Pesquise sua procura

Arquivo | 14 anos de postagens

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Dalardier Lima: O que não mudou em 2014 no mundo evangélico

Incrível! Uma lista de 2013 pode ser repetida em 2014 sem nenhuma ressalva. Aliás, estava no forno para ser publicada desde 01/12/2014. Tanto tinha certeza que nada mudaria que apenas agendei no Blogger e inseri alguns outros detalhes. Lamentavelmente, não mudaram:

1) A impressão de que os pastores adoram pessoas que os bajulem e se comprazem em estar cercados do maior número possível de aduladores! Com o Facebook a coisa se adensou. O que tem de líderes adulando seu superior... A meritocracia tem descido a níveis críticos... É o episódio do homem "sim". Aquele que só assente sem nenhum raciocínio crítico, por medo, omissão, dependência ou ignorância.

2) O desfoque do que é missão. A Igreja não faz missão, ela é a missão! Construir uma igreja, evangelizar aos domingos, manter uma vida irrepreensível, custear missões transnacionais, ensinar a Palavra, orar, jejuar são aspectos de uma mesma missão, um tão importante quanto o outro! Infelizmente, o tema se consolidou apenas como chamariz para melhorar a arrecadação. Na ausência de dízimos e ofertas ou na conversão destes em contribuições missionárias disfarçadas... Uma das marcas deste ano foi a revelação de que pastores que já pregaram no maior evento missionário do Brasil, o GMHU, já o fizeram drogados e bêbados.

3) A teimosia em pregar sobre a mulher do fluxo de sangue. De 52 possibilidades de pregações ouvidas aos domingos, 20 são sobre o assunto diretamente e 20 são citações relacionadas. Por que se gosta tanto da história é um mistério que persiste há décadas... Se somarmos os outros cultos, aí a coisa fica crítica! (...)

Confira a íntegra desta reflexão na fonte: Reflexões Sobre Quase Tudo

Crônica de Natal do garotinho desconfiado

Conta-se que há muitos anos atrás, bem antes do Google existir, numa determinada residência ao sudoeste do Brasil, um garoto com aproximados 9 anos de idade estava com a pulga atrás da orelha sobre o velhinho vestido de vermelho, capaz de voar sentado numa carroça impulsionada pela força de renas voadoras para entregar presentes para a criançada em todo o planeta terra em apenas uma só noite. 

Então, atiçado pela curiosidade, sabe-se lá como esse menino conseguiu encontrar um cartão com os dizeres "casa do Papai Noel, número telefônico tal", e passou a mão no telefone e discou para lá:

- Alô! O Papai Noel está?

- Aqui é do zoológico - respondeu a pessoa do outro lado, percebendo que era uma voz infantil.

- O Papai Noel mora aí, no zoológico?

O funcionário do zoológico cogitou se aquele telefonema se tratava de um trote ou se era mesmo uma pergunta sincera de uma criança enganada pelos adultos. Silêncio por alguns segundos. Inspirado pela presença de espírito, o espírito da mentira, respondeu-lhe:

- Não, amiguinho! O Papai Noel não mora aqui. Nós do zoológico apenas cuidamos das renas dele quando não é o período de Natal. 

No canto da sala, à espreita, encostados na parede, estavam os pais daquele garotinho desconfiado, eles observavam apreensivos o que acontecia. Viram quando o menino colocou o fone na base e sorria aliviado debruçando-se no aconchego do sofá. Então, se aproximaram dele, como  se nada soubessem do que havia acabado de acontecer. O pai pegou o cartão, leu e perguntou-lhe:

- Ligou ao Papai Noel? Ele estava em casa? Conversou com ele?

Pai e mãe entreolharam-se esperando a resposta.

- Não, eu só deixei um recado.

Com relação ao Natal, acredita-se que a maioria dos seres humanos de sexo masculino passa por três fases em sua vida. Primeiro, ainda criança, ele acredita na existência do Papai Noel. Na segunda fase, descobre que seus pais mentiram para ele e que o Papai Noel nunca existiu. E na última fase, já adulto, resolve se vestir de Papai Noel e bancar o mentiroso para seus filhos.

Artigo relacionado: Papai Noel, o usurpador

E.A.G.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

1ª Coríntios 8: resposta de Paulo às perguntas acerca de carnes sacrificadas aos ídolos

Athena na mitologia grega era a deusa da sabedoria.
Na época de Paulo, a cidade de Corinto tinha uma população estimada em 250 mil cidadãos livres e cerca de 400 mil escravos. Devido à sua localização geográfica, constituía-se de uma faixa de terra ligando a península ao continente, com pleno acesso ao mar Mediterrâneo; era uma encruzilhada para viajantes e comerciantes de todas as partes do mundo. Tinha dois portos importantes: Cencreia, cerca de 10 km a leste do golfo Sarônico, e Lecaião, a uns 2 km a oeste de Corinto. Os dois portos faziam da cidade ponto estratégico de abastecimento e descarga de navios. O comércio era um dos mais exuberantes do Mediterrâneo; a cultura cosmopolita e a imoralidade sem limites fazia parte da religião local como forma de expressão e culto aos deuses helênicos. Corinto abrigava doze grandes templos, sendo que um dos mais infames era dedicado à Afrodite, deusa grega do amor, onde mais de mil mulheres eram escolhidas todos os anos para oferecerem seus corpos aos homens como oferenda religiosa.

Neste cenário, Paulo chegou em Corinto para ensinar que Deus é a origem-primeira: o Criador de tudo que há; Deus-Filho é a pessoa dinâmica da Trindade, por intermédio de quem todas as coisas vieram à existência. E que os ídolos não passam de simples objetos materiais e não devem ser idolatrados (João 1.3; Atos 4.24; Hebreus 2.10; Colossenses 1.16).

Os conceitos culturais e religiosos permeava a vida de todos os povos atingidos pelo império e confundia os crentes novos convertidos (Atos 17.16). Assim sendo, os crentes coríntios haviam escrito a Paulo perguntando sobre como agir em relação às carnes de animais que sobravam dos sacrifícios oferecidos nos altares pagãos e eram comidas pelos sacerdotes e pelos ofertantes.

Comer ou não carnes sacrificadas aos ídolos? Essa pergunta não girava apenas no assunto da alimentação, envolvia o uso da carne em festas públicas com parentes e amigos pagãos no templo pagão, ou em casas particulares, ou as sobras vendidas no mercado. Alguns cristãos não viam problemas em comer este tipo de carne, até porque era difícil saber qual parte fora sacrificada. Outros já apresentavam sérias dificuldades de consciência e medo de estarem pecando contra o Senhor. 

No capítulo 8 da primeira carta de Paulo aos crentes da cidade de Corinto, temos o exemplo interessante de como o apóstolo vai atrás de uma palavra para ensinar sobre o que se deve comer e o que se deve evitar. No versículo 1, ele foca a palavra "sabemos" e em seguida, baseado no verbo saber, explica sobre a ciência no campo espiritual e material. Em sua resposta, aprendemos que sem a bênção do amor divino, todo o conhecimento é estéril e anti-social e que ser uma pessoa "conhecida" por Deus é sentir seu amor, presença e bênçãos espirituais (1 Corintios 13; Gálatas 4.8-9; 1 João 4.7-8).

No versículo 6, vemos que Paulo olhou para a mitologia greco-romana, em que havia idolatria politeísta, e considerou a triste situação de muitas pessoas se deixam iludir por Satanás e passam a adorar coisas e seres que não são reais deidades, nem se quer existem.  Ele não afirma que possa haver "outros deuses", pois está claro que há um só Deus (Deuteronômio 6.4). Sua afirmação nos encaminha a perceber que ao longo dos séculos, os demônios têm escravizado o mundo induzindo as pessoas a depositarem fé na sorte que ídolos (coisas sem vida) possam proporcionar. Os crentes não devem aceitar qualquer tipo de superstição, temor ou apego aos amuletos. A fé do cristão deve ser pura e absoluta em Cristo, nosso Deus.

No idioma grego, encontramos no texto do versículo 13 a palavra "exousia", que tem o sentido de autoridade, liberdade e direito.  A expressão "nunca" no original grego é um termo enfático, que significa uma negação dupla. Isto é: "se a comida escandalizar a meu irmão, nunca mais, jamais mesmo, comerei carne, para que meu irmão não se escandalize."

O crente maduro não é egoísta, pois o egoísmo preocupa-se primeiramente com o interesse próprio. O crente amadurecido na fé é altruísta, porque o altruísmo leva sempre em conta o bem dos outros. Ele tem pleno conhecimento que seu acúmulo de saber é limitado e que só o Senhor conhece tudo e todos, então, trata com amor e paciência seus irmãos mais fracos ou novos na fé (Romanos 11.33-36).

Vemos em todo este capítulo o importante ensino da consideração para com as outras pessoas. Paulo não afirma que a ingestão da carne é prejudicial ao que come, esclarece que o crente é livre em Cristo, entretanto, por amor ao irmão mais fraco ou menos maduro, deve evitar comê-la em sua presença para não prejudicá-lo escandalizando-o (Romanos 14.13.21).

Enfim, o exercício da fé autêntica no Deus verdadeiro é superior a fé em ídolos sem vida, ela é manifestada no amor que oferecemos ao próximo (Salmo 115.4-7; 135.15-17; Isaías 44.12-20; Gálatas 5.6).

E.A.G.

Compilações:
A Bíblia Explicada - S. E. McNair, 12ª edição em 1997, página 418, Rio de Janeiro (CPAD). 
Bíblia Sagrada King James - Edição de Estudo, página 1724, edição de julho de 2013, Abba Press Editora e Divulgadora Cultural Ltda / Sociedade Bíblica Íbero-Americana.