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Arquivo | 14 anos de postagens

quarta-feira, 25 de junho de 2014

A multiforme sabedoria de Deus

Por Eliseu Antonio Gomes

Antes de tudo, é necessário esclarecer que a condição do ser humano agregar conhecimento ao seu raciocínio lógico é uma situação privilegiada dada por Deus e não pode ser desprezada. Contudo, todas as bênçãos que o homem recebe, são sempre recebidas vinculadas ao livre-arbítrio, e assim alguns usam a sabedoria humana, e outras bênçãos, de maneira justa para servir ao Senhor e ao próximo enquanto outros usam de maneira egoísta para alimentar seus interesses mesquinhos.

Charles H. Spurgeon certa vez formulou a seguinte pergunta retórica: "O que é a Ciência deste mundo?" E prosseguiu, respondendo mais ou menos assim: "Ela nos propõe abandonar a fé 'antiquada' de nossos antepassados por força de teorias e supostas descobertas. Mesmo que não seja a proposta, a Ciência é o método pelo qual o ser humano tenta esconder sua ignorância a respeito do Criador".

Portar a sabedoria terrena, mesmo que superior ao nível da maioria das pessoas, inclusive a teológica, não é sinal de possuir alta espiritualidade. Indivíduos inteligentes também são capazes de demonstrar total falta de temor de Deus e agir de acordo com a inclinação carnal, e entronizar seu ego como centro de atenções e glórias. Ser uma pessoa dotada de grande intelectualidade e elevado conhecimento humano não é indicação de viver para Deus de um modo agradável, se a mesma não aceitar viver de acordo com os ensinos das Escrituras Sagradas.

Para apresentar o plano da salvação eterna, Deus dispensou à Igreja as dádivas de amor, filiação e o ministério da reconciliação, através da morte e ressurreição de Cristo. Por esta razão, o apóstolo Paulo termina o capítulo 12 de 1 Corintios, em que trata dos dons espirituais, assim: "Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente" (verso 31). E em seguida, no capítulo 13, nos apresenta o ensino sobre o que é o amor e a relevância de se viver a vida cristã em excelência, isto é, compartilhando tudo de bom que Deus nos dá, amando a Deus e ao semelhante.

Deus expressa sua multiforme sabedoria ao mundo ao instrumentalizar a Igreja de Cristo com dons de revelação, dons de poder, dons de expressão e dons ministeriais.

• Dons de revelação: Palavra da Sabedoria; Palavra da Ciência; Discernimento de Espíritos.
• Dons de Poder: Dom da fé; Dons de Curar; Operação de Maravilhas.
• Dons de Expressão: Dom de Profecia; Variedade de Línguas; Interpretação de Línguas.
• Dons Ministeriais: Apóstolos; Profetas; Evangelistas; Pastores; Mestres.

A multiforme sabedoria celestial, apresentada por meio dos dons, nos leva a abrir o coração para Cristo e entronizá-lo no centro de nossas vontades; ser realmente sábio aos olhos do Senhor não é ser portador de um admirável cabedal de informações e expressá-las bem, ou possuir os dons, mas andar no Espírito, amar a Deus em primeiro lugar e ao outro como amamos a nós mesmos (Gálatas 5.16-23; Colossenses 1.26-29; 2.1-3; Tiago 3.13-18; Marcos 12.30-31).

A vontade de Deus é que todos os dons que Ele concede - expressão de sua sabedoria em múltiplas formas - sejam usados vinculados ao amor. Que cada cristão possa entender perfeitamente isso e se deixe submeter à santa vontade divina para ser usado como instrumento nas mãos do Senhor, na operação dos diversos e amplos dons espirituais e ministeriais em favor de seus irmãos e irmãs em Cristo.

Os dons espirituais e ministeriais são dados a homens e mulheres com a firme propósito de servir ao próximo, edificar a igreja local, e colaborar para que ela alcance o perfeito estado do amor: "Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor" - Efésios 4.15-16.

E.A.G.

Consulta: 
Bíblia Evangelismo em Ação, Ray Comfort, página 1199, edição 2005, São Paulo (Editora Vida).
Lições Bíblicas - Mestre, páginas 91-96, 2º trimestre de 2014, Rio de Janeiro, (CPAD).

terça-feira, 24 de junho de 2014

Charge do Flamir - 2 Timóteo 1.7

"Pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio" - 2 Timóteo 1.7 (NVI).

Vida cristã saudável: tem prumo,  resistência,  equilíbrio, pois seu  modelo é a Pessoa de Jesus. Não dá lugar ao medo, porque este sentimento é oposto à fé em Deus.

E.A.G.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O Livro de Josué: sexto livro da Bíblia Sagrada

Moisés observa a Terra Prometida antes de morrer.
O livro de Josué é a sequência do Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia Sagrada: Gênesis, Êxodo, Levíticos, Números e Deuteronômio. Registra a história de Israel desde a nomeação de Josué como sucessor de Moisés até a morte desse líder, com a idade de 110 anos.

Moisés morreu na terra de Moabe, depois de ter contemplado a Terra Prometida. A Josué, seu sucessor, foi legada a missão de guiar Israel para atravessar o rio Jordão e à subsequente entrada em Canaã.

O título do livro dá a entender que Josué é a personagem principal. O próprio livro, todavia, é anônimo, embora haja fortes evidências internas de que foi escrito por uma testemunha ocular dos muitos acontecimentos nele narrados. O livro pode ter sido obra de um dos "anciãos que ainda sobreviveram por muito tempo depois de Josué", este poderia ter feito uso do material registrado pelo próprio Josué (24.26; 24.1-25). Na forma que temos hoje, é fácil aceitar a ideia que o livro é posterior aos dias de Josué, cuja morte está registrada em suas páginas. A conquista de Debir, por Otniel, e de Laís (Lesém), pelos danitas, ocorreu depois da morte de Josué.

Josué foi designado por Deus para assumir duas tarefas importantes: dirigir uma campanha militar para tomar posse de Canaã, que o Senhor prometera, e para dividir o espaço conquistado entre as tribos de Israel. A maior parte do livro narra a conquista da terra e o processo de divisão da terra entre as tribos. Depois da queda de Jericó e Ai e da capitulação de Gibeão, no centro de Canaã, Josué teve de enfrentar sucessivamente duas coligações de estados cananeus, uma no sul, com o rei de Jerusalém à frente, e a outra no norte, sob comando de Jabin, de Hazor. Mediante o auxílio divino, Josué foi capaz de vencer tanto o sul quanto o norte e pôde dividir a terra entre as tribos de Israel. Iniciativas de resistência continuaram existindo. A responsabilidade de cada tribo era ocupar a terra que lhe fora atribuída por sorteio.

Diferente do tom desalentador de Números, e do teor fatalista de Deuteronômio, o livro de Josué pode ser considerado um livro de boas novas. A narrativa do livro mostra uma nova mentalidade, pois quarenta anos haviam se passado. O contingente de refugiados, antigos israelitas acostumados com a vida de escravos, e os lendários guerreiros, com exceção de Josué e Calebe, havia perecido no deserto.

Após sua entrada em Canaã, os israelitas seguiram as instruções de Deus literalmente, mesmo nas ocasiões que exigiram deles até os limites inimagináveis. Como passaram os israelitas a primeira semana em solo conquistado? Erigiram um monumento a Deus, cumpriram os ritos de circuncisão e celebraram a Páscoa. Nenhum exército teve tal comportamento antes. O conteúdo do livro foca as vitórias quando os israelitas confiavam em Deus e não no poder militar e as histórias negativas - como a batalha de Ai e a astúcia dos gibeonitas - quando os israelitas desprezavam a vontade do Senhor.

Na leitura dos relatos do livro Josué, encontramos um fortalecimento de fé em momentos de provação. Você algum dia desejou ter uma segunda chance? Talvez tenha desperdiçado alguma oportunidade valiosa. Quem sabe tenha  tentado realizar algo, mas o seu esforço não foi grande o bastante para ir até o fim. É provável que já tenha despendido o melhor da vida ou perdido uma grande amizade. Nas páginas de Josué, percebemos que Deus sempre oferece uma segunda chance. Apesar de na primeira oportunidade os israelitas terem falhado na tentativa de entrar em Canaã, tendo de perder quarenta anos por causa do seu fracasso, Deus lhes deu  outra oportunidade. Uma vez aprendida a lição, da segunda vez os resultados foram diferentes. Esse relato é fonte de inspiração para nós.

Bíblia Devocional de Estudo, página 251, edição 2000, São Paulo (Fecomex)
Bíblia Sagrada Almeida Século 21, página 235, edição 2008 (Editora Vida Nova, Hagnos).

domingo, 22 de junho de 2014

As misericórdias do Senhor

"As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim" - Lamentações 3.22.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

O diaconato

Por Eliseu Antonio Gomes

Basicamente, "diakonos" é um servo, servente de mesas, ou garçom. Embora o termo apareça com baixa frequência nas traduções bíblicas do nosso idioma, a palavra grega assim transliterada (muitas vezes por "ministro" ou "servo") ocorre cerca de trinta vezes no Novo Testamento, enquanto que suas cognatas "diakoneõ" (ministrar) e "diakonia" (ministério) aparecem mais setenta vezes.

Nestas passagens, na maioria das vezes não há no uso da palavra qualquer relação com funções especializadas na igreja. Por exemplo, assim como a ocupação do garçom, o serviço doméstico de Maria e da sogra de Pedro é chamado de "diakonia" (João 2.5, 9; Lucas 10.40; Marcos 1.31). Nos tempos helenistas veio a representar oficiais do culto ou do templo.

A escolha de diáconos

Diácono é o título aplicado aos sete, a quem Atos 6 se refere. Os apóstolos, ao receber as queixas que os judeus gregos faziam de que suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano, convocaram a multidão dos fiéis com a finalidade de eleger sete homens "cheios do Espírito Santo e de sabedoria", a quem, pela oração e imposição de mãos, fosse confiado o dever de servirem às mesas e distribuírem donativos da igreja, enquanto eles continuariam a perseverar na oração e no ministério da palavra.

Foram escolhidos: Estevão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau. Entre os sete, destacaram-se como grandes pregadores Estevão e Filipe, o primeiro foi honrado como o primeiro mártir e o segundo reconhecido por levar o Evangelho para Samaria e ao oeste da Judéia.

Deve-se levar em conta que em Atos 6 as pessoas eleitas não são chamadas de diáconos, e que as carreiras de Estevão e de Filipe não estava restrita a servir as mesas e prestação do serviço social.

O apóstolo Paulo descreve Epafras como diácono de Cristo e a si mesmo como diácono do Evangelho. No final de sua vida, há claros indícios de que os diáconos faziam parte regular da organização da igreja. Eles são mencionados ao lado dos bispos na igreja em Filipos, no episódio em que estabelece a regularidade de pessoas aos cargos (Filipenses 1.1, 7; 23, 25; 1 Timóteo 3). Outros irmãos exerceram diaconia para com Paulo (Atos 19.23; Filemon 13).

A liderança da igreja deve ser cheia do Espírito e de sabedoria, pois o Espírito fornece a perspectiva de Deus e a sabedoria abre as portas de soluções de problemas

A incumbência dos diáconos

A característica do diácono deve ser de uma pessoa portadora de discernimento, emocional e espiritualmente equilibrada, consciente que seu chamado ministerial, sob a orientação do pastor, é servir sua congregação.

O serviço de diácono não se restringe em funções eclesiásticas, como servir a Santa Ceia e recolher dízimos e ofertas. É de suma importância atentar na Bíblia sobre a característica do trabalho de diácono. Eles eram incumbidos a agir intensamente na área social, chamados a interferir em favor de quem necessitava de ajuda, visitar viúvas e enfermos, amparar quem realmente precisava de amparo na igreja local.

Qualificações de caráter do diácono (1 Timóteo 3.13)

A ideia dominante entre os líderes do Novo Testamento era que o ministério pertencia a toda a comunidade dos crentes. O ordenação dos líderes era primazia na seleção de indivíduos de maturidade e caráter comprovados para liderar de modo que toda a igreja funcionasse efetivamente em louvor, ministério, extensão e no cumprimento de dons espirituais individuais.

As qualidades significativas esperadas no ministério do diácono estão claramente delineadas. O foco centra-se no caráter ético comprovado e sustentado: sobriedade, franqueza, probidade, preparo espiritual, autocontrole, afabilidade social, aversão aos excessos e à ganância, área familiar equilibrada e vida consagrada.

Tais qualidades são particularmente apropriadas naqueles que têm responsabilidades financeiras e administrativas, sendo que a proeminência do serviço social, na Igreja Primitiva, tornava a palavra "diakonos" em termo especialmente apropriado para tais pessoas - e especialmente em vista do fato que as festas de amor, que envolvia literalmente um serviço de mesas, era uma agência regular de caridade.

Dons e talentos ministeriais

A oração e o ministério da palavra devem ser prioridades ininterruptas da liderança, porém, tal necessidade não sugere que o ministério do diaconato, criado à benevolência, esteja em um patamar de menos importância na Igreja. Romanos 12.3-8 nos ensina que devemos respeitar tanto quem supre a carência de governo quanto de serviço, é preciso tratar com consideração a posição de cada indivíduo perante Deus. Nenhum ser deve se considerar insignificante e sem valor, pois é à imagem e semelhança do Criador. E ninguém deve se considerar mais digno, mais importante, mais merecedor de salvação ou mais indispensável do que qualquer outra. A posse de diferentes talentos e dons não denota diferenças de mérito, pois todos pertencem a um só corpo, e somos todos membros interdependentes. Pensar de outra maneira é distorcer a realidade. Cada indivíduo tem valor e méritos intrínsecos, da mesma forma que somos todos iguais perante Deus e Cristo.

Conclusão

A "diakonia" é um marca da Igreja de Cristo. Também, um dom especial, paralelo ao de profecia e de governo, porém, distinto da doação generosa - a ser exercido por aqueles que o possuem (Romanos 12.17; 1 Pedro 4.11).

No Novo Testamento, o termo diácono nunca perdeu sua conexão com o suprimento das necessidades e de serviços materiais (Romanos 15.25; 2 Corintios 8.4). Neste contexto, devemos considerar a ênfase de Cristo de que veio para servir e não para ser servido (Marcos 10.45).

O Senhor é o nosso Diácono por excelência (Lucas 22.28).

Compilações em:
Bíblia de Estudo Plenitude, página 1113, 1114, 1167, edição 2001, Barueri (Sociedade Bíblica do Brasil).
Dicionário Bíblico Universal - A. R. Buckland & Lukyn Williams, edição maio de 2007, página 165, São Paulo (Editora Vida). 
Ensinador Cristão, ano 15, nº 58, página 42, abril-junho de 2014, Rio de Janeiro (CPAD).
O Novo Dicionário da Bíblia, volume I, página 418, edição 1981, São Paulo (Edições Vida Nova).