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| O lobo não espera o pastor estar disponível para atacar as ovelhas. |
É sempre bom esclarecer. Não sou pastor e não vejo vocação em mim para exercer pastorado. Eu não sou uma pessoa que depende de dinheiro de igreja para sobreviver, sou independente dela financeiramente e não tenho como objetivo de vida receber remuneração eclesiástica.
Eu participo da ideia que a igreja precisa remunerar o pastor. Sim, e muito bem.
Minha opinião é com base na vivência no meio evangélico desde 1983, tempo em que tive a oportunidade de testemunhar diversas situações. Exemplos: pastor impossibilitado ao trabalho secular e carente de cestas básicas; pastor recebendo assédio de uma colega de serviço; pastor ausente em serviço funeral de membro da sua igreja porque o patrão insensível lhe disse "não irá ao velório".
Existe o esteriótipo na sociedade que desenha a figura do pastor de tempo integral como se ele fosse o vagabundo, o estelionatário que aplica golpes em pessoas com baixo poder de raciocínio lógico. A maioria das pessoas que pensam desse jeito péssimo, não conhecem a rotina dos cristãos evangélicos. Não generalizo situações, mas posso dizer que este tipo de pensamento é bastante preconceituoso contra o pastor e contra o cristão em geral.
O pastor em tempo integral é aquela pessoa que tem condições de em altas horas da madrugada dobrar os joelhos e clamar pelas almas que estão sob sua responsabilidade; é quem pode se fazer presente em qualquer dia e momento para aconselhar as famílias em assuntos que necessita discrição. Grande parte das ovelhas se sente bem tendo um líder que olha pelo bem-estar espiritual delas diuturnamente.
O pastor "fazedor de tendas", em profissão secular, é pastor pela metade, 220 horas por mês, 8 horas ao dia, 5 ou 6 dias por semana ele não se dedica às tarefas espirituais. Digo isso sem nenhum desmerecimento aos que se dividem entre o pastorado e às funções seculares Conheço amigos pastores, que nos momentos em que estão livres das tarefas profissionais, são excelentes pastoreando. Mas, para eles não existe a possibilidade de atender as ovelhas 24 horas ao dia. Será que os lobos esperam o pastor se fazer presente junto às ovelhas para atacar o rebanho?
• o pastor em tempo integral é um cidadão tão, ou mais, digno do que qualquer outro que ocupe trabalho secular;
• o pastor em tempo parcial é um cidadão digno, porém, como pastor corre o risco de falhar no bom trato com as ovelhas;
• o pastor em tempo integral trabalha lidando com assuntos de ordem eterna, espirituais;
• o pastor em tempo parcial trabalha lidando com assuntos de ordem material, com as coisas passageiras dessa vida;
• o pastor em tempo integral lida com assuntos da ordem espiritual;
• o pastor em tempo parcial lida com assuntos espirituais, mas sempre parcialmente.
A sociedade critica o pastor em tempo integral porque não tem a mente de Cristo, não tem contato pacífico com Deus, não sabe qual é o valor e nem o significado da função pastoral (1 Corintios 2.16).
Os cristãos verdadeiros valorizam a função pastoral e amam seus pastores. Sabe que o líder espiritual está a velar por suas almas, de segunda-feira ao domingo, enquanto elas estão envolvidas nas ocupações seculares dessa vida cheia de aflições. Sabe que o líder espiritual tem tempo para dobrar o joelho e receber unção para entregar bons recados de Deus ao fazer uso do púlpito - e essas mensagens são o alimento do céu para que continuem firmes e fortes na caminhada de fé.
É claro que existem pessoas usando o prenome "pastor" mas sem nenhuma vocação pastoral. Estes, nem deveriam ocupar cargos de pastores em tempo parcial. Se recebem o tempo integral, não o usará para dedicação espiritual, portanto, não podem ser pastores com remuneração da igreja.
"Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: digno é o obreiro do seu salário" - 1 Timóteo 5.18.
E.A.G.