humanidade, orbitamos em volta dEle e sem Ele nada podemos fazer (João 15.5).

Há cerca de quatro século e meio, Nicolau Copérnico provou que a Terra se move em torno do Sol. Ela também gira em torno da Lua e gira em seu próprio eixo, o que faz haver dias e noites. Quando estamos nos períodos escuros, o Sol continua a emitir sua luz para o outro lado do globo terrestre e para a Lua, que não permite que na fase da noite a parte escura do nosso planeta seja um breu completo.

A Lua também gira em torno da Terra e jamais deixa de brilhar, sempre está presente nos lados escuros do planeta Terra, emitindo o reflexo do Sol.

Observando a situação pela ótica espiritual, o cristão precisa, tal qual a Lua faz, refletir o brilho de Cristo para as almas que ignoram o Salvador. Nas fases de densas trevas, é preciso agir, como o esplendor da "lua cheia", ou com os brilhos intermediários da "lua minguante", "nova", e "crescente". Jamais deixar de receber o calor e luz de Cristo e nunca deixar de brilhar ao mundo.

Enfim, que todo aquele que está lendo este texto, possa tomar para si o brado do profeta: "Ó terra, terra, terra! Ouça a palavra do SENHOR!" (Jeremias 22.29). E todo cristão desempenhe sua missão como influenciador sobre a escuridão das almas sem Jesus e sobre as águas inquietas de todo coração distante de Deus (Marcos 16.15).