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quarta-feira, 10 de julho de 2019

A Mordomia do Corpo


Por Eliseu Antonio Gomes

Introdução


A cultura deste mundo glamoriza a beleza física e a exposição de pessoas de maneira sensual. Mas o que a Bíblia Sagrada ensina sobre a mordomia do corpo?

Ao estudar Biologia, o aluno passa a dominar os conceitos básicos necessários para compreender de quase tudo que se passa em si e ao seu redor, habilita-se a tomar decisões corretas no sentido de preservar melhor a sua saúde e cuidar de modo apropriado do meio ambiente. Quando esta mesma pessoa volta a sua atenção para a Bíblia, recebe a informação de que o seu corpo na realidade não é seu, é propriedade de Deus. A biosfera é criação de Deus. Os ecossistemas terrestres e aquáticos são projetos de Deus.  Todo o Universo é do Criador, pois tudo é obra de suas mãos.

Por meio de livros e através de microfones nas igrejas, temos contato com sermões sobre o que Deus tem a dizer sobre nossas almas, nossas mentes, nossas vontades e nossas emoções. As Escrituras Sagradas falam sobre essas coisas e também sobre como Deus deseja que tratemos o corpo. E adverte: se destruirmos o nosso corpo, Deus nos destruirá (1 Corintios 3.17).


A tricotomia do corpo

"E que o espírito, a alma e o corpo de vocês sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo"- 1 Tessalonicenses 5.23 b.

Embora a Bíblia não seja um livro de ciência, sempre que registra um fato científico; registra-o sem nenhum erro. Tudo o que a Bíblia apresenta como verdade tem autoridade divina. A criação é apresentada como fato histórico em muitos lugares das Escrituras (Êxodo 20; Salmos 8. Mateus 19; Hebreus 4). E ao abordar a origem do homem, fala que Deus o fez como um ser tricotômico, ou seja, o ser humano é tríplice, sua composição tem o lado material, que é o corpo, e o imaterial, que se consiste do espírito e da alma.

A parte material do homem é descrita nas Escrituras como corpo e carne, sendo que em muitas vezes o termo carne se refere à natureza pecaminosa (Mateus 6.22; Gálatas 2.20; 1 Pedro 1.24; Romanos 7.18). Entre suas designações, a parte tangível do ser humano é descrita também como "corpo de humilhação", "vaso de barro" e "templo do Espírito Santo" (Filipenses 3.21; 2 Coríntios 4.7; 1 Coríntios 6.19).

Deus criou a alma humana, que diz respeito à vida pessoal, ao indivíduo. Ela tem emoções e guerreia contra as paixões da carne (Jeremias 31.25, 1 Pedro 2.11). Além disso, a Bíblia faz referência à alma como coração, usa a linguagem figurada para falar sobre sua característica de ser o ponto central das emoções, e da vida intelectual (Hebreus 4.12; Mateus 22.37, Hebreus 4.7). Além disso, a alma também é descrita como mente, a consciência (Romanos 12.2) e pelo termo carne quando este significa a natureza pecaminosa (Gálatas 5.19-21).

O espírito está relacionado aos aspectos mais elevado do homem, porém, está sujeito à corrupção do pecado (Romanos 8.16; 2 Coríntios 7.1).


O pecado não deve reinar em nosso corpo   

"Portanto, não permitam que o pecado reine em seu corpo mortal, fazendo com que vocês obedeçam às suas paixões" - Romanos 6.12.

A morte é inevitável. A Bíblia nos ensina que há duas possibilidades após o falecimento: o sofrimento sem-fim ou a alegria eterna. Mas essas opções só podem ser alcançadas em vida. Após o óbito, não há tempo de voltar atrás, se decidimos servir ao pecado.

Todos os homens ressuscitarão dos mortos (João 5.28-29). Para onde você vai após morrer? Para o céu ou para o inferno? Qual é a sua escolha? Quando o corpo falece não é o fim da existência humana, os não redimidos serão ressuscitados para uma existência eterna no lago de fogo (Apocalipse 20.12, 15). Deus estabeleceu um dia para Jesus julgar o mundo (Atos 17.31); após a morte, o escritor de Hebreus revela, no capítulo 9 e versículo 27, que o destino do homem é o juízo. Todas as pessoas prestarão conta do que escolheram fazer com a constituição física que o Criador lhe deu.

Para ser salvo, não é suficiente ser frequentador assíduo de cultos evangélicos, ter conhecimento profundo das Escrituras Sagradas e entregar contribuições financeiras na igreja. De nada adianta tocar com esmero na orquestra, cantar de modo admirável nos grupos musicais e participar de eventos evangelísticos sempre que o pastor marca o evento. É importante que façamos todas essas coisas, mas porque temos a convicção que somos salvos e não porque queremos a salvação.

Para ser salvo, basta reconhecer a Cristo como Senhor, este reconhecimento implica em fazer tudo o que Ele manda, ser praticante dos ensinamentos contidos nas Escrituras Sagradas (Lucas 6.46; Tiago 1.22). Nesta entrega, Jesus liberta a alma da escravidão do pecado e oferece o Céu como destino final e presente gratuito (João 8.46; 14.1-2). Não espere para tomar esta decisão amanhã, pois pode ser tarde demais (Lucas 12.19-20; Tiago 4.14).

O Espírito Santo trabalha, incessantemente, para a salvação do pecador que se mostra arrependido de seus pecados. Religiosos ou não, todos os seres humanos nascem envolvidos em ofensas e pecados (Efésios 2.1); mas quando invocam o nome do Senhor experimentam o novo nascimento, eles nascem pela vontade de Deus da água e do Espírito (Romanos 10.13; João 3.5, 6). Assim, o pecador é lavado, santificado e justificado em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito de Deus (1 Corintios 6.11). Quando o coração do homem é purificado pela fé, recebe poder para ser feito filho de Deus (Atos 15.9; João 1.12; Romanos 8.16).

Sete características das pessoas que aceitaram a Jesus como Senhor e são livres da opressão do pecado:

• Ama os inimigos (Lucas 6.35);
• Evita pecar (Mateus 5.39, 44, 45);
• Não pratica a vingança (Romanos 12.17-21);
• Tem disposição para perdoar desafetos (Mateus 6.14-15; 1 João 4.20)
• Pratica o bem (1 Pedro 3.11);
• Tem interesse pela paz e edificação (Romanos 14.19);
• Promove o bem de todos (Gálatas 6.10).


O nosso corpo não é para a prostituição

"Também não ofereçam os membros do corpo ao pecado, como instrumentos de injustiça, mas, como pessoas que passaram da morte para a vida, ofereçam a si mesmos a Deus e ofereçam os seus membros a Deus, como instrumentos de justiça" - Romanos 6.13.

Ao entregar o corpo para atividades pecaminosas, a pessoa é escravizada pelo pecado e sofre com pelo menos quatro grandes perdas:

• pode perder o seu lar (Lucas 15.11-17;
• a verdadeira alegria (Salmos 51.12);
• o direito de agir por conta própria (Romanos 6.19);
• a esperança (Efésios 2.12).


A sensualidade das mulheres de Sião

Isaías 3 descreve o comportamento das mulheres de Sião. O profeta revela que elas andavam "cascavelando" (tradução Almeida Revista e Corrigida). No texto original, o termo usado tem o sentido de "atrair para trair". Este assunto é coisa séria.

Não quero julgar se existem irmãs que se vestem com a intenção de chamar atenção para as curvas anatômicas de seus corpos. Não quero julgar se elas usam roupas provocantes intencionalmente, desejosas de receberem galanteios de homens estranhos, olhares despudorados de maridos de outras mulheres, apreciarem ou não comentários vulgares.

Quero dizer aos crentes em Cristo, para as irmãs e aos irmãos também (porque alguns homens também erram neste assunto), sobre a necessidade de lembrar que o uso das peças de roupas muito justas ou curtas em locais públicos, exibe a beleza de modo negativo. A exibição da anatomia do corpo é capaz de provocar o adultério ou fornicação pelo pensamento, e inclusive incitar de fato a imoralidade sexual, em palavras mais diretas, acontecer mesmo a conjunção carnal, que agride a santidade de Deus. 


Devemos mortificar as obras da carne

"Porque, se vocês viverem segundo a carne, caminharão para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificarem os feitos do corpo, certamente viverão" - Romanos 8.13.

"Mortificardes" é equivalente a "considerai-vos mortos (6.11). Ao passo que em 6.11 os crentes são exortados a se considerarem mortos com relação ao pecado, em 8.13 se lhes diz que considerem as suas práticas pecaminosas anteriores como mortas com relação a eles próprios. 

Podemos comparar isso com o caminhar de acordo a descrição do fruto do Espírito: "Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos" (Gálatas 5.22-24). A caminhada no Espírito refere-se à conversão. É significativa que a situação da conversão é levada a efeito por aqueles que estão em Cristo. A crucificação da carne com as suas paixões e desejos desenfreados só é possível com a identificação com o Cristo ressuscitado. Identificar-se assim significa alcançar uma vida nova com a ressurreição do Senhor, seguir o exemplo de Jesus e possuir e esperança da sua volta.

Podemos comparar "mortificardes", também, com o linguajar mais vigoroso de nosso Senhor sobre arrancar o olho e cortar a mão e o pé que leva a pessoa a pecar (Mateus 5.29; Marcos 9.43).


Devemos glorificar a Deus em nosso corpo

"Será que vocês não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo, que está em vocês e que vocês receberam de Deus, e que vocês não pertencem a vocês mesmos? Porque vocês foram comprados por preço. Agora, pois, glorifiquem a Deus no corpo de vocês" - 1 Coríntios 6.19,20.´

O texto de 1 Corintios 6.12-20 trata das atividades relacionadas à imoralidade sexual. Quando duas pessoas têm relações sexuais ilícitas, a fornicação ou o adultério, elas se tornam uma só pessoa. E sendo o cristão templo do Espírito, que é Santo, entendemos que este cristão pecou contra Deus ao estabelecer tal unidade profana.

Não é possível agradar a Deus sem receber Jesus no coração. Uma parte da Humanidade existirá para sempre, porém, não terá a vida eterna, pois esta vida está restrita apenas para as pessoas que receberam a Jesus Cristo como seu Senhor. Existir sem Deus é pior do que a morte.

A principal característica de Deus é a santidade. E o nosso Deus santo deseja que todos os crentes em Cristo como Salvador reconheçam seu Filho como Senhor e vivam uma vida santa. Você não pode ser santo se amar o pecado. O seu coração se entristece quando você peca? O crente quando de fato ama a Deus se sente chateado desagradá-lo pecando. Só quando o temor ao Senhor reside no coração é que há disposição para refutar comportamentos, pensamentos e falas pecaminosas.


O corpo deve ser conservado irrepreensível

"O mesmo Deus da paz os santifique em tudo. E que o espírito, a alma e o corpo de vocês sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo"- 1 Tessalonicenses 5.23.

A Bíblia mostra, em dois versículos, a oração do apóstolo Paulo aos crentes tessalonicenses, e em consequência para todos os cristãos. Em 1 Tessalonicenses 5.22-23, vemos o final da instrução do apóstolo, que começou em 4.1. Aqui, os termos "corpo", "alma" e "espírito" não são divisões ou partes do ser humano, mas o ser humano como um todo.

A sessão 4.1 a 5.23 de 1 Tessalonicenses pode ser sintetizada com a frase "os fiéis viverão para sempre com Deus". Em sua retórica, Paulo nos faz saber que Jesus não morreu e ressuscitou apenas para exibir o poder de Deus sobre a morte. Havia propósito nobre. Impulsionado pelo amor de Deus, Cristo morreu para nos libertar de todos os nossos pecados, entregou-se para todos nós termos a capacidade de viver de maneira irrepreensível diante de Deus. Ele ressuscitou para que a morte nunca mais tivesse poder sobre nós. Ele ressuscitou para que pudéssemos ter o mesmo tipo de vida que o trouxe de volta dos mortos. Viver a viva em Cristo nos abre a oportunidade de morar para sempre na Mansão Celestial.


Conclusão

Os filósofos gregos  Aristóteles, Sócrates e Platão acreditavam no dualismo, difundiram a ideia de que o espírito é importante e o corpo não tem importância espiritual alguma. Portanto, não haveria razão para cuidar bem dele.

Os crentes em Cristo não comungam desta escola maluca, pois aprenderam na Bíblia que o seu organismo é uma das mais magnificas criações de Deus, e tudo que Deus fez é bom e tem um propósito especial. Sabem que a anatomia e fisiologia, os sistemas biológicos, do ser humano foram feitos para mantê-los em boas condições internas e externas para interagir de modo compatível com o meio-ambiente. E nesta situação, glorificam ao Criador com muita satisfação.

E.A.G.

terça-feira, 9 de julho de 2019

Vida e morte da missionária Frida Vingren na matéria de Camilla Veras Mota

A missionária sueca perseguida no Brasil, internada em hospício e 'esquecida' pela História


Camilla Veras Mota
Da BBC News Brasil em São Paulo
22 de julho de 2018

'HALLELUJA, BRASILIEN!'/CORTESIA KAJSA NORELL

Cem anos atrás, Frida desembarcou em Belém do Pará, onde ajudou a construir a Assembleia de Deus, hoje a maior religião pentecostal do país.

Frida Maria Strandberg Vingren morreu aos 49 anos, no dia 30 de setembro de 1940, na Suécia, nos braços da filha. Abatida, ela pesava 23 quilos.


No decorrer dos cinco anos anteriores, entre idas e vindas em um hospital psiquiátrico de Estocolmo, a missionária sueca perdera quase 40 quilos. Ela fora internada pela primeira vez no dia 12 de janeiro de 1935, levada da estação central da cidade, quando tentava tomar um trem que a levaria para Portugal - de onde, acredita-se, pegaria um navio de volta para o Brasil.

Casada com o sueco que fundou, em Belém do Pará, a Assembleia de Deus, Frida se tornou uma das mais importantes lideranças da igreja no decorrer dos 15 anos em que esteve no Brasil. Ajudou a construir o ministério no Rio de Janeiro, comandava um jornal e pregava em praça pública.

Suas atribuições – muitas até então reservadas apenas aos homens –, entretanto, desagradaram pastores brasileiros e suecos, fizeram com que ela fosse perseguida e pressionada a voltar a seu país de origem, onde teve um fim trágico.

A história da missionária passou décadas esquecida e, nos últimos anos, vem sendo resgatada tanto na Suécia quanto no Brasil. Foi tema de livro, de tese de doutorado e voltou a alimentar o debate – atual e ainda polêmico – sobre o papel da mulher na Assembleia de Deus, a maior religião pentecostal do país, com 12 milhões de fiéis.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

João 10.10 - o ladrão no qual Jesus se refere não é o diabo?


Por Eliseu Antonio Gomes

Muitos leitores da Bíblia acreditam que o ladrão, no qual Jesus se refere em João, capítulo 10 e versículo 10, é o diabo. Por outro lado, é impressionante como é fácil encontrar um número grande de pessoas contestando essa interpretação e afirmando que o "ladrão" de João 10.10 não é o diabo.

Será que nesta porção das Escrituras Sagradas "ladrão" se refere apenas a um criminoso qualquer? Ao ler esta passagem bíblica, cujo conteúdo é por demais apropriado às comunidades evangélicas nos dias atuais, é importante ter em vista o contexto do texto em foco.

Parcialmente, eu concordo com a afirmação de que Jesus tenha se referido a pessoas e não ao ser demoníaco, especificamente à referência citada. Nos versículos 8, 12 e 13 está bem claro que Jesus faz alusão aos falsos pastores, mestres e mercenários. Porém, percebemos no contexto bíblico que o diabo também tem muito a ver com ladroagem, todos sabemos que ele é ladrão, que a intenção dele é roubar, matar e destruir, o povo de Deus. O que quero dizer é que no modo literal os ladrões, mercenários e salteadores são líderes religiosos, mas no sentido figurado é o próprio diabo agindo na vida desses líderes religiosos, fazendo uso de seus apetites carnais, amor ao dinheiro, egoísmo, egocentrismo e etc.

Etimologia de palavras

É digno de nota que no original grego o termo "ladrão", que encontramos em João 10.1 é "cleptos". O termo também é usado na passagem O Bom Samaritano (Lucas 10.25-30) e em Apocalipse 16.15 (Eis que venho como um ladrão).

Em João 10, versículo 6, o vocábulo “parábola” não é a tradução de “parabolê”, definição das comparações, analogias e alegorias que Jesus apresentou com a intenção de passar lições espirituais aos seus seguidores. Neste versículo 6, o termo usado é “paroimia”, cujo significado é enigma e provérbio, como no Livro de Provérbios.

Encadeamento do tema

Certa vez, Jesus Cristo afirmou: “quem comigo não ajunta, espalha” (Lucas 11.23). Deu a entender, claramente, que na esfera espiritual não há meio termo, ou somos seus seguidores ou indivíduos inconvenientes que atrapalham o progresso da expansão do Reino de Deus aqui na terra.

O Evangelho de João, capítulo 10, traz a lição O Pastor e as Ovelhas, que está atrelada com a narrativa do capítulo anterior. O duplo “em verdade” (10.1), faz a transição entre o diálogo do capítulo 9 ao monólogo do capítulo 10.

No capítulo 9 de João, encontramos o episódio do cego de nascença, que Jesus curou passando lama em seus olhos e o mandando lavar-se no tanque de Siloé. A narrativa conta que depois este homem foi interrogado pelos fariseus, líderes da sinagoga, que se quer puderam acreditar que ele havia sido pessoa cega, só creram após o depoimento de seus pais. Ao invés de se alegrarem com ele por ter recebido o milagre, criticaram a situação pois o relato dizia que a cura ocorreu num dia de sábado. Estes judeus expulsavam da sinagoga as pessoas que confessavam que Jesus era o Cristo, mas com certeza teriam reivindicado para si o título de pastor, aos quais Cristo se refere como ladrões e salteadores. Nesta circunstância, com certeza o ex-cego faz parte do rebanho do Bom Pastor. 

Analisando o conteúdo contextual, podemos categoricamente afirmar que o "ladrão", de João 10.10, representa toda a classe de falsos pastores, são as lideranças inúteis que adentram os meios cristãos mais preocupadas em transformar ovelhas em alimento do que em alimentá-las, protegê-las e curar o rebanho de Cristo (Ezequiel 34.1-5; Zacarias 11.17).

Há muitos pseudos-pastores, falsos irmãos hoje em dia. Eles estão infiltrados no rebanho do Bom Pastor e agem como lobos camuflados em pele de ovelhas. Jesus se referiu a eles como guias cegos. Eles se apresentam com autoridade espiritual falsa, falam supostamente em nome de Deus, pregam sobre salvação mas colocam sobre os cristãos jugos pesados. O objetivo deles é lucrar financeiramente, não se importam em roubar, destruir e, espiritualmente, matar, com a finalidade de conquistar bens materiais, viver em glamour, projetar sua imagem com situações de pompa e circunstância. Quanto a essa gente desnaturada, é preciso ter o máximo de cuidado, afastar-se delas. Ainda bem que quem é ovelha, e se mantém vigilante, reconhece e atende apenas a voz do verdadeiro pastor.

Exortações apostólicas

O apóstolo João fez referência aos que “não ajuntam com Cristo”, chamando-os de anticristos (1 João 2.18). Tais opositores do progresso do Reino de Deus, se assumem posto de líderes, são mercenários, ladrões e salteadores. Eles se comportam como os fariseus que ao invés de ajudar o cego o expulsaram do rebanho no qual eram responsáveis por seu bem-estar.

Precisamos meditar em outro contexto para João 10. Façamos uso da nossa força de raciocínio, para relembrar a exortação de Pedro aos cristãos. Ele nos alerta assim: “Sejam sóbrios e vigilantes. O inimigo de vocês, o diabo, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar” (1 Pedro 5.8). Ora, alguém já viu, ou ouviu falar, que o diabo atacou literalmente uma pessoa? Ele faz isso no sentido amplo da situação, usa todo aquele que “não ajunta com Jesus”, mas espalha, atrapalha o progresso do Reino de Deus.

O apóstolo Paulo aconselha o povo de Deus a viver em harmonia, pede aos irmãos de fé que, assim como ele, tenham disposição para perdoar. “A quem vocês perdoam alguma coisa, eu também perdoo. Pois o que perdoei, se é que perdoei alguma coisa, eu o fiz por causa de vocês na presença de Cristo, para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não ignoramos quais são as intenções dele.” (2 Coríntios 2.10-11).

Conclusão

Naquele triste acontecimento do rompimento da barragem em Brumadinho, muitas vidas foram ceifadas pela lama. A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros pediram para diversas famílias deixarem as suas residências, elas corriam risco naquele local devastado. E foi triste saber que cidadãos maus aproveitaram a ocasião para saquear as casas cujas famílias não estavam presentes. A estratégia do diabo é impulsionar pessoas para agirem malignamente, ele quer roubar toda a nossa paz e toda a nossa alegria. Essa história é uma advertência para aqueles de nós que podem ser pegos despreparados ao lidar com ataques do diabo. Ele assume o posto de comando de vidas humanas por meio do pecado que é praticado sistematicamente. Quando o indivíduo se esquece de ser crente vigilante, dá lugar para o diabo moldar suas opiniões, controlar suas atitudes e apagar seus objetivos nobres (Efésios 4.27).

De uma maneira similar ao caos causado pela lama, o pecado pode destruir coisas que aparentemente estão em boa ordem. O esforço para remover a lama e limpar depois de o diabo aparecer no caminho do crente é muitas vezes mais doloroso do que o evento inicial. Se as brasas ardentes da vontade carnal quer guiar nossas atitudes, a melhor coisa a fazer é lembrar-se da Palavra de Deus e tomar as medidas apropriadas para superar o mal, pois ao dar vez às obras da carne o crente cria a oportunidade para que o diabo tire vantagem da sua falta de vigilância, pois nesta condição o crente é um infeliz anticristo.

Mantenha-se em oração, para estar sempre firme e forte, livre das amarras diabólicas.