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quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Terra à vista

Tão logo atracaram suas caravelas em terras brasileiras, os portugueses sob a liderança de um sacerdote, celebraram o primeiro culto cristão no recém-descoberto paraíso tropical. Podemos imaginar o espanto que deve ter tomado conta dos nativos daquela terra. Jamais tinham visto um ritual religioso diante de uma cruz, e nunca tinham ouvido aquela língua e aqueles possíveis cânticos em latim. Certamente indagavam entre si a respeito do que viam e ouviam. 

Desavisados, que o que estavam vendo era o rito de uma religião que dava suporte ao governo que os dominaria de forma tirana nos anos que se seguiriam. A partir de então muitas coisas aconteceram: os portugueses tentaram escravizá-los, a igreja impôs a catequização e, por último, o extermínio. Poucos deles sobreviveram, e os que conseguiram, tiveram a sua autoestima mutilada. Assim foi o contato e convivência que nossos antepassados tiveram com o povo que se denominava cristão, e sua religião.

Quantas oportunidades!

Séculos depois, um novo grupo de cristãos chegou ao então já culturalmente descaracterizado, desacreditado e corrompido Brasil. Eram os chamados "cristãos protestantes".

Alguns deles formaram colônias e nelas se fecharam, realizando os cultos em seu próprio idioma, levando pouco em conta os brasileiros que mais do que precisavam ouvir as boas novas do evangelho. Uma outra parte chegou como missionários, e lhes pregaram a mensagem da cruz, mas também fizeram valer fortes traços da sua cultura, levando várias gerações de convertidos a servirem a Deus orientados por costumes que eram estranhos aos seus. Contudo o mais grave foi o fato de muitas gerações de convertidos terem sua ética cristã orientada por uma teologia elaborada em contextos sociais, políticos e econômicos que nada tinham a ver com a sua realidade. Para resumir a chegada dos protestantes ao Brasil, não podemos nos esquecer que eles "protestaram" entre si e se dividiram em várias correntes. São elas: evangélicos conservadores, tradicionais, pentecostais, renovados, neopentecostais, entre outros.

Não queremos dizer que o que foi feito no passado de nada valeu; se o fizesse estaríamos cometendo uma grande injustiça contra aqueles que lutaram contra forças políticas, econômicas e demoníacas que atuavam no seu tempo. Não é a isso que nos propomos. Entretanto, gostaríamos de chamar a atenção para os quinhentos e poucos anos de presença cristã em terras brasileiras.

Será que o que foi feito é compatível com o tempo de atuação, poder e propósito do evangelho? Jesus diz: 

Lucas 4.18,19: "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e proclamar o ano aceitável do Senhor."

Atos 1:8 - "Mas vocês receberão poder, ao descer sobre vocês o Espírito Santo, e serão minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra."

Vejamos como se encontra nossa sociedade nos dias de hoje. Quem não se diz católico, evangélico ou cristão nesse país? As estatísticas dizem que poucos não se autodenominam um deles. Perguntamos: E daí, que diferença faz? 

Caos à vista!

Pessoalmente me debato com a ética que regula a maioria das nossas instituições, sejam elas religiosas, seculares, políticas ou empresariais. A ideia da exploração do mais fraco e dos menos informados permanece nas propostas feitas ao povo.

O religioso não hesita em tirar recursos do trabalhador mal pago para generosamente se auto assalariar. Os carismáticos levantam grandes somas para construir impérios que beneficiam a si mesmos e à sua prole. Políticos não se envergonham diante da mídia quando prometem atender às causas dos necessitados apenas para obter resultados favoráveis nas urnas e depois só trabalharem em favor de si mesmos. Empresários vão à missa e aos cultos evangélicos sem nenhum peso na consciência por não recolherem impostos, pagar encargos sociais, ou por superfaturar obras públicas, surrupiando assim recursos que poderiam minimizar o sofrimento de muita gente.

Que país cristão é esse? Que tipo de cristãos somos nós? Que leitura as futuras gerações farão de nós? Será que no futuro não seremos inspiração para críticos indignados e decepcionados com o nosso desempenho?

O que fazer agora?

Acreditamos que este é o momento apropriado para uma reflexão. É tempo de mudanças e nossas comunidades estão bem servidas de pessoas preparadas, que sabem pensar, que vivem o dia-a-dia da igreja e do povo, e que desejam ver o evangelho causando o impacto proposto por Jesus Cristo. Mas infelizmente muitos ainda estão amarrados ao arcaísmo religioso.

Propomos que sejam promovidos simpósios regionais e locais, e que se abra o assunto para reflexão. Propomos, ainda, que documentos que expressem o propósito bíblico da evangelização sejam produzidos e distribuídos entre os cristãos, a fim de vermos nosso povo, nossas instituições, e nosso país fundamentados no poder transformador do evangelho. Que tal começarmos a fazer mais e melhor?

Extraído de Mensagem da Cruz, número 117, abril a junho de 2002, autoria Carlos R. de Paiva, então presidente da Missão Evangélica Betânia. editorabetania.com.br/

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