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Arquivo | 14 anos de postagens

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Há poder na luz


Por Eliseu Antonio Gomes

"A Lua inocente que nada faz a não ser brilhar, move todas as incansáveis ondas do mundo" - Francis Thompson.

Há poder na luz. Há no cristão a necessidade de recebê-la, nossa missão é retransmiti-la.

A Lua não produz calor, e nem luz própria, a sua missão é ser refletora da luz solar, quando o Sol emite seus raios para o outro lado do planeta Terra. Isto faz toda a diferença para nós, que estaríamos em escuridão inimaginável sem o reflexo que ela nos envia.

Astrônomos afirmam que a Lua mantem quatro posições diferentes em relação ao Sol durante o mês. Nós percebemos os diferentes ângulos pelo seu reflexo distinto. As posições são classificadas de "lua cheia", "lua minguante", lua nova" e "lua crescente".

Mas, além disso, segundo Isaac Newton, junto com o Sol, a presença da Lua exerce força gravitacional sobre o movimento das águas, mantendo-as nas partes mais baixas da Terra. O Sol e a Lua desempenham papéis importantes no nível dos oceanos. Esta influência é quase que impercebível, apesar das consequências dessa ação ser notada por banhistas em todas as praias.

Como cristãos, fazemos o paralelo da interatividade dos planetas que citamos.

Graças ao equilíbrio entre velocidade e força gravitacional que o Criador deu à Terra, ela gira em torno do Sol e recebe dele iluminação, calor e a pressão gravitacional, que mantém as pessoas e coisas fixadas no solo. Fazendo a analogia com o aspecto espiritual, o Sol é Jesus Cristo e a Terra é toda a humanidade, orbitamos em volta dEle e sem Ele nada podemos fazer (João 15.5).

Há cerca de quatro século e meio, Nicolau Copérnico provou que a Terra se move em torno do Sol. Ela também gira em torno da Lua e gira em seu próprio eixo, o que faz haver dias e noites. Quando estamos nos períodos escuros, o Sol continua a emitir sua luz para o outro lado do globo terrestre e para a Lua, que não permite que na fase da noite a parte escura do nosso planeta seja um breu completo.

A Lua também gira em torno da Terra e jamais deixa de brilhar, sempre está presente nos lados escuros do planeta Terra, emitindo o reflexo do Sol.

Observando a situação pela ótica espiritual, o cristão precisa, tal qual a Lua faz, refletir o brilho de Cristo para as almas que ignoram o Salvador. Nas fases de densas trevas, é preciso agir, como o esplendor da "lua cheia", ou com os brilhos intermediários da "lua minguante", "nova", e "crescente". Jamais deixar de receber o calor e luz de Cristo e nunca deixar de brilhar ao mundo.

Enfim, que todo aquele que está lendo este texto, possa tomar para si o brado do profeta: "Ó terra, terra, terra! Ouça a palavra do SENHOR!" (Jeremias 22.29). E todo cristão desempenhe sua missão como influenciador sobre a escuridão das almas sem Jesus e sobre as águas inquietas de todo coração distante de Deus (Marcos 16.15).

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Sobre a música e a pregação em reuniões de cultos a Deus

Por Eliseu Antonio Gomes

Eu amo a Palavra de Deus, gosto muito de ouvir explanação com base teológica. E entendo que a Palavra é tão grande e profunda que não cabe apenas na homilética e hermenêutica do expositor ou expositora; nem mesmo na oratória da pessoa mais bem preparada no planeta para fazer isso.

Quando ouço pregadores comentando sobre ter maior tempo para pregar, sobre o tempo reservado aos músicos durante os cultos, eu me lembro de que está escrito que Deus habita no meio dos louvores, da passagem bíblica mostrando que os muros de Jericó caíram tendo os levitas da música, por ordem de Deus, marchando na frente do povo; lembro que no céu teremos entoação musical em adoração ao Todo Poderoso e não haverá pregadores da Palavra pregando.

O apóstolo Paulo escreveu sobre a exposição bíblica e o cântico como forma de adoração:

• 1 Coríntios 14.26: "Que fazer, então, irmãos? Quando vocês se reúnem, um tem um salmo, outro tem um ensino, este traz uma revelação, aquele fala em línguas, e ainda outro faz a interpretação. Que tudo seja feito para edificação" (NAA).

• Efésios 5.18b,19,20: “Portanto, tenham cuidado com a maneira como vocês vivem’ (...) ‘deixem-se encher do Espírito, falando entre vocês com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando com o coração ao Senhor, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (NAA).

Refletindo sobre o Salmo 22.3: "Porém tu és Santo, o que habitas entre os louvores de Israel (Almeida Revista e Corrigida). Sabemos que o louvor não se restringe à música. Mas neste salmo, é apenas esse o sentido que o salmista quis dizer. O termo hebraico traduzido por “louvor” é “tehillah”; cujo significado estrito é “canção de louvor”. Também encontramos “yõwõseb” vertido ao nosso idioma como “habita”; na verdade, o sentido do vocábulo seria melhor traduzido como “é entronizado”. Então o texto seria lido assim: [Deus] “que é entronizado entre as canções de louvor”.

Entronização significa deixar o trono desocupado ao rei; é o reconhecimento da autoridade do rei, é aceitar de modo voluntário o senhorio de alguém. Entendo que o verbo "habitar" tem um conceito bom, mas tem menor importância que "entronizar", em se tratando da nossa comunhão com Deus. Podemos ser hospitaleiros e permitir que alguém habite em nossa casa, mas a pessoa agregada em nosso lar não terá a nossa autoridade de dono da casa. Recebemos a Jesus no coração, mas não o consideramos como mais um simples habitante em nossa vida, permitimos que Ele mande em tudo, pois somos seus servos.

Existe Palavra do Senhor em louvores, a Mensagem não está presa em discursos de pregadores. Há muitas composições musicais que deixam a desejar, mas também ocorre falha na classe de pregadores. Através de louvores, Deus é cultuado e entronizado nos corações das pessoas; pela boa exegese de preletores a congregação é edificada.

Então, que haja bom senso em tudo, que aconteça nos cultos a exposição da Palavra discursada e cantada. Que o dirigente de culto aja estabelecendo o equilíbrio e mantendo a ordem e decência.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Adão, o Primeiro Homem

Eliseu Antonio Gomes

O livro de Gênesis, escrito por Moisés, mostra como surgiu o mundo e tudo que ele contém, com a finalidade de explicar o desejo do Criador de ter um povo separado para adorá-lo. Aborda a origem do mundo, humanidade, pecado, a nação de Israel, a soberania e fidelidade de Deus; fala sobre a obediência que tem como consequência muitas bênçãos.

Nesta postagem, apresentamos reflexões focadas somente no tema a criação do homem, ocorrida pela manipulação das mãos de Deus, após Ele ter criado o Universo pela autoridade expressada em sua voz. Tais narrativas são encontradas em Gênesis, no primeiro capítulo até o versículo 25 do capítulo 2.

O Conselho divino para a criação do homem.

"E Deus disse: 'Façamos o ser humano à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os animais que rastejam pela terra' " - Gênesis 1.26.

Neste acordo divino, encontramos a primeira indicação clara da triunidade de Deus, a segunda menção está em 3.22 e a terceira em 11.27. O vocabulário humano é incapaz de descrever Deus com exatidão. Deus é uma entidade singular (Isaías 45.5-6) e ao mesmo tempo plural (Isaías 6.8). A palavra hebraica para "Deus" ("Elohim", no primeiro versículo de Gênesis) é um substantivo cuja raiz no singular é "El". Este pronome indica o conceito de excelência e majestade divinas, o texto é a revelação inicial que destaca as três pessoas da Divindade: Pai, Filho e Espírito Santo.

A criação do primeiro homem.

"Então o SENHOR Deus formou o homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente" - Gênesis 2.7.

O sopro do Espírito de Deus tornou Adão uma criatura viva (Jó 33.4). O ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus (Tiago 3.9). No sentido moral, Adão era bom e sem pecado; no ponto de vista da vida racional, era parecido com seu Criador no aspecto de usar a inteligência, vontade e expressar sentimentos.

São usadas muitas palavras para relatar a criação do ser humano, quase todas são relativas ao trabalho de um artesão formando uma obra de arte à qual ele dá vida (1 Coríntios 15.45). Criado a partir do barro, o valor do ser humano não é encontrado nos componentes físicos que formam o seu corpo, mas na qualidade de vida que constituem a sua alma.

Adão foi formado como a coroa da Criação do Altíssimo, feito para governar o restante da criação. Ao atender ao mandamento de dominar e sujeitar toda a criação, o homem determinou de uma vez por todas seu relacionamento próprio e único com tudo que existe no Universo.
O sopro do Espírito de Deus tornou Adão uma criatura viva (Jó 33.4).
Adão corrompeu-se, caiu em pecado. Mas o Criador jamais desistiu da Humanidade e providenciou-lhe a salvação. O apóstolo Paulo revela que fomos criados conforme à semelhança do Filho, com o objetivo de o Filho ser o primogênito entre os muitos filhos do Pai celeste (Romanos 8.29); o pecado muda a aparência original do ser humano, mas a conversão ao senhorio de Cristo faz com que a pessoa convertida volte a ser semelhante ao seu Criador (Colossenses 3.10).

O lugar do homem na criação divina.

"Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, para que dele te lembres? E o filho do homem, para que o visites?" - Salmos 8.3-4.

Embora possamos qualificar, sem nenhum problema, o Salmo 8 como um salmo da criação, seus nove versículos fazem muito mais do que abrirem caminho para a reflexão sobre a criação. O primeiro e o último versículos deste Salmo sugerem que Davi o escreveu com o objetivo essencial de compor um hino de louvor, pois o início e o fim têm brados de glorificações ao Criador.

É importante notar que, na abertura e fechamento deste Salmo, as traduções bíblicas trazem duas vezes o vocábulo "senhor", sendo a primeira em letras maiúsculas e a segunda apresentado em fonte maiúscula apenas a primeira letra. Os dois nomes são usados para tratamento direto a Deus, porém, de maneiras distintas. A primeira vez (SENHOR) é relativo ao seu nome, que é Jeová (Êxodo 3.14); a segunda (Senhor), é Adonai, uma referência à sua pessoa entre o seu povo e a todos os seus atributos.

Alguém poderia pensar que existe contradições entre Gênesis 1.1 (que nos informa que Deus disse e tudo se fez) com o Salmo 8.3 (que nos informa que o Criador usou seus dedos em sua ação criadora). Porém, o texto de Gênesis não está em choque com este Salmo. As duas narrativas são figuradas, mostram o ato criador do Todo-Poderoso por ângulos diferentes mas com o mesmo propósito e desfecho. Gênesis alude ao poder de trazer a existência coisas a partir do nada; no Salmo 8 temos a comparação entre o tamanho do Senhor e a pequenez humana. Deus é Espírito, não possui corpo. Os escritores das Escrituras Sagradas, inspirados pelo Espírito Santo, recorreram à anatomia do ser humano em seus escritos visando facilitar a compreensão limitada da mente humana.

Os versículos 5 a 8 deste Salmo, subentendidamente, ratificam o relato de Gênesis. Entendemos que o salmista tem pleno entendimento que a Humanidade foi criada à imagem e semelhança do seu Criador, para, entre outros objetivos, exercitar domínio sobre o restante da criação (Gênesis 1.26-28).

Mas, além disso, este louvor abre caminho para a reflexão da criação de Adão, o primeiro homem e o último Adão, Jesus Cristo. Davi usa o recurso da linguagem antropomórfica e revela que o Universo inteiro é pequenino diante do Criador, que usou apenas os seus dedos para criar os céus (mais do que um), a lua e as estrelas. A mensagem aponta para a indescritível grandeza do Criador e faz comparação dessa dimensão extraordinária com a insignificância, transitoriedade e fragilidade do ser humano. E nos faz entender que, ainda assim, o Criador se importa com o bem-estar de todos, cuida daqueles que possuem a consciência de dependência da misericórdia divina e quer salvar a pessoa insensata, que dá margem para o sentimento de autossuficiência.

A encarnação de Cristo é a prova do amor de Deus e de sua consideração pela humanidade, Cristo foi enviado na forma de gente como a gente, obedeceu a Deus até a morte e em consequência disso Deus o exaltou de modo inigualável (Filipenses 2.8-9). Deus deu ao Salvador autoridade, assim, dentro da Trindade, "todas as coisas estão sujeitas a Cristo", Ele está exaltado sobre todas as coisas, incluindo a igreja, todas as coisas foram colocadas sobre os seus pés (1 Coríntios 15.27-28; Efésios 1.22; Hebreus 2.5-10).

E, Cristo, com todo este poder, está sempre disposto a estar presente na vida de todos nós. Jesus diz aos mortais: "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo" - Apocalipse 3.20.

O homem é filho de Deus

"Ora, Jesus tinha cerca de trinta anos quando começou o seu ministério. Era, conforme se pensava, filho de José, filho de Eli (...), filho de Enos, filho de Sete, filho de Adão, filho de Deus" - Lucas 3.1,38.

O Evangelho de Cristo, escrito por Lucas, apresenta a lista dos antepassados de Jesus, remontando até Adão. Desse modo, destaca que Jesus se solidarizou com a raça humana em perspectiva universal. Quando o Novo Testamento utiliza o termo "Filho do Homem", referindo-se a Jesus, remete ao aramaico contido em Daniel 7.13, esta expressão tem implicações messiânicas, alude às profecias escatológicas.

Deus ama o ser humano

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" - João 3.16.

O evangelista João ressalta enfaticamente o valor de crer em Jesus Cristo. Ele esclarece que "crer" é a resposta do ser humano à missão salvadora de Deus por meio de Jesus Cristo, o Filho unigênito. É uma resposta com a mente, o coração, com toda a vida. Todo aquele que responde ao amor de Deus crendo, recebe a vida eterna. João 1.12; 3.14-16; 6.40; 11.25-26; 30.31.

Jesus, verdadeiro homem

"Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e a humanidade, Cristo Jesus" - 1 Timóteo 2.5.

Deus, através da concepção de Jesus de Nazaré no ventre de Maria, por meio de sua vida sem pecado, da morte em julgamento injusto e através da ressurreição ao terceiro dia, manifestou sua vontade de salvar a humanidade. Cristo é eficaz como Salvador, manifestou sua missão redentora por feitos e palavras.

"Antes de tudo" (1 Timóteo 2.1). Isto é, nossa prioridade como salvos por meio de Cristo, é buscar a Deus realizando orações e ações de graças, pois a intercessão e a gratidão promovem reflexos em nível universal. A igreja necessita de um ambiente que permita a ela levar uma vida tranquila e pacífica, que só é possível vivenciar havendo um bom governo e a devida participação de todos na vida civil. Com este entendimento, Paulo instrui os crentes a buscar em Deus disposição e sabedoria para agirem de modo correto em relação às autoridades constituídas: Romanos 13.1-7; 2 Timóteo 2.1-4; Tito 2.12; e 3.1.

"Há um só Deus", é uma frase  que tem por base Deuteronômio 6.4, também usada por Jesus (registro em Marcos 12.29) e pelo apóstolo em outra carta (Romanos 3.30). Deus é único, no aspecto de unidade, não é um ser dividido em seu modo de ser e agir. Não existe outro igual, esta característica requer de nós dedicação e amor exclusivos ao Senhor.

"Um só Mediador". Além de Paulo, o escritor de Aos Hebreus apresenta Cristo exercendo o ministério da mediação entre Deus e os homens. Descreve tal nobre tarefa  como a "mais excelente" das tarefas, "de superior aliança", "com base em superiores promessas" (8.6); "a fim de que os que foram chamados recebam a promessa da herança eterna" (9.15).

Conclusão

Em Gênesis, além do relato da criação do mundo físico, os relatos de como Adão e Eva vieram a existir, o surgimento do pecado através desobediência, também temos a narrativa do surgimento do povo de Deus, por meio do qual o Criador introduziu o plano da redenção entre nós. Diante das ações de Deus em Cristo, o único Mediador capaz de favorecer toda humanidade, o crente deve permanecer disposto e pronto para cumprir sua responsabilidade no âmbito espiritual, que é anunciar e ensinar a verdade das Boas Novas de salvação a todos que puder alcançar.

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E.A.G.