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domingo, 5 de janeiro de 2020

A Natureza do Ser Humano


Por Eliseu Antonio Gomes

Introdução

Jamais existiria vida na Terra se não fosse uma série de detalhes importantes, alguns dos quais desconhecidos até a metade do século passado. A localização da órbita da Terra na Via Láctea e no sistema solar, sua velocidade de rotação, ângulo de inclinação; os ciclos naturais da água e a purificação do ar; e a translação da Lua, satélite natural, exercendo sua pressão sobre a atmosfera terrestre. Estes dados reforçam a crença dos cristãos na existência do Criador.

A Bíblia Sagrada não tem a proposta de mostrar uma Antropologia elaborada sobre a origem do ser humano do ponto de vista científico, o foco principal é o religioso. Suas páginas apresentam o testemunho histórico das relações do homem com Deus, porém, faz isso mostrando diversos traços antropológicos.

No Antigo Testamento e na Nova Aliança, a Bíblia apresenta passagens que pressupõem a natureza do ser humano como a de uma pessoa tricotômica. O corpo, a alma e o espírito constituem esta natureza tríplice. Alma e corpo aparecem como dois elementos inseparáveis enquanto dura a vida, sendo o corpo comparado com vaso de barro, casa e tenda, que se desfazem com a morte (Jó 4.19-21; 2 Coríntios 4.4-11; 5.1-9; Filipenses 1.20-24). Vejamos os parágrafos abaixo a esse respeito.

1. O corpo humano veio da terra (Gênesis 2.7). 

Adão é a figura de quem se originou toda a raça humana. Além de ser um nome próprio ('adam), que significa "homem",  também tem o sentido de, "humanidade" (Gênesis 3.17,18; Romanos 5.12-21).  O Novo Testamento relaciona o início da prática do pecado à primeira transgressão de Adão e apresenta-o como  representante da humanidade de modo geral.

No sexto dia da criação, Deus criou o primeiro 'adam (Gênesis 1.27). Como o oleiro dá forma ao vaso, Deus formou-o do pó da terra ('adamah) à sua própria imagem. Ao soprar-lhe nas narinas o sopro da vida, o homem passou a viver e morar no jardim do Éden, local que o Criador o colocou em companha de Eva.

A falta de evidências arqueológicas do jardim do Éden não significa que o lugar tenha existido somente em mito. Apesar nos avanços na arqueologia, o que sabemos sobre o antigo Oriente Médio é apenas uma pequena porcentagem do que um dia será descoberto. Os dois rios, Tigre e Eufrates, existem hoje no Iraque da atualidade. As identidades de Giom e Pison são incertas, é provável que houvessem correntezas ou canais locais. Variações climáticas e inundações podem ter provocado alterações na topografia da região (Gênesis 2.10-14).

É evidente que o substantivo " 'adamah" (terra) e "adam" (homem) é intencional. As duas palavras hebraicas, quase idênticas, relacionam o ser humano e o solo e reforçam a sentença que o homem é pó e ao pó retornará (3.19).

2. A alma humana veio de Deus (Jó 27.3).

Alma é “nephesh” no idioma do Antigo Testamento. Em muitas passagens, o termo tem equivalência de sentido com “vida”, “ego” e “coração”. Nas passagens narrativas ou históricas do Antigo Testamento, nephesh é traduzido por “alma” ou “vida”, como em Levítico 17.11 Estudiosos alegam que há mais de 780 ocorrências veterotestamentárias, sendo que o maior número encontra-se nas passagens poéticas. O sistema hebraico de pensamento não inclui a combinação ou oposição dos termos “corpo” e “alma”, que na verdade são de origem grega e latina.

O hebraico contrasta dois conceitos: “o eu interior” e “a aparência exterior” em contextos diferentes: “o que a pessoa é para si mesma” em oposição a “o que a pessoa parece ser aos que a observam”. A pessoa interior é nephesh, ao passo que a pessoa exterior, ou reputação, é mais comumente traduzido pelo “nome”.

Deus ama justiça e a retidão (Salmos 33.5) e reina em justiça (Salmo 97.2). Portanto, nossos sentimentos precisam estar voltados ao Criador, é preciso viver em conformidade com a posição das Escrituras quanto ao caráter justo e reto do Senhor (Deuteronômio 32.4; Isaías 30.18; Sofonias 3.5). Ele espera que todos nós amemos a justiça a fim de que Ele possa derramar sobre nós as suas bênçãos (Miqueias 6.8).

3. O espírito humano veio de Deus (Provérbios 20.27 - ARA). 

Temos um espírito, que veio de Deus e é o “espírito” do homem que volta para Deus (Eclesiastes 12.7). Em sua natureza divina Deus é espírito (João 4.24).

O termo “espírito” (hebraico: rüah) possui a conotação “respiração, ar, força, vento, brisa, espírito, ânimo, humor, Espírito”. A Bíblia fala sobre o espírito do homem como estando “nele” (1 Coríntios 2.11). O ser humano abriga um espírito dado por Deus, é o aspecto de nossa pessoa que se relaciona com o mundo espiritual, seja este mau ou bom. Paulo descreveu o estado dos não-regenerados como estando mortos em “delitos e pecados” (Efésios 2.1-10). Os não-regenerados têm corpo, tal qual os crentes, desfrutam da capacidade psicológica de raciocinar, demonstrar vontade, manifestar sentimentos, porém estão espiritualmente “mortos”. Somente quando a pessoa não regenerada abre seu coração ao Senhor, recebe a Cristo como Salvador, o Espírito Santo produz neles uma vida nova, capacita-os a relacionar-se com Deus.

A Bíblia fala sobre o espírito do homem como estando “nele” (1 Coríntios 2.11). O ser humano abriga um espírito dado por Deus, é o aspecto de nossa pessoa que se relaciona com o mundo espiritual, seja este mau ou bom. Paulo descreveu o estado dos não-regenerados como estando mortos em “delitos e pecados” (Efésios 2.1-10). Os não-regenerados têm corpo, tal qual os crentes, desfrutam da capacidade psicológica de raciocinar, demonstrar vontade, manifestar sentimentos, porém estão espiritualmente “mortos”. Somente quando a pessoa não regenerada abre seu coração ao Senhor, recebe a Cristo como Salvador, o Espírito Santo produz neles uma vida nova, capacita-os a relacionar-se com Deus.

Estudiosos da Bíblia dizem que esta palavra aparece em tomo de 378 vezes no Antigo Testamento. Em muitas citações significa a respiração ou o ar que é respirado, como podemos verificar em Juízes 15.9 e Jeremias 14.6. O vocábulo é usado para falar sobre o que é intangível e passageiro (Jó 7.7) e o nada (Provérbios 11.29; Eclesiastes 5.15,16).

No Livro de Gênesis, capítulo 7.21,22, “rüah” é usado para descrever a vida no homem, o seu espirito natural. Porém, em Provérbios 16.2, seu significado é mais que apenas o elemento de vida, refere-se à “alma”, referindo-se aos desejos e motivações: “Todos os caminhos do homem são limpos aos seus olhos, mas o SENHOR pesa os espíritos”. O profeta Isaías põe nephesh (alma) e rüah como termos sinônimos: “Com minha alma te desejei de noite e, com o meu espírito, que está dentro de mim, madrugarei a buscar-te” (Is 26.9).

4. Espírito e alma são inseparáveis (Hebreus 4.12). 

No Livro de Gênesis, capítulo 7.21,22, “rüah” é usado para descrever a vida no homem, o seu espirito natural. Porém, em Provérbios 16.2, seu significado é mais que apenas o elemento de vida, refere-se à “alma”, referindo-se aos desejos e motivações: “Todos os caminhos do homem são limpos aos seus olhos, mas o SENHOR pesa os espíritos”. O profeta Isaías põe nephesh (alma) e rüah como termos sinônimos: “Com minha alma te desejei de noite e, com o meu espírito, que está dentro de mim, madrugarei a buscar-te” (Isaías 26.9).

Hebreus 4.12-13 informa que a Palavra de Deus é capaz de chegar ao ponto de dividir a alma do espírito, as juntas das medulas e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração humano. Este texto, no idioma grego, tem  o vocábulo "krikiros" (discernir), mostrando que a voz do Altíssimo  alcança o mais profundo do ser humano, percorre todas  as nossas maiores necessidades,  é penetrante, nada impede o raio de ação do Criador na criatura quando Ele deseja comunicar-se e exercer sua justiça sobre cada um de nós. 

Por todas as Escrituras a expressão "espírito" é escrita com letra maiúscula. para referir-se ao Espírito de Deus, ou com letra minúscula, para indicar o espírito humano. Devido ao fato de que os manuscritos antigos não usavam letras maiúsculas, os tradutores e editores da Bíblia às vezes têm dificuldade para determinar se o escritor tinha a intenção de referir-se ao Espírito de Deus ou o humano. Um exemplo dessa dificuldade está em Atos 19.21.   

5. A morte é a separação entre corpo e alma (Gênesis 35.18).

A primeira menção bíblica à morte no Antigo Testamento está em Gênesis 2.17. Nesta passagem, ela é punição para o pecado. Quando Adão e Eva pecaram, perderam a comunhão com Deus e também o acesso à Arvore da Vida que poderia impedir suas mortes (3.22,23). Foram expulsos do Éden, condenados, terminaram seus dias em dissolução física (3.16 19).

Na maior parte da narrativa do Antigo Testamento a morte é apresentada como inevitável para o homem, no seu estado decaído e pecador, mas nenhum dos escritores da Bíblia a registraram como se fosse "natural", pois ela não faz parte do plano perfeito de Deus para a Humanidade. Haja vista a maravilhosa exceção, Enoque andava com Deus e Deus o levou para si (Gênesis 5.24).

Alguns relatos no Antigo Testamento mostram que a morte prematura era temida (Salmos 6.1-5; 88.1-14; Isaías 38). Porém, também, encontramos a narrativa de Gênesis 25.8, que relata a morte em velhice como situação aceitável, um consenso afirmando que aquele que partia em idade avançada parecia ter cumprido completamente o seu papel neste mundo. Mesmo assim, percebemos que a morte é situação alheia ao plano do Criador, pois se a vida longa é prometida em troca de obediência (Êxodo 20.12) e é sinal do favor de Deus (Jó 5.26), então sua interrupção, por mais longa que seja, indica que a morte não é natural.

A teologia distingue entre morte física, morte espiritual e morte eterna:
• Morte física. Consequência da entrada do pecado no mundo por intermédio de Adão. É o destino de todos os homens (Hebreus 9.27).
• Morte espiritual. Todos os homens são, por natureza, espiritualmente mortos. Em consequência do pecado, os homens se tornaram alienados às coisas divinas, indiferentes às leis de Deus (Mateus 8.22; Lucas 15.32; Efésios 2.1-3; 4.17-19; Colossenses 2.13; Judas 12).
• Morte eterna. Aqueles que não creem no Filho de Deus, morrem em seus pecados (João 8.21,24), permanecem sob a ira de Deus e no Dia do Julgamento Final, serão sentenciados a um estado de eterna separação de Deus, condição que as Escrituras descrevem como segunda morte (João 3.36; 8.21,24; Apocalipse 21.8).
A experiência da morte é algo inevitável, atinge a todos, sua chegada retira do nosso lado pessoas queridas. Sabemos que estamos dentro de um espaço de tempo limitado, porém, o momento da separação de alguém que amamos sempre é um impacto psicologicamente violento. A morte está sujeita ao controle soberanos de Deus:
• O Senhor tem poder para conceder livramento (Salmo 68.20; Isaías 38.5; Jeremias 15.20);
• O Senhor restaura o falecido à vida (1 Reis 17.22; 2 Reis 4.34; 13.21);
• Mata, vivifica, faz descer e retornar do Seol (Deuteronômio 32.39; 1 Samuel 2.6).
• Não permitiu que Enoque e Elias conhecesse a morte (Gênesis 5.24; 2 Reis 2.11).
• Reduz a morte a nada, triunfa sobre ela, ressuscita mortos (Isaías 25.8; 26.19; Ezequiel 37.11,12; Daniel 12.2; Oseias 6.2; 13.14).
6. A glorificação da natureza humana (1 Coríntios 15.49-57).

No penúltimo capítulo da primeira carta de Paulo aos crentes de Corinto, o apóstolo aborda a questão da ressurreição da Igreja e fecha o assunto escrevendo advertência sobre a necessidade de vigiar. A vigilância se consiste em cuidar para agir sempre de acordo com as determinações da Palavra de Deus (1 Coríntios 15.35-58).

O remédio para o pecado é a prática da Palavra de Deus, que propõe a conversão. A conversão sincera ocorre no mais profundo do coração. Converter-se é trocar o que é transitório para ter Jesus Cristo como meta e fim. O ponto culminante dessa mudança implica sempre na vivência com Deus, que ama seu povo, oferece sua misericórdia e quer a reconciliação (Lamentações 5.21-22; Ezequiel 34.11-15; Jeremias 31.31). Então Ele transforma o coração humano que se reconhece pecador e arranca as algemas do pecado (Deuteronômio 30.3-6; Salmos 51.3).

O cristão que persevera em sua vigilância, caso não experimente o Arrebatamento da Igreja em vida, o experimentará após passar pelo estado da morte física. Este corpo que agora estamos, foi projetado para a vida nesse mundo, mas ele encontra-se perecível e inclinado à decadência, por causa da Queda de Adão e a inclinação individual à atividade das obras da carne. Se buscarmos a misericórdia divina, confessarmos nossos pecados e nos esforçamos constantemente para andar segundo o Espírito, este corpo será transformado para estar para sempre com Deus na eternidade.

Podemos considerar que o corpo físico um protótipo da versão final do seu corpo que viverá lá no Céu. Após ressuscitar, ou ser arrebatado, o estado do nosso corpo atual será transformado em corpo espiritual. Então, estará imune às doenças e quaisquer espécie de fraquezas e experimentará a plenitude da bênção do Criador.


A Raça Humana: Origem, Queda e Redenção. Lições Bíblicas CPAD 1º Trimestre de 2020 – Sumário dos subsídios
Adão, o Primeiro Homem
A Criação de Eva, a Primeira Mulher

Compilações:
A Enciclopédia da Bíblia. Organizador Merril C. Tenney. Volume 1. Edição 2008. Página 90 . Cambuci - São Paulo. Editora Cultura Cristã
Bíblia de Estudo Defesa da Fé. Edição 2010. Páginas 11, 851. Bangu. Rio de Janeiro - RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deis - CPAD).
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Volume 2. 2ª impressão 210. Página 178. Bangu. Rio de Janeiro - RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deis - CPAD).
Doutrinas Bíblicas – uma perspectiva pentecostal. William W. Menzies e Stanley M. Norton. 3ª edição 1999. Página 87. Rio de Janeiro – RJ. Casa Publicadora das Assembleias de Deus – CPAD.
Quem é Quem na Bíblia Sagrada - A história de todas as personagens da Bíblia. Editado por Paul Gardner. 19ª reimpressão 2015.  Páginas 187 e 188. Liberdade. São Paulo- SP (Editora Vida). 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

A Criação de Eva, a Primeira Mulher

Por Eliseu Antonio Gomes

Introdução

O homem sempre foi e continua a ser objeto de estudo em todos os períodos da história da humanidade. Foi tema de pesquisa no campo da filosofia grega e moderna; é foco da filosofia contemporânea. Também foi e é estudado pela filosofia cristã. O ramo cristão sobressai entre os demais pelo fato de incorporar a informação bíblica de que o ser humano foi criado por Deus e corroborar com a revelação das Escrituras Sagradas que desde o ato criativo a humanidade é foco dos cuidados do Criador.

E Deus criou a mulher (Gênesis 2.21,22). 

O primeiro ser humano da terra foi Adão. Ele não nasceu como os outros homens, pois foi criado por Deus do pó da terra. Depois de ter criado Adão. o Criador soprou em suas narinas e ele se tornou alma vivente. Em seguida, Deus deu a Adão domínio sobre todos os animais que vivem sobre a terra. Deus não quis que ele vivesse sozinho, fez cair um torpor sobre Adão, e ele dormiu. Tomou uma de suas costelas, depois da costela extraída modelou o primeiro gênero feminino da espécie humana, sua companheira adequada.

Ao criar Adão, Deus decidiu que em sua anatomia, na parte acima da cintura existiriam 12 pares de ossos alongados e curvos, formando um conjunto que conhecemos como caixa torácica. Este espaço existe com a finalidade de proporcionar proteção aos órgãos vitais pulmões e coração. Até antes de ser modelada como uma pessoa feminina, Eva cumpria importante tarefa protetiva em favor do homem, que viria a ser seu marido. Para os hebreus, a caixa torácica é a parte do corpo onde estão os afetos.

A palavra hebraica usada para descrever a criação da mulher é "yiben", cujo sentido é "construir". Para a construção ser bem sucedida, antes da estrutura ser erguida é necessário haver o planejamento de todos os detalhes funcionais, a ordenação estética, o estabelecimento de princípios harmônicos etc. Portanto, ao decidir criar Adão, não resta nenhuma dúvida que Deus também havia decidido que retiraria de sua caixa torácica um osso e desse osso formaria outro ser humano, com a finalidade de continuar a abençoá-lo.

Ao acordar do sono pesado, assim que Adão viu a mulher, a parte íntima dele, de imediato percebeu a conveniência de viver em companhia de um ser vivo da sua espécie. Em expressão de aprovação para sua nova situação, descreveu-a como "osso dos meus ossos e carne da minha carne" (Gênesis 2.23).

A estrutura da personalidade humana foi criada em semelhança ao seu Criador com o objetivo de governar a Terra. A interpretação de Gênesis 1.27,28, afirmando que Adão e Eva foram feitos à imagem e semelhança de Deus, e por haver em sua essência inteligência, vontades e emoções, isto lhes confere dignidade e valor acima da existência do restante da criação é plenamente correta e aceitável. Porém, esta interpretação, se permanece apenas no aspecto da aparência e importância comparativa não é completa. A aparência da imagem de Deus no homem e na mulher tem também o conceito de governo representativo (Salmos 8.6-8).

“E Deus os abençoou e lhes disse: Sejam fecundos, multipliquem-se, encham a terra e sujeitem-na. Tenham domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra” (Gênesis 1.28).

A tentação de Eva (Gênesis 3.1-7).

Na tentativa de convencer Eva a pecar, a serpente diz: "É verdade que Deus disse: “Não comam do fruto de nenhuma árvore do jardim?" (Gênesis 3.1 - NAA). A primeira tentação para a mulher foi fazê-la sondar seu conhecimento da Palavra e em seguida deixá-la confusa e em dúvida sobre o que realmente sabia. Quando Eva responde, cita a Palavra de Deus, porém, suas palavras causam a impressão que seu conhecimento a respeito da determinação em relação ao vegetal era muito vago. Parece desconhecer que a árvore se chamava "árvore do conhecimento do bem e do mal", pois faz referência à planta dizendo "Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: 'Vocês não devem comer dele, nem tocar nele, para que não venham a morrer'” (Gênesis 3.2-3, NAA).

Então, para criar o desejo da rebelião em Eva, a serpente distorceu a Palavra de Deus, enganando-a, mentiu a ela dizendo que se comesse o fruto proibido passaria a ser igual a Deus: "É certo que vocês não morrerão. Porque Deus sabe que, no dia em que dele comerem, os olhos de vocês se abrirão e, como Deus, vocês serão conhecedores do bem e do mal" (versículos 4 e 5, NAA). Eva demonstra mais do que desconhecimento da Palavra de Deus, afirmando mais do que Deus disse. ela fala que o Senhor havia proibido tocar na árvore sob pena de morte, sendo que o Criador não havia proibido o toque e nem sentenciado à morte por este motivo (conferir em 2.15-17). Talvez, acreditasse nesta "adição" à Palavra, e esta crença sem base na orientação do Criador tenha lhe prejudicado. Ao tocar na árvore ela considerou-se desobediente sem de fato estar desobedecendo, e em seguida realmente pecou ao ingerir seu fruto e oferecê-lo ao seu marido.

A Queda de Adão trouxe inversão dos papéis designados pelo Criador ao homem e a mulher. Em vez de o casal respeitar a posição de Deus em orientá-los, e o homem com o auxílio da mulher governar a Criação, acontece uma mudança total: a serpente aborda Eva que, ao se rebelar contra o Criador, arrasta consigo seu marido.

Embora Eva tenha dado atenção para a serpente, Adão teve sua dose maior de responsabilidade, pois mesmo antes da mulher ser criada, o Criador deu-lhe a ordem para não comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gênesis 2.17,18). Não há registro bíblico que o Criador tenha feito recomendação diretamente para a mulher. No plano de Deus para a convivência de homem e mulher, é ele, não é ela que deve assumir a responsabilidade final.

Eva pecou ao desrespeitar o padrão estabelecido por Deus para o casamento, não consultar seu companheiro antes de retirar o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal e oferecê-lo a ele. Adão pecou quando negligenciou sua responsabilidade, não se esforçar para transmitir com clareza a ordem divina para sua esposa, ele errou ao não considerar a relevância da determinação de Deus que proibia comer o fruto proibido, consentir no andamento do plano de rebeldia da serpente e não impedir que a sugestão da serpente tivesse êxito (Gênesis 3.6,17).

Por negligenciar sua responsabilidade de liderança, o Senhor pergunta apenas para Adão "comeste do fruto que ordenei que não comeste?" e para a mulher formula questão diferente, dizendo "o que fizeste?". Eva havia dado sua confiança à serpente, o Criador desfez este laço de influência colocando entre ambas a inimizade (Gênesis 3.11.15). Adão é considerado o principal responsável pelo ato de rebeldia, apesar de as consequências da Queda atingir, igualmente, ao homem e à mulher e suas respectivas esferas de atuação (Gênesis 3.9,17; Romanos 5.12-14).

Eva talvez tenha percebido logo que foi iludida, havia sido criada sem nenhum pecado e ao pecar, ao invés de passar a ser igual ao Criador, que é santo, tornou-se parecida com o diabo, o primeiro ser apontado pelas Escrituras como pecador. Adão e Eva transformaram-se em pecadores e foram lançados para fora do jardim para envelhecer e morrer. Antes do pecado, Adão lavrava  apenas o jardim do Éden, com facilidade produzia seu sustento e vivia feliz com Eva. Depois do pecado, o Criador amaldiçoou a terra, que passou a produzir espinhos e cardos, e Adão não mais pôde trabalhar com facilidade. O trabalho passou a ser árduo para ele. Adão viveu 930 anos, teve muitos filhos e filhas. O dia se sua morte chegou, morreu conforme o Criador disse que aconteceria (Gênesis 5.4-5). 

Sobre a Queda de Adão, podemos extrair a lição de que jamais devemos dar margem para dúvidas. Para evitar cair em tentação, é preciso buscar o conhecimento completo do que o Senhor fala. Sempre será necessário ensinar o conteúdo bíblico usando textos e contextos, pois o pregador é cobrado por suas negligências no que tange ao ensino. Distorcer, adicionar e subtrair informações referente ao que há nas Escrituras Sagradas, não edifica o crente, favorece apenas os interesses do diabo.

Depois deste fato triste, Adão deu para sua esposa o nome Eva. No idioma hebraico, este nome significa "vida". A Ciência define vida como o conjunto de características que mantém os seres humanos em atividade. Adão nomeou-a assim tendo em vista a capacidade de reprodução da espécie humana que havia nela, sua mulher logo passaria a ser a "mãe de todos os seres humanos" (Gênesis 3.20 (NAA).

Eva torna-se mãe (Gênesis 4.1,2).

Eva foi criada para ser a “companheira adequada”, a parceira de Adão na tarefa de encher a Terra e sujeitá-la. Como complemento oferecido por Deus, era digna de merecer todo respeito do seu marido, devia ser devidamente bem tratada por ele. A narrativa bíblica sobre o primeiro casamento estipula que o homem deve deixar pai e mãe e formar uma nova unidade familiar ao unir à sua mulher. E desta união conjugal precisa haver a geração de descendentes (Gênesis 1.28; 2.24).

Alguns interpretam o significado sobre a Queda de Adão de maneira totalmente equivocada, dizem que o pecado do casal foi o ato sexual. Deus disse “frutificai e multiplicai-vos”, portanto, está claro dentro do ambiente do casamento que a expressão sexual é uma dádiva, o celibato nunca foi plano do Criador, a sexualidade humana é uma bênção que existe para que marido e mulher tenham filhos e expressem afetividade reciproca intimamente. O apóstolo Paulo, ao abordar a questão da apostasia nos últimos dias (1 Timóteo 4.3-5), desenvolve uma interpretação positiva a respeito do relacionamento sexual no matrimônio. Através de sua redação, entendemos que Deus criou homem e mulher com a capacidade de terem prazer na atividade sexual, que a constância da relação íntima no casamento gera a desejável felicidade, a união conjugal é onde homem e mulher podem e devem compartilhar juntos os prazeres físicos da vida terrena.

Não há base bíblica para a doutrina do rigor acético na vida de casal, a proibição da expressão sexual desvirtua o propósito divino para este assunto, e de igual maneira não existe base bíblica ao indivíduo promíscuo que pratica o sexo fora laços matrimoniais.

Na antiga cultura hebraica, considerava-se que a principal responsabilidade das mulheres para com os maridos era gerar filhos, especialmente filhos do sexo masculino. A geração de um filho era a contribuição mais nobre que a mulher podia dar ao marido e à família. Não fazê-lo, em contrapartida, via-se como uma desgraça. É por este motivo que vemos o desespero de Raquel por não ter gerado nenhum menino para Jacó. Quando, posteriormente, Deus permitiu que concebesse um garoto, Raquel interpretou esse acontecimento como a remoção de sua humilhação (Gênesis 30.1,23).

Em Gênesis 3, temos o relato do primeiro pecado consumado. Observamos que a Queda implicou uma inversão completa do padrão de relacionamento definido por Deus, com consequências desastrosas e permanentes revertidas apenas pela vinda e morte salvífica do Messias.

No capítulo 4 de Gênesis, vemos o começo das consequências desta ação da desobediência de Adão e Eva. A mulher dá à luz a dois filhos: Caim e Abel. O coração de Caim não possui afeto natural em relação a seu irmão, seu sentimento é retratado como um fera em prontidão para atacar, a malignidade contamina a sensatez de seu raciocínio e o induz ao terrível ataque fatal contra Abel. Então ocorre o primeiro assassinato registrado na Bíblia Sagrada, é o início do desdobramento da prática do pecado na história da humanidade  (Gênesis 4.6-9; 13-14; 1 Pedro 5.8).

A mulher no plano de Deus (1 Pedro 3.1-7).

A linha cronológica da apresentação dos fatos relativos ao casamento no Antigo Testamento. começa em Gênesis, capítulos 1 a 3. Tal cronologia pode ser atrelada ao Plano da Salvação. Em Gênesis 3.9 a 20, há o relato de como Deus agiu em relação ao pecado de Adão e Eva e à indução ao erro cometido pela serpente. O Criador sabia de toda a ocorrência e fez perguntas visando extrair confissões e proferir a condenação. A serpente foi condenada a rastejar e estar em guerra constante com a humanidade e ter a sua cabeça esmagada pela descendência de Eva - o juízo contra a serpente é ao mesmo tempo o anúncio divino de bênção ao ser humano, a Boa Nova da intervenção de Jesus Cristo em favor de todos os pecadores (Gênesis 3.15; João 3.16; Romanos 16.20; Hebreus 2.14; Apocalipse 22.18).

O apóstolo Pedro, no terceiro capítulo de sua primeira carta, descreve os deveres de maridos e esposas no seu relacionamento, começando com os deveres das esposas. Abordar problemas conjugais e familiares, refere-se as mulheres convertidas a Cristo no mundo antigo em que vivia, considera a consequência desse ato quando o marido continuava descrente (3.1-2). Seu aconselhamento às esposas é mais extenso do que a orientação dirigida aos maridos crentes, pois quando o homem se convertia enquanto que a mulher seguia sem aceitar a Cristo, o marido levava a sua mulher à Igreja e não havia maiores dificuldades, mas se apenas a esposa era convertida, seu passo de fé poderia causar complicações sem precedentes dentro do seu lar.

A situação de uma mulher mudar de religião sem ser acompanhada do seu marido era algo praticamente inaceitável pela sociedade grega daquela época, naquela civilização a mulher não tinha direito ao pensamento próprio, era obrigada a permanecer no ambiente doméstico, pedir o menos possível e acatar todas as ordens do marido. Seu marido podia divorciar-se dela à vontade contanto que lhe devolvesse seu dote. A vida da mulher em Roma não era muito diferente, as leis romanas favoreciam apenas os homens. Legalmente, em fase adulta a pessoa de sexo feminino era tratada como se fosse ainda criança. Quando vivia no lar paterno estava sob a autoridade do pai, que possuía o direito de decidir sua vida ou morte; ao casar-se passava a estar sob a autoridade absoluta do marido.

O ensinamento de Pedro sobre o modo das esposas cristãs casadas com homens descrentes se consiste em que elas vivam  em sujeição, uma submissão carinhosa à vontade do seu cônjuge, para que através da conduta amorosa, o homem que não tinha contato algum com o Evangelho de Cristo encontrasse oportunidade de observar a evidência da Palavra através do procedimento prestativo, prudente e exemplar da sua mulher. Através deste aconselhamento, aprendemos a sujeição espontânea, primeiramente ao Todo Poderoso, são deveres cristãos que o Criador estabeleceu antes do pecado cometido por Adão e Eva (Gênesis 3.16; 1 Timóteo 2.11).

Pedro incentiva os cristãos à viverem unidos, ao amor, à compaixão, à paz e à paciência nos sofrimentos; a perdoarem os caluniadores e não caluniarem; não retribuírem o mal com o mal, nem insulto com insulto, mas com bênção; estarem sempre prontos para explicar a razão da sua fé e esperança, e conservarem a boa consciência (3.8-17). Para encorajá-los a isso, o apóstolo aponta ao exemplo de Jesus, que sendo justo sofreu pelos injustos (3.18-22).

A mulher no Reino de Deus 

As Escrituras ensinam que Deus fez tanto o homem quanto a mulher parecidos com Ele (Gênesis 1.27; 5.1; 9.6; 1 Coríntios 11.7; Tiago 3.9). Sendo o Criador pessoal, criativo, dotado de inteligência e desejo, capaz de governar o mundo, fez dois seres humanos dotados de atributos físicos e psicológicos que configuram os caráteres das criaturas varonil e feminil portando qualidades específicas, e estas refletindo a inteireza do seu Criador, possuem capacidade de cumprir plenamente a vontade divina.

Algumas mulheres destacadas positivamente nas páginas das Escrituras:
• Abgail, a mulher de sabedoria (2 Samuel 25.18-35);
• Ana, a mulher de oração (2 Samuel 1.9,10);
• A mulher anônima que Jesus observou contribuindo no templo (Marcos 12.41-44);
• Débora, a mulher que profetizava (Juízes 4.5);
• Rute, a mulher de decisões acertadas (Rute 1.16);
• Sara, a mulher de fé (Hebreus 11.11);
• Lídia, a primeira convertida a Cristo na Europa (Atos 16.14);
• Lóide e Eunice, respectivamente, avó e mãe do jovem pastor Timóteo, a quem transmitiram a fé no Salvador (2 Timóteo 1.5);
• Maria Madalena, a primeira mulher que testemunhou a ressurreição do Salvador (João 20.11-18);
• Priscila, esposa fiel de Áquila, que junto a ele cooperou no ministério de Paulo (Atos 18.21-3,26; Romanos 16.3,4. 
Em todo o ministério terreno de Jesus e, principalmente em sua ressurreição (Lucas 24.1-10), percebemos a fé e o respeito que as mulheres demonstraram pelo Salvador. Depois de sepultado, assim que o período do dia de sábado terminou, Maria Madalena, Joana, Maria, mãe de Tiago e outras mulheres (João 12.10,24,32), aproveitaram a primeira oportunidade e foram ao sepulcro para embalsamar o corpo de Jesus, talvez quisessem ungir sua cabeça, o rosto, espalhar especiarias em suas mãos e pés feridos, em uma expressão de carinho, o mesmo carinho que dispensamos em nossa cultura ocidental quando derramamos lágrimas e colocamos flores ao redor das pessoas falecidas que amamos.

Considerando a expressão de amor dessas mulheres, Deus ordenou que dois anjos avisassem-lhes que o Senhor havia ressuscitado, e ajudassem a lembrar que o próprio Cristo havia dito que ressuscitaria ao terceiro dia da sua morte, pois elas encontraram o túmulo aberto e vazio. E coube a elas a missão de avisar aos homens que Ele estava vivo (Lucas 24.6,8).

Após o pecado no Éden, Deus ainda se comunica com as pessoas, agora através da Bíblia Sagrada, que inspirada pelo Espírito Santo tem o poder de transformar vidas. O mundo necessita conhecer a essência do seu Criador, tendo em mente quem realmente Ele é. Através da pregação da Palavra, realizada por pessoas renascidas em Cristo, deseja abençoar pessoas de modo individual e coletivamente, sendo reconhecido e aceito como Soberano no ambiente das famílias. Homens e mulheres, alcançados pela graça da salvação, têm em si o reflexo de seu Criador, estão incumbidos com a missão de entregar a mensagem das Boas Novas aos que ainda não encontraram o Salvador.

Conclusão

As Escrituras dão testemunho de um número considerável de relacionamentos entre homens e mulheres caracterizados pelo amor e pela honra a Deus. Apesar disso, por causa do pecado, o ideal divino da união matrimonial e família foi corrompido pela poligamia, divórcio, adultério, homossexualidade, esterilidade e falta de diferenciação dos papéis de marido e esposa. Por existir na cultura contemporânea, considerável confusão sobre o plano de Deus a respeito do casamento, com a finalidade de saber lidar com essa crise cultural, e fortalecer as convicções cristãs sobre o assunto, o cristão autêntico precisa ter a Bíblia Sagrada como base para empenhar-se à edificação e solidificação do fundamento mais íntimo que o Criador trouxe à existência.

Lição nº 3: A natureza do homem
Sumário: Lições Bíblicas Adultos – A Raça Humana: Origem, Queda e Redenção (Edição Comemorativa) 
► Eva, o Primeiro Ser Humano Feminino na Face da Terra

E.A.G.

Compilação:
Comentário Bíblico Beacon, Gênesis a Deuteronômio. Volume 1; página 38.
Comentário Bíblico Mattew Henry - Atos a Apocalipse, 1ª edição 2018, pagina 872. Rio de Janeiro - RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD)
Comentário Bíblico Mattew Henry - Mateus a João, 1ª edição 208, páginas 729, 730. Rio de Janeiro - RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD).
Deus Casamento e Família: reconstruindo o fundamento bíblico. Andreas J. Köstenberger e David W. Jones. 2ª edição. Páginas 281 29 e 35. São Paulo (Vida Nova).
Guia do Leitor da Bíblia – Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Lawrence O. Richards. 5ª edição 2006. Páginas 26, 836. Bauru. Rio de Janeiro – RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus – CPAD).
Pastor Christian Molk. consulta realizada no website em 03 de janeiro de 2019, https://www.christianmolk.se/2014/03/nar-eva-foll/ 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

A Velhice de Davi


Por Eliseu Antonio Gomes

INTRODUÇÃO

Certa vez, alguém escreveu o seguinte: No período da infância, quem observa alguém entre 20 e 30 anos pensa que tal pessoa é velha; quem tem entre 20 e 30 tende a cogitar que o indivíduo na faixa de 60 está vivendo em velhice; e o sexagenário pondera que ser velho é ter passado de 70 anos de idade. O que dizer sobre isso? Cada um de nós deve olhar para si mesmo entendendo e aceitando que o envelhecimento é um desenvolvimento gradativo natural que provoca alterações no organismo, mudanças vistas como normais da vida.

A lei número 10.741, de outubro de 2003, dispõe sobre o Estatuto do Idoso. Em seu artigo número 1, declara que pessoas  com idade de 60 anos ou mais são consideradas legalmente idosas.

I - UMA VISÃO GERAL SOBRE A VELHICE

1. Concepções antigas e modernas.

Os seres humanos têm demonstrado atitudes muito diferentes diante da velhice. Na antiguidade clássica, a velhice era vista como sinônimo de sabedoria, os postos de governo e ensino eram reservados primeiramente aos anciãos. Em época mais remota, povos bárbaros que praticaram o canibalismo contra as pessoas velhas, fracas, improdutivas.

Ainda existe em países orientais a preservação da dignidade do idoso; e, infelizmente, salvo as valiosas exceções, em muitas nações ocidentais, de forma não literal, a antropofagia volta a se repetir, pois a pessoa envelhecida é esquecida, abandonada, maltratada por familiares e pelos governos.

2. Concepção bíblica.

Deus criou a vida humana como um processo evolutivo, a ser iniciado na infância e terminar na velhice. O começo e o final são caracterizados pela fragilidade de uma vida que está começando ou terminando. Mas, enquanto a sociedade considera a velhice como a etapa de impotência e mal-estar, quando os sentidos vão morrendo aos poucos, quando se apaga a capacidade de desfrutar os prazeres da vida, quando a pessoa começa a ser um estorvo para os familiares e quando sua única esperança é o túmulo, as Escrituras Sagradas mostram a longevidade humana de modo bastante positivo. Ao Senhor, quanto mais a entrada dos anos, mais plenitude de vida tem a pessoa.

A morte de Abraão é assim descrita: "Os dias da vida de Abraão foram cento e setenta e cinco anos. Abraão expirou e morreu após uma longa velhice, e foi reunido ao seu povo. Os filhos dele, Isaque e Ismael, o sepultaram na caverna de Macpela, no campo de Efrom, filho de Zoar, o heteu, em frente de Manre, o campo que Abraão havia comprado dos filhos de Hete. Ali foram sepultados Abraão e Sara, sua mulher. (Gênesis 25.7-10). Moisés também viveu cento e vinte anos, "seus olhos não se haviam enfraquecido, e ele não havia perdido o vigor" (Deuteronômio 34.7). 

A bênção do Senhor se expressa nesta porção bíblica: "Em toda aquela terra não havia mulheres tão bonitas como as filhas de Jó; e seu pai lhes deu herança entre seus irmãos. Depois disto, Jó viveu mais cento e quarenta anos; e viu os seus filhos e os filhos de seus filhos, até a quarta geração. E assim Jó morreu, após uma longa velhice" (Jó 42.15-17).

Toda a narrativa que encontramos de Mateus ao Apocalipse não faz referência ao período da velhice de maneira negativa. No tempo do ministério terrenos de Jesus Cristo, os anciãos era usado para se referir aos chefes de comunidades, tomavam parte do Sinédrio, juntamente com os sumos sacerdotes e os escribas. Quando a igreja começou a se organizar, durante o tempo da perseguição do Império Romano, as comunidades cristãs encarregavam um colegiado de anciãos, conhecido como "presbitério" com vista a estabelecer o governo das comunidades cristãs.

Diversas passagens bíblicas mostram a vida longa como prêmio à fidelidade e à vida justa (Êxodo 20.12; Deuteronômio 4.40; Provérbios 3.1-2; 4.10). Em não poucos casos a morte prematura transmite a ideia de castigo divino (Salmos 9.18; Provérbios 10.27). Jesus Cristo, entregou a sua vida em favor do pecadores quando estava no auge da maturidade de um homem, pois aceitou receber em si o castigo que era nosso  (Lucas 3.23). 

II - PROBLEMAS NA VELHICE DE DAVI

1. A velhice de Davi.

É um grande consenso que Davi (em hebraico, "amado"), o segundo e maior rei de Israel, é uma das figuras mais importantes da história israelita e de toda a Bíblia Sagrada. Filho mais moço de Jessé, nasceu em Belém, cidade onde passou a maior parte da sua juventude como pastor.

A grande mácula de seu caráter foram os males que perpetrou contra Urias, e que resultou na morte deste - pecados dos quais ele se arrependeu amargamente e foi perdoado. Seu último cântico, exprime o espírito de sua vida e de seu governo (2 Samuel 23.1-7).

O relato de  1 Reis 1.1-4 mostra que ele, pela misericórdia de Deus havia escapado de muitos perigos e doenças, mas nada disso evitou que aos setenta anos seu vigor  físico decaísse e fosse arrastado pelo peso da idade aos portões da sepultura. O calor natural do corpo deixava seu organismo e nada era capaz de aquecê-lo e assim esteve confinado ao leito até seu último suspiro. Entre virtudes e falhas, para Davi a velhice e a morte também chegaram.

2. Enfrentando mais um filho rebelde.

Após as mortes de Saul e Jônatas, Davi reinou em Hebrom por sete anos e meio; quando Isbosete, filho de Saul, faleceu, Davi tornou-se rei sobre todo o Israel. Tomou dos jebuseus a terra de Jebus (Jerusalém), no monte Sião e fez dela a sua capital, e edificou ali um palácio, havendo ao lado uma tenda em que a arca do Senhor foi guardada (2 Samuel 6), até que o templo fosse edificado por seu sucessor Salomão, para abrigá-la. Ergueu a fortificação do monte Sião, que ficou conhecida como cidade de Davi.

Na última parte de seu reinado de trinta e dois anos em Jerusalém, seu filho  Absalão, rebelou-se contra Davi e foi morto, causando assim grande desgosto ao seu pai. Pouco antes da morte de Davi (a data é discutida como tendo ocorrida em 1015, 980 ou 977 a.C.), outro filho mostrou-se rebelde, Adonias, que por meio de uma revolta, tentou frustrar a escolha dele a favor de Salomão como seu sucessor.

Não obstante fosse ele o herói do povo, Davi, contentando-se com um apelo à Justiça divina, recusou mesmo em sua própria defesa, levantar sua mão contra o ungido do Senhor - Saul. Fugindo da inveja implacável de Saul, escapou primeiro para a terra dos filisteus; então reunindo na caverna de Adulão 400 homens (mais tarde 600) e rumando para cá e para lá na região meridional, conseguiu esquivar-se de seu perseguidor, sem tocá-lo. 

Davi teve muitas aflições com seus filhos, Amnom e Absalão foram responsáveis pela maior parte da sua tristeza. Sua vida foi um Contraste ao comportamento de seus dois filhos, Absalão (o filho que havia tratado com frieza), e Adonias (que havia recebeu muito mimos); ambos não reverenciaram ao Senhor e atentaram contra sua vida.

Deus escolheu a Salomão para reinar em Israel e Davi o constituiu como seu sucessor (1 Crônicas 22.9 e 23.1).  Encontramos em 1 Reis 1.5-10 o relato sobre a aspiração de Adonias ao trono de Davi, quando Davi já está em seu leito de morte. Adonias, homem de boa aparência, agiu insolentemente, não pensou em receber instruções de Davi quanto ao seu futuro, não mostrou nenhum sentimento de pesar ao vê-lo sofrendo, ao perceber que o trono ficaria vago, proclamou-se rei à revelia da vontade paterna e sem consultar ao Senhor.

3. Constituindo Salomão como rei.

A transmissão da coroa tinha a direção divina, portanto, sendo Natã um autêntico profeta do Senhor, empenhou-se ao máximo na situação da sucessão real. Davi e Bate-Seba não sabiam sobre a atitude de Adonias proclamar-se o novo rei de Israel até o profeta Natã avisá-los. 

Estando Davi acamado, e Salomão sendo ainda muito jovem para tomar as medidas necessárias para assumir o poder, Natã e Bate-Seba  asseguraram a sucessão real para Salomão, conforme podemos conferir em 1 Reis 1.11-31. Buscaram de Davi a ratificação da sucessão para Salomão e impediram a usurpação de Adonias, a ênfase da ordem do rei confirmava o título de real a Salomão e estava de acordo com o plano divino sobre quem seria o próximo soberano de Israel.

Atos referentes ao início do reinado de Salomão:
• 1 Reis 1.32-34. A reação de Davi, ao transmitir orientações a Zadoque, Benaia e Natã foram importantes para assegurar a posse de Salomão.
• 1 Reis 1.36. Benaia, comandante do exercito de Davi, apoiou a coroação de Salomão dizendo "amém".
• 1 Reis 1.45. Natã, no exercício do ministério de profeta, e Zadoque, o de sacerdote, ungiram Salomão com óleo do Tabernáculo em evento público.
• 1 Reis 1.46. A cidade se alvoroçou com grande brado de alegria quando Salomão recebeu a unção.
É preciso manter o sentimento de autopreservação sempre em alerta, pois o adversário de nossas almas não descansa, está sempre em atividade para retirar de nossas cabeças a coroa da salvação. É importante estar vigilante em nosso benefício espiritual e do próximo. Assim como fez Natã, temos o compromisso de alertar aqueles que esqueceram de vigiar e correm o risco de perder a sua coroa; os ministros do Evangelho devem, em nome de Jesus Cristo, empenhar-se com todo esforço possível para que o diabo não roube a coroa da salvação daqueles que estão distraídos com efemeridades dessa vida passageira (Apocalipse 3.11).

III - AS PALAVRAS FINAIS DE DAVI EM SUA VELHICE

1. O reconhecimento da ação do Deus de Jacó.

Jacó (em hebraico, ya‘aqob) significa '‘apanhador de calcanhar", “malandro” ou “suplantador”. Foi o filho gêmeo de Isaque e Rebeca, teve uma história longa e cheia lutas amargas. Esaú, foi o primeiro a nascer e Jacó veio à luz agarrado no calcanhar de seu irmão (Gênesis 25.21-28)

As promessas de Deus aos patriarcas tinha a consideração de abençoar o primogênito, isto é, o primeiro filho homem a nascer.  Na ausência do pai, o filho primogênito tinha autoridade sobre a família (Gênesis 37.21-30; 42.37), a porção dobrada da herança (Deuteronômio 21.17), e o direito ao sacerdócio. A história de Esaú e Jacó (Gênesis 25.30-34; 27.36), mostra que o primogênito poderia perder sua bênção. Devido ao fato de estar faminto e não valorizar seu relacionamento com Deus, Esaú aceitou a oferta de Jacó e trocou sua bênção por um prato de sopa que o irmão lhe preparou e depois se arrependeu amargamente. Jacó, valendo-se da cegueira do pai, fingiu ser Esaú e foi encontrar-se com seu pai, pedindo-lhe que o abençoasse com a bênção de primogenitura, enganado, pensando que se tratava de Esaú, abençoou a Jacó. Assim, o significado de seu nome fez todo o sentido: suplantador.

Quando Jacó voltava para sua terra natal, depois de muitos anos vivendo distante de seu lar, porque seu irmão Esaú, descobrindo-se prejudicado queria matá-lo, um grupo de anjos veio ao seu encontro (Gênesis 32.1,2), recepcionando-o com a proteção de Deus. Ao passar com sua família e comitiva de empregados pela parte rasa do ribeiro de Jaboque, ganhou uma experiência excepcional com “um varão” desconhecido. Lutou com ele para que não fosse embora até o romper do dia (v. 24). Embora estivesse com seu quadril ferido, foi bem-sucedido e ganhou a disputa, do varão com quem lutou, uma bênção que mudou o seu nome de Jacó (“enganador”) para Israel (“o que luta com Deus"). Aquele homem revelou sua verdadeira identidade, abençoando Jacó e também mudando o seu nome. Esta pessoa era o próprio Deus Eterno (Gênesis 17.5; 35.9­,15; Isaías 65.15; Oseias 2.23; 12.3,4).

Quando Davi citou o patriarca Jacó, é provável que reconhecesse o quanto foi uma pessoa pecadora e o quanto Deus foi misericordioso com ele. Todos nós somos pecadores, carentes da misericórdia divina. Se reconhecemos nossos erros e buscamos ao Senhor, pedindo a bênção de seu perdão, alcançaremos sua misericórdia. E, relembrando a promessa que Jesus fez aos que perseveraram até o fim da vida em fidelidade ao Senhor (Apocalipse 2.17) seremos uma alma entre as almas de uma grande multidão de salvos, lá no céu, que um dia receberá uma pedrinha branca em que estará escrito o nosso novo nome.

2. O Davi inspirado.

Ainda muito jovem, matou o filisteu, gigante Golias, o que lhe deu acesso à corte do rei Saul, cuja melancolia Davi acalmava, tocando magistralmente sua harpa.  O Antigo Testamento o apresenta como guerreiro valente, cantor, músico, a ele é atribuído um grande número de poemas, publicados no livro de Salmos.

Além das inspiradoras obras escritas, Davi inspirava através de suas atitudes com vista a reinar glorificando o Deus de Israel.  Sua guarda de 600 heróis, composta, na maior parte, por estrangeiros, especialmente quereteus e peleteus (provavelmente cretenses e filisteus), Davi possuía, segundo registro em Crônicas 288 mil guerreiros dos quais 24 mil pegavam em armas cada mês do ano.  As suas campanhas militares, bem sucedidas e de poucos anos, fizeram com que Davi se tornasse o soberano de todo o território, desde o Eufrates até as fronteiras do Egito (2 Samuel 8). Dessa maneira, sua heroica confiança em Deus sempre o susteve em todas as dificuldades de sua própria vida e de seu reinado.

Nos dias mais difíceis da história, os homens sentiam que só com outro Davi se cumpririam as promessas de Deus. A lembrança das "firmes promessas de Davi" (2 Samuel 7.12-16) e do "concerto eterno" que Deus fizera com ele (2 Samuel 23.5), revivificou a esperança messiânica do povo naquele que se daria "como testemunha aos povos, como príncipe e governador dos povos" (Isaías 55.3,4; Atos 13.34).

A única pessoa que as Escrituras declaram ter sido o "homem segundo o coração de Deus" é Davi (1 Samuel 13.14 e Atos 13.22). O Novo Testamento nos diz que Jesus Cristo pertence à linhagem de Davi, descreve o Salvador de muitas maneiras sendo que uma delas é que o Filho de Deus é o Leão de Judá e a raiz de Davi.

CONCLUSÃO

Nos textos de Eclesiastes (8.7-8 e 12.1-10) temos as impressionantes e poéticas abordagens sobre velhice, os versos falam de enfraquecimentos e doenças e concomitantemente ao apego à vida. E aprendemos que a pessoa idosa merece consideração e respeito, deve ser tratada com carinho, até pelo fato de que o curso natural da vida leva a todos para esta fase.

Embora haja na Bíblia muita ênfase reconhecendo ao ancião a prerrogativa de possuir a inteligência e a sabedoria (Deuteronômio 32.7; Salmo 78.3; Joel 1.2), não existe uma exaltação incondicional à velhice."Melhor é o jovem pobre e sábio do que o rei velho e tolo, que já não se deixa admoestar" (Eclesiastes 4.13).

E.A.G.

Compilações:
Comentário Bíblico de Mattew Henry. Volume 2. Antigo Testamento - Josué a Ester. Edição 2010. Páginas 448 e 449. Rio de Janeiro (RJ). Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD).
Dicionário Bíblico Wycliffe. Charles F. Pfeiffer, Howard F. Vos, John Rea. 2ª Edição 2007. Páginas 1006, 1007 e 1596. Rio de Janeiro (RJ). Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD).
Vocabulário Teológico Para a América Latina. J.L Idígoras. Edição 1983. Páginas 529, 530. São Paulo / SP (Edições Paulisnas).

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

A Rebelião de Absalão

Por Eliseu Antonio Gomes

INTRODUÇÃO 

Os acontecimentos trágicos no relacionamento conturbado entre Davi e Absalão ocorreram em cumprimento da profecia de Natã (2 Samuel 12.10-11 e 16.20-23). Ao dar vasão às paixões carnais,  com Bateseba, Davi provocou muitas situações conflituosas em sua família.

Semelhantemente, o fato de Davi ter sido um rei polígamo, algo que não era da vontade de Deus, também se consistiu em fator causador de enorme  sofrimento em sua vida (Deuteronômio 17.17). 

I - O HOMEM ABSALÃO

1. Descrição.

Absalão ('avshalom), nome hebraico, significa "pai é da paz". Ele foi o terceiro filho de Davi, resultante do casamento com uma estrangeira, Maaca, filha de Talmai, rei de Gesur (2 Samuel 3.3).

Absalão era um homem de aparência admirável, da planta dos pés ao mais alto da cabeça não havia defeito algum. Era dotado de personalidade forte, possuía facilidade para entender situações implícitas e usava-a com malícia, com intenção de conquistar o coração do povo. Era hipócrita, escondia um espírito de grandeza, falsa devoção a Deus.

Biograficamente, há muitos detalhes sobre a pessoa de Absalão, em especial no quesito físico, mas nenhum destaque mostra que era uma pessoa espiritual. No coração de Absalão havia a natureza depravada e apóstata contra Deus, alimentada por seus propósitos ruins, totalmente contrários ao que o Senhor esperava dele vontade. Consequentemente, seus planos foram revelados, ao pôr em prática sua rebelião contra o rei Davi.

Absalão mantinha cabelos compridos, cortava-os uma vez por ano. De acordo com 2 Samuel 14.26, sua cabeça chegou a produzir duzentos siclos de fios de cabelo, peso equivalente a dois quilos, entre um e outro corte. Sua beleza masculina era tão admirável quanto a beleza feminina de sua irmã Tamar,  o que injustificavelmente motivou que ela fosse violada por Amnon, o filho primogênito de Davi, gerado em casamento com outra mulher (2 Samuel 13.1-18).

2. Em que consistia a causa da sua revolva?

2 Samuel 13 narra o início da tragédia ocorrida na família de Davi.

Quando Amnon, que era o primeiro na linha sucessória ao trono de Davi, cometeu a situação deplorável de desrespeitar sua meia-irmã Tamar, uma grave infração a lei de Deus (Levíticos 18.11), tal ação desencadeou desarmonia e derramamento de sangue à casa de Davi. Embora Davi tenha ficado irado contra Amnon, foi omisso e abriu mão de sua responsabilidade como pai e rei, pois não fez justiça alguma (13.21). Entretanto, quando Absalão,  irmão de sangue de Tamar, soube que ela havia sofrido violência sexual por Amnon, planejou seu assassinato friamente. Era grande seu carinho por Tamar, tanto que homenageou-lhe dando seu nome para uma de suas filhas (14.27).

Passados dois anos (versículo 13.23), Absalão, preparou uma festa, ordenou a seus criados que aproveitassem o momento de embriaguez de Amnon e o matassem. O crime aconteceu conforme ele quis que acontecesse. E assim como Davi planejou a morte de Urias por meio de seus soldados, Absalão matou Amnon pelas mãos de seus criados (2 Samuel 11.14-17; 13.28-29).

II - A REVOLTA DE ABSALÃO

1. A fraqueza do reino de Davi.

A vingança de Absalão incorreu no desprazer de seu pai Davi. Após vingar-se, ele afastou-se do palácio, exilando-se em Gesur, em companhia de parentes maternos (2 Samuel 13.19-39). Absalão permaneceu exilado por três anos, ao retornar a Jerusalém, esteve banido das dependências da corte por mais dois anos.

Após cinco anos afastado de seu pai, conseguiu reconquistar o favor dele, porém recompensou este favor com um sentimento de revolta e movimento conspiratório, visando tirá-lo do trono e ficar em seu lugar. Dissimulado, provavelmente ressentido pelo fato de Davi não ter feito justiça ao caso de sua irmã, escondia dentro de si o sentimento de ódio contra seu pai.

2. O Absalão político.

Politicamente, Absalão sabia como abrir caminho em meio à oposição. Depois de voltar de Gesur à Jerusalém, usou a influencia de Joabe sobre Davi, forçando-o a abrir caminho para que tivesse audiência com o rei, e pudesse outra vez ter acesso livre à corte real e seus prazeres. Ao dizer "se há em mim alguma culpa, que me mate" (2 Samuel 14.28-33), deixou a impressão de que estava convencido precisar castigar seu irmão Amnon, ao cometer o ato de vingança, matando-o, não havia cometido erro algum (1 Samuel 20.8).

Absalão foi admitido à presença de Davi, recebeu seu perdão com um beijo (14.33). Mas, deliberadamente, depois de perdoado passou a minar a autoridade do pai, aumentando seu próprio prestígio (2 Samuel 15.1-15). Usava sua  imagem pública marcante, toda a habilidade teatral relacionando-se com o povo fazendo elogios falsos, apresentava-se em público com devoção fingida a Deus. Usava perspicácia com o objetivo de chamar a atenção do povo em seu favor, exercia o ofício de juiz de Israel, função que não era sua, com a intenção de ser favorecido com o aumento da sua popularidade.

3. Proclamando-se rei.


Tais procedimentos sagazes asseguraram um elevado grau de sucesso à busca de seus objetivos, mas não poupou-lhe de receber as duríssimas consequências de seus atos maus.

Depois de reconciliado, Absalão pediu permissão a Davi para ir para Hebrom, cidade em que seu pai havia sido ungido rei sob Judá e todo o Israel; Hebrom também era o lugar em que ele nasceu (2.4; 3.2-3; 5.3). Recebeu a autorização de Davi, dizendo-lhe que iria apenas pagar um voto, realizar um sacrifício de ação de graças a Deus por ter permitido que voltasse para Jerusalém. Porém, sua viagem servia de estratégia disfarçada, desejava ter ambiente propício para começar sua revolta política. Em sua trama conspiratória, levou consigo alguns dos líderes de Israel para dar a impressão de que o rei, em sua velhice, apoiava a situação de fazê-lo rei naquele momento (13.10-12).

4. A lealdade dos servos de Davi.

Enquanto Absalão oferecia sacrifícios, a rede de conspiradores aumentava. E um mensageiro levou rapidamente essa informação a Davi, que resolveu fugir, evitando o confronto dentro de Jerusalém, pois queria preservar a cidade que havia embelezado, e evitar mortes de inocentes  (15.1-13).

Davi recebeu apoio de sua guarda real, que era formada por seiscentos homens, inclusive de Gate, isto é, mercenários filisteus. Teve o apoio de Itai, comandante dos goteus, mais tarde Itai foi recompensado com a nomeação ao comando de um terço do exercito de Davi (18.2,5,12).

III - A MORTE DE ABSALÃO

1. Coração de pai.

Absalão cometeu escândalo terrível contra seu pai, ao seguir o conselho de Aitofel e relacionar-se sexualmente com suas concubinas, que haviam ficado em Jerusalém para cuidarem do palácio (16.15, 21-22).  Na cultura do Oriente Médio, o controle do harém era atribuição do monarca, então Absalão, em atitude que assinalava ser o novo rei da nação, dentro de uma tenda armada no telhado do palácio com o conhecimento de todo o povo, relacionou-se com concubinas de Davi  (11.2). Tal vexame ocorreu em cumprimento à profecia de Natã (12.11-12).

Sério perigo rondava a vida de Davi, a rebelião de Absalão angustiava seu coração. Ele registrou seu lamento por esse problema no Salmo 3, demonstrando que considerava Deus o seu Ajudador, escudo protetor e restaurador da sua dignidade. Com esta visão, invocou o poder divino para ser abençoado com livramento. Em sua confiança encontrava condição de naquela situação deitar-se e conseguir dormir sem dificuldade, e ao acordar ter a certeza que o Todo Poderoso o guardava.

2. O preço da rebelião de Absalão.

A rebelião de Absalão custou-lhe a vida. Seu fim é fato muito conhecido, morreu em circunstância vexatória. O capítulo 18, versículo 9 a 17, narra o seu fim.

Depois que Davi fez o arranjo militar para enfrentar a rebelião. pediu aos capitães que tratassem Absalão com brandura, como se a insurreição do filho rebelado fosse apenas uma estripulia de menino bagunceiro. Absalão foi atraído com seus homens, por Joabe, que era o comandante-em-chefe das fileiras de Davi, para a floresta de Efraim, ali foi cercado e 20 mil soldados foram abatidos. Ele pôs-se em fuga, durante a cavalgada, seu cabelo ficou preso nos galhos de uma carvalho, permaneceu ali dependurado entre o "céu" e a terra. Ali ele foi traspassado por três dardos atirados por Joabe. Os três dardos traspassaram o coração de Absalão, enquanto ainda estava vivo, dez jovens, que levavam as armas de Joabe, cercaram Absalão e acabaram de matá-lo. Levaram Absalão e o jogaram numa grande cova. E levantaram sobre ele um enorme monte de pedras. E todo o Israel apressou-se, cada um para a sua casa.

Com a ajuda de Usai e de Joabe, Davi foi capaz de derrotá-lo em batalha, sem tem que fazer confronto físico pessoal (2 Samuel 15.32-37 e 17.1-16; e 18.1-21; também 19.1-7).

Todo pecado tem sua consequência, por isso a melhor atitude é sempre evitá-lo. 

CONCLUSÃO

O servo de Deus deve fazer de tudo para proceder corretamente perante Deus e o próximo, pois a fragmentação moral e espiritual na sua vida  pode causar situação incontrolável, levando-o a significativas perdas, daí a exigência de Paulo: "sejamos irrepreensíveis" (1 Timóteo 3.2).


Compilação.
O Novo Dicionário da Bíblia. J. D. Douglas. Volume 1. Quarta impressão 1981. Página 25. São Paulo - SP  (Edições Vida Nova).
289
Introdução e Comentário. 1 e 2 Samuel. Cultura Bíblica. Joyce G. Baldwin. Primeira edição 1997. Página 289. São Paulo - SP (Edições Vida Nova).
Comentário Bíblico Moody: Gênesis a Apocalipse. Charles F. Pfeiffer

domingo, 1 de dezembro de 2019

A Biografia de Emílio Conde

Emílio Conde nasceu no dia 8 de outubro de 1901, em São Paulo. Seus pais se chamavam João Batista Conde e Maria Rosa, dois imigrantes italianos. Conheceu o Evangelho na Congregação Cristã do Brasil, fundada por italianos. O seu batismo nas águas foi em 21 de abril de 1919 e a experiência do batismo no Espírito Santo aconteceu alguns meses depois no mesmo ano. 

Mudou-se para o Rio de Janeiro, frequentando a Assembleia de Deus em São Cristóvão, pastoreada pelo Missionário. Samuel Nyströn. .

Inserido na sociedade, era pessoa  discreta, serena e cortês. Não possuía o hábito de mostrar seu cabedal de conhecimento privilegiado. Os amigos, e todos que se achegavam à sua roda de conversa, tinham o prazer de interagir e se descontrair com sua fala agradável, inteligente, sincera e mesclada com um bom humor refinado.

Era músico tocava órgão e acordeon. Compôs 25 hinos da Harpa Cristã.

Transferindo-se para o Rio de Janeiro, passou a frequentar a Assembleia de Deus, situada na Rua Figueira de Melo, 232, em São Cristóvão, cujo pastor era o missionário Samuel Nystrõm. Entusiasmado com o ambiente espiritualmente avivado, tomou-se membro dessa igreja.

Por muito tempo, Conde fez parte do Coral da Assembleia de Deus em São Cristóvão, dominada os teclados do órgão e do acordeon e adorar a Deus cantando. Por doze anos, de 1946 a 1958, foi designado como representante oficial das Assembleias de Deus no Brasil nas Conferências Mundiais Pentecostais.

Em 1937, trabalhava como intérprete em um restaurante, quando o missionário Nils Kastberg encontrou e fez o convite para ingressar na equipe de redatores do jornal Mensageiro da Paz, publicado editora Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD), que estava. Ele não titubiou em aceitar, pois sabia que o ofício de escritor era a sua vocação. Foi admitido em 5 de março de 1940, mas já era conhecido dos leitores pois algumas de suas matérias já haviam sido publicadas como colaborador.

Contratado, dedicou toda sua capacidade, erudição e inspiração fértil por três décadas à CPAD. Sempre sentiu prazer em escrever sobre a Palavra de Deus, fez isso em um tempo que existiam poucos evangélicos brasileiros nesta área. Para continuar exercendo esse trabalho foi capaz de rejeitar ofertas de emprego seculares com rendimentos maiores, não aceitou.

O que mais gostava de fazer era comunicar-se por meio da escrita, escrever livros, artigos, dar notícias e realizar reportagens aos leitores do jornal Mensageiro da Paz, revistas, sempre com o objetivo de promover a edificação espiritual dos fiéis. E exerceu o ofício de escritor como uma incumbência divina. Escreveu os livros "O testemunho dos séculos", "Nas asas do ideal", "O homem", "Nos domínios da fé", "Caminhos do mundo antigo", "Flores do meu jardim", "Tesouros de conhecimentos bíblicos"(obra em três volumes), e "Estudo da palavra".

Aos leitores confusos, entregou o pensamento organizado; aos angustiados, o conforto das promessas bíblicas interpretadas corretamente; fez de apoio aos que estavam desequilibrados na fé; ofereceu a semente da Palavra de Deus aos que estavam espiritualmente famintos.

Nos primeiros dias de janeiro de 1971, Conde entrou no Hospital Evangélico, na Tijuca, por conta de complicações de uma operação que não foi bem sucedida que o deixou enfermo. Às 13 horas do dia 5 daquele mesmo mês, o Senhor recolheu o seu servo.

E.A.G.

Este artigo contém informações extraídas do livro Eles Andaram com Deus, autoria de Jefferson Magno da Costa, uma publicação da CPAD.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Davi é Ungido Rei


Eliseu Antonio Gomes

INTRODUÇÃO

A narrativa de 1 Samuel é uma parte importante da história israelita, O livro 1 Samuel contém um drama psicológico dos mais intensos das histórias bíblicas. Neste livro, temos registros de fatos entre o término do período dos juízes até o estabelecimento do reino, sob o governo de Saul e de Davi, que o sucedeu no trono. Seus personagens são todos importantes, sendo Davi o maior destaque, pois foi o fundador da linhagem real que culminou em Jesus Cristo.

I - DAVI: O REI UNGIDO

1. Significado e propósito da unção.

Jacó ungiu uma coluna em Betel como forma de dedicação ou consagração do local (Gênesis 31.13); o ato da unção religiosa era tida como oficial e a Tenda da Congregação e a Arca do Testemunho foram ungidas (Êxodo 30.26-28). Na época dos juízes, estes eram separados por meio da unção, consagrando-se para propósitos específicos (Juízes 9.8-15). A unção era conferida, ao sacerdote (Êxodo 28.41; 29.36; 40.15; Números 3.3); sumo sacerdote (Êxodo 29.29; 40.13-15; Levítico 4.3; 16.32) e aos reis (1 Samuel 9.16; 16.1; 2 Samuel 2.4; 5.3; 1 Reis 34, 39).

A aplicação de unção de reis e sacerdotes acontecia para que desempenhassem sua missão conforme as normas divinas (Êxodo 40.13-15; 1 Samuel 9.16;1 Reis 19.16)

Jesus Cristo foi um servo ungido com o Espírito Santo (Isaías 61.1; Lucas 4.18; João 1.32,33; Atos 4.27; 10.38), e nesta unção foi feito por Deus profeta, sacerdote e rei, e descrito na Bíblia como o Ungido (Salmos 2.2; Daniel 9.25, 26) João 1.41; Atos 9.22); viveu sob a dependência do Espírito para fazer e realizou a obra do Pai, seu ministério foi marcado por milagres, curas, maravilhas, pregação e ensino poderoso (Atos 10.38).

O crente em Cristo recebe a unção divina para ser rei e sacerdote para com Deus (2 Coríntios 1.21; 1 João 2.20,27; Hebreus 1.9); seus olhos são ungidos com "colírio" para que possam ver a realidade espiritual (Apocalipse 3.18). Os apóstolos e os presbíteros ungiam os doentes com a finalidade de receberem a cura (Marcos 6.13; Tiago 5.14). 

2. O simbolismo da unção.

A aplicação de azeite ao corpo ou à cabeça era comum (Deuteronômio 28.40; Rute 3.3; 2 Samuel 12.20; Daniel 10.3; Miqueias 6.15). O uso de óleo ou unguento era prova de consideração (Salmos 23.5; Mateus 26.7; Lucas 7.38,46; João 11.2), até os mortos recebiam essências perfumadas (Mateus 26.12: Marcos 16.1).

No Antigo Testamento, no âmbito religioso, a unção indicava que alguém ou o objeto estava separado para algum ofício designado por Deus (Êxodo 30.28). A prática aconteceu antes mesmo do período monárquico. Nas páginas dos Evangelhos, a unção estava relacionada a Cristo e aos cristãos, no sentido de dotá-los de poder para testemunhar as verdades celestes (Atos 1.8; 1 João 2.20, 27). Paulo ensina sobre isso, afirma que o cristão está em Cristo, isto é, aqueles que aceitam a Jesus como Salvador e Senhor estão unidos com Cristo e Cristo transforma suas vidas colocando o Espírito em seus corações (2 Coríntios 1.21,22).

No simbolismo da unção, podemos ter dois sentidos específicos: o primeiro é relacionado à linhagem do rei Davi, tendo seu aspecto escatológico, pois, a partir da sucessão dessa linhagem, esperava-se o Messias redentor (Salmos 2.2; 18.50; 45.7).

A base da unção neotestamentária fundamenta-se no Antigo Testamento, como um ato ordenado por Deus, está ligada ao que já havia sendo antes vinha sendo sendo praticado pelos servos de Deus no passado. Simboliza o derramamento do Espírito do Senhor (1 Samuel 10.9; Isaías 61.1).

No ato da unção, declarava-se que a pessoa separada para um propósito especial e que em sua vida estava a presença do Espírito Santo de Deus, que a guiaria e orientaria para desempenhar com sucesso a missão para a qual estava designada.

No Novo Testamento, a unção é apresentada em vínculo com a fé em Cristo, apresentada juntamente com a sabedoria e a cura:
• 1 João 2.27 - "Quanto a vocês, a unção que receberam dele permanece em vocês, e não precisam que alguém os ensine. Mas, como a unção dele os ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permaneçam nele, como também ela ensinou a vocês."
• Tiago 5.14-16 - "Alguém de vocês está sofrendo? Faça oração. Alguém está alegre? Cante louvores. Alguém de vocês está doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará. E, se houver cometido pecados, estes lhe serão perdoados. Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros, para que vocês sejam curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo."

Na atualidade, algumas igrejas possuem a prática de ungir objetos e pessoas. Porém, é preciso lembrar que na Dispensação da Graça, os elementos não são mais indispensáveis para a manifestação da presença e do poder de Deus. A unção do cristão tem origem na fé Cristo. Sobre a unção entre os cristãos usando elementos, a única circunstância em que o Novo Testamento aconselha a prática de ungir é em casos de crentes acometidos por doenças, sendo que os agentes da operação do milagres são a fé manifestada com oração em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor.

3. A unção sobre Davi.

Em um tempo caótico, o povo de Israel quis um rei e pediu para Samuel escolher um rei para eles (1 Samuel 8.1-22). Deus instruiu Samuel a ungir Saul para governar os israelitas, indicando a Saul, um rapaz da tribo de Benjamin, que foi ungido e se tornou o primeiro monarca dos judeus (10.1-27). Como soberano, Saul derrotou os amonitas, porque o Espírito era com ele, mas quando passou a agir impacientemente, ser teimoso e desobediente às orientações divinas, o Senhor o rejeitou e pediu a Samuel que ungisse o filho mais novo do belemita Jessé, neto de Boás e Rute, o garoto Davi, pastor de ovelhas, músico e poeta. (15.34 - 16.13; Rute 4.17).

1 Samuel 16.1-13 é uma seção bíblica que marca o final do livro, traz a história de Saul e Davi, mostrando que Davi se torna cada vez mais eminente enquanto Saul vai de mal a pior, terminado sua sua tragicamente. O decorrer dos capítulos mostra que ao reinar, Davi unificou as tribos de Israel em um só reino, trouxe paz a Israel e encontrou o favor de Deus. 

II - DAVI: O REI QUE ERA SERVO

1. O ungido servindo.

Um dos ensinamentos centrais do Antigo Testamento é que Deus é Rei. Esta metáfora é a principal usada pelo Senhor em seu relacionamento com o povo de Israel. E nesta perspectiva, Êxodo 15.18 proclama: "O SENHOR reinará eterna e perpetuamente". Porém, por meio da vida de Davi, o livro 1 Samuel nos revela que Deus não rejeitou a realeza humana. Em vez disso, há nas entrelinhas a expectativa que quando um rei humano "se assentar no trono do seu reino, mandará escrever num livro uma cópia desta lei, feita a partir do livro que está com os sacerdotes levitas. O rei terá esse livro consigo e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer o SENHOR, seu Deus, a fim de guardar todas as palavras desta lei e estes estatutos, para os cumprir" (Deuteronômio 14.18,19).

Deus escolheu se relacionar com a humanidade por meio  de alianças.  O livro 1 Samuel mostra a aliança de Deus com Davi. Deus escolheu a Davi entre os filhos de Jessé, o belemita, neto de Boaz e Rute (Rute 4.17), para ser o sucessor de Saul como rei de Israel (Rute 4.17). Sendo uma pessoa humilde, após ungido a rei ele não abandonou sua posição de servo e fez isso até que chegasse o momento de assumir o trono. Por sua postura humilde, Deus fez aliança com Davi. Uma aliança implica um relacionamento com compromissos, promessas. A aliança que Deus fez foi a promessa de que seus descendentes estariam sobre o trono de Israel para sempre. E esta promessa cumpriu-se, pois da sua linhagem Mateus traz a genealogia de José, que foi um dos descendentes de Davi (Mateus 1.1-16). No versículo 16, está escrito: "E Jacó gerou José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo" (Mateus 1.16).

2. O Espírito do Senhor se retira de Saul.

Por causa do coração endurecido Deus rejeitou a Saul e buscou uma pessoa que lhe agradasse para ser o líder sobre seu povo. E assim sua linhagem não permaneceu no trono. Ele não perdeu o trono devido ao poder dos filisteus, mas sim por causa da arrogância que abrigava em seu coração (1 Samuel 13.14). O apóstolo Paulo, fazendo menção dessa história, disse: "E, tendo tirado Saul, levantou-lhes o rei Davi, do qual também, dando testemunho, disse: 'Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade'.” (Atos 13.22).

Não há fatalidades nas Escrituras, mas uma disciplina terna para que o indivíduo se converta e conserte seus erros. O leitor da Bíblia pode observar que tanto as promessas quanto as sentenças de condenação são condicionais. Se por acaso Saul se arrependesse e mudasse de atitude, seu arrependimento com toda certeza seria a oportunidade para receber o perdão do Senhor e ao ser perdoado seu futuro seria repleto de dias abençoados. Como exemplo, podemos mencionar a história contida no livro de Jonas.

Davi era reconhecido como bom músico, pessoa valente, bom soldado, pessoa que comunicava-se de maneira bem articulada, alguém com boa aparência e que possuía comunhão com Deus (1 Samuel 16.18; 18.12-14.28). Este é o perfil resumido da pessoa que o Senhor escolheu para assumir a monarquia de Israel no lugar de Saul. Entretanto, ele não foi um ungido do Senhor por causa de seus atributos pessoais ou pela aparência física. Deus apontou Davi a Samuel para que o ungisse como o próximo rei de Israel observando seu intelecto inclinado para o bem, seus desejo e suas vontades e emoções pautadas nas Escrituras Sagradas.

As motivações que geram as atitudes de um ser humano refletem o seu coração e são conhecidos do Senhor antes que se manifestem (1 Samuel 16.7; Mateus 12.34-35). Ao cristão, cabe refletir sobre isso, pois o Espírito Santo se entristece e como a chama que se apaga sem a combustão do oxigênio, o Espírito é extinto em definitivo na vida de pessoas, se estas cometem pecados de modo consciente e repetido. Para conferência: Marcos 3.28-30; Efésios 4.30-32; 1 Tessalonicenses 5.19.

3. Deus levanta autoridades.

Enquanto Jesus contava acerca do serviço para o reino de Deus e acontecimentos que antecederiam a sacrifício na cruz, Tiago e João pediram ao Mestre que lhes concedesse o direito de se assentarem um à direita e outro à esquerda dEle. Tais posições conferiam honra e caracterizava autoridade. Estar sentado à direita de um rei era o lugar de maior honra, indicando poder, prestígio e autoridade. O lugar esquerdo era reservado para a segunda pessoa mais importante depois do rei.

Então, o Senhor respondeu-lhes que não sabiam o que estavam pedindo, pois se desejavam tal privilégio, deveriam antes seguir o exemplo que Ele lhes tinha dado. Deus veio ao mundo para servir, dar a sua vida em resgate da humanidade. Não é certo alimentar tal desejo. Não importa a posição em que Deus nos permite viver, precisamos cumprir a missão que a nós foi confiada. O posto de líder e de liderado precisa ser exercido com humildade (Marcos 10.35-45; Colossenses 3.17, 23).

III - DAVI: O REI QUE ERA GUERREIRO

1. O gigante Golias.

Após ser ungido, Davi teve diante de si um grande desafio, o qual foi temido por todo a nação israelita: enfrentar um gigante filisteu. Por quarenta dias, pela manhã e á tarde, o gigante desafiou os israelitas a lhe apresentarem um homem para um duelo, e Israel teve muito medo. Davi, no entanto, ao escutar uma única vez o que dizia aquele homem, indignou-se e questionou como um incircunciso poderia afrontar daquela maneira os exércitos do Deus vivo. E, imediatamente, se prontificou a reagir, quis enfrentá-lo sob a unção de Deus.

A expressão enfática "Socó que estava em Judá" (1 Samuel 17.1) mostra que as tropas de filisteus avançavam dentro dos limites territoriais do povo de Deus. Eles acamparam no monte Socó e os judeus o mantinham sob observação acampados em Azeca, tendo entre ambos os acampamentos o vale de Elá. As duas regiões até os dias atuais têm suas denominações preservadas, situam-se a oeste de Belém.

O gigante, cuja origem era Gate, uma das cinco cidades filisteias sobreviventes de uma raça antiga denominada anaquins, derrotados por Josué,era chamado de Golias (Josué 11.21,22; 1 Samuel 6.17; 17.1-11). Era um grande guerreiro, imenso em estatura, com aproximadamente 2,97 metros de altura. Ele surge no cenário do desafio e gabando-se de ter matado Hofni e Fineias, e levar a Arca para a casa do deus Dagom e também de ter tirado a vida de muitos outros israelitas. É possível que Golias tenha sido escolhido para fazer o desafio de duelo por causa de sua elevada estatura, uma vez que Saul era uma pessoa, do ombro para cima, mas alto do que qualquer um do seu povo, e se esperava que ele respondesse ao desafio (1 Samuel 10.23). 

2. Davi, ungido e cheio de fé.

Do versículo 12 ao 37, Davi surge como o menor, ou seja, o mais novo da casa de seu pai. A narrativa bíblica o apresenta levando comida aos seus irmãos no acampamento dos israelitas. Davi revela-se como uma pessoa de grande zelo,  fé e valentia.

Seu amor a Deus, fé e coragem fazem com que ele se disponha a querer lutar contra Golias. Frente ao grande e temido gigante, ninguém ousava lutar mesmo diante das propostas oferecidas por Saul - a mão de sua filha e a isenção de impostos para a família do vencedor. Ele não teme as armas de Golias, seu tamanho, sua experiência de guerra; por isso, ele prontamente de dispõe a lutar contra o gigante.

Davi possuía duas experiências de perigo, havia lutado e matado um leão e um urso para proteger o rebanho de seu pai, e estas situações de vitória serviram para que tivesse disposição para enfrentar o ameaçador filisteu, que afrontava  o exército do Deus vivo.

3. As armas do garoto.

Quando Davi se prontificou a enfrentar Golias, não houve quem manifestasse acreditar na capacidade do rapaz que pastoreava ovelhas. Mas Davi era um crente fortalecido pela fé, a vitória que parecia impossível aos olhos humanos para ele não significava motivo para não levantar-se em nome do Senhor dos Exércitos e, por fim, naquele que insultava Israel e o Altíssimo. Então, apenas a atiradeira e uma pedra foram peças mortais contra a parafernália que aparentemente protegiam o gigante, pois "Deus usa os que não são para confundir os que são" (1 Coríntios 1.28).

Como em muitos outros momentos, foi Deus quem deu esta surpreendente vitória ao seu povo (1 Samuel 17.37; 2 Crônicas 32.8; Salmos 20.7; 28.7,8; 33.16-19; Zacarias 4.6).

4. O contraste entre Davi e Golias

Descobertas arqueológicas na cidade de Nuzi, do século 16 a.C., permitiram que a couraça de escamas metálicas, com aproximadamente 57 quilos, ficasse conhecida. Centenas de escamas eram presas a couraça com barbante ao pano ou couro.

A aparência de Golias e instrumentos de guerra assustavam tanto Saul quando o exército israelita. O equipamento de Golias era pesado:
• Couraça feita de escamas de metal. Tinha como propósito proteger o corpo, incluindo caneleiras para proteger as pernas.
• Capacete de bronze, servia como proteção para a cabeça.
• Escudo retangular, provavelmente carregado entre os próprios ombros ou por um escudeiro, proporcionava grande proteção
• Lança com ponta de ferro, pesava aproximadamente 8,5 quilos.
As armas que protegiam Golias eram todas feitas de bronze, mas as que ele usava para ataque eram de ferro. A espada tinha lâmina chata e curva, parecida com um foice; a lança era semelhante a um dardo, contendo ponta perfurante de ferro

Tudo isso evidenciava que Golias não era somente um soldado afamado, mas bem armado e preparado para qualquer batalha sangrenta. Confiando na superioridade de seu equipamento, assim como em sua força física  experiência de guerreiro em combates campais, desafiava os soldados israelitas, pedia que alguém se apresentasse para duelar com ele num confronto individual. Havia em seu coração a certeza da vitória, estava tão seguro disso que prometeu entregar seus compatriotas à escravidão em caso de fracasso. Mas quando a inesperada derrota aconteceu, os filisteus não honraram essa promessa.

Davi tinha consciência que era inútil usar couraça e capacete de bronze, oferecido por Saul, e foi à luta com aquilo que tinha costume usar:
• Um cajado;
• Uma funda de pastor;
• Cinco seixos do ribeiro.
O cajado era usado para enxotar lobos e cães ferozes; a funda, que era feita de tira de couro, contendo um bolso no fundo, era usada por pastores na Síria, os benjamitas eram hábeis em seu manejo (Juízes 20.16; 1 Crônicas 12.1-2). O alforge era uma pequena bolsa para ser colocado dinheiro, e foi ali que Davi guardou as pedras. Com o cajado, pedra, funda, habilidade e pontaria para usar esses objetos rudes, Deus usou a Davi, o servo segundo o seu coração, que arremessou uma pedra uma úncia vez e esta encravou na testa de Golias, atingido pela pedrada ele caiu e logo teve sua cabeça cortada com sua própria espada (1 Samuel 17.48-51).

CONCLUSÃO

Golias representava os filisteus; Davi o povo de Deus e o próprio Deus. Enquanto o poderio de Golias dava esperança aos filisteus, a vulnerabilidade de Davi causava medo aos israelitas. O contraste entre os dois era motivo maior para a expressão do poder do Todo Poderoso, que não precisa usar a força física ou instrumentos de guerra para livrar seu povo.

O sucesso na obra de Deus só acontece quando há a consagração, se houver disposição para depender  plenamente do Espírito Santo (Romanos 1.1) Esta é razão pela qual Paulo fala que precisamos estar cheios dEle (Efésios 5.18). Com o Espírito na vida, o crente tem capacidade para desempenhar com denodo a obra de Deus. Tudo o que realizamos tem de estar sob a direção do Espírito. O batismo no Espírito é a capacitação divina máxima para o empreendimento da evangelização com resultados agradáveis a Deus.

E.A.G.

Compilação
O Governo Divino em Mãos Humanas - Liderança do Povo de Deus em 1º e 2º Samuel. Osiel Gomes. 1ª edição 2019. Páginas 103-104, 106-109. Bangu, Rio de Janeiro/RJ (Casa publicadora das Assembleias de Deus - CPAD).
Panorama da Bíblia. Sem autoria apresentada. 1ª edição julho de 2016. Páginas 54 e 55. Bangu, Rio de Janeiro/RJ (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD).
Pequena Enciclopédia Bíblica - Dicionário, concordância, chave bíblica, atlas bíblicos. Orlando Boyer. 30ª impressão 2012. Página 534, Orlando Boyer. Rio de Janeiro (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD).
1 e 2 Samuel - Introdução e Comentário. Joyce G. Baldwin. Série Cultura Bíblica. Páginas 136, 137, 140 a 143. Edição 1996. São Paulo / SP (Vida Nova).

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Introdução aos livros do Antigo Testamento.

Conclusão em andamento.

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